Uma leitura necessária sobre as identidades. Por Luis Felipe Miguel

Douglas Santos Alves oferece uma boa contribuição ao debate sobre o identitarismo, de uma perspectiva comprometida com a emancipação dos dominados

em Amanhã não existe ainda

A discussão sobre o chamado “identitarismo” é um verdadeiro campo minado – sobretudo para quem deseja tanto reconhecer a legitimidade e a importância das lutas de tantos grupos dominados quanto evitar a redução destas lutas à “identidade”. (mais…)

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Da morte do “São Francisco”, ao retorno para a vida, vejo o “Benjamim Guimarães”! Por José Carlos Costa

“O mineiro não tem audácias visíveis. Tem a memória longa. Escorrega por cima. Só quer o essencial, não as cascas. Sempre frequentado pelo enigma, retalhando-o em pedacinhos, como quando pica seu fumo de rolo. Gente muito apta ao reino dos céus. Não acredita que coisa alguma se resolva por um gesto ou um ato, mas aprendeu que as coisas voltam, que a vida dá muitas voltas, que tudo pode tornar a voltar.”

(Guimarães Rosa)

 Pirapora nunca foi uma cidade qualquer. É daquelas que têm o coração batendo do lado de fora: pulsa ao ritmo das águas do São Francisco. E foi ali, em 1926, que o vapor “São Francisco” aportou com o nome que era destino — um nome que, mais que batismo, era pertença. Irmão do “Wenceslau Braz”, vindo também do longínquo Amazonas, foi adquirido pela Companhia Indústria e Viação de Pirapora (CIVP) e, por mais de meio século, desenhou rotas sobre as águas do Velho Chico, transportando vidas, sonhos, histórias… (mais…)

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Papa Francisco, outro Francisco de Assis, peregrino de esperança. Por frei Gilvander Moreira*

Na madrugada do dia 21 de abril de 2025, no ônibus, voltando de missão no Acampamento Vida Nova, em Jordânia, e da Ocupação Irmã Dorothy, em Salto da Divisa, no Baixo Jequitinhonha, MG, ao passar pela cidade de João Monlevade, voltando para Belo Horizonte, eu fiquei muito comovido ao saber da travessia do nosso querido irmão Papa Francisco[1] para a vida plena. Ele se transvivenciou, se encantou e nos deixou um extraordinário legado de ética, de humanismo, de profecia, de espiritualidade libertadora, de luta pelos direitos humanos, pela ecologia integral… (mais…)

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A morte de Francisco. Por Luis Felipe Miguel

Eu não acreditava que o papa fosse ser diferente de seus predecessores, mas ele foi

em Amanhã não existe ainda

Quando Bergoglio foi eleito papa, eu não curti. Não que tivesse algo a ver com a história – não sou nem católico, muito menos cardeal, a escolha não era assunto meu. Mas tinha tomado contato com os boatos sobre sua colaboração com a ditadura argentina, que, ainda que nunca tenha sido confirmados, contribuíram para me fazer desconfiar dele. As atitudes que tomou no início do pontificado, como se recusar a habitar o palácio que lhe era destinado para continuar vivendo em um pequeno apartamento ou viajar na classe econômica de aviões de carreira, me pareciam jogadas de marketing. O medíocre filme propagandístico de Fernando Meirelles sobre os dois papas só reforçou essa impressão. Depois dos longos anos de Wojtyla e de Ratzinger, parecia que a igreja nunca seria nada além de um bastião do conservadorismo, com seu setores progressistas fadados ao ostracismo. Bergoglio parecia para mim ser um Wojtyla mis au jour: um reacionário com face humana, adaptado ao tempo das redes sociais. (mais…)

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Contra o fatalismo histórico: os 180 anos das ‘Teses sobre Feuerbach’. Por Maurício Vieira Martins

Antirreligiosas e antiobjetivistas, as ‘Teses sobre Feuerbach’ de Marx completam 180 anos em 2025; merecem ser retomadas neste momento em que fatalismos históricos de diferentes matizes nos rondam, minimizando a capacidade de ação humana.

No Blog da Boitempo

“Quanto mais vazia é a vida, tanto mais rico, mais concreto será o Deus”, escreveu em 1843 o filósofo ateu Ludwig Feuerbach, em seu livro A essência do cristianismo. E ele prossegue, sem concessões: “O empobrecimento do mundo real e o enriquecimento de Deus são um mesmo ato. Somente o homem pobre possui um Deus rico. Deus nasce de um sentimento de carência”1. (mais…)

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O colaboracionismo do Grupo Folha da Manhã à ditadura civil-militar e seu braço executor: a Folha da Tarde. Por Beatriz Kushnir

Conheça a pesquisa pioneira sobre os vasos comunicantes entre redações jornalísticas e a repressão ditatorial no pós 1964. Retomando o extenso estudo publicado em seu livro “Cães de guarda”, reconhecido pelo relatório da Comissão Nacional da Verdade, Beatriz Kushnir demonstra como “além de não fazer frente ao regime e às suas formas violentas de ação, parte da imprensa também apoiou a barbárie”.

No Blog da Boitempo

Desde fins da década de 1990, parte da historiografia brasileira já sublinhava que o equivocado processo de Anistia, promulgada em 1979, auxiliou a cunhar igualmente a errônea visão de que vivemos envoltos em uma tradição de valores democráticos. A partir das lutas pela Anistia, “liberta-se” a sociedade brasileira a repudiar a ditadura e, assim, demonstrar sua parcela progressista com profundas e autênticas origens na trajetória histórica do país. E há aqui ironia. Naquele momento plasmou-se a imagem de que a sociedade brasileira viveu a ditadura do pós-1964 como um hiato, um instante a ser expurgado. (mais…)

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