A operação militar conduzida pelos Estados Unidos contra a Venezuela, na madrugada de 3 de janeiro de 2026, ultrapassou em muito os limites de uma intervenção regional. Ela se impôs como um ponto de inflexão da geopolítica global na atualidade, devendo ser compreendida não como um episódio isolado, mas como o primeiro teste concreto da chamada “ordem mundial multipolar”. O sequestro do presidente Nicolás Maduro, sob o pretexto de “combate ao narcoterrorismo”, representou a aplicação prática de uma nova e agressiva doutrina de segurança norte-americana para o Hemisfério Ocidental. Trata-se de um marco que redesenha não apenas o equilíbrio regional na América Latina, mas os próprios limites da soberania, do direito internacional e da autonomia latino-americana. (mais…)
Mundo
O sequestro de Maduro e a terceira onda colonial. Por Vladimir Safatle
Por Vladimir Safatle*, em A Terra é Redonda
O colonialismo 3.0 não disfarça mais: suas razões são a pilhagem, e sua lógica, a força bruta. Resta-nos responder com a clareza de quem sabe que a próxima fronteira do império é nosso próprio quintal
1.
Entre 1884 e 1885, as principais potências ocidentais se reuniram em Berlim para decidir como elas partilhariam o território africano entre si. O evento foi conhecido como “Conferência do Congo”. Não faltaram discursos edificantes sobre tirar tais países da servidão, do atraso, a fim de trazer o progresso e a liberdade. O resultado final foi a consolidação de uma segunda fase do processo colonial europeu, que durou até os anos setenta do século passado, quando as coloniais portuguesas na África, as últimas pertencentes a uma potência europeia, enfim se libertaram. Durante esse quase um século, os africanos e asiáticos conheceram bem o que o “progresso e a liberdade” europeus efetivamente significavam. Saque de suas riquezas, genocídios, massacres administrativos, humilhação colonial. Nada muito diferente do que eles haviam feito séculos antes nas Américas, neste momento em que, pela primeira vez, o direito europeu se impôs como direito global. (mais…)
Venezuela: por que os EUA podem fracassar. Por Pedro Paulo Zahluth Bastos
O sequestro de Maduro reduz, mas não elimina a força do chavismo na Venezuela. Tampouco resolve o declínio hegemônico dos Estados Unidos. E Washington não é capaz de oferecer oportunidades de desenvolvimento que compitam com a alternativa chinesa
Por Pedro Paulo Zahluth Bastos, em Outras Palavras
1. A crônica de um ataque anunciado
A intervenção militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, culminando no sequestro de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, vem sendo preparada há muito tempo. Em artigo publicado na Carta Capital em fevereiro de 2019, intitulado “Donald Trump, o fim do globalismo e a crise na Venezuela”, argumentei que o então presidente revelava com franqueza inédita os verdadeiros objetivos do imperialismo estadunidense: não a defesa da democracia ou dos direitos humanos, nem o respeito (seletivo) de tratados internacionais pautados na ideologia liberal, mas o controle sobre recursos com valor estratégico e econômico. Já naquele momento, Trump criticava abertamente seus antecessores por não terem “tomado o petróleo” da Venezuela ou do Iraque, ou as terras raras do Afeganistão, explicitando uma lógica predatória que o discurso liberal tradicionalmente dissimulava. (mais…)
Petróleo e poder: Trump e Rubio querem interferir em toda América Latina, diz pesquisador
Além do lucro com petróleo, EUA miram países cujos líderes não sejam subservientes, diz pesquisador
Por Bruno Fonseca | Edição: Marina Amaral, em Agência Pública
Petróleo ou poder? Esses dois aspectos ficaram evidentes na fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando tentou justificar o ataque ilegal à Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro durante o pronunciamento de quase uma hora feito no sábado, 3 de janeiro, na Flórida. (mais…)
Celso de Mello explica a ilegalidade do sequestro de Maduro
Ex-presidente do STF explica as implicações do ato conduzido por Donald Trump na Venezuela e faz um alerta sobre o impacto no direito internacional
Neste fim de semana, recebi do ex-presidente do STF, Celso de Mello, uma explicação profunda e detalhada da violação que representou o que ele mesmo chamou de “o sequestro internacional de Maduro e sua esposa pelos EUA”. (mais…)
Trump ataca a Venezuela, prende casal Maduro e leva tensão à fronteira da Amazônia
Após meses de ameaças, ofensiva militar contra embarcações venezuelanas e a declarações midiáticas bombásticas, Donald Trump tomou o poder da Venezuela, capturou Maduro e a esposa Cilia Flores, numa ação classificada pelo presidente norte-americano como “jamais vista desde a segunda guerra mundial”. O petróleo venezuelano está em poder dos EUA. Lula condenou a ação militar. Na fronteira entre os dois países há terras indígenas como dos povos Yanomami, invadida por garimpeiros. A APIB alerta para o aumento da violência
Por Elaíze Farias e Kátia Brasil, da Amazônia Real
Manaus (AM) – Ao atacar o poder da Venezuela e capturar ilegalmente o presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, na madrugada deste sábado (03), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assusta o mundo e preocupa o governo brasileiro, os defensores dos direitos humanos, especialistas e lideranças dos povos indígenas no Brasil. Os países fazem fronteira pelas cidades brasileira de Pacaraima e venezuelana Santa Elena do Uairén. A fronteira ficou fechada apenas do lado da Venezuela até por volta das 15 horas – no horário de Brasília. (mais…)
O Império Yankee se prepara para o fim do mundo! Por Orlando Calheiros
Enquanto acreditamos nas falsas promessas da ONU e na esperança da decadência do império, ele se atualiza e se prepara para o fim do mundo!
em Café Amargo
Fotos em preto e branco. Saigon, Vietnã. Centenas se amontoam no topo de um prédio do governo dos EUA, disputando espaço, oxigênio e esperança, na expectativa de embarcar em um helicóptero pequeno demais para tanta gente. Longe dali, em um porta-aviões, militares estadunidenses empurram ao mar helicópteros do então governo do Vietnã do Sul — seus aliados, seus subordinados — para abrir espaço aos fugitivos do continente. Enquanto isso, o Exército do Vietnã do Norte avança, pronto para ocupar a capital. (mais…)
