Lições do pau-brasil: os crimes ambientais. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Se Portugal criar sete ou oito povoações no litoral, isso será suficiente para impedir os da terra de vender o pau-brasil e não o vendendo, as naus [francesas] não hão de querer lá ir para voltarem vazias. (Carta de Diogo de Gouveia a D. Joao III, 1532)

O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, por desconhecer a história do Brasil, não mostrou ao ‘Trump de igarapé’ a carta de Diogo de Gouveia a D. João III sobre o contrabando do pau-brasil. Escrita em 29 de março de 1532, sua leitura agora nos pouparia de mais uma besteira que envergonha e submete à chacota internacional a nós, brasileiros. O ex-capitão declara hoje aquilo que desdiz amanhã, acobertado com panos quentes pelo gen. Mourão, seu vice. Na terça-feira (17) na cúpula dos Brics, Bolsonaro ameaçou se vingar dos críticos da política ambiental de seu governo, responsável pelo aumento do desmatamento na Amazônia:

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Coquinho de tucumã, saliva e pólvora no país de maricas. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“Abajo la inteligencia, viva la muerte”!
(Millán Astray, general, 1936)

– Bolsonaro comeu coquinho de caroço de tucumã. Isso explica tudo.

Essa descoberta sensacional foi anunciada nesta semana pela historiadora amazonense Astrid Lima, nascida no bairro de Aparecida e hoje residente em Roma. Ela ficou estarrecida quando o capitão enalteceu a morte de um voluntário dos testes da vacina Coronovac: “Morte, invalidez, anomalia […]  Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”. Depois de faturar com o luto alheio, ele banaliza: “Todos nós vamos morrer um dia”, o Brasil “tem que deixar de ser um país de maricas”. O capitão mostrou as armas ainda ao novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que defendeu a preservação da Amazônia: “Apenas a diplomacia não dá, né Ernesto, tem que ter pólvora”.

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As eleições municipais: o pissi nossi core. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Agora, lábios meus / dizei e anunciai… 
(Ofício da Imaculada Conceição)

O que significa “pissi nossi core”? Só Deus sabe. Ele e sua mãe Maria entendiam, mas não atendiam aquilo que os lábios de Jean-Paul pediam insistentemente, isso por razões que a leitora logo saberá, se tiver um pouquinho de paciência para conhecer os dois personagens reais dessa história do bairro de Aparecida: o Ademir Doido e a Amazonina, bem como sua relação com as eleições municipais de 15 de novembro.

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Charlotte: a morte, um dia que vale a pena viver. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Na Alemanha, o “noviço rebelde” passeia deslumbrado pelas montanhas da Floresta Negra. No Rio, refestelados no sofá do apartamento do Largo dos Leões, Farah e Weber parecem posar para um quadro de Picasso. No Xingu, índios de diferentes etnias se comunicam em uma variedade própria do português. No Espírito Santo, a Pomerisch Radio faz transmissões em pomerano, língua oficial de Santa Maria de Jetibá. Esses são alguns dos lugares de memória de Charlotte Emmerich, linguista do Museu Nacional-UFRJ, cuja missa de 7º dia se celebrou no sábado (24).

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Há jacu no pedaço: o senador Miquiguaçu. Por José Ribamar Bessa Freire

De José Ribamar Bessa Freire

Não foi à toa que os índios de Roraima apelidaram o senador Francisco Rodrigues (DEM-RR vixe vixe) de Miguiguaçu e os do Rio Negro, de Jacu, o que foi agora descoberto pela Polícia Federal, quando o flagrou com R$ 33 mil escondidos dentro da cueca, no cofrinho, entre uma nádega e outra. O senador diz que vai “esclarecer o ocorrido”, que “confia na Justiça” e que tem “um passado limpo”, tão imaculado como a sílaba que antecede a “eca”. Será? O Brasil inteiro quer saber – e o Taquiprati revela aqui em primeira mão – as explicações do Chicão, cujos apelidos ajudam a elucidar o ocorrido.

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Essas mulheres psicólogas: o cipó e o jerimum. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Madame, vous confondez ceinture avec cul et vigne avec citrouille
(Sagesse populaire. Aparecida, quartier de Manaus) 

– Eu não confio em psicóloga mulher. Você confia? Entre um cirurgião e uma cirurgiã, quem você escolheria para te operar?   

A frase contundente, dita em francês pela mãe de uma colega de doutorado na EHESS de Paris, tinha o desplante de cobrar minha cumplicidade na negação da competência feminina em qualquer profissão. Foi em 1982. A filha Louise, envergonhada, se arrependeu de ter me apresentado sua mãe que, se fosse brasileira, votaria em Bolsonaro. Uma pobre coitada! Juro que deu vontade de contra-atacar em português do bairro de Aparecida:

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O voto, o eleitor e a poção mágica. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“O poeta é um fingidor / Finge tão completamente / que chega a fingir que é dor / a dor que deveras sente”.
(Fernando Pessoa, 1931)

Minha gente, me digam como podemos mudar a história do Brasil? O que fazer para que os eleitores, nessas eleições municipais, aprendam a escolher um candidato que preste? O caminho para isso, por incrível que pareça, foi traçado por Maia, que completa quatro anos neste domingo (4). Foi assim: o avô, meu amigo desde sempre, tomou as devidas precauções e, em plena pandemia, passou uns dias com as duas netas, a outra é Ana, 10 anos, um doce de menina, que aniversaria dias depois. Narrava ele pela milésima vez a história de João e Maria, quando foi interrompido:

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Dino Sapateiro e os Três Tristes Tigres. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

E mesmo que toda a gente / fique rindo, duvidando / destas estórias que narro, / não me importo: vou contente / toscamente improvisando / na minha frauta de barro”. Luiz Bacellar (1928-2012)

O que Trump, Putin e Bolsonaro têm em comum? Antes de responder, fumo meu cachimbo à guisa dos comentaristas de política internacional de antanho, que exibiam suas fotos nos jornais com cachimbo e boina basca, o que lhes dava um ar de entendido no assunto e conferia credibilidade ao seu discurso, além de deixá-los, é claro, com a boca torta. Numa polêmica com um deles, Leon Trotsky o desqualificou, ironizando: “Esse cara, só porque fuma cachimbo, acha que pode explicar o que acontece no mundo”. Apesar disso, antes de escrever sobre a Assembleia Geral da ONU, por via das dúvidas, dou uma cachimbada em um petynguá, presente de um aluno Guarani.

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Entre pássaros, flores e bibas. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Eu vivo em tempos sombrios […] Que tempos são esses em que falar de flores é quase um crime, pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
(Bertold Brecht: Aos que virão depois de nós. 1947)  

Assumo publicamente: saí do armário. Não foi assim de repente, da noite pro dia, mas devagarzinho, com idas e vindas. Começou na infância quando fiquei enfeitiçado por uma biba no bairro de Aparecida, em Manaus. Mas agora, na velhice, surpreendentemente, um caso tornou definitiva e sem volta a saída do armário: a morte nos últimos dias de milhares de pássaros no Novo México (EUA). Mais de um milhão, calcula a bióloga Martha Desmond em entrevista à BBC:

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DEUTERONÔMIO: “Não despeça de mãos vazias seu irmão ou irmã!” Por Gilvander Moreira*

Em setembro de 2020, estamos refletindo sobre o quinto livro da Bíblia: Deuteronômio, que busca resgatar os ideais do Êxodo em tempos de monarquia na iminência de mais um exílio. Os autores e as autoras de Deuteronômio resgatam o ensinamento e o testemunho dos Levitas – lideranças que não podiam ter terra, o que gerava poder – que buscam alertar o povo para não recair nas agruras de outra escravidão semelhante à imposta pelo imperialismo dos faraós no Egito. Imersos na ditadura de monarquia opressora que reproduzia relações sociais escravocratas, os levitas, em textos inseridos no livro do Deuteronômio, propõem a superação de toda e qualquer escravidão e que o povo conquiste liberdade, mas não liberdade abstrata e formal como a ocorrida no Brasil com a Lei Áurea de 13 de maio de 1888, que despediu de mãos vazias o povo negro escravizado, somente após 38 anos da criação do ‘cativeiro da terra”[1] por meio da Lei de Terras, Lei n. 601, de 18 de setembro de 1850.

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