Mortes sem cor: dados sobre raça de mortos pela polícia deixam de ser registrados em SP

Número de vítimas sem identificação de cor nos boletins de ocorrência explodiu a partir de 2020, após protestos antirracistas por George Floyd e Beto Freitas; em 2022, 40% dos registros não tinham esse dado

por Jeniffer Mendonça, na Ponte

“Meu parceiro morreu”, gritava desesperado um rapaz de 19 anos caído após ele e Mateus Leonardo Santos, 20, terem sido baleados por um policial militar de folga depois de terem participado de uma tentativa de assalto na região de São Mateus, na zona leste da capital paulista, em março deste ano. Um vídeo gravado por testemunhas mostrava o jovem pedindo desculpas a Deus e solicitando uma ambulância enquanto Mateus aparece imóvel no chão, sem esboçar nenhuma reação, em que é possível ver a pele negra das pernas por baixo de uma bermuda jeans. Para o governo paulista e para a sociedade que não viu essas imagens, Mateus é um corpo sem cor, já que, assim como ele, 62 pessoas mortas pelas polícias não tinham essa informação no boletim de ocorrência de janeiro a abril de 2022. Isso representou 44,6% de 139 mortes por agentes de segurança do estado no período.

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Edson Lopes Cardoso: “Racismo é um obstáculo para toda a sociedade”

Autor de novo livro sobre racismo, Edson Lopes Cardoso afirma que não é possível defender a democracia sem lutar pelo fim dos preconceitos raciais, que impactam não apenas os negros e travam o desenvolvimento do Brasil

por Edison Veiga, em DW

Coordenador do Ìrohìn – Centro de Documentação e Memória Afro-Brasileira, o letrólogo, comunicador e educador Edson Lopes Cardoso é um intelectual capaz de fazer uma análise completa do movimento negro brasileiro de um ponto de vista necessário: o de quem sempre militou pela causa dos afrodescendentes brasileiros.

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Cassação de Renato Freitas é um novo marco do racismo em Curitiba

Curitiba, como qualquer cidade brasileira, sofre com racismo estrutural, endêmico, cotidiano, escreve Rogerio Galindo, jornalista, em artigo publicado por Plural

IHU

Tem horas que é difícil ver um lado positivo das coisas. Mas não quer dizer que ele não exista. Mesmo a violência que foi a cassação do vereador Renato Freitas pode vir acompanhada de algum ganho. E isso não é excesso de otimismo.

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Racismo no Brasil: tragédia pouca é bobagem

Violência contra os yanomami, chacina na Vila Cruzeiro, morte por asfixia em abordagem policial. O racismo segue sendo o sistema de poder que organiza o Brasil, no qual a vida de não brancos tem pouco ou nenhum valor.

por Ynaê Lopes dos Santos*, na Coluna Negros Trópicos, em DW

Minha ideia era dedicar a coluna deste mês à insistência do nosso país em silenciar tudo o que diga respeito aos indígenas – homens, mulheres e crianças que são descendentes dos povos originários desta terra que hoje se chama Brasil. A ideia era tratar de duas situações distintas, mas que comprovam como as violências contra as populações indígenas são múltiplas e se sobrepõem.

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Família sofre racismo e tentativa de golpe ao tentar repatriar imigrante morto no Brasil

Sem apoio do governo brasileiro e da Guiné-Bissau, familiares de Milton Sanca fazem campanha online para arrecadar valor para traslado do corpo

Por Leandro Barbosa, em Agência Pública

O guineense Adilson Victor de Oliveira, 34 anos, é um homem impossibilitado de vivenciar o seu luto. Desde que seu irmão Milton Sanca, 39 anos, morreu vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), em 25 de abril de 2022, em Fortaleza (CE), ele busca uma forma de levar o corpo do familiar de volta à Guiné-Bissau, país na África Ocidental, a fim de realizar os rituais fúnebres necessários de acordo com a crença da etnia brame ou macanha, da qual fazem parte. Contudo, os custos para isso são de aproximadamente R$ 40 mil — valor que a família não possui e que impede o “descanso” de Sanca.

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Renato Freitas: um vereador entre o racismo e o fundamentalismo religioso

Um dos poucos parlamentares negros da Câmara de Vereadores de Curitiba pode ter seu mandato cassado nesta quinta-feira (19), por participação em ato antirracista

Por Mariama Correia, na Agência Pública

Renato Freitas (PT) é um dos apenas três vereadores negros entre os 38 parlamentares da Câmara de Vereadores de Curitiba (PR). Ameaças racistas não são novidade na trajetória do advogado de 38 anos, que cresceu em uma periferia da cidade sulista e já enfrentou vários episódios de violência policial. Contudo, desde fevereiro deste ano, os ataques se acirraram. “Volta para a senzala”, estava escrito em um e-mail direcionado a ele, que teria sido enviado pelo vereador Sidnei Toaldo (Patriota), relator do processo que pode levar à cassação do mandato de Renato. A Corregedoria da Câmara abriu sindicância para apurar a autoria do e-mail. 

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Helio Santos: “O dia 14 de maio de 1888 é o dia mais longo da nossa história”

Ativista histórico contra o racismo alerta que a pauta nunca foi tratada de acordo com sua dimensão

Por Nara Lacerda, no Brasil de Fato

Às vésperas da uma eleição com potência para definir o futuro do país, inclusive em longo prazo, o professor e ativista contra o racismo, Helio Santos, é enfático: “A desigualdade no Brasil é uma decisão política e perpassa todos os governos.”

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