Corações de ferro. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

Heitor sempre foi Totô. Apelido de infância que passou da casa à rua e dela à escola. Durou até virar o soldado Heitor. O semblante que harmonizava com a farda tornava esquisito para os amigos continuar chamando Heitor de Totô. Metido numas bermudas, quem sabe? Mas os amigos há muito não o viam mais de bermudas. Totô mudou. Sumiu sem mudar-se de rua. Transformou-se em Heitor, soldado Heitor. (mais…)

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O curral vermelhou: salvando o Brasil? Por José Ribamar Bessa Freire.

No TaquiPraTi

“Vermelhou o curral.
Meu coração é vermelho (hey, hey, hey!)
De vermelho vive o coração, ê-ô, ê-ô.
Tudo é garantido após a rosa avermelhar”
(Chico da Silva. Toada do Boi Garantido. 1996)

Um deputado federal, com coragem desassombrada, apresentou um Projeto de Lei que pode mudar os destinos do Brasil e deixou no chinelo o governo Lula, que perde tempo com questões menores como Fome Zero, Bolsa Família, Desenrola Brasil, Distribuição de Renda, Minha Casa Minha Vida, Saneamento Básico, Programa Cisterna, Desmatamento Zero, Direitos Humanos, Arcabouço Fiscal, Reforma Tributária  e outros afins. (mais…)

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A Morte e a morte de Marielle. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

Há os que têm medo de mim, aos montes. Há, também, os que me aguardam, suplicantes. Também os que me buscam, ainda nem sempre se deem conta disso. E há os que me veneram, que me desejam de um jeito estranho, que me querem por perto, mas não tão perto. Amam meus espetáculos, o drama de minhas aparições, a estética da minha arte. Querem me ver, mas não me sentir. Seja por qual motivo for, ninguém é indiferente a mim. E poucos são os que me compreendem. Sou aquela que faz a passagem entre o mundo dos vivos e o dos mortos, indiferente às carnes, nervos, fluídos e outras materialidades tão desesperadamente tidas como necessárias por todos aqueles que respiram. Sou o barqueiro sem rosto que conduz as almas ao seu próximo destino, atônitas, ainda perdidas de seus corpos. Poucos são os que me acompanham com placidez. (mais…)

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A Constituição em Nheengatu na canoa do tempo. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

Não é de uma estupidez revoltante o sistema que seguimos
de obrigar os indígenas a falar o português,
sem o auxílio de um intérprete?
(Couto de Magalhães: Viagem ao rio Araguaia, 1863)

Foi uma festa cívica o lançamento da Constituição Federal de 1988 traduzida ao Nheengatu por iniciativa da presidente do STF, Rosa Weber. O evento histórico contou com a presença em São Gabriel da Cachoeira (AM), na quarta (19), de tradutores, professores bilíngues, lideranças indígenas, indigenistas e autoridades, especialmente do Judiciário que, enfim, fez justiça. A Constituição teve, assim, sua versão escrita em uma língua que durante mais de quatro séculos navegou na canoa do tempo pelos rios da Amazônia. (mais…)

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Carta de um parente ameaçado de morte. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

“I think that I shall never see / A poem lovely as a tree”.
(Joyce Kilmer. Trees and Other Poems. 1914) 

Manaus, 15 de julho de 2023

Prezado

Essa carta é um pedido de socorro. Minha vida virou um inferno, corro o risco de ser trucidado. Milicianos invadiram meu domicílio no Parque dos Bilhares e tocaram o terror. Encoberto pelas árvores que ainda não foram cortadas, consegui fugir de lá para me esconder numa ocupação irregular no bairro Coroado, tudo isso a pé, porque não recadastrei no Sinetram o benefício de meia-passagem estudantil. Espero tua ajuda. (mais…)

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Grandes e pequenos. Por Julio Pompeu

Na Terapia Política

Havia um tempo em que se acreditava que das artes a política era a mais bela. Era arte porque não havia ciência do entendimento ou da liderança. Nem um certo ou errado quanto ao preparo do amanhã. Aprendia-se pelo exemplo de quem se tinha por grandioso por feitos extraordinários. Era a arte do tornar real o imaginário. Uma arquitetura de sonhos que exigia do arquiteto virtudes que tornassem seus sonhos os sonhos de todos.   (mais…)

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