Ai, Suzano, não chores por mim. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

A chacina na escola estadual de Suzano, região metropolitana de São Paulo, na quarta-feira, com dez mortos e onze feridos, é uma reedição de Realengo, no subúrbio carioca, quando um ex-aluno invadiu a escola em abril de 2011, matou doze estudantes, feriu dez se suicidou. Os dois casos reproduziram o “school shootting” frequente nos Estados Unidos. A reação que ambos provocaram se assemelham: os jovens atiradores foram satanizados como “monstros” e “psicopatas” e, para prevenir outros massacres, surgiram propostas genéricas e descabeladas.

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Stella no coração das línguas indígenas. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Se aprendes uma língua indígena e se escreves livros para ensinar aos outros essa ‘língua estranha’, a posteridade te dirá: teu nome jamais será esquecido”. (Versão adaptada do soneto em língua muísca. Frei Bernardo de Lugo,1619)

Toda vez que os índios Muísca da zona central da Colômbia usavam o termo “pquyquy”, os espanhóis traduziam como “coração”, conforme consta nos dicionários coloniais. O vocábulo designa, efetivamente, esse órgão do corpo, mas seus significados são muito mais amplos do que sonhava a vã filosofia ibérica, de acordo com a linguista Maria Stella González de Pérez, pois – diz ela – os Muísca não separam a razão, de um lado, a emoção de outro, o que ocorre também com pelo menos outras seis culturas indígenas americanas: Aymara, Guarani, Maya, Náhuatl, Candoshi e Quechua.

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Carnaval no MEC: a piragua do Ricardón. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Ê ê, ê á, Não faz marola pra canoa não virar
(Marcha A.Almeida-Batista-1958)
Era la piragua de Guillermo Cubillos.
(Cumbia José.Barros-Carlos Vives-1967)

Exmo. Sr. Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez

Compañero Ricardón,

Aproveito o carnaval, quando o mundo pode ser lido às avessas, para te escrever.  Permíteme que te tutee. Afinal, somos colegas. Você deu aulas nas duas universidades em que trabalho desde 1987. A UERJ nos une, a UNIRIO nos reúne. Durante alguns anos, compartilhamos os mesmos espaços físicos. A gente deve ter se cruzado por aí em algum corredor. Por isso, cara, a tua cara não me é estranha.

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O foro ou o furo íntimo do capitão? Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Peço ajuda aos universitários. Alguém aí sabe me explicar o que é “foro íntimo”? O porta-voz da Presidência da República, general Otávio do Rêgo Barros, visivelmente constrangido, pagou o maior mico quando, cumprindo ordens do capitão, anunciou que a exoneração do ministro Gustavo Bebianno foi uma“decisão de foro íntimo” do presidente Jair Bolsonaro. Aconteceu nesta segunda (18). Sei que a notícia envelhece rapidamente, mas quem tem coluna dominical não pode deixar de comentar fato ocorrido dias antes, embora isso possa ser interpretado como desvio de coluna.  

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Luzia, Boechat e a Hora do Xibé. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Nem mesmo o Geraldão, que se gaba de conhecer a idade de todos os moradores do bairro de Aparecida, em Manaus, sabia quantos anos a Luzia tinha quando morreu. O tempo, que passa e vai semeando rugas e cabelos brancos, não tocou em Luzia, franzina, prestativa, solidária. Diariamente, às 6h00 da manhã, lá estava ela, sentadinha no batente de sua porta, com um rádio portátil marca Tecsun, de manivela, cor cinza patauá comprado no Sukatão do Jumbinho, ligado em alto volume para compartilhar a programação com os vizinhos.

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A Saga do Senado: de quem é o voto fraudulento? Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

São 81 senadores. Mas apareceram 82 cédulas na urna para eleger o presidente do Senado no último dia 2.  Um senador preencheu duas cédulas de votação. Qual deles? A fraude veio acompanhada de futrica, bate-boca, briga e agressões, que marcaram a disputa voraz pelo cargo. Ameaçado por Tasso Jereissati (PSDB-CE) de ir para a cadeia, Renán Calheiros (PMDB-AL) desafiou:

– Seu merda, venha pra porrada. O responsável por isso é você, coronel, cangaceiro.

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Heleno de Tróia e as nações indígenas. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

As recentes declarações do general Augusto Heleno à Globo News agora, em 2019, me fazem lembrar dois de seus predecessores ideológicos: Hélio Jaguaribe, que fez conferência em 1992 na Escola Superior de Guerra, e o general Durval Nery que se manifestou num debate sobre a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, na Rádio Band-AM, em 2008, num debate do qual participei. Os três martelaram a mesma lenga-lenga, parece até lição decorada: “O Brasil pode perder boa fatia de seu território, se os índios decidirem proclamar a independência de suas terras demarcadas”. Será?

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As tragédias permitidas. Por Janio de Freitas

Faltaram providências para que administradoras de barragens fizessem inspeções

Na Folha

A par das causas físicas e empresariais, a Procuradoria-Geral da República, os Ministérios Públicos federal e de Minas e o Judiciário destacam-se entre os responsáveis pela segunda tragédia causada por ruptura de barragem. Sentenças rigorosas, e em tempo admissível, para os culpados pela tragédia em Mariana levariam os administradores de barragens a fiscalizações sérias e permanentes. E à prevenção devida aos habitantes, seus bens e áreas produtivas atingíveis por possível ruptura –caso óbvio de Brumadinho.

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Golpe que nasce torto, até a cinza é torta. Por Roberto Malvezzi (Gogó)

Eesta

Não é surpresa que o espelho do atual governo é de absoluta confusão, embora, nos porões, os interesses econômicos da burguesia nacional e internacional estejam sendo implementados. Mas, vamos nos ater à confusão das aparências, seja ela metódica ou real.

Um homem que nunca foi a um debate, por não dominar assunto algum, que nunca foi questionado seriamente, poderia ser diferente uma vez no poder? Se tinha medo da mídia quando candidato, porque iria ter coragem – e competência – de enfrentá-la se não teve sequer na campanha?

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