Suely Rolnik: Para o Brasil esconjurar o fascismo

Escravista, patriarcal e violenta, formação do país é fértil para subjetividades que querem a brutalização e o extermínio do outro. Saída precisa ser micropolítica, também: libertar nossos inconscientes do narcisismo que se blinda à diferença

Por Suely Rolnik | Tradução do espanhol: Josy Panão, em Outras Palavras

A bestial invasão das sedes dos três poderes da República Brasileira foi um passo a mais na escalada de um movimento de extrema direita que começa a mostrar sua cara, em 2005, durante o primeiro governo de Lula. Um movimento resultante da instalação no país da nova modalidade de golpe, própria do capitalismo em sua versão financeira, em que se unem neoliberalismo e um conservadorismo dos mais arcaicos e ferozes. Como descrevo em meu livro Esferas da insurreição.1, a nova modalidade de golpe se dá em várias etapas (a eleição de Bolsonaro em 2018 é apenas uma delas) e está longe de chegar ao fim. Desde que começou a se estabelecer este cenário, temos tentado nos equilibrar numa corda bamba cada vez mais perigosa. (mais…)

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“Ele vai me matar”, gritou jovem morto durante abordagem policial

Motoboy morre após policial disparar contra ele e primo durante abordagem no Jardim Ângela, em São Paulo

Por José Cícero, Agência Pública

Era por volta das 22h, no domingo, 15 de janeiro, quando João Richard de Oliveira Gama Lopes, de 25 anos, e o primo *Roger, de 17, saíram do Jardim Souza, bairro periférico na Zona Sul de São Paulo. Os dois decidiram ir curtir um baile funk no Jardim Jangadeiro, há cerca de 7 km de casa, mas não chegaram à festa de rua. Pouco tempo depois de saírem, Richard foi morto em uma ação policial e Roger, menor de idade, detido por posse ou porte de arma de fogo. (mais…)

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O problema das drogas x O problema da guerra contra “as drogas” na perspectiva da saúde pública. Por Paulo Fleury Teixeira*

Autor convidado, analisa número de mortes decorrentes do uso de drogas e da guerra “contra elas”, no Brasil. Extermínio causado pela suposta tentativa de combatê-las é desproporcionalmente maior – e suas consequências ampliam a tragédia

em Outra Saúde

A ideologia e as políticas antidrogas produzem uma série de abusos e absurdos que não poderiam ser aceitos de modo algum, em qualquer nível de vida civilizada. Mas, em função da “guerra às drogas”, eles são não apenas aceitos, como também difundidos e promovidos. (mais…)

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Justiça decide a favor de jornalista ‘anti-identitária’ contra ativistas negros e trans

TJ-SP condenou 4 pessoas a indenizarem Madeleine Lacsko por a terem chamado de “racista” e “transfóbica”; para estudiosas da questão racial, o TJ-SP, formado por 99% de brancos, silencia as pessoas negras e prejudica o debate sobre racismo

Por , na Ponte

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou quatro pessoas — dois negros, uma travesti e um branco — a indenizar, cada um, em R$ 3 mil a jornalista e colunista do UOL Madeleine Lacsko por a terem chamado de “racista” e “transfóbica” em uma discussão que aconteceu no Twitter em julho de 2021. Cabe recurso à decisão, que foi publicada em 16 de dezembro. (mais…)

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A visão de Charles Darwin sobre os escravizados no Brasil: ‘Serão, no fim das contas, os governantes’

Por Camilla Veras Mota, na BBC News Brasil 

“Eu não posso deixar de pensar que eles (africanos escravizados) serão, no fim das contas, os governantes”. A frase foi escrita no Rio de Janeiro pelo naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882) em seu diário no dia 3 de julho de 1832.

Não se concretizou e não virou teoria, mas serve para revelar visões pouco conhecidas do autor de A Origem das Espécies.

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Brasil: Toda pessoa não-negra é racista; toda pessoa negra tem baixa autoestima. Por Nilma Bentes

Sim, até então acredito nisso; só o grau/percentual de racismo e baixa autoestima é que varia de pessoa para pessoa: umas não-negras estão sendo 10% e outras 90% racistas; umas negras estão com 10% e outras 90% de baixa autoestima. Assim, toda a população brasileira padece dessa mais grave doença social – racismo. É alta a probabilidade de que isso se aplique também ao machismo/sexismo, ao classismo, à aporofobia, ao capacitismo, à LGBTQIA+fobia, à violência – embora todas as citadas sejam violência, aqui destaco-a, pois existe a violência decorrente de outras violências. (mais…)

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Antropólogo Kabengele Munanga reconhece avanços mas alerta: “Racismo é um monstro complexo”

Para o congolês, o fundamental hoje são políticas para “a inclusão dos negros em todos setores da vida nacional”

Por Gabriela Moncau, no Brasil de Fato

“Todo mundo hoje está convencido – brancos e negros – que a democracia racial não existe no Brasil”. O mito de que o país do carnaval e do futebol vive em harmonia entre as diferentes cores de pele e as classes sociais – fantasia essa que por décadas o movimento negro e intelectuais demonstraram ser uma falácia –, já está superado. Essa é a avaliação do antropólogo e professor aposentado da USP, Kabengele Munanga. Para ele, o desafio hoje é outro. (mais…)

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