Tenório: o Memorial Indígena e o Pirarucu-de-Casaca. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“Eu quero ser enterrado, como meus antepassados, no ventre escuro e fresco, de uma vasilha de barro». (Gonzalo Benitez, poeta equatoriano, 1942)

Durante 1.200 anos, moradores da margem esquerda do rio Negro enterravam seus mortos dentro de igaçabas – um pote de barro cheiroso, boca larga e bojo grande. O cemitério era um templo a céu aberto, onde os índios realizavam cerimônias religiosas, ritos e pajelanças, tocando flautas, dançando, cantando e rezando. Ficava no local da atual praça D. Pedro II, em frente ao Paço da Liberdade, sede do Museu da Cidade, onde agora será criado o Memorial Necrópole de Manaus, segundo anunciou o presidente do Conselho Municipal de Política Cultural (Concultura), Tenório Telles, apoiado pela Fundação Municipal de Cultura (Manauscult) presidida por Alonso Oliveira, que atenderam reivindicação das organizações indígenas e de pesquisadores de universidades.

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Curumim: o Anjo da História. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

– Professor, eu posso fazer a prova só com charges?

A pergunta inusitada me deixou engasgado. Estávamos numa sala de aula do velho ICHL em 1978. Era a avaliação final na disciplina História da Cultura e dos Meios de Comunicação. A questão formulada pedia que alunos do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas desenvolvessem o tema sobre a indústria cultural e seus efeitos sobre a cultura popular regional, tendo duas referências: os teóricos da Escola de Frankfurt e, para a realidade local, “O Complexo da Amazônia” de Djalma Batista, autor que os alunos haviam entrevistado.

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Devemos viver até morrer. Por Slavoj Žižek

Lutar contra a pandemia não através do abandono da vida, mas como uma forma de viver com a maior intensidade

No A Terra é Redonda

A pandemia de Covid-19 nos deu uma lição sobre nossa mortalidade e nossos limites biológicos. Eis um momento de sabedoria bombardeado pela mídia: devemos abandonar o sonho de dominar a natureza e aceitar nosso modesto lugar nela.

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Diálogo inter-religioso e Ecologia Integral. Por Gilvander Moreira*

Que beleza espiritual, ética e profética a 58ª Campanha da Fraternidade, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a 5ª Ecumênica, em 2021, sob coordenação do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) –CFE 2021- , com o Tema: “Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor”; e o Lema: “Cristo é a nossa Paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Efésios 2,14)!

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Contos e canções em Nheengatu: doentes no hospital. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Um conto oral transcrito num livro é como um doente no leito de um hospital. Vive. Mas é preciso retirá-lo do livro e voltar a contá-lo para que fique curado.” (François Vallaeys, professor da PUC-Peru)

Vários “doentes” foram retirados do “hospital” nesta quinta-feira (11), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), durante a defesa da tese de doutorado “Tupi” do Rio Andirá: O Nheengatu no Médio Rio Amazonas, de Micheli Lima Schwade. Ela selecionou contos e canções em Nheengatu coletados no séc. XIX por João Barbosa Rodrigues em Parintins e Barreirinha, submetendo-os à apreciação de cinco falantes atuais, que reconheciam ou não a história. Em caso afirmativo, eles davam sua versão, que foram transcritas. Isso lhe permitiu mapear o que mudou e o que permanece nesta variedade da Língua Geral Amazônica(LGA), objetivo de sua pesquisa.

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Rio Negro: recolhendo os passos dos nossos mortos. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Isaías Baniwa, 53 anos, líder indígena de projeção nacional, nascido lá em Ucuqui Cachoeira, berço da humanidade e “umbigo do mundo”.

Valdomiro Arara, outro líder indígena Baniwa, guardião da floresta, saboreava sempre o mingau de farinha (kamokaa) e de tapioca (mitti).  

Valeriano Baré, 78 anos, sábio performático nascido no Rio Preto – Santa Isabel, gostava de contar histórias para seu neto Fidelis Baniwa.

Quintina Tuyuka, 74 anos, dona de mãos mágicas que temperavam como ninguém a quinhapira, o “prato nacional” do Rio Negro.  

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As dores do mundo no bairro de Aparecida. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“Versos… não. Poesia… não. Um modo diferente de contar velhas histórias”. (Cora Coralina. Poemas dos Becos de Goiás. 1965).

No mundo são mais de 2 milhões de mortos pelo Covid-19. Entre eles, pelo menos 35 moradores do bairro de Aparecida que “está sendo devastado” nas palavras da antenada Edna Morrissey, 80 anos, que lá viveu antes de se radicar em Miami.

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A burguesia de igarapé, a ética e a fila furada da vacina. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“Se alguém pudesse escrever um livro sobre ética que fosse realmente um livro sobre ética, este livro provocaria uma explosão e destruiria todos os outros livros do mundo”.
(Ludwig Wittgenstein, Conferência sobre a Ética, 1929).

Na década de 1960, a nossa professora de filosofia no curso clássico do Colégio Estadual do Amazonas, Lindalva Mota, apelidada de “Por-conseguinte-então”, nunca nos falou do filósofo e linguista austríaco Ludwig Wittgenstein. Só muitos anos depois encontrei uma menção a ele numa entrevista do escritor argentino Júlio Cortázar que, impactado com a leitura da “Conferência sobre a Ética”, homenageou seu autor batizando um de seus gatos com o nome de Wittgeinstein. Esse “gato” pode agora nos ajudar a refletir sobre a burguesia de igarapé que furou a fila da vacina e ainda teve a desfaçatez de publicar fotos nas redes sociais para ostentar o “privilégio”.

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Manaus: quem não chora na hora da partida? Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“Adeus Manaus, está chegando a hora da partida. Adeus, Manaus, o nosso adeus será por toda a vida”.  (Waldick Soriano, 1963)

Entre um e outro gole de cachaça na taberna do Jaime Mãozinha, na praça Bandeira Branca, Pedro Eloy costumava narrar às terças-feiras, dia de novena, as atrocidades que viveu na Itália durante a 2ª Guerra Mundial. O distinto público do bairro revivia os combates na neve, as granadas arremessadas por alemães, os gritos de dor, os corpos voando pelos ares com a explosão de minas terrestres, os bombardeios, os cadáveres enterrados nas trincheiras cavadas no chão, a fome, o frio, a solidão. Incorporado ao 6º Regimento de Infantaria, ele foi um dos 25.445 expedicionários brasileiros, muitos mortos em combate, outros feridos e mutilados para sempre.

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Trump, Jair e Tracajá: com o fiofó na mão. José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Quase todos os jornalistas da editoria de internacional, nos anos 1930-40, exibiam suas próprias fotos nas colunas portando um indefectível cachimbo na boca ou um charuto, o que lhes dava ar de especialista no assunto. Numa polêmica com um deles, Leon Trotsky ironizou:

– Esse cara, só porque fuma cachimbo, crê que pode explicar o que acontece no mundo.

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