Recrutador de Epstein veio ao Brasil buscando adolescentes: os crimes de Jean-Luc Brunel

Investigação exclusiva refaz os passos do cúmplice francês do predador sexual Jeffrey Epstein e sua investida no Brasil

Por Augusta Lunardi, Thiago Domenici | Edição: Ed Wanderley, Agência Pública

Em 4 de abril de 2019, uma imagem singular postada no Facebook mostra um homem grisalho, vestindo camisa estampada e calça branca, posando em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, residência oficial do presidente da república. Com um sorriso discreto no rosto, ele faz um gesto simulando uma “arma de fogo” com as mãos, uma alusão ao então presidente Jair Bolsonaro. É o francês Jean-Luc Brunel, um dos mais notórios agenciadores de modelos do mundo, e, àquela altura, figura central no círculo de acusações de abuso e tráfico sexual que orbitava o bilionário americano Jeffrey Epstein. (mais…)

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A luta por tempo livre e o mito do capitalismo justo

Mesmo com o extraordinário avanço tecnológico, nunca se trabalhou tanto – reflexo direto do desmonte de direitos e chantagens patronais que abriram portas para jornadas primitivas. A luta contra a escala 6×1 é apenas a ponta do problema de uma batalha mais ampla

Por Leonardo Lani de Abreu, em Outras Palavras

A liberdade humana é inconcebível sem o tempo, a ponto de se poder afirmar que, na ausência do tempo livre, isto é, o período temporal em que uma pessoa não está obrigada a trabalhar ou a realizar outras atividades impostas, inexiste também a liberdade real. Quem não é dotado de tempo livre tem pouca margem para pensar, criar, estudar, descansar ou participar da vida política. O resultado dessa privação é o surgimento em larga escala de indivíduos autocentrados, intelectualmente embotados, esgotados, ou, numa palavra, infelizes. Esta é a razão por que Marx (2011) identificou a riqueza genuína como o tempo livre dispensado ao alcance da plenitude do desenvolvimento humano, em vez do acúmulo de bens materiais. (mais…)

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Identificação de jovens com o fascismo é sintoma de uma época em que gerações temem o futuro. Entrevista especial com Rose Gurski

“O fascismo contemporâneo é o nome político do desespero produzido pela precariedade do laço social”, sintetiza a psicanalista e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Por: Patricia Fachin, em IHU

Múltiplas são as formas de explicar o desejo pelo fascismo, aquela atração que jovens e adultos sentem pelo autoritarismo. À luz da psicanálise, esse sentimento pode ser compreendido como “a nomeação de um sintoma político que descreve uma parte da gramática do desamparo contemporâneo”, diz Rose Gurski. É nesse terreno de desamparo e fragmentação que novos fascismos emergem, segundo a psicanalista. “Eles prosperam não mais como ideologias centralizadas, mas como formas afetivas e micropolíticas de gozo autoritário disseminadas nas redes e nos discursos cotidianos”, afirma. (mais…)

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Venezuela: até onde irá Trump?

Concentração militar no Caribe é maciça, mas não sustenta uma invasão. Primeiros objetivos são intimidar Maduro, afastar a China e afagar a ultradireita. Mas pode haver ataques contra governantes e infraestruturas. Solidariedade é urgente

Por Manuel Sutherland, no Nuso | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Nas últimas semanas, uma enxurrada de notícias circulou na mídia e nas redes sociais, alimentando a ideia de que a América Latina poderia estar à beira de um conflito bélico. Desde a invasão do Panamá em 1989, não se via um movimento naval estadunidense dessa magnitude no Mar do Caribe. O atual desdobramento, impulsionado pelo governo de Donald Trump, reaviva uma estratégia pré-beligerante que a Casa Branca começou a construir há pelo menos sete anos contra o governo de Nicolás Maduro. (mais…)

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Milei vence. A Argentina segue em transe

O triunfo do “libertário” nas eleições legislativas de meio de mandato reconfigura a política argentina. Enquanto o peronismo vai ao divã, o país aprofunda uma nova forma de dependência – financeira, ideológica e simbólica – em relação aos Estados Unidos

Por Glauco Faria, em Outras Palavras

No meio da tarde desta segunda-feira (27), com 99,3% das urnas apuradas, a Argentina já tinha praticamente consolidado o cenário de triunfo para o La Libertad Avanza (LLA), partido do presidente argentino Javier Milei, nas eleições legislativas de meio de mandato. A legenda obteve 40,7% dos votos totais para a Câmara dos Deputados, superando o Fuerza Patria, que obteve 34,9%. Na disputa pelo Senado, a vantagem foi de 42% a 36,9%. (mais…)

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A centralidade do medo na modernidade e a esperança em novos inícios. Entrevista especial com Paulo Eduardo Bodziak Junior

A categoria do medo é inseparável da política, mas deve ser tensionada com a esperança. Um dos aspectos do amor mundi arendtiano evoca o sentir-se responsável pelo mundo e aponta para um duplo desafio ético relativo à afetividade

Por: Márcia Junges, em IHU

“Penso que a modernidade é caracterizada pela centralidade do medo. Hobbes consolida o entendimento moderno desse afeto, mas a centralidade política do medo já remonta à antiguidade tardia romana. Não à toa, a célebre ideia de que o homem é o lobo do homem foi cristalizada na modernidade pelo filósofo inglês, mas sua origem remonta ao dramaturgo romano Plauto. Todavia, o medo sempre ocorre acompanhado da esperança, pois não há como separar as duas coisas. A ‘fé no mundo’, sempre renovada pela possibilidade de novos inícios, não é apenas uma convicção filosófica de Arendt, é uma experiência afetiva própria da modernidade”. (mais…)

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IA: As novas plataformas do caos

Vibes e Sora já geram vídeos artificiais e críveis. Big techs falam em “democratizar a criatividade”. Resultado são montanhas de fake news, conteúdos massivos e vãos – e o apagamento da poesia que separa os atos de imaginar e tornar realidade

Por Charlie Warzel, no The Atlantic | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Os prompts parecem pequenos poemas abstratos.

“Uma tempestade brutal diante do penhasco litorâneo. As nuvens se formam em estruturas tubulares e os relâmpagos são intermináveis.” (mais…)

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