Duas escritoras indígenas: a batalha da poesia. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“Si me permiten hablar”(Domitila Chungara- 1978)
“In vain I tried to tell you” (Dell Hymes, 1981)

Os filiados ao Partido Sem Literatura (PSL vixe vixe) se perguntam: Poesia se come com farinha? Afinal, para que servem poetas? A complicação aumenta quando se trata de poetas indígenas e podemos indagar: as narrativas orais ameríndias, de autoria individual ou coletiva, são apenas material etnográfico ou fazem parte da literatura? Qual o impacto delas na literatura brasileira? Por que autores e autoras indígenas permanecem excluídos da escola, da mídia, dos cursos de letras das universidades e não figuram na história da nossa literatura?

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Literatura indígena: entre pássaros, leões e hienas. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Narrar é resistir” (Guimarães Rosa).

Eram dois mundos diferentes. No planalto, o leão disputava a carniça do poder com a hiena, que nele votara para o posto de rei da floresta e, agora, arrependida estava. Na turva escuridão os dois se digladiavam, auto excluídos – coitados! – do prazer da literatura. Enquanto isso, na planície esvoaçavam pássaros, borboletas, grilos, jabutis e peixes alados, que celebravam alegremente o 16º Encontro de Autores Indígenas realizado na Biblioteca Parque Estadual, lotada de crianças e jovens de escolas do Rio encantadas com as histórias ali narradas. O tema “A Literatura Indígena como esperança: Faz Escuro mas eu canto” homenageava o poeta Thiago de Mello.

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Manaus e Georgia: cadê a mamãe? Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“Just this old sweet song / keeps Georgia on my mind” (Ray Charles, Georgia, 1960)

Na semana, muita água rolou debaixo da ponte. Fabrício Queiroz, o corrupto de estimação da família Bolsonaro, continuou achincalhando o Poder Judiciário e a Polícia, consciente da impunidade que goza. A lama negra e as pelotas sólidas de óleo se espalharam pelas praias do Nordeste. O Senado aprovou a (mal) dita reforma da Previdência. Os chilenos enfrentaram a repressão e nos deram lição de civismo. Na Espanha, os restos mortais do ditador Franco receberam o tratamento merecido. Esses temas nacionais e internacionais, apesar de tão relevantes, serão trocados aqui por assunto bem provinciano: o aniversário de 350 anos de Manaus celebrado na quinta, 24 de outubro.

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As borboletas, a farofa e o PSL. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Borboleta amarela / no céu azul / infinita beleza. / Não fazer mal a ninguém / infinita beleza. (Avaju Poty Guarani)

Essa história é verdadeira? Quer que eu conte? Contarei o conto que ainda nem contei. Estamos no ano 2.025. A cadeia de lojas “Mariposão” dedicada ao ramo de exportação e importação comercializa borboletas da Amazônia exportando-as para a Europa e os Estados Zunidos. De lá, traz sucatas para vender em Manaus. Por isso, ninguém entendeu quando o seu proprietário, que respondia pelo nome autenticamente amazônico de Wuppslander Rienk – o Vupinho, para simplificar – comprou vastas extensões de terra em Coari, capital da banana, a preço da dita cuja:

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Equador, Roraima e Vaticano: cadê o arvoredo e o clima ameno? Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“En la lucha de clases / todas las armas son buenas / piedras / noches / poemas”. Paulo Leminski

Eles fizeram aquilo que vêm fazendo há mais de 500 anos: (r)existir. Nesta semana, no Equador, em Roraima e no Vaticano, usaram todas as armas possíveis: pedras, poemas, orações, justamente no momento em que uma parte do mundo celebra o 12 de outubro de 1492, quando três caravelas com 90 homens aportaram em uma das ilhas Bahamas, ao norte de Cuba. O almirante Cristóvão Colombo escreveu em seu Diário:

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O borogodó do bodó que contava histórias. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Se eu ficar o tempo todo contando histórias, eu não vou desaparecer. (Patrícia Portela – Scheherazade Flatland)

Cascudinho é o nome do bodó, um peixe amazônico da família Acari, que já andou contando uma ou outra história, em 2012, aqui nesta coluna do Diário do Amazonas. Agora, essas e outras viraram livro – “Cascudinho, o peixe contador de histórias” – que será lançado no final de outubro pela Editora do Brasil no 21º Salão da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) na Biblioteca Parque Estadual do Rio de Janeiro. As ilustrações coloridas de Luciana Grether, professora de Artes e Design da PUC-Rio, valorizaram tanto o texto que até o próprio autor, ao ver as imagens, sentiu uma vontade danada de ler o que ele mesmo escreveu.

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Damares, Nietzsche e o Museu do Esquecimento. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

O carrasco sempre mata duas vezes, a segunda por meio do silêncio”. (Eli Wiesel)

Mesmo com 80% da obra já concluída, o governo Bolsonaro decidiu extinguir o Memorial da Anistia Política no Brasil. A ministra Damares Alves declarou que “a obra não vai ser entregue à sociedade da forma como foi planejada, ou seja, como memorial”. Em um jogo de palavras sem sentido, alegou ao Ministério Público Federal (MPF) que o projeto é “contraditório nos seus termos”, pois “anistia significa esquecimento e um Memorial da Anistia seria algo como o Memorial do Esquecimento”. Ela precisava definir o que entende por “esquecimento”.

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O triste fim de Jair Messias Bolsonaro. Por José Eduardo Agualusa

No blog do Juca Kfouri

Jair acordou a meio da noite. Mandara colocar uma cama dentro do closet e era ali que dormia. Durante o dia tirava a cama, instalava uma secretária e recebia os filhos, os ministros e os assessores militares mais próximos. Alguns estranhavam. Entravam tensos e desconfiados no armário, esforçando-se para que os seus gestos não traíssem nenhum nervosismo. Interrogado a respeito pela Folha de São Paulo, o deputado Major Olimpio, que chegou a ser muito próximo de Jair, tentou brincar: “Não estou sabendo, mas não vou entrar em armário nenhum. Isso não é hétero.”

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Os eleitores do Jair: será a Benedita? Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

– Alô! Professor Bessa?

– Sim.

– Aqui é o Nilomar… Não sei se você ainda se lembra de mim…

Ninguém lembra nem do próprio nome, quando acordado abruptamente por um telefonema inesperado às 9h30 da madrugada, como aconteceu naquele domingo, num final de inverno de 1996. Cliquei rapidamente: “Localizar arquivo”. Procurei “Nilomar Doc” na minha memória. Ai veio de bubuia a minha infância e os aniversários na casa da vovó Marelisa, Rua Monsenhor Coutinho, 380, em Manaus. Do outro lado, bem em frente, morava um Nilomar que paquerava uma de minhas primas, a Vânia ou a Ceíta, estava perdidamente apaixonado por uma delas.

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Jair, o bode: quem vai tirá-lo da sala? Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“A democracia é um sistema que faz com que nunca tenhamos um governo melhor do que o que merecemos”. (Bernard Shaw)

Quem será a próxima vítima? Ontem foi Brigitte Macron, primeira dama da França. Agora foi a vez de Michelle Bachelet, alta Comissária de Direitos Humanos da ONU e de seu pai, o brigadeiro Alberto Bachelet, preso, torturado e assassinado na prisão pela ditadura Pinochet. Jair Bolsonaro os agrediu: elogiou a tortura e fez apologia do crime. Suas declarações públicas, especialmente contra mulheres, além de nos envergonharem diante do mundo, permitem desconfiar que ele é o bode colocado pelo capital financeiro no Palácio do Planalto.

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