O incêndio na casa de reza: obra do Curupira? Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

A queima de fogos em Copacabana anunciava o ano novo quando, longe dali, um fogo criminoso incendiava a Casa de Reza – a Opy –  dos Guarani-Kaiowá na aldeia Laranjeira Nhanderu, município de Rio Brilhante (MS), que voltou a ser atacada na noite seguinte por dois jagunços. Nesta mesma noite, no município de Dourados(MS), foi a vez de 40 pistoleiros fortemente armados invadirem o território da retomada Nhu Werá, com o saldo de quatro indígenas e um pistoleiro feridos à bala. Policiais militares do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), claramente contra os índios, tentaram convencê-los a abandonar seu território.

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No tempo em que as escolas cantavam. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

Fulana catibiribana seja matutana firifirifana. (Canção infantil do Amazonas)

Há 20 anos, uma amiga jornalista me telefonou angustiada. A revista  Manchete, onde trabalhava, fechara as portas e ela estava no olho da rua. Sem saber como confortá-la, meio que brincando, sugeri:

– Come feijão.

– O quê?

– É. Isso mesmo! Feijão!

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Maringoni: “Estou com o presidente Bolsonaro!”

Por Gilberto Maringoni

Um monte de petralha, comunista e gay está aí pelas redes destratando o presidente Bolsonaro, só porque ele disse que livros são “um montão, um amontoado… Muita coisa escrita”.

Porra, quero ver que maconheiro vai negar que livro não é isso, que não é um montão de coisa escrita! Caralho, livro é um montão de coisa escrita! Se não é um montão de coisa escrita, pode ser bola de futebol, xampu, 38, hambúrguer, rachadinha ou um caralhão de coisas, mas livro não é!

E é um desperdício que livro seje assim. Livro é um monte de letra, uma atrás da outra, em fila, numa balbúrdia geral. Não tem ordem. Botam um “M”, depois um “E”, mais adiante um “R, em seguida um “D” e no fim um “A” e fica uma merda. Uma merda, tá sabendo? Aí pegam essas mesmas letras, sem lavar e sem nada e escrevem sorvete, petê, queiroz e muito mais. Um montão de coisa. E aí chamam de livro.

Peguei outro dia a cópia digital de um livro daquele energúmeno que o presidente falou, o Paulo Freitas, sabe quem é, não? Aliás, não sei porque chama cópia digital. Digital é aquele troço que você faz na delegacia, quando toca piano. Suja todos os dedos. Livro digital devia ser livro tudo sujo de marca de dedo. Ah, não faz mais digital assim? Agora digital é tudo digitalizada? Sei lá, vai entender…

Mas aí eu peguei a cópia digital do livro do Paulo Energúmeno e contei as letra. Tava lá: 365.428 caracteres. Com espaço. Sim senhor, 365.428! Já achei um desperdício desse quilombola desse Freitas. Aí fui ver, porque todo mundo fala que o Paulo Freitas isso, o Paulo Freitas aquilo, que a ONU isso, que na Suécia aquilo. Fui ver, achando que tava certo ele ter 365.428 letra. Porra nenhuma. O livro é uma empulhação.

Ele vai repetindo letra página depois de página. Botei lá para contar. Só de “A” tinha 21.627, de “B” tinha 18.831, de “C” 14.539 e por aí vai. O cara é um enganador! O alfabeto só tem 26 letras e ele usa 364.428 para fazer campanha de kit-gay, de ideologia de gênero e do aborto!

Se só existe 26 letras, me digam!, pra que repetir tanto? Pra que colocar milhares de letras repetidas? Pra gastar tinta e papel, né? Pra empregar os vagabundos do petê? Pra superfaturar igual que nem esses petista fazem?

Tá certo o presidente Bolsonaro. Tem que mudar isso aí. Livro tem de ter na primeira página, assim ó, as 26 letras e uma figura. E pode ter no total 3 ou 4 páginas. Não precisa mais. Isso economiza dinheiro do país e tempo das pessoas. Mas o petê não quer isso, porque com tanta letra, eles vão poder roubar umas pra eles. Ninguém é bobo aqui não! Com menas letra e mais figura, a garotada vai ler.

Quequetem? A Bíblia? Se a Bíblia não é livro? Porra, tu é burro pra caralho. A Bíblia não tem letra. Tem palavra.

A palavra do Senhor…

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E se Jesus nascesse hoje no Brasil? Por Guilherme Boulos

No IREE

Quase 200 milhões de brasileiros e mais de 2 bilhões de pessoas pelo mundo comemoram o Natal todos os anos. É verdade que cada vez mais a data virou sinônimo de comércio, com muitos papais noéis nos shoppings e poucos pensamentos cristãos.

Mas o consumismo natalino não tem nada a ver com a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo. Ao menos do Jesus que podemos conhecer através da Bíblia.

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Deus é uma mulher negra e isso muda tudo

Por Marques Casara, no Brasil de Fato

Em algum momento, século passado, dirigi um documentário sobre Deus. Eu não entendia nada do assunto. Achava que Deus habitava os templos.

Viajei a São Paulo. Fui perguntar ao padre Marcelo Rossi quem era Deus. A entrevista foi um fracasso. Comentei que a minha filha havia sido batizada em um terreiro de umbanda. Rossi não via a concorrência com bons olhos e ficou de mau humor.

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Natal: Deus se fez índio, quilombola… Por Gilvander Moreira*

É tempo de natal, mas dá para celebrar o natal no meio da fase mais cruel do capitalismo, máquina de moer vidas humanas e vidas de todos os seres vivos, que atualmente não apenas explora, mas superexplora a dignidade humana, a dignidade da mãe terra, da irmã água e de toda a biodiversidade? A realidade está mais para sexta-feira da paixão, porque na última eleição no Brasil foram eleitos para o poder político políticos da pior estirpe, que acumpliciados com o poder econômico das empresas transnacionais, com o capital especulativo, com agronegócio e mineradoras, estão eliminando todas as conquistas de direitos sociais conquistados com muita luta e tendo custado a vida de milhares de mártires, durante as últimas décadas.

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Prêmio Tracajá da Literatura de Igarapé: JOGYM. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

É como se eu tivesse conquistado o Prêmio Nobel da Literatura. Fiquei tão mexido que não sei nem por onde começar. É melhor, então, começar pelo começo. Retrocedo a 1869 e registro a inauguração do Lyceu Provincial, que virou depois Gymnasio Amazonense Pedro II, ambos cheios de ypysylones. Pulo para 1963, quando fui acolhido no Curso Clássico do Colégio Estadual do Amazonas (CEA) que, após o troca-troca de nomes, está comemorando seu sesquicentenário, o que me confere a honrosa condição de ex-aluno – informação necessária para entender as voltas que vou dar a seguir.

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Bartomeu Melià: Nós, os guarani… Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Eram 80 alunos guarani vindos, em 2006, de mais de 50 aldeias de cinco estados para o Curso de Formação de Professores realizado no município Gov. Celso Ramos (SC). No módulo que ministrou, Bartomeu Meliá narrou, em língua guarani na qual era fluente, a história da flauta sagrada (mimby apyjka) da cosmologia Nhandeva, recolhida no Chaco paraguaio. Nas anotações que fiz na época num caderno, registrei a conversa com um professor mbya que, meio desconfiado com a versão apresentada, me disse:

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Um retrato do Brasil: os índios no Censo 2020. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Seria tão bom se o Censo 2020 do IBGE pudesse apurar quantos brasileiros estão tristes, deprimidos ou raivosos. Ou alegres e esperançosos. Tive vontade de falar isso – mas me contive – no X Seminário de Demografia dos Povos Indígenas no Brasil: na iminência do Censo Demográfico 2020, realizado em 4-5 de dezembro no Rio, organizado pelo IBGE, a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e a Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP). Estou consciente de que recenseadores são sérios, não bisbilhotam emoções, só xeretam estado civil, idade, sexo, religião, grau de instrução, renda, emprego e babados similares sobre a dinâmica populacional.

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Brilhos na floresta: apaga a luz para ver. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“Ao poeta,  faz bem  desexplicar  – tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes”. (Manoel de Barros. O Guardador de Águas. 1989)

Te faço um convite, leitor (a). Mas antes, por favor, apaga a luz para que possas ver o que quero te desexplicar, embora não seja eu um poeta. Abre os teus olhos na escuridão do país e observa se tenho ou não razão quando digo que, caso estivessem preocupados com o Brasil profundo, os telejornais teriam subtraído um minutinho das horas dedicadas à morte do apresentador de televisão Gugu Liberato, em Orlando – é Flórida! – para anunciar a existência de um cogumelo que brilha na floresta amazônica, como um pirilampo. Faz-de-conta que às 20h30 William Bonner anuncia:

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