A economia política do extermínio: Paraisópolis e a próxima tragédia…

Será que conseguiremos confrontar o poder burguês no Brasil sem colocar no centro da agenda política o enfrentamento ao extermínio da população negra? Como colocar no centro da cena política a questão do extermínio?

por Jones Manoel, em Blog da Boitempo

Tenho uma foto do que era, na época, minha turma de segunda série. Eram dez alunos que estudavam nos fundos da Igreja Católica São Francisco de Assis, na favela da Borborema, em Recife. Das dez crianças presentes na foto, apenas dois estão vivos. Eu e mais um. Fui o único a fazer curso superior. Os outros oito morreram. Todos de forma violenta, com tiros ou facadas. Seis deles eu vi os corpos estendidos na rua, esperando o carro do IML chegar. Nas favelas e morros do Brasil, há uma estranha curiosidade mórbida por ficar olhando o corpo até ele ser recolhido. Minha mãe, na melhor das intenções, também tinha uma pedagogia um pouco macabra (costume comum a várias mães): levar o filho para ver o corpo e saber como termina quem “entra na vida errada” para tentar dissuadi-lo das “tentações do crime”.

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‘Advocacia da União quer esvaziar significado do feriado da consciência negra’

Para Douglas Belchior, data é reflexão sobre exploração, opressão e ódio mesmo após a abolição. “Povo negro ainda não alcançou a condição de cidadão”

por Cida de Oliveira, da RBA

São Paulo – O parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) contrário à lei municipal que criou o feriado da consciência negra na cidade de São Paulo é racista, na opinião do professor Douglas Belchior. Integrante do movimento negro Uneafro Brasil e da Coalizão Negra por Direitos,  Belchior considera o posicionamento do órgão como parcial, político, alinhado e orientado pelo governo de Jair Bolsonaro.

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Soldado que deixou jovem paraplégico no Rio agiu em “legítima defesa imaginária”, diz promotor militar

Ministério Público Militar defendeu a absolvição do soldado que fuzilou carro com cinco amigos em 2015 durante operação de GLO

Por Natalia Viana, A Pública

No final de 2019, o presidente Jair Bolsonaro enviou uma proposta de lei ao Congresso que amplia as circunstâncias em que militares que atuam em Operações de Garantias da Lei e da Ordem podem matar civis sem serem punidos – os chamados excludentes de ilicitude, quando uma ação, mesmo que fatal, não configura crime. Como, por exemplo, se houver um civil armado, mesmo que ele não atire contra a tropa, os militares poderiam atirar para matar.

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A juíza que assusta as pessoas por ser jovem, mulher e negra

Aos 35 anos, Mariana Marinho Machado já exerceu a magistratura no Pará e está no Piauí há sete anos. Tem 2 mil processos distribuídos e finalizou, somente em 2019, 980 processos. A discriminação por seu biotipo físico sempre aconteceu.

No Vermelho

“Perdi as vezes de quando entravam na sala, nem ao menos davam ‘bom dia’, só diziam que queriam falar com o juiz. Às vezes eu era ríspida. Outras, virava a cadeira e dizia: ‘Bom dia, eu sou a juíza’”. Quem conta essa história é Mariana Marinho Machado. Segundo ela, chegar a um cargo de tanta autoridade sendo mulher, negra e jovem parece que “confunde” as pessoas – mas, na realidade, escancara um preconceito que tanta gente teima em dizer que não existe.

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Juarez Xavier: ‘Não tem sentido eu virar um velho amedrontado’, conta professor após ataque racista em Bauru

Juarez Xavier conta sua trajetória e fala sobre as consequências do ataque sofrido no Dia da Consciência Negra, quando levou duas facadas

Por Lorenzo Santiago, do Jornal Dois, na Ponte

“Eu poderia ter morrido”. Juarez Xavier, 60 anos, é professor, jornalista, militante do movimento negro, candomblecista, marido e pai. Há pouco mais de um mês, ele foi vítima de um ataque após reagir a ofensas racistas em Bauru, cidade onde mora. “Uma jornalista alemã me perguntou: ‘e se você não reagisse?’, não teria sido eu. O problema não foi a minha reação, e sim a provocação do cara”, respondeu de forma enfática enquanto pontuava os acontecimentos que o construíram como indivíduo. “Um ato banal me deu a consciência de que eu sou mortal, de que eu com certeza já vivi grande parte da minha vida”.

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Presépio de Banksy em Belém tem muro com perfuração de bala

Mais recente obra do britânico está exposta em hotel do artista, na simbólica Belém, na Cisjordânia controlada por Israel. Trabalho reflete as consequências da ocupação israelense na Palestina.

Na DW

Um presépio protegido por um muro cinza atravessado por um projétil, que formou um buraco em forma de estrela. Esse é o mais recente trabalho do artista Banksy, revelado nesta sexta-feira (20/12) na simbólica cidade de Belém, na Cisjordânia ocupada.

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O adeus a Alaru, panafricanista, linha de frente contra o racismo

Professor de história e fundador da União dos Coletivos Pan-Africanistas faleceu nesta sexta-feira (20/12), em decorrência de problemas cardíacos

Por Kaique Dalapola, na Ponte

O professor de história e ativista negro Alaru morreu, nesta sexta-feira (20/12), aos 43 anos. Fundador da UCPA (União dos Coletivos Pan-Africanistas), ele esteve na linha de frente em importantes manifestações contra o racismos.

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Vilma Reis: Decidimos interromper a hegemonia branca na política

A socióloga tentará ser a primeira mulher negra a governar Salvador e avisa: “Não haverá nada sobre nós, sem nós”

Por Igor Carvalho e José Eduardo Bernardes, no Brasil de Fato

Durante o encontro internacional da Coalizão Negra por Direitos, no mês de novembro, em São Paulo, o movimento negro definiu como uma prioridade a conquista de espaços representação política.

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