Maior representatividade feminina na Igreja Católica será desafio para novo papa Leão 14

As mulheres sempre carregaram a Igreja nas costas, mas seu poder político na instituição foi esvaziado, diz teóloga

Por Amanda Audi | Edição: Mariama Correia, Agência Pública

Primeiro papa dos EUA, o cardeal Robert Francis Prevost, 69 anos, é o novo líder da Igreja Católica. O sumo pontífice, que será conhecido como Leão 14, foi nomeado cardeal pelo papa Francisco e é considerado um perfil entre o progressismo do antecessor e os conservadores. Citando casais LGBTQIAPN+, ele já declarou ser contra a “simpatia por crenças e práticas que estão em desacordo com o evangelho”. (mais…)

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Eduardo Galeano, o caçador de histórias

Escritor uruguaio, morto há dez anos, realçava o encantamento das pequenas coisas que mostram a grandeza da vida. Assim, ele buscava “as pegadas da memória perdida” – em fábulas, relatos pessoais e lutas do passado. Inspirava a decifrar-nos: como sujeitos e coletividade

por Matheus Silveira de Souza, Outras Palavras

Os seres humanos são feitos não só de matéria, sangue, carne, crenças e afetos, mas também de histórias. Histórias coletivas, compartilhadas. Narrativas que, ao serem passadas de geração em geração, mantêm viva a memória dos que já foram. Mas há uma imensidão de micro histórias perdidas nos fios que tecem o tempo, e ao serem redescobertas e transmitidas, servem de resistência contra o esquecimento e o desencantamento da vida. Em 2025, data que marca 10 anos da partida de Eduardo Galeano, revisitar sua obra pode ser uma boa estratégia para resgatarmos histórias que estavam desbotadas em nossa memória coletiva. Afinal de contas, esse foi o ofício de Galeano durante sua vida. (mais…)

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Era uma vez no Ocidente. Por Luiz Marques

Este é o século do absurdo, da necropolítica, de jovens infelizes e a da busca (desesperada) por um sentido que o capitalismo roubou

Em A Terra é Redonda

Para um antigo hebreu, a pergunta “Você acredita em Deus” equivalia à indagação “Você tem fé em Jeová?” Não indicava um problema intelectual, mas uma equação relacional. Os pré-modernos não se sentiam interpelados pela dúvida sobre a existência da divindade, diferente dos modernos em um período em que a vida nunca valeu tão pouco. O século XX, por expelir lavas de extermínio aos borbotões e contabilizar milhões de óbitos desnecessários, foi um matadouro em escala industrial. (mais…)

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A internacional fascista como modo de vida. Entrevista especial com Augusto Jobim do Amaral

Esquerdas governamentais, conciliatórias e apaziguadoras reduziram-se a “salvar o capitalismo dele mesmo” e não conseguem canalizar inconformidade e indignação, tarefa que o fascismo desejado e reivindicado pelas massas tomou para si com sucesso

Por: Márcia Junges, em IHU

“O fascismo, aqui e em outros lugares, é a única força com ímpeto de transformação frente a um esgotamento da democracia liberal. A capacidade política anti-institucional foi praticamente toda cooptada por estas forças, isso a faz insurrecional, ainda que cinicamente jogue com a dimensão instituída. Ela oferece a pior resposta possível a um diagnóstico verdadeiro que, em grande medida, as decrépitas forças progressistas buscam negar. Eis o nosso negacionismo, aliado a uma melancolia, que somente nos tem conduzido a sermos o partido da ordem, reativamente compondo a defesa de instituições decrépitas, na direção da conquista do centro político”. A afirmação é de Augusto Jobim do Amaral na entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, que complementa: “Oxalá houvesse a tão propalada polarização e que, de fato, conseguíssemos produzir um extremo outro ao fascismo. Mas seguimos gerindo as mesmas condições nefastas, como esquerdas governamentais, que nos trouxeram até aqui, ou seja, uma postura conciliatória e apaziguadora”. (mais…)

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Vietnã, 50: A coragem anticolonial das mulheres. Capítulo 4

Elas foram cruciais na resistência à invasão dos EUA. Traçaram táticas para proteger vilas. Forneceram ajuda médica aos feridos. E criaram seus próprios pelotões de guerrilha. Leia o quarto capítulo de nossa série sobre a grande vitória sobre o imperialismo

por Daniel M. Huertas, em Outras Palavras

Capítulo 4 – Heroísmo, resiliência, honestidade e responsabilidade: o nevrálgico papel feminino nas guerras de independência [1]

A batalha pela reunificação do Vietnã (1945-1975) não pode ser compreendida sem o sacrifício silencioso de mulheres que perderam seus filhos e maridos nas guerras de resistência [2]. Após a fundação do Partido Comunista do Vietnã (PCV), em 1930, surgiram muitas organizações lideradas por mulheres, como a Associação das Mulheres pela Libertação, Associação das Mulheres pela Democracia, Associação das Mulheres Anti-imperialistas, Associação das Mulheres pela Segurança Nacional e União das Mulheres Vietnamitas, que acabou se tornando a principal delas. Desse modo, a presença feminina está intimamente ligada à Revolução Vietnamita e ao desenvolvimento da nação. (mais…)

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Gaza é o ponto de não retorno da humanidade. Por Martina Marchi

“Enxergo novamente diante de meus olhos a vala comum vista pouco antes perto do Hospital Al-Shifa, onde centenas de corpos descansam sem paz.”

por Martina Marchi, responsável médica dos Médicos Sem Fronteiras em Gaza, publicada por La Stampa, com tradução de Luisa Rabolini, em IHU

No final do dia, costumo subir ao terraço e me deitar para olhar o céu. Há andorinhas e drones e, à distância, às vezes tenho dificuldade de distingui-los com meus olhos semicerrados. O céu azul é cheio de promessas, nos faz pensar na liberdade, como se não houvesse muros ao redor. Outro dia, li uma frase: “É estranho pensar que não se pode escapar. Que não importa o quanto você corra, em algum momento vai encontrar o mar”. (mais…)

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“Toda política hoje é mesopolítica: uma política de meios e de mediações”. Entrevista especial com Rodrigo Petronio

O professor e ensaísta analisa como Donald Trump se transformou em um showman global da antipolítica extremista de direita

Por: Baleia Comunicação | IHU

Se na segunda metade do século XX as democracias eram usurpadas com tanques e coturnos, no século XXI a democracia é tomada de assalto por meio de uma espécie de atentado contra a linguagem. “Destruindo a linguagem, conseguimos destruir a própria efetividade dos argumentos e da refutação. A estratégia é muito clara. E foi usada no Brasil por [Jair] Bolsonaro. E tem sido utilizada por todos os políticos de extrema-direita, incluindo Trump. A ideia básica é criar dispositivos de poder baseados em dispositivos de linguagem que deteriorem a possibilidade de diálogo”, pondera Rodrigo Petronio, em entrevista por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. (mais…)

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