Identificação de jovens com o fascismo é sintoma de uma época em que gerações temem o futuro. Entrevista especial com Rose Gurski

“O fascismo contemporâneo é o nome político do desespero produzido pela precariedade do laço social”, sintetiza a psicanalista e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Por: Patricia Fachin, em IHU

Múltiplas são as formas de explicar o desejo pelo fascismo, aquela atração que jovens e adultos sentem pelo autoritarismo. À luz da psicanálise, esse sentimento pode ser compreendido como “a nomeação de um sintoma político que descreve uma parte da gramática do desamparo contemporâneo”, diz Rose Gurski. É nesse terreno de desamparo e fragmentação que novos fascismos emergem, segundo a psicanalista. “Eles prosperam não mais como ideologias centralizadas, mas como formas afetivas e micropolíticas de gozo autoritário disseminadas nas redes e nos discursos cotidianos”, afirma. (mais…)

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Venezuela: até onde irá Trump?

Concentração militar no Caribe é maciça, mas não sustenta uma invasão. Primeiros objetivos são intimidar Maduro, afastar a China e afagar a ultradireita. Mas pode haver ataques contra governantes e infraestruturas. Solidariedade é urgente

Por Manuel Sutherland, no Nuso | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Nas últimas semanas, uma enxurrada de notícias circulou na mídia e nas redes sociais, alimentando a ideia de que a América Latina poderia estar à beira de um conflito bélico. Desde a invasão do Panamá em 1989, não se via um movimento naval estadunidense dessa magnitude no Mar do Caribe. O atual desdobramento, impulsionado pelo governo de Donald Trump, reaviva uma estratégia pré-beligerante que a Casa Branca começou a construir há pelo menos sete anos contra o governo de Nicolás Maduro. (mais…)

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Milei vence. A Argentina segue em transe

O triunfo do “libertário” nas eleições legislativas de meio de mandato reconfigura a política argentina. Enquanto o peronismo vai ao divã, o país aprofunda uma nova forma de dependência – financeira, ideológica e simbólica – em relação aos Estados Unidos

Por Glauco Faria, em Outras Palavras

No meio da tarde desta segunda-feira (27), com 99,3% das urnas apuradas, a Argentina já tinha praticamente consolidado o cenário de triunfo para o La Libertad Avanza (LLA), partido do presidente argentino Javier Milei, nas eleições legislativas de meio de mandato. A legenda obteve 40,7% dos votos totais para a Câmara dos Deputados, superando o Fuerza Patria, que obteve 34,9%. Na disputa pelo Senado, a vantagem foi de 42% a 36,9%. (mais…)

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A centralidade do medo na modernidade e a esperança em novos inícios. Entrevista especial com Paulo Eduardo Bodziak Junior

A categoria do medo é inseparável da política, mas deve ser tensionada com a esperança. Um dos aspectos do amor mundi arendtiano evoca o sentir-se responsável pelo mundo e aponta para um duplo desafio ético relativo à afetividade

Por: Márcia Junges, em IHU

“Penso que a modernidade é caracterizada pela centralidade do medo. Hobbes consolida o entendimento moderno desse afeto, mas a centralidade política do medo já remonta à antiguidade tardia romana. Não à toa, a célebre ideia de que o homem é o lobo do homem foi cristalizada na modernidade pelo filósofo inglês, mas sua origem remonta ao dramaturgo romano Plauto. Todavia, o medo sempre ocorre acompanhado da esperança, pois não há como separar as duas coisas. A ‘fé no mundo’, sempre renovada pela possibilidade de novos inícios, não é apenas uma convicção filosófica de Arendt, é uma experiência afetiva própria da modernidade”. (mais…)

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IA: As novas plataformas do caos

Vibes e Sora já geram vídeos artificiais e críveis. Big techs falam em “democratizar a criatividade”. Resultado são montanhas de fake news, conteúdos massivos e vãos – e o apagamento da poesia que separa os atos de imaginar e tornar realidade

Por Charlie Warzel, no The Atlantic | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Os prompts parecem pequenos poemas abstratos.

“Uma tempestade brutal diante do penhasco litorâneo. As nuvens se formam em estruturas tubulares e os relâmpagos são intermináveis.” (mais…)

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EUA: Decadência e fim da imaginação

Indústria cultural escancara incapacidade de um império em declínio de oferecer uma visão positiva de futuro, aponta o filósofo Diego Ruzzarin. Por isso, aposta em nostalgia para reconfortar e conformar – e distopias onde só há espaço para o fatalismo e ações individuais

Por Estevam Dedalus, em Outras Palavras

A decadência dos Estados Unidos pode ser percebida em vários âmbitos. Na economia. Nas desigualdades sociais. Na infraestrutura. Na liderança tecnológica. Na política e cultura. (mais…)

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“Prêmio Nobel de Economia”: uma “farsa” a serviço do neoliberalismo

Vencedor do “Prêmio Nobel de Economia” de 2025, Philippe Aghion é convidado para todos os programas de televisão para elogiar o neoliberalismo. O problema é que este prêmio não é um Prêmio Nobel de verdade, e não é nada além de uma garantia de qualidade…

A reportagem é de Vincent Lucchese, publicada por Reporterre, com tradução do Cepat.

Que melhor maneira para justificar tudo do que um “Prêmio Nobel de Economia”? No dia 13 de outubro, o economista francês Philippe Aghion tornou-se co-vencedor do afamado prêmio em 2025, ao lado do americano-israelense Joel Mokyr e do canadense Peter Howitt. Imediatamente, a imprensa conservadora aproveitou a nova aura do vencedor do “Prêmio Nobel” para relembrar suas ideias neoliberais e sua contundente oposição ao imposto Zucman sobre os ultrarricos. (mais…)

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