Fiocruz publica cartilha sobre acesso a cuidado em saúde mental em territórios vulnerabilizados

Mariana Moebus, AFN

A promoção da saúde mental de defensores e defensoras de direitos humanos tem se tornado um tema cada vez mais urgente diante das condições de vulnerabilidade e violência a que esses agentes estão expostos. Com o objetivo de fortalecer as redes de cuidado, o projeto Cuidar de Quem Cuida, uma iniciativa da Fiocruz, lançou uma cartilha que mapeia dispositivos de atenção psicossocial em seis territórios vulnerabilizados do Estado do Rio de Janeiro: Duque de Caxias, Mesquita, Campo Grande, Maré, São Gonçalo e Seropédica. (mais…)

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A falsa “síndrome pós-aborto” e o avanço das ofensivas contra os direitos reprodutivos no Brasil

Propostas legislativas em várias cidades do país utilizam conceitos sem respaldo científico para reforçar o estigma e restringir o acesso ao aborto legal

Gabi Juns, Lahara Carneiro e Letícia Vella*, Le Monde Diplomatique Brasil

Nos últimos meses, projetos de lei que evocam a chamada “síndrome pós-aborto” voltaram a surgir em diferentes câmaras municipais e assembleias legislativas do país. Embora tenha ganhado destaque recentemente em São Paulo, onde tramita o PL 69/2025, de autoria dos vereadores Sonaira Fernandes (PL), Rubinho Nunes (União) e Ely Teruel (MDB), iniciativas semelhantes vêm aparecendo em cidades como Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro – existem ainda proposições federais que tentam impor novos limites ou penalidades ao aborto legal. (mais…)

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A chacina como estratégia: A barbárie da extrema-direita e o jogo internacional

O massacre no Rio não foi um mero desvio de segurança, mas um cálculo político da extrema-direita para romper a ordem democrática e interromper a projeção global de um Brasil que se reconectava com o mundo sob a bandeira do diálogo e da justiça climática

Por Carlos R. S. Milani*, A Terra é Redonda

A chacina de 28 de outubro, a mais letal desde a redemocratização, evidenciou uma ruptura com o estado democrático de direito no Brasil e indicou o caminho que pretende trilhar a extrema-direita rumo às eleições de 2026. Internacionalmente, o massacre de criminosos, suspeitos e inocentes – qualificado de “operação de sucesso” pelo governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, e respaldado pelos governadores de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, entre outros – não apenas revelou uma faceta antidemocrática de parcelas importantes da política institucional, da sociedade e da mídia brasileira. Pesquisas de opinião apontam que aproximadamente 57% dos moradores do Rio apoiaram o método, muito embora boa parte não tenha mudado a percepção de insegurança e o sentimento de insatisfação com as políticas públicas nesse setor depois de 28 de outubro. Além disso, o massacre afetou profundamente a imagem do Brasil no exterior às vésperas da COP do clima a ser realizada em Belém, entre os dias 10 e 21 de novembro. (mais…)

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‘Ninguém sabe dizer onde está o corpo do meu irmão’: famílias sofrem com luto e desamparo após chacina no RJ

99 corpos foram identificados nesta sexta; famílias de pessoas consideradas desaparecidas seguem em busca de seus entes

Por Luiza Sansão, no Brasil de Fato

Misturada ao choro desesperado da certeza da morte — que fundia a dor profunda da perda com a angústia em meio à longa espera pela liberação de corpos já reconhecidos —, outra tensão se manifestava na porta do Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro, na manhã desta sexta-feira (31): a de familiares de pessoas ainda consideradas desaparecidas, que buscam pelos corpos de seus entes — uma espécie de autorização para viver o luto, que somente a certeza de “ver para crer” parece oferecer para quem, agora, já não tem mais esperança. (mais…)

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Entre a polícia e o tráfico, moradoras do Complexo da Penha ficam com os escombros

Operação mais letal do Brasil também atingiu a casa de moradores do Complexo da Penha que relatam terror e violações

Por Julia Sena, na Pública

Era terça-feira e o sol ainda não tinha saído quando Jéssica Pereira, 36, acordou assustada, antes do despertador tocar. Sua rotina, que começa às seis da manhã, foi interrompida pelo intenso barulho de tiros na comunidade. Rapidamente, o som estridente das balas que atravessava a rua se intensificou, fazendo com que ela e sua família corressem para outro cômodo da casa em busca de proteção. Quando estavam escondidos no banheiro, Jéssica ouviu uma conversa do lado de fora do imóvel ser interrompida por gritos que repetiam a mesma frase. “Ele levou um tiro! Ele levou um tiro!” (mais…)

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Jéssica Santos: “O dia que o Rio de Janeiro superou Gaza”

Newsletter da Ponte

É quinta-feira (30/10) e ainda estamos contando os corpos. Talvez, quando você estiver lendo este texto, ainda estejamos incluindo mortos no Massacre do Alemão e da Penha, como preferimos classificar a assim chamada “megaoperação” no Rio de Janeiro. Massacre, pois é necessário dar às coisas o nome que reflita a gravidade da situação. E o que aconteceu esta semana nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Estado, foi um massacre.

A tal Operação Contenção, do governo Cláudio Castro, foi tudo, menos contida. Dois mil e quinhentos homens entraram nos territórios como se invadissem um país inimigo à luz do dia. Tiros e ações violentas, tanto da polícia quanto do crime organizado com armamento pesado, marcaram uma ação que resultou em mais mortes do que o ataque israelense em Gaza, realizado no mesmo dia do massacre no Rio de Janeiro. A respeito de Gaza, o jornal britânico The Guardian classificou o episódio como “um dos mais sangrentos em dois anos de guerra”. Lá, 104 pessoas morreram e mais de 253 ficaram feridas. Aqui, nesta quinta-feira, às 12h44, já são 132 mortos contabilizados. (mais…)

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Conselho do Ministério Público impede órgão federal de fiscalizar chacina no RJ

Decisão do CNMP atende a pedido do MP-RJ e impede atuação de procuradores federais que cobravam transparência sobre operação com 121 mortos

Por Fábio Victor, da Folhapress, no ICLNotícias

A competência quanto à investigação da operação policial que deixou ao menos 121 mortos criou uma fissura entre o MPF (Ministério Público Federal), que buscou informações sobre os procedimentos adotados na ação, e Ministério Público do Rio de Janeiro, estadual, que conseguiu barrar a entrada do seu congênere federal no caso com o aval do Conselho Nacional do Ministério Público.

Em ofício expedido na terça-feira (28), dirigido ao governador Cláudio Castro (PL), o procurador regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) adjunto, Julio José de Araujo Junior, e o defensor regional dos Direitos Humanos, Thales Arcoverde Treiger, ambos do MPF, solicitaram detalhes sobre a Operação Contenção, deflagrada naquele dia, para combater o Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão. (mais…)

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