Vendo Harry e Meghan, deu vontade de ter um rei no Brasil. José Mujica? Por Leonardo Sakamoto

No blog do Sakamoto

Aproveitando o casamento real britânico, monarquistas defenderam o retorno dessa forma de governo nesta parte dos trópicos. A começar pelos herdeiros de Pedro II, há brasileiros que acreditam que o país seria mais ”estável” e ”moderado” se tivesse uma chefia de Estado vitalícia e hereditária.

Eu até toparia. Mas só se for para ter como soberanos pessoas como Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, ou José Mujica (não me importo em ser anexado pelo Uruguai – se passarem a valer algumas das leis de lá). O problema é que ambos, uma vez entronados, adotariam como primeiro ato a Proclamação da República. (mais…)

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El dictador y el botón de “me gusta”: cómo la imagen de Kim Jong-un desafía a la democracia. Por Eliane Brum

No El País

Kim Jong-un, dictador de un país donde la gente casi no tiene acceso a Internet, ha realizado una hazaña que solo es posible en tiempos de la Red. De repente, el ogro del planeta consigue me gusta del mundo. Y su versión más simpática y rotunda ocupa todas las pantallas durante varios días. Es un caso fascinante de cambio de imagen, ya que había terminado el 2017 como un tirano loco. Y, en abril de 2018, se convierte en una especie de Shrek de la geopolítica internacional. Es posible entender por qué el encuentro entre las dos Coreas se considera un momento histórico. Pero hoy la historia quizá sea la de que Kim Jong-un ha conseguido expandir al mundo democrático, a una velocidad que solo Internet permite, la propaganda que se inyecta a los norcoreanos por las retinas día tras día desde los tiempos de su abuelo. Sin cambiar su vestimenta, pero ampliando la sonrisa de emoticono del retrato oficial. (mais…)

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1968, revoltas no Brasil e no mundo: a barricada fecha a rua, mas abre caminhos

Jean Tible*

A barricada fecha a rua, mas abre caminhos.
Uma das frases símbolos dos muros de Paris em maio de 1968.
68, uma revolução mundial.
Um vírus da desobediência contagiou todo o planeta: Paris, Senegal, Japão, Vietnã, Cidade do México, Praga, Estados Unidos, Palestina, dentre outros pedaços.
Uma explosão de vida. A palavra-chave: experimentação. Novos desejos, aspirações e conexões brotam e desabrocham em todos os cantos do mundo. Um novo espírito do tempo, tempo do mundo. (mais…)

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Os miseráveis, por Cândido Grzybowski*

Portal Ibase

Ainda na segunda metade do século XIX, Victor Hugo escreveu o clássico romance Les Misérables, retratando o outro lado da Paris das luzes. Ao andar pelas ruas de nossas grandes cidades hoje em dia, não dá para fechar os olhos para a desesperadora situação de miséria a que milhares são relegados. Que mundo é este que avança criando miseráveis? Viver sem nada, sem comida e sem teto para dormir, é uma condição cotidiana para muitos, brasileiras e brasileiros, jogados por aí. Até bem pouco tempo atrás, parecia que já tínhamos superado tal chaga social, que nos golpeia forte e que não dá para ignorar. Aliás, até nos orgulhávamos de ter finalmente conseguido avançar no combate da fome e da miséria no país. Mas não. Estamos praticamente de volta ao “mapa da fome” da ONU, logo o Brasil, considerado o maior produtor de alimentos do mundo. Até temos a propaganda enganosa do agronegócio – “Agro é tech, agro é pop, agro é tudo!”. Mas o fato é que retrocedemos diante do estrutural problema da falta do que comer e da miséria visível nas nossas ruas. (mais…)

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Brasileiro não é nacionalidade, é profissão. Por Gregorio Duvivier

Fôssemos brasilianos ou brasileses, talvez restassem mais Amazônia e, quem sabe, respeito às urnas

Na Folha

Peço licença para um pouco de sociolinguística de botequim. Não que antes eu fizesse, por aqui, sociolinguística séria. Mas fazia outras coisas de botequim: poesia de botequim, política de botequim, economia de botequim. A crônica, afinal, não passa da botequinização dos assuntos.

Não sei se algum acadêmico sério já se debruçou sobre esse fenômeno. Quem primeiro me fez ver foi o palhaço Marcio Libar que, como todo palhaço, é um clarividente de botequim. (mais…)

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Conversa de velhos: “Ai, meu Deus, só Jesus na causa!”. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Diariamente, de manhã cedo, ouço centenas de vezes essa frase na Academia da Terceira Idade (ATI), na praia de Icaraí, onde faço exercícios físicos com outros velhinhos. Lá tem uma senhora gasguita e tagarela, que fala, fala, fala pelos cotovelos, fala o tempo todo, fala mais do que a preta do leite. Enquanto se exercita nos aparelhos, narra sua vida, descreve cenas do cotidiano, comenta o noticiário e julga os políticos em evidência. Não para um minuto, nem para respirar. Cada vez que muda de assunto ou faz uma pausa de alguns segundos, usa o nome de Deus e de Jesus como um marcador, como um ponto e vírgula já em desuso: ai, meu Deus, só Jesus na causa! (mais…)

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A Igreja continua escondendo o segredo de Madalena

A Igreja precisa rever suas origens para eliminar o lastro de machismo para voltar a ser o que foi em seus primórdios: a Igreja de Madalena, mais que a de Paulo, menos autoritária e masculina

Por Juan Arias, em El País

O recém-estreado filme Maria Madalena, de Garth Davis, mesmo prescindindo do seu valor cinematográfico, serviu para recordar que a Igreja Católica continua mantendo o segredo sobre a figura da mulher mais citada nos evangelhos, mais inclusive que a mãe de Jesus. Foram necessários 1.400 anos para que Roma acabasse aceitando que Maria Madalena não foi nem prostituta nem endemoniada. E se tivesse sido a mulher de Jesus? E se não tivesse sido nem sequer judia, e sim seguidora da filosofia gnóstica? E se tivesse sido a fundadora do primeiro cristianismo? O medo da Igreja de ressuscitar a identidade e importância de Madalena em sua fundação é compreensível, já que isso significaria revisar a história desde a suas origens, assim como a teologia da sexualidade e o papel da mulher na hierarquia do catolicismo, onde continua relegada a um segundo plano. Teria algum sentido o celibato obrigatório se até Jesus era casado? (mais…)

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Pedro Custódio, um filósofo da Mangueira na UERJ, por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“Tristeza não tem fim. Felicidade sim” (Tom Jobim).

– Eu detesto alegria, porque a alegria não deixa a gente pensar, ao contrário da tristeza, que provoca a reflexão.

Quem falou assim foi Pedro Antônio Custódio, 58 anos, residente no morro da Mangueira, no Rio. Estávamos na sua salinha, no 12º andar da Uerj, por onde sempre passo bem cedo para um dedo de prosa, antes da aula das 7 hs no curso de pedagogia. Foi logo depois do carnaval. Eu havia lhe contado, crente que estava abafando, que na disciplina Movimentos Sociais e Educação – uma das quatro que ministro nesse semestre – iria projetar o desfile da Escola de Samba Paraiso de Tuiuti sobre a escravidão. Pedro desmontou meu entusiasmo com um piparote provocativo: (mais…)

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O Preto Velho, os pretos novos e o voo de Tuiuti: ninguém esquece um elefante. Por José Ribamar Bessa Freire

Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?
(Samba enredo da GRES Paraíso de Tuiuti 2018)

No Taqui Pra Ti

– O pássaro do conhecimento só levanta voo se bater as duas asas de forma sincronizada: a da universidade e a do sambódromo. Com uma só, não decola.

Quem defendeu esse diálogo do saber acadêmico com a sabedoria popular foi Darcy Ribeiro, construtor de universidades e idealizador do sambódromo. Foi na manhã de 17 de fevereiro de 1997 no hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, horas antes de morrer. Ele nem podia imaginar que, exatamente vinte e um anos depois, uma ave – a Tuiuti, da família dos periquitos – iria sobrevoar a Marquês de Sapucaí, num voo ondulado, ritmado, soberbo, para narrar de forma dramática a história da escravidão. Uma escola, de samba, com uma aula magistral, preenche uma lacuna, já que a outra, do sistema escolar, é quase sempre omissa. Et pour cause. (mais…)

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O crucifixo de pedra: cantada ou assédio sexual? Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

O cara tentou seduzir uma das minhas nove irmãs, usando um crucifixo. Isso aconteceu em Manaus, há 60 anos. Na ocasião, as opiniões sobre o sacrilégio se dividiram: assédio delituoso para uns, paquera tresloucada para outros. O bate-boca local se antecipou em seis décadas ao atual debate midiático entre, de um lado, o Movimento Feminista #MeToo, nos Estados Unidos, e de outro, as cem mulheres francesas que publicaram manifesto no “Le Monde”, com ampla repercussão no Brasil, comprovando que tudo que sucede em qualquer parte do mundo já aconteceu no bairro de Aparecida. (mais…)

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