Baseado nos eixos fundamentais do mito da decisão, a crítica da democracia, o valor reconhecido às hierarquias “naturais” e a retórica da violência, o fascismo contemporâneo é tecnocrático, aceleracionista, utópico e quer radicalizar o programa neoliberal
Por: Márcia Junges | Tradução: Moisés Sbardelotto, em IHU
Se na década de 1930 a preservação da raça, da tradição e do solo pátrio compunham o horizonte do fascismo, a forma atual desse autoritarismo quer tão somente destruir e “fugir com o butim, em nome de uma concepção puramente oligárquica das relações de poder”. A afirmação é do filósofo italiano Sandro Chignola na entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Guardados os contextos diferentes, o fascismo de hoje tem no ódio à esquerda apenas uma “evocação retórica”, pois se for possível fazer negócios, acordos são possíveis. “Devemos partir do pressuposto de que o fascismo não é um arquétipo, uma constante trans-histórica cujas características definidoras podem ser analisadas de uma vez por todas, mas o fascismo, particularmente o do século XX, é um protótipo, um modelo ou um tipo de intervenção na crise econômica e na ruptura dos mecanismos de acumulação do capital, destinado a ser desenvolvido em novas direções e em relação a finalidades diferentes”, diz. (mais…)
