Revolução e Democracia, reencontro incerto, por Boaventura de Sousa Santos

Superar o divórcio é mais necessário que nunca. Mas exigirá enorme esforço intelectual e político. Eis um roteiro dos obstáculos a vencer

Por Boaventura de Sousa Santos* – Outras Palavras

Tenho escrito que um dos desenvolvimentos políticos mais fatais dos últimos cem anos foi a separação e até contradição entre  revolução e democracia como dois paradigmas de transformação social. Tenho afirmado que esse fato é, em parte, responsável pela situação de impasse em que nos encontramos. Enquanto no início do século XX dispúnhamos de dois paradigmas de transformação social e os conflitos entre eles eram intensos, hoje, no início do século XXI, não dispomos de nenhum deles. A revolução não está na agenda política e a democracia perdeu todo o impulso reformista que tinha, transformada agora numa arma do imperialismo e tendo sido em muitos países sequestrada por antidemocratas. (mais…)

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“As redes sociais estão dilacerando a sociedade”, diz um ex-executivo do Facebook

Chamath Palihapitiya lamenta ter participado da criação de ferramentas que destroem o tecido social

No El País

Um ex-alto executivo do Facebook fez um mea culpa por sua contribuição para o desenvolvimento de ferramentas que, em sua opinião, “estão dilacerando o tecido social”. Chamath Palihapitiya, que trabalhou na empresa de Mark Zuckerberg de 2007 a 2011, da qual chegou a ser vice-presidente de crescimento de usuários, acredita que “os ciclos de retroalimentação de curto prazo impulsionados pela dopamina que criamos estão destruindo o funcionamento da sociedade. Sem discursos civis, sem cooperação, com desinformação, com falsidade”. (mais…)

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La idiotización de la sociedad como estrategia de dominación

La gente está imbuida hasta tal extremo en el sistema establecido, que es incapaz de concebir alternativas a los criterios impuestos por el poder

Por Fernando Navarro – Servindi

La Haine – Para conseguirlo, el poder se vale del entretenimiento vacío, con el objetivo de abotagar nuestra sensibilidad social, y acostumbrarnos a ver la vulgaridad y la estupidez como las cosas más normales del mundo, incapacitándonos para poder alcanzar una conciencia crítica de la realidad. (mais…)

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Privatize-se até a PQP, por José Saramago*

Regressados de uma viagem a Argentina e Bolívia, os meus cunhados Maria e Javier trazem-me o jornal Clarín de 30 de agosto. Aí vem a notícia de que vai ser apresentada ao Parlamento peruano uma nova lei de turismo que contempla a possibilidade de entregar a exploração de zonas arqueológicas importantes, como Machu Pichu e a cidade pré-incaica de Chan Chan, a empresas privadas, mediante concurso internacional. (mais…)

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Porque a democracia está se autodestruindo

IHU On Line

Primeiro o Brexit. Depois, em setembro, o avanço da direita nas eleições da Alemanha e, poucas semanas depois, um resultado semelhante nas austríacas. E a Itália que se aproxima a um voto entre os mais delicados de todos os tempos, cujo resultado provável é de um Parlamento sem maioria, enquanto xenofobia e fascismos estão em toda parte como notícias diárias, começando pelo próprio país. O que está acontecendo na Europa? Na quarta-feira, 6 de dezembro, será realizada uma discussão sobre esse tema em Trento, na Fundação Bruno Kessler, na conferência “Europa 2017: uma revolução eleitoral?” organizada pelo Instituto histórico ítalo-germânico e pelo Departamento de sociologia e pesquisa social da Universidade. (mais…)

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As Conferências do Clima têm sido frustrantes desde Copenhague, em 2009. Entrevista especial com Iara Pietricovsky de Oliveira

Por Patricia Fachin, no IHU On-Line

Contribuição Nacionalmente Determinada – INDC, instituída no Acordo de Paris, durante a COP-21, embora tenha tido a intenção de “destravar as negociações” entre os membros da Conferência do Clima, possibilitando que cada país determine suas metas nacionais para enfrentar as mudanças climáticas, “acabou reduzindo a capacidade de os acordos do clima terem efetividade. (…) As INDCs foram uma engenharia diplomática para destravar o acordo. Do ponto de vista da questão climática em si, ela foi um atraso”, avalia a antropóloga Iara Pietricovsky de Oliveira, na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line. “Os países conseguiram chegar a um acordo desde a COP de Paris, mas esse acordo tem pouca capacidade de impacto. A COP-23, que aconteceu em Bonn, mostra que os interesses dos países começam a prevalecer”, constata. (mais…)

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A política do comum e do protótipo. Duas alternativas ao mal-estar contemporâneo. Entrevista especial com Henrique Parra

Patricia Fachin – IHU On-Line

O mal-estar do sistema político, sentido em diversos países, é consequência do “modo de existência contemporâneo”, que “é dependente de grandes arranjos sócio-técnicos cuja possibilidade de governo nos escapa”, especialmente em áreas que são fundamentais, como a produção de energia, o abastecimento de água, o sistema de saúde, o sistema financeiro, diz o sociólogo Henrique Parra à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. (mais…)

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Depois dos transgênicos, comeremos ”big data”. Artigo de Vandana Shiva

“Os dados não são conhecimento. São apenas outra mercadoria destinada a tornar o agricultor ainda mais dependente.”

No IHU*

A opinião é da estudiosa, física e ecofeminista indiana Vandana Shiva, em artigo publicado por Il Manifesto.

Eis o texto.

Em matéria de alimentação e agricultura, o futuro pode tomar dois caminhos opostos. (mais…)

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“Todos devemos participar de um processo revolucionário que nos distancie da loucura do capitalismo”. Entrevista com David Harvey

No IHU – David Harvey, legendário geógrafo e teórico marxista, é o primeiro entrevistado da série Qué hacer [O que fazer?]. O intelectual faz uma viagem pelo encadeamento dos fluxos do capital no planeta. Harvey encontra em tais fluxos as origens das crises que nos afetam – a social, a climática e a política –, incluindo a ascensão política de Donald Trump. Contudo, o professor emérito da City University of New York também observa pontos de tensão no sistema que origina essas crises. Tão implacável em seus métodos, como eclético ao escolher onde colocar a lupa, o intelectual britânico oferece uma análise totalizadora, que nos convida a pensar o que nos trouxe até aqui, para assim poder enfrentar como sairmos desta.

Por Ignasi Gozalo-Salellas, Álvaro Guzmán Bastida e Héctor Muniente, do Ctxt/tradução: Cepat (mais…)

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Auschwitz: a luta para preservar a memória do horror

O campo de extermínio nazista de Auschwitz enfrenta um complexo processo de restauração. O objetivo: preservar sua memória, deixando tudo exatamente como estava quando os soviéticos o liberaram

Guillermo Altares, El País Brasil

O sistema de assassinato em massa de Auschwitz baseava-se na esperança e no roubo. De ambas as coisas restam profundas marcas quando se visita o campo de extermínio nazista alemão na atualidade. Os carrascos tentavam enganar os judeus deportados, que iam morrer em questão de minutos ou horas, para que não houvesse tentativas de rebelião. Na antessala das câmaras de gás, diziam-lhes que tomariam banho para desinfecção; pediam-lhes que pusessem nomes nas respectivas malas, que amarrassem os sapatos para não perdê-los quando saíssem… Não importam as fotografias que você possa ter visto: é impossível não sentir um calafrio ao contemplar a enorme montanha de sapatos que as vítimas deixaram para trás. E, quando se olha de perto e se descobre um par de botas de crianças atadas pelos cadarços, indício de que o passaram pela câmara de gás, percebe-se a magnitude do crime cometido ali, mas também até que ponto os mínimos detalhes são importantes neste lugar da morte. (mais…)

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