Pela equidade racial. Embora… Por acaso

Por Nilma Bentes*

O dia 21 de Março foi escolhido para marcar vários eventos e ressaltar a importância de outros. Além do “Dia Internacional contra a Discriminação Racial” (massacre em Shaperville, África do Sul, 1960), temos também segundo Wikipédia (da qual  muitas pessoas falam mal, mas é uma fonte bastante utilizada): o  Dia Internacional da Astrologia, Dia Universal do Teatro, OMS — Dia Mundial do Sono, UNICEF — Dia Mundial da Infância, UNESCODia Internacional da Síndrome de Down, ONU — Dia Mundial da Floresta, UNESCODia Mundial da Poesia. Mas neste 2020 em que a população mundial está quase que inteiramente em pânico por causa da disseminação do corona vírus (covid19), resta tentar fazer um liame dessas celebrações sinalizadas no 21 Março, via um “ Embora-Por acaso”:

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Racismo à brasileira: colonizado e alienante

Lélia Gonzalez, pensadora pioneira em enxergar a questão da raça no feminismo, tem obra breve mas inovadora. Cunhou termos como “Améfrica” e “pretuguês”, e denunciou como elites denegam origens não-europeias do Brasil

por Carla Rodrigues, em Outras Palavras

Em sua passagem mais recente pelo Brasil, em outubro de 2019, em todas as atividades públicas, a filósofa estadunidense Angela Davis fez questão de nos lembrar da importância do pensamento e da atuação de sua colega brasileira, Lélia Gonzalez. “Leiam Lélia Gonzalez”, convocava ela no Auditório do Ibirapuera. Ou “vocês não precisam de mim, vocês têm Lélia”. Angela Davis estava se referindo à proximidade entre as duas feministas negras, que vem de longa data. Conviveram nos Estados Unidos no final dos anos 1970, quando Davis publicou Mulheres, raça e classe, agora traduzido no Brasil pela Editora Boitempo, enquanto Gonzalez apresentava “A mulher negra na sociedade brasileira” na Universidade da Califórnia em 1979. A esse artigo somam-se textos como “Racismo e sexismo na cultura brasileira”, de 1984, “A categoria político-cultural de amefricanidade” e “Por um feminismo afro-latino-americano”, ambos de 1988, ano marcante por ser o centenário do fim da escravidão.

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Racismo e xenofobia também são ‘assassinos contagiosos’, diz Bachelet

ONU

O surto de coronavírus pode ter forçado milhões ao redor do mundo a se “distanciar socialmente”, mantendo um metro de distância para impedir a propagação, mas isso não impedirá as pessoas de se unirem contra o racismo, declarou em Genebra nesta sexta-feira (13) a alta-comissária da ONU para os direitos humanos.

Michelle Bachelet dirigia-se ao Conselho de Direitos Humanos, cujos membros reuniram-se para para debater o progresso desde o lançamento da Década Internacional de Afrodescendentes, em 2014.

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O último sacrifício de Marielle?

Ao lado de dois realizadores audiovisuais brasileiros, Boaventura entra na polêmica sobre a série de TV. Eles sustentam: Padilha não pode dirigir a obra; e está na hora de a esquerda afastar-se efetivamente do racismo estrutural

Por Boaventura Santos, Luis Lomenha e Scarlett Rocha, em Outras Palavras

Marielle Franco sacrificou a sua vida pela luta contra o racismo, o sexismo, a injustiça social e a captura do Estado pelo crime organizado. A nobreza e a coragem da sua luta impressionaram todos os que a conheceram, independentemente de posições políticas, e o seu bárbaro assassinato abalou o mundo. Infelizmente, este não foi o seu último sacrifício. Logo depois da sua morte assistimos ao espetáculo macabro de uma investigação criminal que quase investiga, que quase sabe quem a matou e mandou matar, que quase se dispõe a formular acusações e a julgar, mas cujo quase parece não terminar nunca. Este tem sido um novo sacrifício de Marielle. E se tal não bastasse, outro sacrifício parece estar em curso. O novíssimo sacrificio de Marielle é a utilização do seu nome e da sua nobre luta para fins de promoção mediática e comercial que, independentemente das intenções de quem a promove, atraiçoam objetivamente os símbolos e os fins da sua luta. Marielle corre assim o risco que correu outro grande revolucionário antes dela, Che Guevara, cujo sacrifício se trivializou em decoração de camisetas ou em nome de bares turísticos.

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Autora da série sobre Marielle se desculpa por frase considerada racista sobre cineastas negros

“Tentei justificar uma relação estratégica de trabalho com um discurso que não apenas reforçava a tal estrutura que eu criticava, como era também a sua principal causa”, disse Antonia Pellegrino sobre suas declarações para justificar sua escolha pelo diretor José Padilha para dirigir série de ficção sobre a história da vereadora Marielle Franco

No 247

A roteirista Antonia Pellegrino pediu desculpas nesta quarta-feira, 11, por ter feito declarações consideradas racistas ao justificar sua escolha pelo diretor José Padilha para dirigir série de ficção sobre a história da vereadora Marielle Franco para a Globoplay.

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Conselho Nacional do MP confirma afastamento de procurador do Pará por racismo

Na Terra de Direitos

O plenário do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) confirmou durante sessão do colegiado, nesta terça-feira (10), a decisão de afastamento do procurador de Justiça Ricardo Albuquerque da Silva do cargo de ouvidor-geral do Ministério Público do Estado do Pará (MP/PA), reconhecendo, entretanto, a perda de objeto desse pedido, tendo em vista que o mesmo renunciou ao cargo. Em novembro de 2019, o procurador foi gravado ao proferir declarações racistas contra indígenas e negros durante palestra a universitários dentro do Ministério Público. Dias após o ato racista, o Colégio de Procuradores de Justiça do Ministério Público do estado do Pará aceitou o pedido de afastamento do magistrado do cargo, e determinou a instauração de Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), além da Reclamação nº 1.00901/2019-28, em tramite na Corregedoria Nacional do Ministério Público, sob relatoria de Rinaldo Reis, a pedido da ordem dos advogados do Pará, da Terra de Direitos e de organizações quilombolas.

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Hackers invadem perfis de religiões de matriz africana no Instagram

Segundo levantamento do Brasil de Fato, ao menos dez perfis foram atacados ou sofreram tentativas em janeiro deste ano

Marina Duarte de Souza, Brasil de Fato

Enquanto o Carnaval da Sapucaí no Rio de Janeiro, uma das maiores festas do país, reverência as religiões de matriz africana com as escolas de samba homenageando referências aos rituais, orixás e entidades da Umbanda e do Candomblé nas quatro primeiras colocações do desfile, na realidade os praticantes do culto tem sofrido situações de ódio e intolerância.

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Fiocruz inaugura exposição ‘Marmo: o ofá cuja voz ecoa’

Em AFN Notícias

José Marmo da Silva é figura-chave nas lutas recentes em prol da saúde da população negra. Dentista, educador, militante, filho de Oxóssi e ogã, nascido em Nilópolis, na Baixada Fluminense, ele buscou os saberes das religiões de matrizes africanas para promover políticas públicas de Saúde e de Educação. Para isso, realizou projetos pioneiros, como a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro Saúde). Após sua morte, em 2017, sua coleção particular foi doada à Biblioteca de Manguinhos do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz). Um inventário que abrange cerca de 400 itens, e que registra não apenas sua trajetória, mas o avanço e as estratégias na luta por direitos da população negra e enfrentamento ao racismo.

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