Žižek: O verdadeiro golpe de Trump

As verdadeiras vítimas de Trump são seus próprios apoiadores comuns que levam a sério sua tagarelice contra as elites corporativas liberais e os grandes bancos. Ele é o traidor de sua própria causa populista.

No Blog da Boitempo

Quando a juíza britânica Vanessa Baraitser rejeitou o pedido dos EUA para que Julian Assange fosse extraditado, muitos críticos esquerdistas e progressistas comentaram essa decisão de uma maneira que lembra as famosas linhas de Assassinato na Catedral, de T. S. Eliot: “A última tentação é a maior de todas as traições. Fazer a coisa certa pelo motivo errado.” Na peça, o personagem Thomas Becket teme que sua “coisa certa” (a decisão de resistir ao rei e se sacrificar) esteja baseada em um “motivo errado” (sua busca egoísta pela glória da santidade). Hegel teria respondido a esse problema dizendo que o que importa em nossos atos é seu conteúdo público: se eu faço um sacrifício heroico, é isso que conta, mesmo que os motivos privados eventualmente sejam patológicos.

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“O capitalismo é a principal ameaça contra a humanidade”, diz secretário da Alba-TCP

Sacha Llorenti, recém eleito secretário executivo da plataforma, analisa os desafios para a integração regional

Michele de Mello, Brasil de Fato

Na última cúpula da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos (Alba-TCP), Sacha Llorenti foi eleito o novo secretário executivo do bloco. O ex-embaixador boliviano na Organização das Nações Unidas (ONU) foi indicado pelo seu antecessor David Choquehuanca, atual vice-presidente boliviano, logo depois que seu país retomou a participação ativa na Alba-TCP.

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Como o ataque ao Capitólio impacta a direita, os movimentos populares e o Brasil

Analistas internacionais comentam as consequências da invasão à sede do Congresso dos EUA na última quarta (6)

Por Daniel Giovanaz, em Brasil de Fato / MST

Embora opositores aleguem que o presidente Donald Trump “cruzou o Rubicão”  várias vezes, até mesmo antes de ser eleito em 2016, parte da direita estadunidense só o viu cruzar agora, após a invasão ao Capitólio, sede do Congresso dos EUA, na última quarta-feira (6).

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Invasão do Capitólio: a face obscura da América. Por Christian Salmon. [Mas troquemos T por B, e o texto joga luz ofuscante sobre o Brasil]

No A Terra é Redonda

O fenômeno Trump não é a história de um louco que teria capturado o poder de surpresa. Esse fenômeno expressa a verdade desta época, a entrada em uma era política desconhecida

Em reação às imagens dos apoiadores de Donald Trump invadindo o Capitólio, Joe Biden insistiu longamente: esta não é a verdadeira face da América. Mas, se tais imagens se propagaram tão rapidamente, não seria, ao contrário, porque elas revelam a face oculta do véu democrático? Está provado, o fenômeno Trump não é a história de um louco que capturou o poder de surpresa, ele afirma a verdade desta época, a entrada em uma era política desconhecida na qual o grotesco, os bufões, o carnaval, irão subverter e disputar o poder.

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Trump não tomará cianeto. Por Boaventura de Sousa Santos*

Mídia Ninja

Trump não é Hitler, os EUA não são a Alemanha nazi, nenhum exército invasor está caminho da Casa Branca. Apesar de tudo isto, não é possível evitar uma comparação entre Trump nestes últimos dias e os últimos dias de Hitler. Hitler no seu bunker, Trump na Casa Branca. Os dois, tendo perdido o sentido da realidade, dão ordens que ninguém cumpre e, quando desobedecidos, declaram traições, e estas vão chegando até aos mais próximos e incondicionais: Himmler, no caso de Hitler, Mike Pence, no caso de Trump.  Tal como Hitler se recusou a acreditar que o Exército Vermelho soviético estava a dez quilómetros do bunker, Trump recusa-se a reconhecer que perdeu as eleições. Terminam aqui as comparações. Ao contrário de Hitler, Trump não vê chegado o seu fim político e muito menos recolherá ao seu quarto para, juntamente com a mulher, Melanie Trump, ingerir cianeto, e ter os seus corpos incinerados, conforme testamento, no exterior do bunker, ou seja, nos jardins da Casa Branca.  Por que não o faz?

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Começar de novo. Por Slavoj Žižek

Em vez de procurar em vão pelo reforço em alguma esperança, devemos aceitar que nossa situação é desesperadora, e então agir firmemente quanto a ela

No A Terra é Redonda

Ainda em abril de 2020, reagindo à pandemia de Covid-19, Jürgen Habermas apontou que “a incerteza existencial está se espalhando globalmente e simultaneamente, nas mentes dos próprios indivíduos midiaticamente conectados”. Ele continua, “nunca houve tanto conhecimento de nosso desconhecimento e sobre as dificuldades de agir e viver na incerteza”.

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Movimento Zapatista lança Declaração pela Vida

No Servindi

Encontros, diálogos e intercâmbios nos cinco continentes promoverão durante o ano de 2021 um grupo de organizações indígenas e zapatistas com o apoio de numerosas coalizões e redes internacionais.

Através de uma breve mensagem divulgada no dia 1º de janeiro de 2021 no site Enlace Zapatista convida “todos os homens honestos e todos os  Abajos   que se rebelam e resistem em muitos cantos do mundo” a aderir e participar desses encontros e atividades “

No continente europeu, os eventos estão previstos para ocorrer em julho, agosto, setembro e outubro de 2021. Nos outros continentes, a previsão é que ocorram em data posterior.

Delegação com representantes do Congresso Nacional Indígena – Conselho de Governo Indígena (CNI-CIG), Frente dos Povos em Defesa da Água e da Terra de Morelos, Puebla e Tlaxcala e Exército Zapatista de Libertação Nacional ( EZLN). 

Apesar das diferenças nos movimentos e identidades que subscrevem, eles reconhecem que há uma unidade básica na identificação do capitalismo como o executor de um “sistema explorador, patriarcal, piramidal, racista, ladrão e criminoso.

Ele destaca a convicção de que existem muitos mundos que vivem e lutam no mundo. “E que qualquer pretensão de homogeneidade e hegemonia ameaça a essência do ser humano: a liberdade”. 

“A igualdade da humanidade é no respeito à diferença. Em sua diversidade está sua semelhança”, indica o manifesto.

O manifesto é assinado por numerosas articulações da Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Catalunha, Chipre, Escócia, Eslováquia, Europa, França, Grécia, Inglaterra, Irlanda, Nigéria, Noruega, Portugal e País Basco.

Além disso, da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Itália, Peru, Portugal, República Tcheca, Rússia, Suíça, Togo e México. 

Da mesma forma, convida você a assinar e endossar a declaração PELA VIDA enviando um e-mail indicando: nome completo do seu grupo, coletivo, organização ou o que seja, no seu idioma e na sua geografia. 

As assinaturas serão adicionadas à medida que chegarem. As adesões  devem ser enviadas para o email:  firmasporlavida@ezln.org.mx .

Deutsch Übersetzung (Alemán)
Traduction en Français (Francés)
Norsk oversettelse (Noruego)
Перевод на русский язык (Ruso)
English Translation (Inglés)
Ελληνική μετάφραση (Griego)
Euskarazko Itzulpena (Euskera)
فارسی (Farsí)
Tradução em portugês (Portugués)
Traducione Italiano (Italiano)

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Primeira parte:
Uma declaração… pela vida

Primeiro de janeiro do ano de 2021.

Aos povos do mundo:
Às pessoas que lutam nos cinco continentes:
Irmãs e irmãos, companheir@s:

Durante esses meses anteriores, temos estabelecido contato entre nós por diversos meios. Somos mulheres, lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis, transsexuais, intersexuais, queer e muito mais, homens, grupos coletivos, associações, organizações, movimentos sociais, povos originários, associações de bairros, comunidades e um longo etc etc que nos dá identidade.

Nos diferenciam e distanciam terras, céus, montanhas, vales, estepes, selvas, desertos, oceanos, lagos, rios, arroios, lagoas, raças, culturas, idiomas, histórias, idades, geografias, identidades sexuais e não sexuais, raízes, fronteiras, formas de organização, classes sociais, poder aquisitivo, prestígio social, fama, popularidade, seguidores, likes, moedas, graus de escolaridade, formas de ser, afazeres, virtudes, defeitos, prós, contras, mas, contudo, rivalidades, inimizades, concepções, argumentações, contra argumentações, debates, desacordos, denúncias, acusações, desprezos, fobias, filias, elogios, repúdios, vaias, aplausos, divindades, demônios, dogmas, heresias, gostos, desgostos, modos e um longo etc etc que nos faz distintos e, não poucas vezes, contrários.

Só nos unem muito poucas coisas:

Fazer nossas as dores da terra: a violência contra as mulheres; a perseguição e desprezo às diferenças em sua identidade afetiva, emocional, sexual; o aniquilamento da infância; o genocídio contra os povos originários; o racismo; o militarismo; a exploração; a espoliação; a destruição da natureza.

O entendimento de que é um sistema o responsável destas dores. O verdugo é um sistema explorador, patriarcal, piramidal, racista, ladrão e criminoso: o capitalismo.

O conhecimento de que não é possível reformar este sistema, educá-lo, limá-lo, domesticá-lo, humanizá-lo.

O compromisso de lutar, em todas as partes e por todas as horas – cada qual em seu terreno –, contra este sistema até destruí-lo por completo. A sobrevivência da humanidade depende da destruição do capitalismo. Não nos rendemos, não estamos à venda e não cederemos.

A certeza de que a luta pela humanidade é mundial. Assim como a destruição em curso não reconhece fronteiras, nacionalidades, bandeiras, línguas, culturas, raças; assim a luta pela humanidade é em todas as partes, todo o tempo.

A convicção de que são muitos os mundos que vivem e lutam no mundo. E que toda pretensão de homogeneidade e hegemonia atenta contra a essência do ser humano: a liberdade. A igualdade da humanidade está no respeito à diferença. Em sua diversidade está sua semelhança.

A compreensão de que não é a pretensão de impor nossa visão, nossos passos, companhias, caminhos e destinos, o que nos permitirá avançar, e sim a escuta e o olhar do outro que, distinto e diferente, tem a mesma vocação de liberdade e justiça.

Por estas coincidências e sem abandonar nossas convicções, nem deixar de ser o que somos, temos concordado:

Primeiro: Realizar encontros, diálogos, intercâmbios de ideias, experiências, análises e avaliações entre aqueles que nós encontramos empenhados, desde distintas concepções e em diferentes terrenos, na luta pela vida. Depois, cada um seguirá seu caminho ou não. Olhar e escutar o outro talvez nos ajudará ou não em nossos passos. Mas conhecer o diferente é também parte de nossa luta e de nosso empenho, de nossa humanidade.

Segundo: Que estes encontros e atividades se realizem nos cinco continentes. Que, no que se refere ao continente europeu, se concentrem nos meses de Julho, Agosto, Setembro e Outubro do ano de 2021, com a participação direta de uma delegação mexicana formada pelo CNI-CIG, a Frente de Povos em Defesa da Água e da Terra de Morelos, Puebla e Tlaxcala, e o EZLN. E em datas ainda a marcar, apoiar segundo nossas possibilidades, para que se realizem na Ásia, África, Oceania e América.

Terceiro: convidar quem compartilha das mesmas preocupações e lutas parecidas, a todas as pessoas honestas e a todos os de abaixo que se rebelem e resistam nos muitos rincões do mundo, a que se somem, aportem, apoiem e participem nestes encontros e atividades; e que firmem e façam suas esta declaração PELA VIDA.

Desde um dos pontos da dignidade que une aos cinco continentes.

Nós.

Planeta Terra.

1 de janeiro de 2021.

Desde diversos, díspares, diferentes, dessemelhantes, desiguais, distantes e distintos rincões do mundo (em arte, ciência e luta em resistência e rebeldia):

[As assinaturas podem ser conferidas em Zapatista]

Desde las montañas del Sureste Mexicano.
Por las mujeres, hombres, otroas, niñ@s y ancian@s del
Ejército Zapatista de Liberación Nacional:

Comandante Don Pablo Contreras y Subcomandante Insurgente Moisés.
México.

Si usted (es) quiere (n) firmar esta Declaración, mandar su firma a  firmasporlavida@ezln.org.mx.  Por favor nombre completo de su grupo, colectivo, organización o lo que sea, en su idioma, y su geografía.  Las firmas se irán agregando conforme vayan llegando.

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