Austrália: o outro crime ambiental da direita

Ao contrário da Amazônia, a floresta seca é mais sujeita ao fogo. Mas catástrofe atual foi produzida também por um governo que nega o aquecimento global, incentiva os combustíveis fósseis e desmonta o sistema público de prevenção

Por Carolyn Kormann, no The New Yorker | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

O atual primeiro ministro da Austrália, Scott Morrison, assumiu o posto, em agosto de 2018. Seu antecessor, Malcolm Turnbull, igualmente do Partido Liberal, era pressionado havia meses, quiçá anos, pela própria coalizão de direita no poder, que reúne os partidos Liberal e Nacional. Mas o golpe final veio quando Turnbol apoiou um plano nacional de energia que, para controlar a emissão de gases de efeito estufa, teria reduzido, ainda que de forma moderada, a dependência do setor de energia em relação aos combustíveis fósseis. Numa tentativa de salvar seu mandato, na décima primeira hora, Turnbull desistiu de tornar a redução das emissões obrigatória por lei.

(mais…)

Ler Mais

Religião emancipa ou escraviza? Por Gilvander Moreira [1]

Diante das implicações das opções religiosas na política brasileira ninguém mais em sã consciência afirma simplesmente que qualquer tipo de religião liberta e emancipa. Estamos experimentando que religião, dependendo do tipo de convicções geradas, pode oprimir e escravizar. É preciso recorrer à história da Igreja Católica. Após ser escolhido pelos cardeais para suceder o papa Paulo VI, dia 26 de agosto de 1978, o papa João Paulo I, ao aparecer em uma das janelas do Vaticano, primeiro, sorriu; segundo, afirmou que ‘Deus é pai e mãe’, mas é mais mãe que pai. Assim, João Paulo I iniciou seu pontificado sinalizando que guiaria a Igreja Católica nos rumos do Concílio Vaticano II e sob a égide de uma igreja misericordiosa. Os direitistas do Vaticano não toleraram. Dia 28 de setembro de 1978, com apenas 33 dias de pontificado, João Paulo I morreu de forma muita estranha.

(mais…)

Ler Mais

As mudanças climáticas desenham o cenário de urgência em saúde, na próxima década

Inação diante da crise pode ter um preço muito alto, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)

Por Sucena Shkrada Resk, Blog Cidadãos do Mundo

A saúde pública é, em última análise, uma escolha política e a crise climática é uma crise de saúde. Esta afirmação ecoa um dos principais alertas em relatório divulgado neste mês de janeiro pela Organização Mundial da Saúde, sobre a situação da saúde no mundo na próxima década. A construção de cenários preocupantes exige ações mais efetivas dos governos, pois o recado nas entrelinhas é: corremos contra o tempo e quem quer pagar para ver?

(mais…)

Ler Mais

A proposta singular do Populismo de Esquerda

Democracia está em crise. Corporações e elites, surdas aos anseios da maioria. Ultradireita surge como opção regressiva aos insatisfeitos. Cabe à esquerda deixar comodismo e velhas fórmulas, recuperar espírito rebelde e dialogar com a revolta

por Chantal Mouffe*, em Outras Palavras

Gostaria de deixar claro, desde o início, que o meu objetivo não é acrescentar outra contribuição ao já pletórico campo dos “estudos do populismo”, uma vez que não tenho a intenção de entrar no debate acadêmico estéril sobre a “verdadeira natureza” do populismo. Este livro é uma intervenção política e reconhece abertamente a sua natureza partidária. Definirei o que entendo por “populismo de esquerda” e argumentarei que, na conjuntura atual, ele proporciona a estratégia adequada para recuperar e aprofundar os ideais de igualdade e de soberania popular, que são constitutivos na política democrática.

(mais…)

Ler Mais

Emergência Climática: Estudo confirma que os modelos climáticos estão acertando as projeções de aquecimento futuro

Por Alan Buis*, Laboratório de Propulsão a Jato da NASA / EcoDebate

Uma animação de uma simulação de modelo climático do GISS (Instituto Goddard de Estudos Espaciais) feita para o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, mostrando anomalias médias de cinco anos da temperatura do ar da superfície em graus Celsius, em graus Celsius, de 1880 a 2100. A anomalia de temperatura é uma medida de quanto está mais quente ou mais frio em um local e tempo específicos do que a temperatura média de longo prazo, definida como a temperatura média no período de 30 anos entre 1951 e 1980. As áreas azuis representam áreas frias e amarelo e amarelo. áreas vermelhas representam áreas mais quentes. O número no canto superior direito representa a anomalia média global (Crédito: Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA)

(mais…)

Ler Mais

A fascinante comida pós-agro e seus incômodos. Por George Monbiot

Breve, será possível produzir todo tipo de alimento sem a devastação provocada pela grande agricultura e pecuária. O que isso revela sobre as oportunidades de nossa época e as sabotagens de um sistema que insiste em não morrer

No Outras Palavras

Parece um milagre, mas não é necessário nenhum grande salto tecnológico. Em um laboratório comercial no entorno de Helsinque, capital finlandesa, observei cientistas transformarem água em comida. Através de uma escotilha em um tanque de metal, eu via uma espuma amarela agitando. É a sopa primeva de bactérias, tirada do solo, com a utilização de hidrogênio extraído da água como fonte de energia. Quando a espuma foi desviada através de um emaranhado de canos, e esguichada em tambores aquecidos, transformou-se em uma farinha amarela rica.

(mais…)

Ler Mais

Chomsky: De Trump espera-se qualquer catástrofe

Pensador revela: assassinato de general iraniano deixou até o Pentágono pasmo. Irresponsabilidade de presidente pode gerar conflito global. Ao Irã, duas saídas: ceder às provocações de violência ou assumir liderança regional e enfraquecer EUA

Noam Chomsky entrevistado por Roberto Manríquez, em El Mostrador (Chile)| Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

O intelectual norte-americano considera que o assassinato – ordenado pelo presidente dos Estado Unidos – ao chefe militar e uma das autoridades mais poderosas do Irã, uma potência nuclear do Oriente Médio, “foi uma decisão que Trump tomou por capricho, o que surpreendeu inclusive os altos oficiais e analistas de informação no Pentágono. Provavelmente, é de se supor que ele fez isso para mostrar seu poder, brincar de destruir cai bem entre seus adoradores, ou com aquilo que seus seguidores supõem que esteja certo”.

(mais…)

Ler Mais

Qual o papel da austeridade e de políticas neoliberais no surgimento do neofascismo?

Segundo dossiê, preservação do sistema financeiro minou políticas sociais e abriu caminho para escalada conservadora

por Nara Lacerda, em Brasil de Fato / MST

O Instituto Tricontinental de Pesquisa Social publicou, nesta terça-feira (7), o dossiê “O mundo oscila entre crise e protestos”, em que aponta como as políticas econômicas dos últimos 50 anos ocasionaram uma forte insatisfação popular, que vem sendo cooptada por movimentos neofascistas.

(mais…)

Ler Mais

As feridas abertas do neoliberalismo chileno

Como funcionam os sistemas de saúde, educação e previdência que estão no foco das manifestações que eclodiram no final de 2019 contra o modelo implementado pela ditadura de Augusto Pinochet

André Antunes – EPSJV/Fiocruz

Juan Bacigalupo tem 28 anos e deve quase R$ 35 mil ao governo de seu país. Tudo porque cursou dois anos de Enfermagem na Universidade do Chile. Uma instituição pública. Sua dívida é o valor, corrigido com juros, que ele financiou por meio do Crédito com Aval do Estado, criado em 2005 para que os estudantes chilenos pudessem pagar por seus estudos no ensino superior. Lá, a rede privada detém o maior número de matrículas e mesmo as universidades públicas cobram mensalidades.

(mais…)

Ler Mais

La divina ultraderecha

Bajo la consigna de dominar a través de la fe se consolidan las doctrinas de diseño.

Por Carolina Vásquez Araya*, en Servindi

A partir de la segunda mitad del siglo pasado se produjo un crecimiento repentino de los cultos protestantes y pentecostales en todos los países de América Latina; este fenómeno tuvo su origen en estrategias de dominio geopolítico establecidas por Estados Unidos como una forma de incidir en los movimientos sociales de nuestro continente y neutralizar –en el marco de la Guerra Fría– todo brote de subversión en los sectores más pobres. Con una novedosa estrategia mercadológica nunca antes vista, estas sectas lograron llegar a la población por medio de programas de televisión, marchas, grandes concentraciones en sitios públicos y una labor de zapa, casa por casa, para conquistar nuevos adeptos.

(mais…)

Ler Mais