A Revolução 4.0 e a reedição das lógicas das revoluções burguesas. Entrevista especial com Gaudêncio Frigotto

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

As revoluções burguesas que iniciam no século XVII e seguem até o século XIX varrem toda a Europa e trazem um novo regime sociopolítico mundial. Caem os reis absolutistas, mas sobram os burgueses liberais. E, se por um lado o Estado se organiza em torno da universalidade e da cidadania, com o tempo, percebe-se que esses avanços de fato não tocam a vida dos mais pobres. Para o professor Gaudêncio Frigotto, o momento que vivemos, da chamada Revolução 4.0, tem provocado uma espécie de atualização dessas desigualdades. “Trata-se de um processo contínuo de substituição na atividade produtiva do trabalho vivo (força física e mental dos trabalhadores) em trabalho morto (máquinas, computadores, robôs etc.). O que a história mostra é que aqueles capitalistas ou grupos que se valem de uma tecnologia que lhes permite, em menos tempo e com menos pessoal, produzir mais lhes dá vantagens na competição com os demais capitalistas”, analisa.

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Patricia Collins: “Os EUA têm instituições democráticas, mas não têm uma democracia”

Autora de ‘Pensamento Feminista Negro’ vê como positivo o aumento da representação dos negros na mídia mas enfatiza que isso não substitui a representação política

Por Rute Pina, em Agência Pública

A socióloga e ativista estadunidense Patricia Hill Collins cita produções cinematográficas recentes, como o filme Pantera Negra e a obra da cineasta Ava DuVernay, para afirmar que estamos na “era de ouro” da representação das mulheres negras na mídia. Ao mesmo tempo, ela faz um alerta: a representatividade pode ser sedutora, mas é não suficiente se não vier acompanhada da participação política.

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“Estamos vivendo na civilização do hardware militar, não para a guerra, mas para a fronterização”, afirma Achille Mbembe

Vivemos sob um novo regime de segurança global, segundo o filósofo camaronês Achille Mbembe: “Trata-se de um regime caracterizado pela militarização e miniaturização das fronteiras”.

por Ángel Vargas, em La Jornada / IHU On-Line*

Em visita ao país [México], o também teórico político, que vive na África do Sul, proferiu, na segunda-feira [07/10], a conferência magistral Corpos como fronteiras: Uma crítica ao regime contemporâneo de migração global, como parte da Cátedra de Arte e Direitos Humanos Nelson Mandela, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

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Equador: bastidores e sentidos da notável vitória

Governo revoga decreto-símbolo do pacote imposto pelo FMI. Movimento indígena obtém conquista emblemática, mas parcial. Resultado revela: medidas neoliberais podem ser derrotadas – mas superar projeto exigirá mais esforço

Por Antonio Martins, em Outras Palavras

Passava das nove e meia da noite, quando as multidões começaram a celebrar e bailar nas ruas de Quito ontem. Nas barricadas montadas para deter a selvageria da polícia e do exército, e nos bloqueios de ruas e estradas, espalhados em todo o país, os manifestantes se felicitavam. Recebiam, aqui e ali, o cumprimento de um soldado (veja foto abaixo). Minutos antes, em negociações transmitidas pela TV, por exigência do movimento indígena, a delegação do presidente Lênin Moreno aceitara o que ele havia dito ser impossível, desde que os protestos de rua começaram, em 2/10. O Decreto 883 – que elimina os subsídios à gasolina e provocou aumento de 123% nos preços dos combustível – seria revogado. Uma comissão de negociação, da qual participará o movimento indígena, discutirá alternativas. Até o momento, porém, as demais medidas ultracapitalistas impostas por Moreno e FMI continuam de pé.

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Equador: os componentes da rebeldia andina

Insurgência retoma revoltas que derrubaram, desde os anos 90, governos neoliberais. Cólera anticolonial, combinada com politização dos governos bolivarianos, tem resultado explosivo: população já não aceita os retrocessos e sai às ruas

por Almir Felitte*, em Outras Palavras

O Equador entrou em chamas nas últimas semanas. Revoltado com as políticas liberais e imperialistas impostas ao país pelo FMI, o povo equatoriano saiu às ruas em uma movimentação massiva que pode culminar com a queda de seu Presidente, Lenin Moreno. Mas a agitação política do país não vem de hoje.

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“Precisamos de uma grande rede de solidariedade para combater o capitalismo e a destruição do planeta”. Entrevista com Judith Butler

Desde o seu nascimento, os estudos de gênero suscitaram debates cada vez mais amplos, que se tornaram cada vez mais importantes em todo o planeta, graças às diferentes ondas feministas. Judith Butler é uma das principais teóricas dessa corrente. Le vent se lève conversou com ela por e-mail para perguntar sobre os principais conceitos de seu trabalho, bem como sobre sua visão do futuro político, em um momento em que a questão da reformulação da masculinidade se tornou crucial para qualquer pessoa que queira lutar contra o patriarcado.

por Lilith Verstrynge e Lenny Benbara, em Ctxt / IHU On-Line*

Você nasceu em uma família judia tradicional, em Ohio. Seu tio foi preso por ser transexual e faleceu na prisão. Seus primos foram expulsos de suas casas por serem homossexuais e você foi levada a um psiquiatra, com 15 anos, quando anunciou sua homossexualidade. Como você desconstrói o gênero em sua difícil história pessoal? Para aquelas e aqueles que não lhe conhecem, como se descreveria?

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O Marxismo Cultural e a paranoia americana

Décadas de medo: para a direita dos EUA, os sindicatos e artista e, mais tarde, feministas, LGBTs, negros e ambientalistas, são parte da Conspiração de Marx para destruir a família cristã. Discurso de Bolsonaro é um requentado desta época

por Iná Camargo Costa*, em Outras Palavras

II

O fantasma do marxismo cultural, já com este nome, teve uma segunda encarnação nos Estados Unidos do início dos anos de 1990, coincidindo com a publicação de estudos críticos e denúncias sobre as ações americanas de contrainsurgência – ou combate a comunistas – principalmente na América Central[1], e em especial na Colômbia. Mas sua pré-história é análoga à alemã e também remonta ao período que se seguiu à Revolução de Outubro de 1917. Como já tratamos deste episódio em outro lugar[2], aqui nos limitaremos a referir a lei que deu início à perseguição de militantes de esquerda, o Espionage Act, aprovado em 1917, assim que os Estados Unidos decidiram participar da rapina da Primeira Guerra Mundial (e enviar tropas para combater a revolução soviética). Esta lei marca o início daquilo que ficou conhecido como o primeiro red scare[3]. Em 1918, por exemplo, foi aprovada uma nova lei, o Smith Act, que autorizava todo tipo de violências contra as organizações dos trabalhadores e, sob as ordens do Procurador Geral da República, um certo Palmer, foram realizadas batidas (que ficaram conhecidas como Palmer Raids), prisões, deportações etc… A literatura a respeito deste primeiro red scare dá o ano de 1921 como o do seu encerramento oficial, mas um fato histórico muito posterior – a execução de Sacco e Vanzetti no dia 23 de agosto de 1927 – é o verdadeiro ponto final desta campanha.

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Presidente do Equador muda sede do governo para fugir de onda de protestos

Milhares tomam as ruas de Quito e protestos se espalham pelo interior. Comunidades indígenas se dirigem à capital para resistir a pacote neoliberal de Lenín Moreno e Estado de Exceção

RBA

São Paulo – O presidente do Equador, Lenín Moreno, anunciou a transferência da sede do governo Quito para a cidade de Guayaquil – a 420 quilômetros da capital. O governo Lenín está acuado por protestos contra o fim dos subsídios aos combustíveis e a decretação de Estado de Exceção. As autoridades apostam no agravamento da situação.

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Marxismo cultural, um fantasma que ronda a História

Bolsonaro e seu séquito tomaram-no como o grande mal a ser combatido. Não é novidade: em Mein Kampf, Hitler já o utilizava para justificar fechamento de jornais e perseguição a intelectuais e artistas. Mas o que é mesmo este espectro?

por Iná Camargo Costa*, em Outras Palavras

I

Marx encerra o posfácio à segunda edição do livro O capital avisando que a dialética não se deixa intimidar por nada, além de ser essencialmente crítica e revolucionária. Esta é uma tentativa de seguir seu exemplo.

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