O caleidoscópio da direita radical no Sul Global. Entrevista especial com Tatiana Vargas Maia

Contexto do fenômeno no século XXI exige nova abordagem para analisar o que se passa nas sociedades da região. Reconfiguração dos paradigmas que caracterizavam as forças reacionárias foge do esquema convencional da direita

Por Márcia Junges, em IHU

“A direita radical contemporânea configura-se como categoria conceitual de maior abrangência e versatilidade analítica, capaz de apreender manifestações políticas que, embora compartilhem elementos autoritários e antiliberais, não derivam diretamente do legado fascista histórico”, observa a pesquisadora Tatiana Vargas Maia em entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Em sua análise, “em vez da destruição formal e abrupta das instituições democráticas, a nova direita radical opera mediante uma progressiva colonização dos espaços institucionais democráticos, provocando, de forma gradual, seu esvaziamento interno”. Faz-se imprescindível uma outra estrutura analítica para estudar o fenômeno da extrema-direita no Sul Global, o que “não passa apenas pela inclusão de novos casos na discussão, mas sim por uma necessária renovação teórica e metodológica que reconheça as limitações das teorias eurocêntricas e desenvolva conceitos e abordagens capazes de apreender as complexidades políticas de sociedades marcadas por histórias, culturas e realidades socioeconômicas distintivas”. (mais…)

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Devastação de Trump já atinge a ciência brasileira

Interrupção unilateral, pelos EUA, de cooperação com laboratórios de todo o mundo põe em risco controle de doenças infantis graves, como diabetes e cegueira avitaminosa. USP é uma das universidades afetadas. Pesquisadora sustenta: alternativa está no Sul Global

por Gabriela Leite, em Outra Saúde

A pesquisadora Patrícia Rondó, coordenadora do Laboratório de Micronutrientes da Faculdade de Saúde Pública da USP, não se surpreendeu ao receber, na semana passada, um email do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americano. A mensagem anunciava que o Laboratory Quality Assurance Program  (Programa de Garantia da Qualidade Laboratorial), ao qual o laboratório onde trabalha é associado, havia entrado em uma “pausa por tempo indefinido” devido à falta de financiamento. (mais…)

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Dowbor: Pra nos tirar da solidão

As crianças perderam as ruas e foram aprisionadas em telas. O trabalho tornou-se obrigação sem sentido. O laço entre as gerações se perdeu no apartamento exíguo. Mas busca-se, em todo o mundo, caminhos de reconexão. São flores no asfalto?

Por Ladislau Dowbor | Tradução: Antonio Martins1, em Outras Palavras

Trabalhei anos em países africanos com ambiente social rico: bairros com crianças, avós, tios e tias, muito barulho e correria, zero privacidade, mas também muitas risadas. Era vida pulsando. E as ruas eram um lugar para socializar. Na minha infância em São Paulo, lembro que minha mãe ficava rouca de tanto gritar para nos chamar do meio da rua na hora do almoço. O mundo nos permitia explorar, e aprender a identificar o que valia a pena correr atrás — e do quê era melhor fugir. (mais…)

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A cruzada fascista das Big Techs contra a democracia. Entrevista especial com Eugênio Bucci

Liberdade, no mundo mediado por redes (anti)sociais, se transformou em culto à autocracia, obscurantismo e compromisso com os mais baixos valores sociais

Por: Baleia Comunicação | IHU

Há cem anos Adolf Hitler publicou a primeira parte de Mein Kampf. No texto, repetiu mais de 170 vezes a palavra “propaganda”, que tinha o sentido de uma mentira repetida muitas vezes até que se tornasse uma “verdade”. O método, percebemos, é antigo, mas as configurações da estratégia hoje, tem suas particularidades. “As plataformas sociais favorecem, enormemente, à proliferação de valores e signos próprios do fascismo. Claro que estamos falando de um fascismo modificado, mas ainda assim um fascismo na medida em que prega o ódio ao estrangeiro, o expansionismo um pouco nacionalista, uma xenofobia em conjunto com misoginia, a lógica de expandir território e uma abordagem das relações internacionais em um tom de beligerância”, explica o professor, pesquisador e escritor premiado Eugênio Bucci, em entrevista por telefone ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. (mais…)

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Morte lenta e silenciosa nos hospitais de Gaza

No sistema de saúde, retrato do genocídio. Profissionais assassinados. Hospitais bombardeados. Ausência total de remédios. Não há tempo para atender quem não está sangrando. “Usamos nossas mãos nuas e lanternas: é medieval”

Por Mahmoud Mushtaha, no CTXT | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Nos últimos dias, vieram à tona detalhes sobre um massacre israelense especialmente horripilante contra equipes médicas palestinas no sul de Gaza. No dia 23 de março, uma equipe do Crescente Vermelho e da Defesa Civil foi enviada em missão de resgate para auxiliar colegas que haviam sido atacados no mesmo dia na província de Rafah. Em certo momento, o contato com a equipe foi perdido, e presumiu-se que estivessem mortos. (mais…)

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Apelo à comunidade acadêmica da USP. Por Paulo Sérgio Pinheiro

Carta para a Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional – AUCANI

Em A Terra é Redonda

Prezados Colegas,

Tomei conhecimento, por meio de circular , da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (AUCANI), que a Universidade de São Paulo concederá espaço ao Consulado de Israel na Feira Intercultural Internacional, em 23 de abril. Considerando que o governo israelense continua a perpetrar um genocídio em Gaza e que sobre seu primeiro-ministro, por “crimes contra a humanidade e crimes de guerra” cometidos por ele em Gaza, pesa uma ordem de prisão decretada pelo Tribunal Penal Internacional, essa decisão merece reflexão. (mais…)

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‘Adolescência’, incels, redpills: a produção de odiadores de mulheres na internet

Em entrevista, Maria Carolina Medeiros e Letícia Sabbatini refletem sobre a radicalização nas plataformas digitais

Por Amanda Audi | Edição: Mariama Correia, Agência Pública

Jamie Miller, um menino de 13 anos, é preso nos primeiros minutos da série Adolescência, da Netflix, acusado de assassinar uma garota de sua escola. Policiais arrombam a porta da sua casa e o encontram acuado na cama, tão assustado que faz xixi nas calças. Ele é pequeno, tem feições infantis e chora copiosamente dizendo que não fez nada de errado. O espectador começa a suspeitar que houve algum erro – até que os investigadores mostram imagens de Jamie cometendo o homicídio. (mais…)

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