O quati e os índios remeiros no Arsenal da Marinha do Rio. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Quatipuru, me empresta teu sono para eu fazer meu filho dormir” Canção de ninar em Nheengatu – Rio Negro (AM) – 1873

O quati de focinho preto, ainda bebê, foi doado à corveta francesa  Uranie atracada no porto do Rio de Janeiro. Essa passou a ser sua nova casa. Com medo, o bichinho vivia se escondendo, mas pouco a pouco começou a circular livremente pelo tombadilho, saltitando de proa à popa. Bagunceiro, rolava pelos punhos das redes como uma bola, fazia piruetas no mastro, caçava ratos no porão, abria malas com seu nariz comprido e brincava com o cachorro do navio, mordiscando suas orelhas. Ao meio-dia, o enfermeiro de bordo, que dele se encarinhou, chamava-o com um assovio e ele subia em seu ombro para comer. Era a alegria do barco.

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De Waldick para Jair: renunciar seria a solução. Por José Ribamar Bessa Freire (+) Raoni, embaixador do Brasil

No Taqui Pra Ti

Do: cantor Waldick Soriano, psicografado pelo Taquiprati
Ao: Exmo. Sr. Presidente da República Jair Messias Bolsonaro

Saudações,

Escrevo esta carta, mas não repare os senões, para dizer o que sinto em relação à sua visita a Dallas, Texas, aonde recebeu merecido prêmio da Câmara de Comércio Americana-Brasileira por haver prestado valiosos serviços ao capital comercial (bota valioso nisso). No entanto, não fiquei orgulhoso com sua performance nos EUA. Afinal, Jair – posso te chamar amigavelmente de Jair? – você representa o Brasil, queiramos ou não. A imagem de todos nós brasileiros, vivos e mortos, fica arranhada, se seu presidente adota postura subserviente. Ninguém aprecia um capacho lambe-botas de gringo. É O Brasil acima de tudo ou América first?  

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Estudantes indígenas: um pé na aldeia, outro na universidade. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

– “Para esses povos de tradição oral, fazer a travessia para o mundo da escrita, só isso já é épico. […]É bom não esquecer que os jesuítas vieram para cá pra botar escolas e catequisar os índios e ensinar eles a ler e escrever.  Enquanto os índios puderam resistir, não aprenderam nem a ler nem a escrever. Então seria interessante a gente investigar se quando os índios estão lendo e escrevendo, se já se renderam ou se ainda estão resistindo” – sugere Ailton Krenak no texto “A antropologia e seus espelhos: a etnografia vista pelos observados”.

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Davi Kopenawa: a árvore que não envelhece. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

If I tell you stories all the time, I do not disappear”.
(Patricia Portela – Scheherazade Flatland)

– Essa árvore lembra o tronco da Pore hi. Quando começa a envelhecer, troca de casca e fica nova outra vez. Ela descama pra se renovar. Por isso, não apodrece. Tem gente que é assim. Alguns pajés também nunca envelhecem, porque trocam de pele e se revigoram.  

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Ainda ouço essa voz que o tempo não vai levar. Por Mauro Luis Iasi

“Ocorre que a identificação pela arte vem com uma boa dose de idealização que sempre acoberta e aplaina a contraditoriedade da pessoa por trás do artista. Como pode quem cantou “Sentinela” com “Milton Nascimento” apoiar o obscurantismo e a violência das classes dominantes?”

No blog da Boitempo

“Morte vela sentinela sou
Do corpo desse meu irmão que já se foi
Revejo nessa hora tudo que aprendi,
memória não morrerá

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Os índios entram na Academia Brasileira de Letras. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Ore Ru Nhamandu Tupã Ore Ru
‘Nossos primeiros pais Nhamandu e Tupã’
(Canto sagrado Guarani Mbya)

A língua Guarani ecoou, nesta terça (16), na Academia Brasileira de Letras (ABL), santuário da língua portuguesa. Lá, a cacica Jurema Nunes de Oliveira e um coral de 14 crianças da aldeia Mata Verde Bonita, de Maricá (RJ), cantaram música sagrada guarani no Salão Nobre reservado a sessões solenes, encantando funcionários e até mesmo o acadêmico e filólogo Evanildo Bechara, de 91 anos. O presidente da ABL, Marco Lucchesi, destacou a diversidade linguística do país, lembrando que 2019 foi declarado pela ONU como o Ano Internacional das Línguas Indígenas.  

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O Brasil através dos bonecos. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento”. (Milan Kundera. O livro do riso e do esquecimento. 1979)

As vísceras do Brasil ficaram expostas no lançamento do livro “Teatro de Bonecos Dadá – Memória e Resistência”, neste sábado, 6 de abril, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. É que a trajetória de meio século do teatro revela a história recente do país que aflora aqui, “de bubuia”, como se diz no Amazonas. Os bonecos nos permitem acompanhar, entre outras, as políticas públicas relacionadas à cultura, à arte e à educação, assim como os embates políticos que aqui se sucederam.

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A UFAM e as Invasões Bárbaras. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Numa cena patética do filme canadense “As Invasões Bárbaras”, o velho professor Rémy, paciente terminal de câncer, recebe no hospital a visita de ex-alunos que lhe fazem afagos e dizem o quão importante foi na vida deles. O doente se comove até as lágrimas. O que ele não sabe é que aquele é um carinho caro, pois seu filho Sebastien, que enriqueceu no mercado financeiro de Londres, pagou a cada um dos ex-alunos para representarem aquela farsa.   

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O Presidiário: minha cana, minha vida. Por José Ribamar Bessa Freire

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Machado de Assis, o Bruxo do Cosme Velho, tinha o dom de vidente, mas não previu que “O alienista”, escrito em 1882, se converteria em “O presidiário” em 2019. Aconteceu na quinta (21), quando cinco deputados do RJ tomaram posse dentro do presídio. No mesmo dia foram presos o ex-governador Moreira Franco, o coronel Lima – “nomeá-lo-ei como o meu Queiroz”, o ex-presidente Michel Temer, acusado de comandar a quadrilha que teria desviado R$ 1,8 bilhão, e mais sete pessoas. Por causa disso, “os CDS dispararam de 160 para 166 pontos” – alardearam, em pânico, os jornais.

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