Zizek: Podemos vencer as cidades pós-humanas

Em Nova York, constrói-se, agora, uma distopia: não haverá contato social; as maiorias sobreviverão de trabalhos braçais e subalternos; corporações e Estado controlarão os inseridos. Alternativa: incorporar as novas tecnologias ao Comum

Por Slavoj Zizek | Tradução de Simone Paz, em Outras Palavras

As funções básicas do Estado de Nova York, muito em breve, poderão ser “reimaginadas” graças à aliança do governador Andrew Cuomo com a Big Tech personificada. Seria este o campo de testes para um futuro distópico sem contato físico?

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Um debate com Mbembe e a tese de necropolítica em tempos de pandemia

O conceito de “necropolítica” elaborado pelo filósofo Achille Mbembe rompeu as barreiras do debate especializado e restrito da academia, para tomar o vocabulário político corrente e o imaginário de setores bem mais amplos. Este é o primeiro de uma série de artigos em que buscaremos apontar alguns elementos para refletir até que ponto o debate sobre a necropolítica da forma como foi elaborado, e seus antecedentes teóricos na noção de biopolítica foucaultiana, são válidos para apreender a realidade presente. E, mais importante, se aponta alguma saída factível à complexa situação posta para os trabalhadores pela justaposição da crise capitalista com a crise sanitária. As dimensões do racismo e da violência em Mbembe serão examinadas posteriormente.

por Simone Ishibashi e Leticia Parks, em Esquerda Diário

A atual crise do coronavírus e econômica apresentam a faceta assassina do capitalismo em crise

O Brasil governado pela ultradireita tem em Bolsonaro quiçá a expressão mais perfeita de uma política assassina em meio à crise do coronavírus. Defendendo, a todo instante, que a pandemia não importa, Bolsonaro exorta a população a arriscar suas vidas para garantir o lucro de um punhado de capitalistas, em um país que sequer conhece o real número de infectados, devido à falta de testes. A guerra contra a ciência e o conhecimento, que desde o início foi uma prioridade do governo de ultradireita no Brasil, com o desmonte das universidades e a propagação de invenções absurdas contra toda a comunidade científica, agora assume uma faceta mortal. Os números oficiais dão conta de 15 mil mortos, mas a subnotificação publicamente debatida como um fato inconteste esconde um montante muito superior. Mesmo um capitalista da Saúde, como o ex-ministro Nelson Teich, não conseguiu seguir no governo Bolsonaro, anunciando sua demissão. O que Bolsonaro quer é um ministro que chancele sua decisão de acabar completamente com o isolamento, mesmo que isso eleve as mortes.

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Egoisticamente, a solidariedade é a única escolha que temos. Por Slavoj Žižek

Repete várias vezes a afirmação que o Papa Francisco fez ecoar naquela memorável oração pública na Praça São Pedro, em 27 de março passado: “Estamos todos no mesmo barco”. Slavoj Žižek, filósofo, intelectual poliédrico e conhecido por suas referências marxistas, entremeado por fortes dívidas com Jacques Lacan, não tem dúvidas: “Agora estamos todos no mesmo barco”. Ele reafirma isso pelo menos três vezes em seu livro mais recente, Pandemic! Covid-19 Shakes The World (OrBooks, Nova York – Londres), recém-publicado, do qual (cortesia da editora) publicamos um trecho a seguir com nossa tradução para o italiano, por Lorenzo Fazzini.

por L’Osservatore Romano / Tradução de Luisa Rabolini, em IHU On-Line

E é uma situação precisamente cristã, essa do sofrimento comum, segundo o pensador esloveno. Ecoando Catherine Malabou, Žižek escreve que “às vezes a suspensão da socialidade é o único acesso à alteridade, uma maneira de se sentir próximo de todas as pessoas isoladas na Terra. Esta é a razão pela qual estou tentando ser o mais solidário possível em minha solidão. E é uma ideia profundamente cristã: quando me sinto sozinho, abandonado por Deus, naquele momento sou como Cristo na cruz, em plena solidariedade com ele”.

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Nunca fomos tão desiguais

Nas respostas à pandemia, afloram as hierarquias brutais do capitalismo financeirizado. Países ricos emitem dinheiro, salvam bancos e dão algum conforto às maiorias. Aos pobres, sem moeda forte, resta resignar-se à miséria e “caridade”

Por Jayati Ghosh*, no Project Syndicate | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Entre as muitas desigualdades reveladas pela pandemia de covid-19, uma das mais chocantes é a diferença dramática nas respostas fiscais dos governos. A atividade econômica entrou em colapso no mundo todo, como resultado das medidas de quarentena para conter o coronavírus. Mas enquanto alguns países desenvolvidos foram capazes de oferecer estímulos ficais em escala inédita, a maior parte das nações não conseguiu.

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Dois líderes muito diferentes

Enquanto Xi Jinping anuncia na Assembleia Mundial da Saúde financiamento bilionário para covid e perdão de dívida de países pobres, Donald Trump recorre ao Twitter para dizer que está tomando cloroquina “preventivamente”. E mais: youtuber olavista afeta ares de ministro da Saúde

por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

RESPOSTAS À ALTURA

Alvo de investidas constantes dos Estados Unidos, o governo chinês contra-atacou com propostas dignas de uma liderança global em saúde: no discurso de abertura da Assembleia Mundial de Saúde ontem, o presidente Xi Jinping anunciou um financiamento de US$ 2 bilhões para a resposta à covid-19 nos próximos dois anos – ao passo que Donald Trump, como sabemos, suspendeu temporariamente seu repasse de verbas (de US$ 400 milhões por ano) para a Organização Mundial da Saúde (OMS). Aliás, ontem o presidente americano ameaçou tornar a suspensão permanente  e reavaliar a continuidade do país no organismo da ONU.

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O homem que arruinou a extrema direita nos EUA

Com sua conta no Twitter, Sleeping Giants, Matt Rivitz deixou quase sem publicidade a mídia ultraconservadora americana. Seus métodos já chegaram à Europa

Por Rebeca Queimaliños, no El País Brasil

O site de extrema direita Breitbart News perdeu mais de oito milhões de euros (50,7 milhões de reais) em publicidade por culpa de uma conta no Twitter. O próprio ex-diretor do site Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, revela o valor em um documentário da Netflix (The Brink), no qual ataca duramente esse perfil da rede social. O perfil se chama Sleeping Giants, tem 250.000 seguidores e sua descrição diz: “Um movimento para tornar o fanatismo e o sexismo menos lucrativos”. Em seguida, uma citação de Steve Bannon sobre o Sleeping Giants: “Eles são o pior que há”.

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Pagamos preço muito alto por países que ignoraram recomendações sobre covid-19, diz ONU

‘Vimos expressões de solidariedade, mas pouquíssima unidade em nossa resposta à covid-19. Os países seguiram estratégias divergentes e todos pagamos um preço alto por isso’, disse Antonio Guterres

Por RFI, em Opera Mundi

O secretário-geral da ONU criticou, nesta segunda-feira (18/05), os países que “ignoraram as recomendações” da Organização Mundial da Saúde (OMS) para responder à pandemia de coronavírus e estimou que o mundo paga um “preço alto” por essas estratégias divergentes. Sem citar explicitamente as nações a que se referia, Brasil e Estados Unidos se enquadram na condenação por não terem adotado uma política nacional coordenada de combate à covid-19.

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Noam Chomsky: “Se não conseguirmos um ‘Green New Deal’, ocorrerá uma desgraça”

Voz de referência da esquerda nos EUA, o pensador pede uma grande mudança de rumo. Afirma que colocar funções públicas sob controle privado explica grande parte do desastre na crise do coronavírus

por Marta Peirano, em El País

O norte-americano Noam Chomsky (91 anos) é o fundador da linguística contemporânea e o pensador crucial da esquerda contemporânea. Também é um dos grandes impulsores da Internacional Progressista, a plataforma que reúne o The Sanders Institute, o Movimento pela Democracia na Europa 2025 (DiEM25), representantes do Sul global, Índia, África e América Latina. Em plena pandemia eles se lançam para bloquear uma escalada do neoliberalismo e “abrir a porta a alternativas progressistas preocupadas com o bem-estar das pessoas e não pela acumulação de riqueza e poder”. O encontro foi tela com tela.

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Estado e desenvolvimento na América Latina. Por José Luis Fiori

IHU On-Line

“Existem duas alternativas para o Brasil: manter-se como sócio preferencial dos Estados Unidos, na administração da sua hegemonia continental; ou lutar para aumentar sua capacidade de decisão estratégica autônoma, no campo da economia e da sua própria segurança, através de uma política hábil e determinada de complementaridade e competitividade crescente com os Estados Unidos, envolvendo também as demais potências do sistema mundial, no fortalecimento da sua relação de liderança e solidariedade com os países da América do Sul“, escreve José Luis Fiori, em artigo enviado pelo autor e também publicado na Revista de Economia Contemporânea – volume 24, nº 1, jan/abr de 2020 – do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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