Ricardo devasso. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

Ricardo é poeta por inteiro. De rima e vida. Escreve poemas eróticos. Às vezes, dos mais despudorados, lascivos, obscenos e todos os outros adjetivos que usamos para qualificar os prazeres do desejo. Apaixona-se frequentemente. Todos amores únicos e verdadeiros. Mas apesar da devassidão de sua vida e textos, na escolha das palavras é um puritano. Cada palavra é tratada com respeito. Cada uma é única porque naquela poesia só ela é capaz de fazer o que faz.

Ofendeu-se com Caio quando este afirmou que se lembrava de uma poesia de Ricardo com uma rima que repetia a palavra “catraca”, seria a onomatopeia do coito em um ônibus urbano. “Catraca, não. Jamais! Catraca não tem densidade poética.” (mais…)

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Os sonhos de Manaus: poesia e psicanálise. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

Os sonhos de Manaus fazem parte da criação poética de Aldisio Filgueiras em um dos tantos livros sobre a cidade onde nasceu, o mais recente deles “Manaus, como se diz, como se vê”, lançado no sábado (14) na Academia Amazonense de Letras. Sua leitura nos convida a refletir sobre a recuperação dos sonhos, tarefa da psicanálise, que envolve outras instâncias do saber, entre elas a poesia, segundo o médico psiquiatra amazonense Manoel Dias Galvão, que comprovou a voracidade dos sonhos na luta antimanicomial por ele travada. (mais…)

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Diários do Apocalipse. Por Sarah Aziza

Sob terror e escombros, humanidade e poesia. Crônica da guerra, por uma escritora palestina. A família confinada em Gaza. As bombas gritam, os telefones se calam. As mortes que não contam. Em meio ao terror de Israel, a Palestina viverá

Tradução de Antonio Martins, do The Baffler, no Outras Palavras

Acordo cedo, de maneira estranha, em 7 de outubro, sonolenta após uma noite que terminou tarde. Coloco a chaleira para ferver e ligo o rádio na BBC. Um momento depois, ouço um noticiário que começa com “Lutadores palestinos de Gaza cruzaram a fronteira para Israel…”. Viro na direção do som desencarnado. Estou acostumada a acordar com notícias de violência na Cisjordânia – pelo menos uma manhã a cada semana começa assim, com uma história de ataques de colonos ou outra incursão do exercito de Israel. Labib Dumaidi, um estudante universitário palestino de dezenove anos, foi baleado ontem durante outro pogrom em Huwara, na Cisjordânia. Mas este relato é algo diferente, e minha mente luta para compreender as palavras. Gaza? Como? (mais…)

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Vidas palestinas importam. Por Luis Felipe Miguel

A desumanização é fundamental para a ofensiva israelense. Serve para que a opinião pública internacional não se sensibilize com a tragédia do povo palestino

A Terra é Redonda

Na CPI do 8 de janeiro, a oposição quis emplacar a história de que o governo Lula tentou dar um golpe contra si mesmo. A imprensa, com razão, ridicularizou o estratagema. Mas quando Estados Unidos e Israel dizem que o hospital palestino foi bombardeado pelos próprios palestinos, essa narrativa logo é aceita como digna de atenção. (mais…)

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Professores negros e negras e sua resistência histórica. Por Ângelo Oliveira

Nesse Dia dos Professores quero dedicar minha homenagem a todas e
todos que estão nessa seara a partir do reconhecimento da luta histórica de
professoras e professores negras e negros que, historicamente, tiveram sua
condição de humanidade e, por consequência, sua intelectualidade negada. A
obra intitulada “Cor e Magistério”, organizada pela professora Iolanda de
Oliveira (2006), denuncia que,

“O lugar do professor universitário não é visto de forma natural como um lugar de negros. Esta é uma profissão que exige muito o uso da mente, do argumento, da inteligência, da reflexão. Estes, porém, são atributos do branco. O negro que galgou essa posição terá que viver em constante estado de alerta, como que a responder a todo tempo questões, mesmo não verbalmente, mas até através de gestos, atitudes e sentimentos como, forma de dizer: ‘olha, eu tenho o direito de continuar aqui’. Esses questionamentos vêm de várias direções: do pedagógico,
do administrativo, dos colegas e dos alunos.” (SANTOS, 2006, p. 173) (mais…)

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Faixa de Gaza: a fábrica de mortos em série. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

“Guerra é isso.
A gente volta de lá mais bicho do que gente”

 (Paulo de Mello Bastos. Tauã. 2003)

Sirenes costumam tocar para indicar o horário do início de mais um dia de trabalho nas fábricas e nos canteiros de obras. O apito alto e agudo chama os trabalhadores. O formigueiro humano se dirige à linha de montagem. Mas essa é uma indústria sinistra, uma fábrica de mortos em série da Faixa de Gaza, que usa corpos vivos de civis como matéria prima em sua linha de produção em massa. O produto final manufaturado são cadáveres, entre outros, de crianças e jovens inocentes. (mais…)

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Bombas. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

Bombas agem com indiferença. Matam e destroem o que está em seu raio de ação. É coisa de espaço. Métrica que delimita a área da morte provável. Não liga para a cor da pele, nacionalidade, religião, inclinação política ou quaisquer outras dessas besteiras que a gente inventa para dizer que gente não é tudo igual. Ela só explode e acaba-se.

Para quem morre, tanto faz se foi morto a tiro, explosão, susto ou raiva. Mas faz diferença para quem mata. Mortos são todos iguais em sua mórbida paralisia. Assassinos é que são diferentes em suas formas de matar. (mais…)

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