“A crise da Covid-19, a mais grave crise sanitária mundial em um século, obriga-nos a repensar a noção de solidariedade internacional”. Artigo de Thomas Piketty

Ao se recusarem a levantar as patentes das vacinas contra a Covid-19, os ocidentais mostraram sua incapacidade de levar em conta as necessidades dos países do Sul, avalia o economista Thomas Piketty, diretor de Estudos da École des Hautes Études en Sciences Sociales, Escola de Economia de Paris, em artigo publicado por Le Monde. A tradução é de André Langer.

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A crise da Covid-19, a mais grave crise sanitária mundial em um século, obriga-nos a repensar fundamentalmente a noção de solidariedade internacional. Além do direito de produzir vacinas e equipamentos médicos, é toda a questão do direito dos países pobres de se desenvolverem e de captarem parte das receitas tributárias das multinacionais e dos bilionários do planeta que deve ser questionada. Precisamos abandonar a noção neocolonial de ajuda internacional, paga de boa vontade pelos países ricos, sob seu controle, e passar finalmente para uma lógica de direitos.

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Boaventura: A guerra geoestratégica vacinal

“Está instalada uma guerra geoestratégica vacinal muito mal disfarçada por apelos vazios ao bem-estar e à saúde da população mundial.”

No Blog da Boitempo

É hoje consensual que a atual pandemia vai ficar conosco muito tempo. Vamos entrar num período de pandemia intermitente, cujas características precisas ainda estão por definir. O jogo entre o nosso sistema imunitário e as mutações do vírus não tem regras muito claras. Teremos de viver com a insegurança, por mais dramáticos que sejam os avanços das ciências biomédicas contemporâneas. Sabemos poucas coisas com alguma certeza.

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Negacionismo na pandemia: a virulência da ignorância

Durante a pandemia do Covid-19, o negacionismo no Brasil tomou proporções alarmantes, manifestando-se na negação ou minimização da gravidade da doença, no boicote às medidas preventivas, na subnotificação dos dados epidemiológicos, na omissão de traçar estratégias nacionais de saúde, no incentivo a tratamentos terapêuticos sem validação científica e na tentativa de descredibilizar a vacina, entre outros exemplos. O negacionismo acentua incertezas, influencia na adesão da população aos protocolos de prevenção, compromete a resposta do país à pandemia e ameaça a democracia.

por Luciana Rathsam, em Jornal da Unicamp / IHU On-Line

“O negacionismo vai além de um boato ou fake news pontual. É um sistema de crenças que, sistematicamente, nega o conhecimento objetivo, a crítica pertinente, as evidências empíricas, o argumento lógico, as premissas de um debate público racional, e tem uma rede organizada de desinformação. Essa atitude sistemática e articulada de negação para ocultar interesses político-ideológicos muitas vezes escusos, que tem sua origem nos debates do Holocausto, é inédita no Brasil”, afirma Marcos Napolitano, professor de História do Brasil Independente e docente-orientador no Programa de História Social da Universidade de São Paulo (USP).

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Necropolítica: a política da morte em tempos de pandemia. Artigo de Eduardo Gudynas

“A presença da necropolítica na América Latina está diante de nossos olhos. A pandemia de covid-19 já tem um ano, não terminou e também não se evidencia que será superada rapidamente. A nova normalidade prometida nunca chegou e o normal é uma pandemia contínua com seus vaivéns, com recuos e novas ondas”, escreve Eduardo Gudynas, uruguaio, analista do Centro Latino-Americano de Ecologia Social – CLAES, em artigo publicado por ALAI. A tradução é do Cepat.

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avanço da pandemia pelo coronavírus não apenas não é detido, como na medida em que se agrava, deixa em evidência um obscuro giro político: a necropolítica. Esse conceito serve para descrever ao menos três características: ocorre em um contexto onde o estado de exceção passa a ser uma nova normalidade, a política se concentra em decidir sobre o deixar morrer e repete uma narrativa de uma guerra perpétua contra todos os tipos de inimigos.

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“Saúde é bem público e também porta de saída da crise”, diz Carlos Gadelha

Por Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE), no Informe Ensp

“O grande motor do século XXI não é mais o petróleo, indústria automobilística ou aço; é a saúde, é o complexo da saúde”, sublinhou o coordenador de Ações de Prospecção e líder do grupo de pesquisa Desenvolvimento e Saúde da Fiocruz, Carlos Grabois Gadelha, representando a instituição, em audiência, no dia 8 de abril de 2021, da Comissão Geral da Câmara dos Deputados, para debater ‘A quebra de patentes das vacinas para o combate ao vírus covid-19: licença compulsória’.

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Boaventura: muito além de Luz e Trevas

Desde Platão, filosofia ocidental cultiva um binarismo, que originou as oposições simplificadoras de nosso tempo. Para superá-las, é útil recorer ao islâmico al-Suhrawardī, à heresia de Giordano Bruno e às cosmovisões ameríndias

Por Boaventura de Sousa Santos, em Outras Palavras

A pergunta mais radical que podemos imaginar pode formular-se assim: por que é que existe o ser em vez do nada? Na filosofia ocidental esta pergunta foi feita por Leibniz na Teodiceia, mas está igualmente presente nas filosofias orientais, tanto na indiana como na chinesa. A radicalidade da pergunta reside em que, sendo aparentemente tão simples, não é possível dar-lhe resposta. Não me detenho nela, mas numa outra, do mesmo calibre, que se me afigura mais produtiva: por que é que existe a luz em vez das trevas? Pode pensar-se que esta pergunta é uma outra maneira de formular a anterior, já que as trevas, a escuridão, são o nada. Só não será assim para as pessoas cegas, para quem a escuridão é tudo, sendo a partir dela que constroem corajosamente a luz nas sua vidas. Mas mesmo para as pessoas que veem, o nada das trevas ou escuridão é um nada pleno de sentidos e conteúdos, que variaram ao longo da história e variam hoje segundo os contextos. A escuridão tanto pode significar o medo de algo no escuro como o medo da escuridão. A escuridão tanto nos pode meter medo como nos pode proteger, tanto nos pode condenar como absolver. E, reciprocamente, o mesmo sucede com a luz ou a claridade. A divindade tanto pode ser a luz plena como a escuridão plena. A escuridão tanto pode ser o horror como o êxtase, tanto evoca a cegueira como evoca diversas visões. Em face desta diversidade e ambiguidade proponho-me analisar três contextos diferentes: o pensamento religioso e laico; o racismo, o sexismo e as geografias da luz e da escuridão; as novas escuridões e as novas cegueiras. Neste texto, analiso o primeiro contexto, deixando os restantes para próximo texto.

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“O vírus é caótico, mas não é democrático”. Entrevista com Boaventura de Sousa Santos

O mais influente sociólogo português no mundo acabou de publicar um novo livro, “O Futuro Começa Agorada Pandemia à Utopia”. Nesta obra, Boaventura de Sousa Santos defende que o vírus traz uma mensagem. E que é preciso aprender com as mortes que provoca, para que elas não se repitam.

A entrevista é de Nuno Ramos de Almeida, publicada por O Contacto-Luxemburger Wort / IHU On-Line

Eis a entrevista.

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Boaventura: os três cavaleiros da nova peste

O colonialismo europeu (e dos EUA) despreza os conhecimentos de outros povos. O capital bloqueia toda a produção de vacinas que não rende lucros à Big Pharma. E governantes genocidas veem a chance de eliminar grupos sociais “indesejáveis”

por Boaventura de Sousa Santos*, em Outras Palavras

É hoje consensual que a atual pandemia vai ficar conosco muito tempo. Vamos entrar num período de pandemia intermitente, cujas características precisas ainda estão por definir. O jogo entre o nosso sistema imunitário e as mutações do vírus não tem regras muito claras. Teremos de viver com a insegurança, por mais dramáticos que sejam os avanços das ciências bio-médicas contemporâneas. Sabemos poucas coisas com alguma certeza.

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Žižek: A (falta de) alma dos políticos: Biden, Putin e Trump

“Negar que seu inimigo político tenha uma alma não é nada menos do que uma regressão ao racismo vulgar que vem ecoando algumas das gafes de Joe Biden.”

No Blog da Boitempo

Estou longe de nutrir qualquer tipo de admiração por Vladimir Putin ou Donald Trump, mas o que Joe Biden disse na sua entrevista recente a George Stephanopoulos me deixou quase nostálgico por alguns aspectos da era Trump.

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