Pandemia: a estratégia da ultradireita é esconder

Além da negligência, ocultamento No Brasil, EUA e Reino Unido, multiplicam-se sinais de que os governos omitem dados sobre mortes, falta de medicamentos e até vacinas. E mais: acirra-se a disputa pelas vacinas contra a covid-19

por Maíra Mathias, em Outra Saúde

CAIXA-PRETA

Há 15 dias a sociedade não tem informações sobre como andam os estoques de medicamentos necessários ao tratamento de pacientes internados em UTIs. Os últimos dados foram divulgados no dia 20 de julho pelo Conass, o conselho que reúne os secretários estaduais de saúde, e fazem referência ao período entre os dias 12 e 18 daquele mês. 

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Não! A volta ao normal, não! Por George Monbiot

Uma sucessão de enquetes revela: populações rejeitam a “normalidade” que gerou consumismo, destruição, crises e catástrofes. Os donos do mundo querem forçar o regresso a este pesadelo. Mas a saída do labirinto terá de ser anormal

Por George Monbiot*, no The Guardian | Tradução de Simone Paz, em Outras Palavras

Em algum lugar do mundo, que não consta em nenhum mapa, mas que está tentadoramente perto, há uma terra prometida chamada Normal, para a qual algum dia poderemos voltar. Esta é a geografia mágica que certos políticos nos ensinam, como Boris Johnson com sua “significativa volta à normalidade“. É a história que contamos para nós mesmos — sem importar se a contradizemos logo em seguida, no próximo pensamento.

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Caminhos para enterrar um sistema moribundo

A autofagia dos neoliberais produziu duas grandes crises em menos de 20 anos e abriu caminho ao fascismo. Mas, para criar novas rebeldias e sonhos coletivos, a razão e boas ideias não bastarão — será preciso também mobilizar emoções

Walden Bello em entrevista a Francesca Lancini, no LifeGate | Tradução: Simone Paz, em Outras Palavras

Walden Bello: uma vida vivida em nome dos direitos humanos. Desde o combate à ditadura nas Filipinas até o desenvolvimento de propostas para um mundo pós-pandemia mais igualitário: se são as ações que determinam a grandeza de um ser humano, então ele é, em todos os aspectos, um gigante.

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A ciência avança na detecção precoce do Alzheimer

por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

MAIS PERTO DE SABER

Uma equipe de cientistas de vários países anunciou ontem uma boa descoberta: um exame de sangue experimental desenvolvido por eles conseguiu diagnosticar a doença de Alzheimer de forma precisa, barata e pouco invasiva. O teste foi usado em mais de 1,4 mil pessoas na Suécia, nos Estados Unidos e na Colômbia, e mediu a quantidade da proteína fosfo-tau217, cuja concentração é elevada no sangue de pessoas com a doença. Segundo os autores, foi possível prever a demência com uma precisão que variou entre 89% e 98% – mas ainda são necessários estudos com populações mais diversas e em ensaios randomizados antes que o exame possa estar disponível. Os resultados foram apresentados na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer e publicados na revista JAMA.

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Pandemia consolida guinada bilionária da indústria farmacêutica

por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

DE VENTO EM POPA

Não sabemos quais vacinas vão se mostrar seguras e eficazes contra o coronavírus, nem quando. Mas a pandemia começou a turbinar as contas dos executivos e investidores das empresas envolvidas com a pesquisa muito cedo, bem antes que qualquer pessoa possa pensar em tomar uma dose: bastam as boas notícias sobre os resultados dos estudos, ainda que incipientes. Nos Estados Unidos, ser selecionada para a Operação Warp Speed (um programa de investimentos do governo federal para desenvolver imunizantes rapidamente) pode ser um verdadeiro passaporte para grandes lucros. E algumas companhias – muitas vezes pequenas, dependentes de apenas um medicamento – estão experimentando uma valorização inédita.

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O poder de compra dos EUA

por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

NEGÓCIO FECHADO

Por US$ 1,95 bilhão (R$ 9,9 bilhões), o governo Donald Trump fechou um negócio com a Pfizer e a BioNTech pela produção e entrega de cem milhões de doses da vacina BNT162, uma das duas candidatas desenvolvidas pelas companhias. Acontece que, até o fim deste ano, não vão ser produzidas mais do que cem milhões de doses, e por isso várias manchetes anunciaram que o país havia comprado antecipadamente tudo o que estaria disponível em 2020. À noite, a Pfizer desmentiu a notícia, afirmando que a compra se refere a 2020 e a 2021 e que, nesse período, devem ser fabricadas ao todo 1,3 bilhão de doses. 

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Réquiem por uma utopia defunta. Por José Luís Fiori

Trinta anos depois de se tornarem potência imperial, EUA vão às urnas. Seu poder já não é ilimitado; a “nova ordem” que quiseram impor dissolve-se; e até a tentativa, liderada por Trump, de negar tudo o que fora dito, já parece naufragar

Outras Palavras

I’m not even here to persuade you
that the liberal international order
is necessarily all bad.
I´m just here to persuade you that it´s over

Niall Ferguson. The end of the liberal order
London: Oneworld Book, 2017, p. 6

Tudo começou na madrugada do dia 10 de novembro de 1989, quando se abriram os portões que dividiam a cidade de Berlim. Depois, como se fosse um castelo de cartas, caíram os regimes comunistas da Europa Central, dissolveu-se o Pacto de Varsóvia, reunificou-se a Alemanha, e desintegrou-se a União Soviética. E o fim da Guerra Fria foi comemorado com se fosse a vitória definitiva da “democracia”, do “livre mercado”, e de uma nova “ordem ética internacional”, orientada pela tábua dos “direitos humanos”.

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Duas potenciais vacinas e seus resultados positivos

por Raquel Torres, em Outra Saúde

BONS VENTOS DE OXFORD

Não dá para sonhar que uma vacina segura e eficaz estará disponível num piscar de olhos, mas ontem tivemos notícias animadoras vindas de ensaios clínicos. A primeira delas já havia sido adiantada pela imprensa britânica alguns dias atrás e agora foi confirmada por um estudo revisado por pares, publicado na revista The Lancetem testes com 1.077 voluntários saudáveis, a vacina da Universidade de Oxford e da gigante farmacêutica AstraZeneca demonstrou induzir fortes respostas, tanto de anticorpos neutralizantes quanto de células T. Não houve efeitos colaterais graves.

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Žižek: A dialética paralisada da pandemia

Nossa vida social não está paralisada por estarmos tendo que obedecer a regras de isolamento social e quarentena – nesses momentos de aparente paralisia, as coisas estão mudando radicalmente. A rejeição ao lockdown é na verdade uma rejeição à mudança.

No Blog da Boitempo

O simples que é difícil de fazer

Os marxistas tradicionais costumavam estabelecer uma distinção entre o comunismo propriamente dito e o socialismo, que seria sua etapa inicial, inferior (na qual o dinheiro e o Estado ainda existiriam, os trabalhadores ainda recebem salários e assim por diante). Na União Soviética houve um debate em 1960 sobre onde eles se encontrariam nesse quesito, e a conclusão foi que embora não estivessem ainda no comunismo pleno, tampouco se encontravam na sua etapa inferior (o socialismo). O resultado foi a introdução de uma distinção adicional entre uma fase inferior e superior do próprio socialismo… Ora, será que algo semelhante não está ocorrendo agora com a epidemia da covid-19? Até cerca de um mês atrás, nossa mídia estava recheada de alertas sobre uma segunda e muito mais potente onda da epidemia que ocorreria no outono e no inverno.

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Um milhão de casos: a escalada indiana

Por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

UM NOVO GIGANTE

A Índia ultrapassou na sexta-feira a marca de um milhão de infectados pelo novo coronavírus, chegando ao terceiro lugar na lista dos países mais afetados. Ontem houve um novo recorde diário, com 40 mil novos casos em 24 horas. Quando se trata do número de óbitos (27,4 mil até aqui), está em oitavo lugar.

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