Esquerdas governamentais, conciliatórias e apaziguadoras reduziram-se a “salvar o capitalismo dele mesmo” e não conseguem canalizar inconformidade e indignação, tarefa que o fascismo desejado e reivindicado pelas massas tomou para si com sucesso
Por: Márcia Junges, em IHU
“O fascismo, aqui e em outros lugares, é a única força com ímpeto de transformação frente a um esgotamento da democracia liberal. A capacidade política anti-institucional foi praticamente toda cooptada por estas forças, isso a faz insurrecional, ainda que cinicamente jogue com a dimensão instituída. Ela oferece a pior resposta possível a um diagnóstico verdadeiro que, em grande medida, as decrépitas forças progressistas buscam negar. Eis o nosso negacionismo, aliado a uma melancolia, que somente nos tem conduzido a sermos o partido da ordem, reativamente compondo a defesa de instituições decrépitas, na direção da conquista do centro político”. A afirmação é de Augusto Jobim do Amaral na entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, que complementa: “Oxalá houvesse a tão propalada polarização e que, de fato, conseguíssemos produzir um extremo outro ao fascismo. Mas seguimos gerindo as mesmas condições nefastas, como esquerdas governamentais, que nos trouxeram até aqui, ou seja, uma postura conciliatória e apaziguadora”. (mais…)
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