“Minha indignação é não aceitar que estamos vivendo no mesmo momento histórico em que acontece um dos maiores genocídios do mundo”. Entrevista especial com Nicolas Calabrese

A bordo [da] Flotilha Global Sumud, ativista brasileiro vive um dia após o outro, preocupa-se com o futuro dos palestinos em Gaza e com a integridade física e a liberdade dos integrantes das embarcações que partiram de vários portos do mundo rumo a Gaza

Por Patricia Fachin, em IHU

A música “Sólo le pido a Dios”, uma composição emblemática nas lutas dos movimentos sociais da América Latina, é rememorada entre aqueles que embarcaram na Flotilha Global Sumud em missão humanitária rumo a Gaza. “Eu só peço a Deus que a guerra não me seja indiferente”, como cantou a argentina Mercedes Sosa, diz Nicolas Calabrese, brasileiro do Rio de Janeiro integrante da tripulação da flotilha, é a mensagem que as 20 embarcações, com participação de representantes de 44 países, desejam transmitir ao mundo. “É isto que queremos: que este genocídio não caia na indiferença. Podem dizer que [Gaza] é muito longe, que temos muitos problemas por aqui [no Brasil] e não precisamos fazer isso. Que [os palestinos] que se defendam. Se ficarmos nisso, estaremos perdendo a nossa humanidade e a nossa capacidade de pensar no próximo, num povo que está sendo massacrado pelo poder e pelo dinheiro”, declara o ativista na entrevista a seguir, concedida por WhatsApp ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU no último domingo, 14-09-2025, quando a embarcação partiu da Tunísia, no norte da África, rumo à Gaza, território palestino no Oriente Médio. A previsão de chegada ao destino, informa, é na próxima quarta-feira, 24-09-2025. (mais…)

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O manual das Big Techs para impedir leis de remuneração à imprensa

Meta e Google fizeram campanhas, ameaçaram bloquear notícias e fecharam acordos para influenciar leis em quatro países

Por Krisna Adhi Pradipta, Raymundus Rikang, Tempo, Anton Nilsson, Crikey, Carly Penrose, The IJF, Natalia Viana, Agência Pública

Na última década, enquanto as empresas de mídia lutavam para ganhar dinheiro em um mercado digital em transformação, governos propuseram leis para exigir que as Big Techs paguem aos veículos de comunicação pelo uso do seu conteúdo. (mais…)

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O “admirável mundo novo” da extrema-direita: a falsa rebeldia e transgressão discursiva nas redes sociais. Entrevista especial com Thomás Zicman de Barros

A retórica histriônica de políticos da extrema-direita catalisa indignações sociais e políticas não raras vezes legítimas, mas seus encaminhamentos não são transformadores, senão reafirmam as hierarquias sociais existentes

Na IHU

Líderes da extrema-direita são eloquentes, possuem um discurso que é visto como indignado e autêntico. A penetração social e influência não são, porém, meramente retóricas, são reais e têm efeitos concretos. “Muitos estudiosos destacam esse estilo: líderes populistas que falam de modo atabalhoado, se vestem de forma desajeitada, parecem ‘simplões’, como se fossem um homem do povo. Outro traço é a agressividade: palavrões, ofensas, ataques diretos. Isso passa a ideia de indignação, de autenticidade”, descreve Thomás Zicman de Barros, em entrevista por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. “Mais do que isso, traz à tona temas que antes não podiam ser ditos em público. Rompe tabus e promete um ‘outro mundo’. O problema é que esse ‘outro mundo’ não é novo: ele apenas reafirma as hierarquias sociais já existentes”, complementa. (mais…)

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Flotilha e sumud. Por Priscila Figueiredo

A imagem desse comboio que reúne gente de cerca de 50 países, engrossando desde Barcelona, passando por diversos portos, com destino à costa de um outrora gueto transformado em campo de extermínio, suscita devaneios de imensidão e sugere outra forma de vida, comunal e amiga da humanidade

Por Priscila Figueiredo, em Outras Palavras

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Quando soube que a impressionante frota de solidariedade Global Sumud Flotilla teria a envergadura que tem e estava aberta a voluntários, me deu ganas de me alistar (estou de licença quinquenal no trabalho) e partir com ela rumo ao infinito… (mais…)

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A máquina da subjugação. Entrevista com Roberto Esposito

IHU

Em seu último livro, Il fascismo e noi. Un’interpretazione filosofica (O fascismo e nós. Uma interpretação filosófica, em tradução livre, Einaudi, 306 páginas, € 26), Roberto Esposito aborda o fascismo não apenas como um fenômeno histórico-político, mas como uma “máquina metafísica”. Para o filósofo napolitano, essa “máquina” atua não apenas no poder, mas também na “experiência interior”, isto é, nos desejos, nas relações e nas linguagens. Para agir contra a inquietante latência do fascismo hoje, é preciso reconhecer seu problema. (mais…)

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Franco Berardi: “O Ocidente trama a morte do futuro”

Em entrevista a editora em Hong Kong, filósofo alegra-se com a emergência do Sul Global. Mas alerta: para evitar um mundo livre de seu controle, o eurocentrismo recorrerá à guerra total e à dissolução da utopia e do próprio pensamento

Por Franco Berardi, em entrevista à revista chinesa Typesetter, de Hong Kong | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Após última grande reunião do Sul Global, o encontro da Organização de Cooperação de Xangai em Tianjin (China), o cerco ao Ocidente pelas potências emergentes está completo. A arrogância euro-atlântica está produzindo uma catástrofe estratégica. Ao empurrar a Ucrânia para a guerra, o governo Biden provocou a reaproximação estratégica da China com a Rússia e afundou a União Europeia, que agora balança à beira de um abismo de guerra. (mais…)

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O fascismo que se reinventa e a dimensão pós-representativa da política contemporânea. Entrevista especial com Sandro Chignola

Baseado nos eixos fundamentais do mito da decisão, a crítica da democracia, o valor reconhecido às hierarquias “naturais” e a retórica da violência, o fascismo contemporâneo é tecnocrático, aceleracionista, utópico e quer radicalizar o programa neoliberal

Por: Márcia Junges | Tradução: Moisés Sbardelotto, em IHU

Se na década de 1930 a preservação da raça, da tradição e do solo pátrio compunham o horizonte do fascismo, a forma atual desse autoritarismo quer tão somente destruir e “fugir com o butim, em nome de uma concepção puramente oligárquica das relações de poder”. A afirmação é do filósofo italiano Sandro Chignola na entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Guardados os contextos diferentes, o fascismo de hoje tem no ódio à esquerda apenas uma “evocação retórica”, pois se for possível fazer negócios, acordos são possíveis. “Devemos partir do pressuposto de que o fascismo não é um arquétipo, uma constante trans-histórica cujas características definidoras podem ser analisadas de uma vez por todas, mas o fascismo, particularmente o do século XX, é um protótipo, um modelo ou um tipo de intervenção na crise econômica e na ruptura dos mecanismos de acumulação do capital, destinado a ser desenvolvido em novas direções e em relação a finalidades diferentes”, diz. (mais…)

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