O fascismo que se reinventa e a dimensão pós-representativa da política contemporânea. Entrevista especial com Sandro Chignola

Baseado nos eixos fundamentais do mito da decisão, a crítica da democracia, o valor reconhecido às hierarquias “naturais” e a retórica da violência, o fascismo contemporâneo é tecnocrático, aceleracionista, utópico e quer radicalizar o programa neoliberal

Por: Márcia Junges | Tradução: Moisés Sbardelotto, em IHU

Se na década de 1930 a preservação da raça, da tradição e do solo pátrio compunham o horizonte do fascismo, a forma atual desse autoritarismo quer tão somente destruir e “fugir com o butim, em nome de uma concepção puramente oligárquica das relações de poder”. A afirmação é do filósofo italiano Sandro Chignola na entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Guardados os contextos diferentes, o fascismo de hoje tem no ódio à esquerda apenas uma “evocação retórica”, pois se for possível fazer negócios, acordos são possíveis. “Devemos partir do pressuposto de que o fascismo não é um arquétipo, uma constante trans-histórica cujas características definidoras podem ser analisadas de uma vez por todas, mas o fascismo, particularmente o do século XX, é um protótipo, um modelo ou um tipo de intervenção na crise econômica e na ruptura dos mecanismos de acumulação do capital, destinado a ser desenvolvido em novas direções e em relação a finalidades diferentes”, diz. (mais…)

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Muros se transformam em trincheiras de arte pela liberdade do povo palestino!

De 28 de julho a 28 de agosto, o MST realizou a 2ª Jornada de Muralismo Palestina Livre, com a produção de murais retratando a denúncia ao genocídio de Israel e a resistência palestina

Da Página do MST

O território palestino segue submetido ao genocídio sistemáticos pelo Estado de Israel, com bloqueio militar por terra, mar e ar, invasões armadas, assassinatos em massa, destruição de aldeias e expulsões forçadas. Essa violência permanente ameaça a vida, a memória e a cultura do povo palestino, que luta para não ser exterminado. Escavadeiras arrancam oliveiras centenárias, terras agrícolas são envenenadas e demolidas, bancos de sementes destruídos, comunidades impedidas de acessar água e pesca. Cada ato cotidiano, como plantar, colher, cozinhar, pescar é transformado em alvo de guerra. A repressão diária e a expropriação cultural revelam o projeto sionista de Israel, como a estratégia de limpeza étnica e apagamento histórico. (mais…)

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Como a “mão invisível” das Big Techs pressiona governos na América Latina

Organizações internacionais, escritórios de advocacia e lobistas atuam para bloquear ou modificar leis

Por Por José Luis Peñarredonda, María Teresa Ronderos, Clip, Laura Scofield, Agência Pública, Andrea Rincón, Edier Buitrago, Cuestión Pública, Francisca Skoknic, LaBot, Mónica Almeida, Paúl Mena Mena, Primicias, em Agência Pública

“O que devemos fazer nós, no Congresso da República, sobre a inteligência artificial?”, pergunta Diego Caicedo, um jovem deputado da Colômbia, em um vídeo publicado no seu perfil do Instagram. Ao seu lado, Pablo Nieto, outro colombiano, responde: “Criar marcos regulatórios que promovam a inteligência artificial” e “escutar todas as partes interessadas”. Esse não foi um intercâmbio casual, nem por onde ocorreu, nem por quem falava, nem pelo que diziam. Caicedo é um legislador; Nieto, um representante de uma associação de Big Techs. (mais…)

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Uma saúde digital que adoece trabalhadores?

O avanço das tecnologias digitais vai melhorar o cuidado. Será? Médicos, enfermeiros e outros profissionais gastam horas em frente a telas – e os dados que geram servem para alimentar sistemas de vigilância e controle. Resultados: exaustão e falta de autonomia

Por Leandro Modolo e Manoela de Carvalho, em Outra Saúde

No final do último mês, o histórico jornalista do campo progressista, Luis Nassif, entrevistou a liderança da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), Ana Estela Haddad – ao fim, também coproduziu com uma IA, um resumo da entrevista e publicou em seu portal. (mais…)

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“O que realmente me choca hoje não é tanto o silêncio dos políticos, mas o de acadêmicos, intelectuais e jornalistas”. Entrevista com Ilan Pappé

IHU

Quando pergunto o que está escrevendo, ele ri e diz que já escreveu 27 livros e agora está descansando. Ilan Pappé parece relaxado no amplo salão e biblioteca da Pousada Literária, localizada no centro colonial de Paraty, onde está hospedado com outros convidados ilustres da 23ª edição da FLIP, a Festa Literária Internacional da cidade, um dos encontros literários mais importantes do Brasil, realizado no final de julho e início de agosto na pequena cidade litorânea localizada entre o Rio de Janeiro e São Paulo. (mais…)

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O imperialismo americano em convulsão. Por Ladislau Dowbor

800 bases militares espalhadas pelo mundo. Controle dos fluxos de informação essenciais à economia. Violência e tortura contra os inimigos. Três livros mostram como, ainda assim, o poder dos EUA nunca foi tão decadente e vulnerável

Por Ladislau Dowbor, em Outras Palavras

Cold inhumanity
Burning insanity
(Thomas Hood, The Bridge of Sighs, 18441)

Entender o imperialismo americano moderno envolve juntar diversas dimensões, e vale a pena. Queiramos ou não, os Estados Unidos constituem hoje uma ameaça planetária, com as convulsões e reações extremistas de um império em decadência. Nada como os próprios americanos para apresentar as transformações em curso, e queria aqui apresentar três livros que ajudam muito na compreensão das dinâmicas. Apresento uma breve resenha de cada um, pois são muito complementares em termos de construção de uma visão sistêmica. (mais…)

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A morte e a negação do luto na era do capitalismo acelerado e hiperconectado. Por Sérgio Botton Barcellos

Esses dias tive uma orientanda de doutorado que defendeu uma tese sobre a sustentabilidade, educação ambiental e morte. E fiquei pensando algumas situações. Então, me lembrei quando da morte de Belchior, em 2017, estava em João Pessoa, eu senti uma estranheza e uma tristeza profunda. Não sabia explicar. Mas, sentia que alguém importante tinha partido com um legado artístico e que se propôs a questionar o sistema de vida posto, inclusive os modismos. (mais…)

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