Chile aos 17: o Casaco do Thiago e a Caixinha. Por José Ribamar Bessa Freire

Volver a los diecisiete, después de vivir un siglo (…)
Y mis años en diecisiete los convirtió el querubín. 

(Violeta Parra.1962)

No TaquiPraTi

Olho a meu redor. Vejo cabeças brancas ou calvas, peles enrugadas, mãos trêmulas, passos trôpegos. Vou conferir, então, minha própria imagem de velhinho no espelho do restaurante Las Vacas Gordas em Santiago, no jantar de confraternização de ex-exilados brasileiros no sábado (9). Mas – oh milagre! – minha barriga de bispo pós-conciliar virou tanquinho. Graças a um querubim alado, voltamos todos a ter 17 anos, com o viço e o frescor dessa idade, conservando, porém, a fiel memória de meio século vivido. (mais…)

Ler Mais

O passado está aqui. Por Paulo de Tarso Riccordi

No Terapia Política

Nesta semana de 11 de setembro, centenas, talvez milhares de estrangeiros estão ao Chile para descomemorar os 50 anos do golpe de Estado que derrubou o presidente Salvador Allende e encerrou, com o sangue de mais de 40 mil pessoas – muitas delas exiladas -, os 1.042 dias da inédita experiência de um governo autodeclarado marxista, eleito em pleito democrático. Cerca de cem brasileiros, dos mais de quatro mil que lá viveram os venturosos dias da Unidade Popular, estão caminhando pela calles nuevamente de lo que fué Santiago ensangrentada, junto com uruguaios, argentinos, bolivianos, peruanos, principais grupos de exilados no país andino nos anos 70. (mais…)

Ler Mais

Indo recolher os passos no Chile. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

Si vas para Chile / Te ruego, viajero /
Le digas a ella / Que de amor me muero.
(Chito Faró, 1942)

Sim senhora, vamos ao Chile outra vez agora, 8 de setembro, em uma caravana de brasileiros que lá se exilaram em três levas. A primeira após o golpe de 1964. A segunda, da qual fiz parte, levada pelo AI-5, ambas no governo democrata cristão de Eduardo Frei. A terceira, na era Garrastazu, acolhida pelo governo socialista de Salvador Allende. Os chilenos solidários, que nos receberam de braços abertos, comprovam “cómo quieren en Chile al amigo cuando es forastero”. (mais…)

Ler Mais

Problemas. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

Amanda é superlativa. Não discorda de ninguém, fica indignada. Não prefere brigadeiro a pudim, ama brigadeiro e “detessssta” pudim. No que diz, é sempre no tudo ou nada. No que faz, é de um “talvez” desconcertante. Quando a coisa é com ela, paralisa. Desdiz e afirma que não é bem assim. Que tem que ponderar melhor. E pondera até não fazer mais sentido ponderar. Amanda não segue os próprios princípios porque os seus princípios são para os outros. São do mundo que quer ver, não do que vive. Pelo mundo desejado, só fala, julga e condena essa gente que ela detesta. Amanda acha que os outros são problemáticos.

Pedro fala bem. Desenvolve discursos com a segurança de quem não faz ideia do que diz, mas que também não se preocupa com isso porque sabe que os outros sabem ainda menos do que ele. Entre ignorantes, burro carregado de livros é doutor. Ainda mais se tiver o ar doutoral de Pedro. A fleugma de Pedro. As citações em inglês, francês, alemão e em outras línguas que Pedro também não fala. Mas Pedro não é mau. Só não é tão bom quanto acha que é. Com anúncio da melhor das intenções, pavoneia-se todo para criticar com ar sofisticado e vocabulário confuso ideias alheias. Basicamente porque são alheias. Pedro, do alto de sua cultura de prefácio, vê problemas num mundo sem cultura.

Beto tem carisma e charme. Do tipo que se faz notar sem precisar chamar a atenção. Seu magnetismo parece natural. Mesmo mal vestido, a roupa lhe cai bem. Sem envaidecimento, supera muitos vaidosos. Beto é ouvido, mas não tem nada a dizer. E sempre querem que ele diga alguma coisa. Esperam dele ideias belas, mas só o que ele tem a oferecer é alguma beleza de se ver, não de se ouvir e menos ainda de se pensar. Pensar cansa. Pensar enfeia. Não ligar para nada, enfeita. Ele nunca quer dizer nada. Fala só por falar. Tem medo de falar a sério. Não quer briga. Nem compromisso. Quer sossego e admiração. Quer seduzir enquanto espera ser seduzido. Acha bem problemática essa gente que espera de sua beleza belas ideias. (mais…)

Ler Mais

As empregadas domésticas: a última crônica? Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

“Estou sem assunto. Lanço, então, um último olhar fora de mim,
onde vivem os assuntos que merecem uma crônica”.
(Fernando Sabino. A Última Crônica. 1963)

Parece até parábola do Evangelho com ensinamentos sobre a vida. Ou história contada em Nheengatu pelos indígenas do Alto Rio Negro, na qual o Jabuti sabido exerce sua doce vingança. Essa aconteceu mesmo e foi relatada oralmente na Academia da Terceira Idade (ATI), na esteira da violência crescente, física e simbólica, contra empregadas domésticas, que se alastra pelo Brasil. Se me permitem, descrevo antes o cenário e o contexto. (mais…)

Ler Mais

Pintando o 7 de Setembro. Por Eugênio Bucci

Tomara que o feriado nacional deste ano venha em moldes diferentes daqueles que vimos no período de negacionismo, conspiração, muamba e milícia

No A Terra é Redonda

O maior dos feriados nacionais está logo aí. Mais duas semanas e teremos de atravessar aquela manhã enclausurada em desfiles, com os recos inexpressivos marchando e tocando corneta ao mesmo tempo e, para completar, as autoridades em cima do palanque apertando os olhos para suportar a luminosidade asfáltica. Como tem sido há dois séculos, as paradas militares, as criancinhas embandeiradas e os discursos que ninguém consegue escutar marcarão a data cívica. Nada de novo sob o sol de quase primavera, portanto. (mais…)

Ler Mais

A honra. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

Entre armadura, escudo, espada e outras ferragens e malhas, antigos soldados carregavam quase 30 quilos sobre seus corpos. Precisavam de resistência e força para empreender movimentos fatais para o inimigo. Era um tempo de honra medida pelo fio da espada em campos de carnificina. A honra pesava mais do que seu equipamento. A fuga lhe tiraria a honra, assim como uma derrota fulgurante. Mas a vitória lhe tiraria glórias. O espírito militar fez-se, assim, de honra como meio e glória como fim. (mais…)

Ler Mais