Dowbor: o conto ideológico do capitalismo financeiro

Como um sistema que produz sem cessar miséria e desigualdade tenta apresentar-se como legítimo? Resposta inclui esvaziamento da democracia, bloqueio do acesso ao conhecimento e o conto de fadas do “mérito”. Mas as fissuras alargam-se…

Por Ladislau Dowbor, em Outras Palavras

O CONTO IDEOLÓGICO: A NARRATIVA DO MERECIMENTO

Os sistemas precisam construir a justificação ideológica da sua razão de ser. A exploração, ou seja, a apropriação do excedente social por uma minoria, vai buscar uma explicação aceitável, uma narrativa, como hoje dizemos, ainda que enganadora. A superestrutura organizada de poder buscará formar um sistema articulado que se sustente. Será normalmente a combinação de um mecanismo de extração da riqueza social com uma ampla construção ideológica destinada a explicar a exploração em nome de algum tipo de merecimento das classes superiores, justificando uma forma de apropriação do trabalho de terceiros (escravos, servos, assalariados ou, ainda, terceirizados, segundo a época e as regiões), e o uso da força policial e militar em nome da ordem e da segurança do povo.

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Brasil tem sete casos de doença causada por cigarros eletrônicos

por Maíra Mathias, em Outra Saúde

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O Intercept fez uma descoberta importante: a doença associada aos cigarros eletrônicos chegou ao Brasil, mesmo que os dispositivos sejam proibidos por aqui. Por meio da Lei de Acesso à Informação, a Anvisa teve de admitir que recebeu sete notificações de brasileiros com Evali – sigla para “E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury” – entre 18 de novembro de 2019 e 27 de agosto deste ano. São quatro homense três mulheres, com idades entre 21 a 41 anos. Três doentes precisaram ser internados e dois receberam alta com sequelas. Os registros foram feitos em São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

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O mundo em que vivemos perigosamente. Por Marcio Sotelo Felippe

Na Revista Cult

Johanna Altvater nasceu em Minden, Vestfália, em 1920, filha de operários. Em 1935 fez um curso de secretária comercial. Foi descrita na juventude como uma “mistura de moleca e namoradeira engraçada”. Em seu primeiro trabalho registraram ser “pontual, trabalhadora, honesta e muito interessada no trabalho”. Casou-se em 1953, adotando o nome do marido, Zelle. Não teve filhos naturais, mas tomou a seus cuidados uma criança de seis anos. Pagou seus estudos e depois a adotou. Morreu em Detmund, em 2003, aos 84 anos de idade.

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O que as doenças falam sobre nós

por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

DIGA-ME O QUE TENS

Saíram os novos dados do Estudo Global de Carga de Doenças (GBD, na sigla em inglês), com informações que vão de 1990 a 2019 e abrangem 204 países. Há poucas boas notícias, então vamos começar por elas: no período, a expectativa de vida saudável – o tanto que uma pessoa pode esperar ter boa saúde – aumentou 6,5 anos. Enfermidades que afetam gestantes e crianças diminuíram 55%. E os esforços para combater doenças neonatais e maternas, além das infecciosas, tiveram resultados particularmente bem-sucedidos nos países de baixa e média renda. 

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Deep-fake, a arma radical contra a democracia

Como tornou-se possível hackear a realidade, manipulando-a de forma tão crível. As implicações dramáticas na política: pode haver debate público em meio a múltiplos mundos paralelos? Como ultradireita planeja criar um caos cognitivo

Por Tomás Rodríguez Ansorena*, na Nueva Sociedad // Tradução de Simone Paz, em Outras Palavras

Em menos de seis anos, o desenvolvimento da inteligência artificial tornou possível que quase qualquer um pudesse criar imagens falsas indistinguíveis da realidade. Do negócio pornográfico ao golpe no Gabão, a Internet dissemina essa nova ameaça fantasma: a de nunca mais sabermos o que é verdade.

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Começa batalha contra as patentes na Organização Mundial do Comércio

por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

BATALHA PELO ACESSO

Começa hoje a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) que vai debater a proposta de Índia e África do Sul sobre a quebra temporária das patentes de todas as tecnologias de saúde necessárias ao enfrentamento da pandemia. A ideia será debatida no Conselho TRIPS – sigla para o acordo que protege patentes no comércio internacional, mas prevê exceções em casos específicos. 

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Entre o desejo de ser logo imunizado e a realidade: variáveis da vacina

por Raquel Torres, em Outra Saúde

DA INTENÇÃO À REALIDADE

Uma pesquisa do Datafolha em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife mostrou que, nessas capitais, mais de 70% da população é favorável à obrigatoriedade da vacinação contra a covid-19. Além disso, pelo menos três quartos da população em tais cidades pretende se vacinar logo que seja possível (o maior percentual, 81%, foi registrado em Belo Horizonte). 

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Shoshana Zuboff: “O neoliberalismo destroçou tudo. Temos que começar do zero”

A filósofa e professora emérita da Harvard Business School deu nome a um fenômeno que domina o mundo: o capitalismo de vigilância. Acredita que é possível conter o Facebook, o Google e a Amazon

Por Carmen Pérez-Lanzac, no El País

Shoshana Zuboff (Nova Inglaterra, Estados Unidos, 1951) realizou o sonho de todo ensaísta com seu livro The Age of Surveillance Capitalism (a era do capitalismo de vigilância): reconhecer, dissecar e dar nome a uma tendência econômica que já estava em andamento havia 20 anos. A filósofa e professora emérita da Harvard Business School diz que sempre foi “uma ativista em letras minúsculas”, mas que a publicação deste livro a tornou uma ativista em letras maiúsculas. O objetivo é muito importante. Zuboff também é uma das protagonistas de O Dilema das Redes, documentário da Netflix que revela a variedade de efeitos nocivos das redes sociais e que está tendo muita repercussão. Zuboff dá a entrevista de sua casa no Maine (nordeste dos EUA). É cordial, bem norte-americana: te chama pelo nome e de vez em quando ajuda a se fazer entender usando palavras em espanhol.

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Boaventura: A Europa entre os EUA e a China

Em busca de alinhamento incondicional, EUA pressionam, chantageiam e tentam desmantelar a União Europeia. Pequim, em contrapartida, propõe mais trocas — e diz buscar diálogo e respeito à autonomia. Para onde trilhará o Velho Continente?

Por Boaventura de Sousa Santos. no Outras Palavras

As declarações do embaixador dos EUA em entrevista ao Expresso de 26 de Setembro ofendem os portugueses e violam os códigos diplomáticos [ao citado jornal, George Glass afirmou que “Portugal tem de escolher entre os aliados e os chineses”, o que indignou o país, e gerou uma réplica do presidente Marcelo Rebelo de Sousa: “em Portugal, quem decide acerca dos seus destinos são os representantes escolhidos pelos portugueses”]. Sabemos que este é o estilo agressivo de interferência nos assuntos internos de países-vassalos ou “repúblicas das bananas”. Não se imaginam declarações públicas deste tipo num país da Europa do Norte. Se houvesse tentativa de publicação, é duvidoso que algum jornal não sensacionalista a viabilizasse, exceto como publicidade paga. As declarações do embaixador têm, no entanto, um tempo e um contexto precisos.

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Manifestações denunciam “agressões do imperialismo” em aliança de Trump e Bolsonaro

Atos fazem parte da Semana Anti-Imperialista, organizada por articulações de todo o mundo

Redação Brasil de Fato

Nesta sexta-feira (9), atos contra o imperialismo na América Latina ocorrem em pelo menos 15 municípios brasileiros. As manifestações fazem parte da Semana Anti-Imperialista, realizada entre os dias 5 e 10 de outubro, cujo objetivo é expor as “agressões do imperialismo em todo o mundo, e fazer um chamado conjunto para que, unidos, os povos possam superar esse período de incerteza”. 

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