Qual é o papel do branco na luta antirracista?

Uma perspectiva antirracista exige a atitude permanente de afirmar diante da discriminação e da desigualdade que “isso não é normal”.

por Rosana Heringer, em A Terra é redonda

Esta pergunta me tem sido feita com frequência nos últimos dias, fruto da mobilização antirracista internacional resultante dos protestos pelo cruel, injusto e inaceitável assassinato de George Floyd por policiais nos EUA. De alguma maneira, tenho tentado respondê-la há mais de 30 anos, através do meu trabalho acadêmico e do meu ativismo antirracista, como uma brasileira branca.

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“Os racistas no Brasil conseguiram durante muito tempo invisibilizar a reação negra. Mas isso acabou”. Entrevista com Douglas Belchior

IHU On-Line

As manifestações de massa ocorridas nos EUA após o assassinato de George Floyd pela polícia, que duraram praticamente um mês, ecoaram pelo mundo inteiro mesmo em tempos de quarentena e chegaram com força ao Brasil. Afinal, a violência estatal contra os negros mantém seus altos índices mesmo no momento do chamado isolamento social. Para comentar o fenômeno e tecer conexões com o contexto brasileiro, o Correio da Cidadania entrevistou o ativista Douglas Belchior, que também destaca o surgimento da Coalizão Negra por Direitos.

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Teorias críticas e estudos pós e decoloniais à brasileira: quando a branquitude acadêmica silencia raça e gênero

por Fernanda da Silva Lima e Karine de Souza Silva, em Empório do Direito

Este é um texto escrito, sentido, partilhado, vivido por duas mulheres negras, cujas trajetórias de vida, embora diferentes, aproximam-se e rearticulam-se em torno de algo em comum: trata-se de uma composição que une em ‘dororidade’ (PIEDADE, 2017) as experiências pessoais e acadêmicas de duas professoras universitárias negras. E neste campo acadêmico, predominantemente masculino e branco, nos deslocamos de lugar e irrompemos o imaginário social forjado no racismo e no sexismo. Aprendemos com a irreverência da escrita e criticidade de Lélia Gonzalez, também uma intelectual negra, que este lugar (a academia) nos pertence e aqui vamos ficar. Nestes muros não nos moldamos à estética da brancura e lutamos contra o branqueamento que insistem, às vezes, nos impor. E, assim, seguimos insubmissas e aqui tomamos a liberdade de promover algumas desobediências sobre a branquitude acadêmica e o esvaziamento do potencial emancipatório das teorias críticas e dos estudos pós e decoloniais.

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A inabilidade política brasileira para incorporar o debate sobre o racismo. Entrevista especial com Cristiano Rodrigues

Pesquisador observa que tanto a direita quanto a esquerda não têm a compreensão plena do que significam as reivindicações das populações negras e não as absorvem em seus programas

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

As manifestações antirracismo que tomaram conta do mundo desde o assassinato de George Floyd têm suscitado muitas reflexões acerca das comparações das realidades de Brasil e Estados Unidos. Há pontos que se cruzam e outros que se distanciam, mas o professor Cristiano Rodrigues chama atenção de que uma análise tanto da ascensão política de Donald Trump quanto de Jair Bolsonaro pode revelar uma espécie de revés no que para muitos chegou a ser considerada uma nova era ‘pós-racial’. “O governo Obama foi muito importante simbolicamente e no campo mais superficial da vida política, mas as disparidades raciais históricas permaneceram”, aponta, na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. “Esse período de relativo otimismo foi também o palco para a ascensão de contramovimentos ultranacionalistas”, analisa. E conclui: “esses contramovimentos foram bastante importantes para a eleição de Trump em 2016, que recebeu votação expressiva do eleitorado branco, masculino de todas as classes sociais”.

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“Não se pode pensar a democracia real no Brasil se o racismo não for um ponto central”

Eugênio Lima, um dos articuladores de manifesto antirracista lançado neste domingo, diz que movimento não pode ficar à margem nas coalizões contra a ameaça autoritária no país

por Daniela Mercier, em El País

“Estamos vindo a público para denunciar as péssimas condições de vida da comunidade negra.” No momento em que a pauta do racismo volta a chamar a atenção das ruas do Brasil, na esteira da onda de protestos contra a morte de George Floyd, homem negro rendido e asfixiado pelo joelho de um policial branco nos Estados Unidos, e em que uma pandemia tira a vida da população mais pobre que não pode ficar em casa para se proteger, essa frase parece ser desse duro ano de 2020. Mas é um trecho do manifesto de fundação do Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial, que em julho de 1978 fez um grande ato nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo para convocar homens e mulheres negros a protestar contra a violência racial.

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Manifestações depois da morte de George Floyd representam a globalização da consciência sobre o racismo. Entrevista especial com Kabengele Munanga

“Temos lições a tirar dessa espontaneidade em massa”, diz o antropólogo, sobre protestos que reuniram pessoas de todas as cores e nacionalidades

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

A expansão das manifestações contra o racismo para vários países do mundo depois da morte de George Floyd, nos Estados Unidos, merece atenção porque demonstra que algo novo está em curso: “a globalização da consciência sobre um dos graves problemas da humanidade, o racismo”, diz o antropólogo Kabengele Munanga à IHU On-Line. Segundo ele, os manifestantes dos sucessivos protestos que ocorrem em meio à pandemia de covid-19 “estão dizendo que o racismo não é problema do negro, mas, sim, um problema da humanidade e das sociedades que o praticam. Portanto, os sujeitos brancos conscientes não podem ficar indiferentes, sobretudo quando têm consciência de que a branquitude lhes oferece vantagens que os negros não têm num universo racista”.

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Manifesto: “Enquanto houver RACISMO, não haverá DEMOCRACIA”

Nós, população negra organizada, mulheres negras, pessoas faveladas, periféricas, LGBTQIA+, que professam religiões de matriz africana, quilombolas, pretos e pretas com distintas confissões de fé, povos do campo, das águas e da floresta, trabalhadores explorados, informais e desempregados, em Coalizão Negra por Direitos, viemos a público exigir a erradicação do racismo como prática genocida contra a população negra.

O Brasil é um país em dívida com a população negra – dívidas históricas e atuais. Portanto, qualquer projeto ou articulação por democracia no país exige o firme e real compromisso de enfrentamento ao racismo. Convocamos os setores democráticos da sociedade brasileira, as instituições e pessoas que hoje demonstram comoção com as mazelas do racismo e se afirmam antirracistas: sejam coerentes. Pratiquem o que discursam. Unam-se a nós neste manifesto, às nossas iniciativas históricas e permanentes de resistências e às propostas que defendemos como forma de construir a democracia, organizada em nosso programa.

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Manifestações nos EUA e no Brasil

por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes

O assassinato de George Floyd gerou uma onda de protestos no mundo todo na discussão do racismo e da violência policial contra os negros. Nos Estados Unidos, obviamente, as manifestações foram maiores. A comunidade negra, já calejada nesse sofrimento, explodiu em mais uma onda de protestos que iniciou violenta como reação imediata ao assassinato e, na medida em que foi sendo encampada por outros grupos sociais, passou a marchas pacíficas, inclusive com o apoio das autoridades. 

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