O Brasil e os ‘nervosos’ do bairro de Aparecida. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“Que pena a vida ser só isto…” (Cecília Meirelles, 1963)

À semelhança dos três mosqueteiros que, na realidade eram quatro, os cinco “nervosos” na verdade eram seis.

Ninguém sabe explicar de onde vieram, nem eles mesmos. Talvez porque não tenham vindo de lugar algum. Os vizinhos juram que não escutaram barulho de mudança. O que se sabe é que, de repente, numa manhã chuvosa de dezembro de um ano qualquer, da década de 1970, eles estavam lá, naquele barraco da rua Ramos Ferreira, que durante meses permanecera desocupado. Parece que haviam brotado espontaneamente do chão, qual capim entre paralelepípedos.

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Por que Rondônia censurou Machado de Assis? Por José Ribamar Bessa Freire

Ao verme que primeiro roeu as frias carnes de meu cadáver”
(Machado de Assis. 1880. Memórias Póstumas de Brás Cubas)

No Taqui Pra Ti

A experiência como estudante, em Manaus, em 1964, me permitiu compreender porque Rondônia, sob o governo do coronel Marcos Rocha (PSL vixe vixe) mandou recolher das escolas obras de escritores consagrados. O memorando, alegando o “conteúdo inadequado” dos livros, vazou nas redes sociais nesta quinta (6) e causou o maior rebucetê. Por se tratar de literatura cobrada no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), ninguém entendeu. No entanto, a explicação pode ser encontrada no bairro de Aparecida, porque tudo o que acontece ou ainda vai acontecer em qualquer parte do mundo, modéstia às favas, já ocorreu lá no meu bairro.

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A humanidade dos índios: nós quem, cara pálida? Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Os brasileiros aceitaram passivamente, sem questionamento, como se fosse sua, aquela versão que o colonizador português deixou sobre os índios. (Marcos Jiménez de la Espada, 1890)

A genial descoberta feita pelo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de que “o índio está evoluindo e se tornando um ser humano igual a nós”, ainda não foi patenteada na Associação Brasileira de Antropologia (ABA). De qualquer forma, podemos extraoficialmente confrontá-la com as conclusões da Comissão Científica do Pacífico que andou investigando o assunto no séc. XIX em nome da monarquia espanhola. Assim, saberemos se essa tendência de “humanização” faz parte dessa memória histórica, consultando os relatórios da expedição que cruzou a cordilheira dos Andes até o rio Napo e desceu o rio Amazonas, em 1865, para analisar a biodiversidade e as culturas indígenas.

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Paris é uma festa: o Hemingway de igarapé. Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

“Só existem dois lugares no mundo onde podemos ser felizes: em casa e em Paris”. (Ernest Hemingway. Paris é uma festa. 1964)

Desde o período áureo da borracha, Manaus é chamada de Paris de Igarapé. Por extensão, a Universidade Federal do Amazonas é a Sorbonne de Igarapé e este nosso combativo Diário o Le Monde de Igarapé. É assim que no Amazonas identificamos certas instituições, pessoas, fatos. O interlocutor pode considerar isso um deboche ofensivo, se sua referência for um igarapé moribundo de Manaus, como o Mindu, contaminado por lixo e esgoto. Mas será um elogio se pensar no Cunuri, que reflete em suas águas cristalinas as copas das árvores, fornece água potável e dá vida aos peixes e às plantas na região do alto Tiquié, porque os Tuyuka, que cuidam bem dele, são seres humanos, mas felizmente não “são iguais a nós”.

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A morte e as mortes do historiador Pablo Macera. Por José Ribamar Bessa Freire

“Quisiera estar presente el día de mi entierro / para ver si entre la gente están los que yo más quiero”. (Margot Palomino. Huayno El olvido.)

Engana-se quem crê que o historiador peruano Pablo Macera Dall’Orso morreu aos 90 anos e foi sepultado sábado (11) no cemitério Presbítero Maestro em Lima. É que Pablo não era um. Eram vários que viviam brigando entre si: o escritor que nos iluminou com sua extensa obra, o congressista que nos decepcionou ao apoiar Fujimori, o iconoclasta cheio de fúrias e penas, o professor performático e brilhante, o profeta midiático de frases irreverentes. Ele era personagem complexo difícil de rotular.

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O incêndio na casa de reza: obra do Curupira? Por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

A queima de fogos em Copacabana anunciava o ano novo quando, longe dali, um fogo criminoso incendiava a Casa de Reza – a Opy –  dos Guarani-Kaiowá na aldeia Laranjeira Nhanderu, município de Rio Brilhante (MS), que voltou a ser atacada na noite seguinte por dois jagunços. Nesta mesma noite, no município de Dourados(MS), foi a vez de 40 pistoleiros fortemente armados invadirem o território da retomada Nhu Werá, com o saldo de quatro indígenas e um pistoleiro feridos à bala. Policiais militares do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), claramente contra os índios, tentaram convencê-los a abandonar seu território.

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No tempo em que as escolas cantavam. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

Fulana catibiribana seja matutana firifirifana. (Canção infantil do Amazonas)

Há 20 anos, uma amiga jornalista me telefonou angustiada. A revista  Manchete, onde trabalhava, fechara as portas e ela estava no olho da rua. Sem saber como confortá-la, meio que brincando, sugeri:

– Come feijão.

– O quê?

– É. Isso mesmo! Feijão!

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Maringoni: “Estou com o presidente Bolsonaro!”

Por Gilberto Maringoni

Um monte de petralha, comunista e gay está aí pelas redes destratando o presidente Bolsonaro, só porque ele disse que livros são “um montão, um amontoado… Muita coisa escrita”.

Porra, quero ver que maconheiro vai negar que livro não é isso, que não é um montão de coisa escrita! Caralho, livro é um montão de coisa escrita! Se não é um montão de coisa escrita, pode ser bola de futebol, xampu, 38, hambúrguer, rachadinha ou um caralhão de coisas, mas livro não é!

E é um desperdício que livro seje assim. Livro é um monte de letra, uma atrás da outra, em fila, numa balbúrdia geral. Não tem ordem. Botam um “M”, depois um “E”, mais adiante um “R, em seguida um “D” e no fim um “A” e fica uma merda. Uma merda, tá sabendo? Aí pegam essas mesmas letras, sem lavar e sem nada e escrevem sorvete, petê, queiroz e muito mais. Um montão de coisa. E aí chamam de livro.

Peguei outro dia a cópia digital de um livro daquele energúmeno que o presidente falou, o Paulo Freitas, sabe quem é, não? Aliás, não sei porque chama cópia digital. Digital é aquele troço que você faz na delegacia, quando toca piano. Suja todos os dedos. Livro digital devia ser livro tudo sujo de marca de dedo. Ah, não faz mais digital assim? Agora digital é tudo digitalizada? Sei lá, vai entender…

Mas aí eu peguei a cópia digital do livro do Paulo Energúmeno e contei as letra. Tava lá: 365.428 caracteres. Com espaço. Sim senhor, 365.428! Já achei um desperdício desse quilombola desse Freitas. Aí fui ver, porque todo mundo fala que o Paulo Freitas isso, o Paulo Freitas aquilo, que a ONU isso, que na Suécia aquilo. Fui ver, achando que tava certo ele ter 365.428 letra. Porra nenhuma. O livro é uma empulhação.

Ele vai repetindo letra página depois de página. Botei lá para contar. Só de “A” tinha 21.627, de “B” tinha 18.831, de “C” 14.539 e por aí vai. O cara é um enganador! O alfabeto só tem 26 letras e ele usa 364.428 para fazer campanha de kit-gay, de ideologia de gênero e do aborto!

Se só existe 26 letras, me digam!, pra que repetir tanto? Pra que colocar milhares de letras repetidas? Pra gastar tinta e papel, né? Pra empregar os vagabundos do petê? Pra superfaturar igual que nem esses petista fazem?

Tá certo o presidente Bolsonaro. Tem que mudar isso aí. Livro tem de ter na primeira página, assim ó, as 26 letras e uma figura. E pode ter no total 3 ou 4 páginas. Não precisa mais. Isso economiza dinheiro do país e tempo das pessoas. Mas o petê não quer isso, porque com tanta letra, eles vão poder roubar umas pra eles. Ninguém é bobo aqui não! Com menas letra e mais figura, a garotada vai ler.

Quequetem? A Bíblia? Se a Bíblia não é livro? Porra, tu é burro pra caralho. A Bíblia não tem letra. Tem palavra.

A palavra do Senhor…

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E se Jesus nascesse hoje no Brasil? Por Guilherme Boulos

No IREE

Quase 200 milhões de brasileiros e mais de 2 bilhões de pessoas pelo mundo comemoram o Natal todos os anos. É verdade que cada vez mais a data virou sinônimo de comércio, com muitos papais noéis nos shoppings e poucos pensamentos cristãos.

Mas o consumismo natalino não tem nada a ver com a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo. Ao menos do Jesus que podemos conhecer através da Bíblia.

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Deus é uma mulher negra e isso muda tudo

Por Marques Casara, no Brasil de Fato

Em algum momento, século passado, dirigi um documentário sobre Deus. Eu não entendia nada do assunto. Achava que Deus habitava os templos.

Viajei a São Paulo. Fui perguntar ao padre Marcelo Rossi quem era Deus. A entrevista foi um fracasso. Comentei que a minha filha havia sido batizada em um terreiro de umbanda. Rossi não via a concorrência com bons olhos e ficou de mau humor.

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