A Revolta Latina, a crise dos EUA e a esquerda. Por José Luís Fiori

Por José Luís Fiori, em Outras Palavras

Muitos no Departamento de Estado
perderam o respeito por Mike Pompeo –
por um bom motivo. Seu comportamento
é uma das coisas mais vergonhosas
que já vi em 40 anos de cobertura
da diplomacia americana”.

Thomas Friedman, no New York Times

Num primeiro momento, pensou-se que a direita retomaria a iniciativa, e se fosse necessário, passaria por cima das forças sociais que se rebelaram, e surpreenderam o mundo durante o “outubro vermelho” da América Latina. E de fato, no início do mês de novembro, o governo brasileiro procurou reverter o avanço esquerdista, tomando uma posição agressiva e de confronto direto com o novo governo peronista da Argentina. Em seguida interveio, de forma direta e pouco diplomática, no processo de derrubada do presidente boliviano, Evo Morales, que havia acabado de obter 47% dos votos nas eleições presidenciais da Bolívia. A chancelaria brasileira não apenas estimulou o movimento cívico-religioso da extrema-direita de Santa Cruz, como foi a primeira a reconhecer o novo governo instalado pelo golpe cívico-militar e dirigido por uma senadora que só havia obtido 4,5% dos votos nas últimas eleições. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro procurou intervir no segundo turno das eleições uruguaias, dando seu apoio público ao candidato conservador, Lacalle Pou – que o rejeitou imediatamente – e recebendo em Brasília o líder da extrema-direita uruguaia que havia sido derrotado no primeiro turno, mas que deu seu apoio a Lacalle Pou no segundo turno.

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No centro da revolta global, o feminismo

Cientista política argentina busca entender o protagonismo das mulheres, nas lutas atuais contra o neoliberalismo. Suas hipóteses falam da revalorização do desejo e da percepção de que politica precisa sacudir ruas, casas, fábricas e camas

Veronica Gago, entrevistada por Roxana Sandá | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Uma raiva de séculos envolve a América Latina e ressoa com amargura. O movimento de mulheres, lésbicas, trans e travestis levanta-se contra a caça feroz desencadeada após o golpe de Estado na Bolívia e faz frente ao aparato repressivo no Chile. São milhares de corpos acendendo fogos de rebelião para desafiar as fobias racistas e de classe, as fobias colonialistas e dominantes que cospem sobre quem luta por uma alternativa de poder feminista, antipatriarcal, antiextrativista e descolonizante. Os jovens enfrentam o maquinismo neoliberal para que não continue empobrecendo suas famílias. Enquanto se escreve este texto, a resistência já dura semanas. “A História é nossa e o futuro também”, declaram graffitis pintados na urgência.

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Bolívia: o golpe visto em profundidade

Quem compõe as hordas que atacam forças populares. Como oposição fragmentada se articulou contra Evo. O papel da OEA no golpe. Por que governo se descolou das bases. Quais as perspectivas após o “acordo” para novas eleições

por Aldo Duran Gil, em Outras Palavras

Introdução

As violentas jornadas da direita com traços fascistas de outubro e novembro de 2019 tinham como objetivo provocar a renúncia de Evo Morales à presidência da Bolívia. Morales foi praticamente obrigado a deixar o cargo para que a oposição parasse de incendiar prédios públicos, violentar e torturar militantes, funcionários públicos integrantes do partido de governo Movimento ao Socialismo (MAS) com conivência da polícia e do exército. Esse golpe e a situação política boliviana atual, cheias de incerteza sobre o desenlace imediato e de médio prazo, merecem uma reflexão crítica sobre o caráter do golpe e que serve como introdução para uma análise mais aprofundada acerca da natureza das reformas e transformações socioeconômicas realizadas pelo governo Morales no país desde 2006.

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Chomsky: o declínio e a arrogância dos EUA

Washington perde hegemonia a cada ano, à medida em que emergem potências como a China. Tenta compensar com força militar e embrutecimento. A esta queda deve-se a perseguição a Julian Assange — cuja vida corre risco

Noam Chomsky, entrevistado por Patrick Farnsworth, no Le Monde Diplomatique / Outras Palavras

Sem whistleblowers e jornalismo investigativo, governos são livres para abusar de seu poder e manter a população no escuro sobre as atrocidades que cometem, não apenas aos outros, mas também às pessoas que supostamente representam. Estamos testemunhando as duras consequências de desafiar o poder do Estado com o editor do WikiLeaks, Julian Assange, enfrentando uma audiência de extradição em fevereiro, e  whistleblowers como Chelsea Manning cumprindo pena por repetidamente se recusar a testemunhar perante um grande júri contra Assange. Se houvesse alguma ilusão sobre qual é o preço de responsabilizar os sistemas de poder por seus crimes, esses dois casos em particular deveriam dissipar essas noções indefinidamente.

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Uruguai: a disputa prossegue nas ruas

Contagem não é definitiva, mas direita pode voltar ao poder após 15 anos de Frente Ampla. Pesquisas influíram, ao sugerir falsamente disputa liquidada. Provável governo prepara reformas ultraliberais — mas enfrentará forte resistência

Por Nicolás Centurión, em La Estrategia | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Aconteceu o segundo turno das eleições no Uruguai e tudo indica que a direita, juntamente com a ultradireita, voltará ao governo, depois de 15 anos ininterruptos de governo da Frente Ampla.

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Quando a esquerda volta a instigar a juventude

Inspirações para sair do labirinto: no Reino Unido, o Momentum, criado há quatro anos, ressuscitou o Partido Trabalhista, livrou-o de uma burocracia encarquilhada e pensa agora vencer as eleições e reverter décadas de neoliberalismo

Por Ruby Lott-Lavigna, em Vice | Tradução: Simone Paz e Gabriela Leite, em Outras Palavras

Estou num escritório surrado em Finsbury Park, na região norte de Londres. Um letreiro colado à parede apresenta uma contagem regressiva até 12 de dezembro. Diz: “30 dias para o socialismo”. Outro cartaz lista os restaurantes locais, juntamente com um lembrete que incentiva as pessoas a “considerarem gastar seu dinheiro em um deles, em vez de numa cadeia sonegadora de impostos”. Tirando essas placas da parede, o espaço se parece com qualquer outro escritório — laptops em todo lugar, tapetes feios, o murmúrio baixo da conversa telefônica. A diferença é que as pessoas que trabalham aqui não tentarão vender nada para você. Eles estão aqui para ganhar uma eleição.

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Médicos alertam: Julian Assange, do WikiLeaks, pode morrer na cadeia

Carta assinada por uma junta de mais de 60 profissionais é clara. “Assange precisa de atendimento médico urgente por seu estado físico e psicológico”

Por Redação RBA

São Paulo – O ativista Julian Assange, famoso por seu trabalho como fundador do WikiLeaks, está sob séria ameaça de morrer nas mãos da Justiça inglesa. O alerta foi feito por um grupo de 60 médicos, que elaborou uma carta apelando para que Assange seja encaminhado para um hospital. Ele foi preso em abril após ser retirado a força da embaixada do Equador em Londres, onde passou sete anos como asilado político.

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Feministas e povos originários orientam nossos passos. Artigo de Raúl Zibechi

“No meu modo de ver, o surgimento de povos originários e feministas está modificando a velha cultura política com maior profundidade que qualquer debate ideológico. O impacto é altíssimo e não é fácil de medir”, avalia  Raúl Zibechi, jornalista e analista político uruguaio. “Está nascendo um modo antipatriarcal e anticolonial de fazer política”, considera.

por La Jornada, em Cepat / IHU On-Line

Eis o artigo.

As ruas de Santiago seguem ocupadas por milhares de pessoas que não as abandonam, apesar da repressão, muito menos pelo acordo assinado entre o governo e a oposição para desmobilizar os protestos. Trata-se do  Acordo  pela paz e a nova Constituição, que não garante nem uma e nem outra e que é uma mostra de que os políticos continuam virando as costas para a população.

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Thomas Piketty: “Proponho um imposto que permita dar 120.000 euros a todo mundo aos 25 anos”

Thomas Piketty (Clichy, 1971) se consagrou há cinco anos como um dos economistas mais influentes de sua geração. Seu livro O Capital no Século XXI contribuiu para colocar as desigualdades de renda e patrimônio no centro do debate na Europa e nos Estados Unidos. Piketty, professor da Escola de Economia de Paris, publica agora na Espanha Capital e Ideologia (ainda sem previsão de lançamento no Brasil). Ao longo de 1.200 páginas que cobrem quase meio milênio e quatro continentes, disseca as ideologias que justificaram as desigualdades. E fixa o foco na propriedade privada: a chave que explica tudo.

por Marc Bassets, em El País / IHU On-Line

Eis a entrevista.

O senhor fala em “superar” o capitalismo e a propriedade privada. Superar é um eufemismo? Por que não aboli-los, diretamente?

Prefiro “superar”. Se disséssemos “abolir” ou “suprimir”, seria meramente negativo. Superar permite mostrar que se trata de um processo e obriga a dizer com qual sistema vamos superá-lo.

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