A última chance de salvar Julian Assange

Neste sábado, Londres fará manifestação em sua defesa. Dois dias depois, um juiz britânico poderá despachar, ao canto mais sombrio do inferno prisional norte-americano, o jornalista que expôs as mentiras e horrores da “democracia” imperial

Por John Pilger, no Consortium News| Tradução: Simone Paz, em Outras Palavras

Neste sábado, em Londres, haverá uma marcha da Australia House à Praça do Parlamento, o centro da democracia britânica. Os manifestantes levarão fotos do editor e jornalista australiano Julian Assange. No próximo 24 de fevereiro [segunda-feira de Carnaval], ele estará diante de um juiz, que decidirá. se deve ou não ser extraditado para os Estados Unidos, para morrer em vida.

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O movimento global de justiça ambiental e o EJAtlas

A economia neoliberal triunfa desde a década de 1970. Esse fundamentalismo de mercado é um grande inimigo do meio ambiente

por Joan Martinez-Alier*, em CartaCapital

O Atlas de Justiça Ambiental, co-dirigido por Leah Temper e por mim, coordenado por Daniela Del Bene, é financiado por uma subvenção da European Research Council ao projeto “EnvJustice” no ICTA UAB. Atingiu mais de três mil fichas em janeiro de 2020, permitindo avanços no estudo da Ecologia Política Comparada. Começou seu caminho público em 2014 com 920 casos. Mais de cem pessoas (remuneradas ou voluntárias) contribuíram com fichas para o EJAtlas que, antes de serem publicadas, são checadas cuidadosamente. Essas três mil fichas do catálogo representam uma amostra bastante grande fornecida por estudantes universitários ou ativistas em um total de conflitos ambientais que ninguém sabia o que poderia ser, de dezenas ou de milhares, ao redor do mundo.

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Žižek: Trump versus Sanders e a implosão do sistema bipartidário nos EUA

Os EUA estão adentrando uma guerra civil ideológica na qual não há chão comum ao qual ambas as partes da disputa podem recorrer. Mas não nos enganemos: o verdadeiro conflito não está se dando entre as duas siglas do bipartidarismo estadunidense, mas no próprio interior de cada um dos dois partidos.

Por Slavoj Žižek*, no Blog da Boitempo

Duas semanas atrás, quando promovia seu novo filme na Cidade do México, Harrison Ford disse que “A América perdeu sua liderança moral e credibilidade”.1 Será mesmo? Mas afinal, quando foi que os EUA exerceram liderança moral sobre o mundo? Na gestão Reagan, na gestão Bush? Os Estados Unidos perderam o que nunca tiveram. Ou seja, perderam a ilusão (daí o termo “credibilidade” na colocação do ator) de que detinham essa liderança moral. Com Trump, só se tornou visível aquilo que desde sempre já era verdadeiro. Em 1948, logo no início da Guerra Fria, essa verdade foi formulada com um brutal franqueza por George Kennan:

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Por que a América Latina é a ‘região mais desigual do planeta’

A América Latina é tão desigual que uma mulher em um bairro pobre de Santiago, capital do Chile, nasce com uma expectativa de vida 18 anos menor que outra de uma área rica da mesma cidade, segundo um estudo. Em São Paulo, essa lógica também ocorre. Quem mora em Paraisópolis, uma das maiores favelas da cidade, vive em média 10 anos menos do que os moradores do Morumbi, bairro rico ao lado da comunidade, de acordo com o Mapa da Desigualdade, da ONG Rede Nossa São Paulo, que compila dados públicos.

por Gerardo Lissardy, em BBC News Mundo / IHU On-Line

A grande disparidade latino-americana também envolve a cor da pele ou a etnia: em comparação com os brancos, os negros e indígenas têm mais possibilidades de ser pobres e menos de concluírem a escola ou conseguirem um emprego formal.

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Esquerda e governo: ideias e lições históricas (2)

América Latina viveu notável diálogo entre esquerda marxista e desenvolvimentismo no pós-II Guerra. Foi especialmente rico no Brasil e no Chile de Allende. Conhecê-lo é essencial, no momento em que nova virada política parece se esboçar. Essa é a segunda parte de uma série de José Luis Fiori. A primeira pode ser lida aqui: Esquerda e governo: ideias e lições históricas (1). Argentina e México; em breve, Chile e talvez Colômbia. O pesadelo neoliberal recua na América Latina. Surgem novas experiências de poder. Para não repetir velhos erros, vale examinar a complexa relação entre a esquerda e o Estado capitalista

No Outras Palavras

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Antártica, 20 graus: o continente gelado emite sinal de alerta

Registro de recorde não é motivo de celebração

Por Sucena Shkrada Resk*, em Cidadãos do Mundo

Nem sempre os recordes são sinais de celebração. O que dizer, então, sobre o registro da temperatura de 20,75 graus C na Ilha Seymour, na Antártica, no último dia 9 de fevereiro? É bom frisar – GRAUS POSITIVOS, no continente gelado. O anúncio foi feito pelo cientista brasileiro Carlos Schaefer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que integra o Projeto brasileiro Terrantar (que monitora os impactos das mudanças climáticas em 23 locais na Antártica), ao jornal britânico The Guardian.

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Boaventura: o desenvelhecimento do mundo

Pessoas de todas as idades voltam a se insurgir. Buscam zonas libertadas de capitalismo, colonialismo e patriarcado. Sondam economias comunitárias, indígenas, feministas, cooperativas. E os poderes: irão finalmente envelhecer?

por Boaventura de Sousa Santos, em Outras Palavras

Na vida pessoal, o envelhecimento depende menos da idade fisiológica do que da idade social. A idade social é inversamente proporcional à capacidade de pensar, sentir e viver o novo como futuro, como tarefa, como presente por experimentar. É-se tanto mais jovem quanto maior é a capacidade de viver a vida como se ela fosse uma experiência de constantes recomeços que apontassem não para repetições do passado, mas antes para futuros – mapas por explorar e caminhos por trilhar com disponibilidade para enfrentar riscos, assumir ignorâncias e responder a desafios novos. É o futuro como antecipação, como “ainda não”, como latência, como potência. Como sabemos que nunca vivemos senão no presente, o futuro é sempre o presente incompleto, o presente como tarefa, como acontecimento, pelo qual somos pessoalmente responsáveis. Ter futuro é ser dono do presente. Pelo contrário, é-se tanto mais velho quanto mais se vive convencido de que o mundo já decidiu por nós o que podemos esperar ou não esperar e que, consequentemente, o futuro está fechado para nós. Envelhecer é, pois, viver de repetição ou em repetição como se cada repetição fosse única e irrepetível. É passar os dias como se fossem os dias a passar com a indiferença do passeio diário.

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“Só um movimento revolucionário de massas pode acabar com o capitalismo”. Entrevista com Michael Löwy

Falar sobre o marxismo hoje exige uma referência obrigatória: a de Michel Löwy (São Paulo, 1938), que também é um dos mais fortes impulsionadores do ecossocialismo anticapitalista. O ex-diretor de pesquisa do Centro Nacional da Pesquisa Científica na França acaba de publicar [na Espanha] “Cristianismo de liberación” (El Viejo Topo), um ensaio onde constrói um espaço de entendimento e luta conjunta entre revolucionários cristãos, ateus e agnósticos, a partir da releitura de certos clássicos como Marx, Engels e Bloch, mas também de Benjamin e Boff.

por Esther Peñas, em Ctxt. A tradução é do Cepat / IHU On-Line

Modificando a definição que alguns revolucionários franceses davam de si mesmos, seria possível dizer que somos marxistas porque somos cristãos?

Bom, eu faria a formulação de um modo um pouco diferente: “Somos marxistas porque incorporamos e colocamos em prática a mensagem revolucionária do Evangelho”.

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Adaptação à Mudança do Clima: do papel à ação, uma longa distância

Reflexo de temporal em SP, nesta semana, abre uma discussão importante sobre o papel do planejamento urbano

Por Sucena Shkrada Resk*, Blog Cidadãos do Mundo

Vocês já devem ter ouvido dizer pelo menos uma vez que o Brasil é um dos países com maior arcabouço legal na área socioambiental. Isso não quer dizer, entretanto, que reflita na execução destes instrumentos. Maior prova recente disso são os efeitos desastrosos dos temporais na região metropolitana de São Paulo e interior, que se avolumaram devido ao mau planejamento urbano de décadas e séculos, e ausência de sistemas de precaução e adaptação. Se o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, criado em 2016,  e a Política Estadual de Mudanças Climáticas (2009), realmente estivessem regulamentados  e em vigor, mortes, desabamentos, deslizamentos e enchentes, entre outros danos, poderiam ter sido amenizados mesmo com os altos índices pluviométricos. Vale dizer, índices que tendem a ser mais rotineiros no nosso dia a dia.

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A uberização sem volta e a pedagogia do socialismo

É inútil esperar que um rompante ético afaste o capitalismo do ataque aos direitos sociais. História demonstra: só ameaçadas as corporações e os bilionários recuam. É preciso fazê-los temer por seus dedos, para que entreguem anéis

Por Gustavo Freire Barbosa*, em Outras Palavras

Dados recentes do IBGE apontam para uma leve diminuição nos índices de desemprego, fechando em 11,2% no trimestre encerrado em novembro, o que totaliza 11,9 milhões de pessoas. Há um ponto, porém, que chama a atenção: o aumento da informalidade, com alta de 1,2% ou de 24,6 milhões, recorde na série histórica do IBGE. Hoje, 41,4% dos trabalhadores brasileiros têm vínculos de trabalho precários. São quase 40 milhões cujos dias são de par em par, diria Cazuza.

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