Se a Rússia foi banida de competições internacionais após invadir a Ucrânia, por que os EUA continuam impunes, desde o sequestro de Maduro? E como a FIFA homenageia Trump? Silêncio da entidade, e do Comitê Olímpico Internacional, não é mero lapso
Por Wellington Araújo Silva*, em Outras Palavras
Introdução
O banimento da Rússia das competições esportivas internacionais, promovido pela Federação Internacional de Futebol (FIFA) e pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) após o início da guerra na Ucrânia, foi apresentado como uma medida ética, civilizatória e em defesa da paz mundial. Em nome da “neutralidade política” e da “proteção dos valores universais do esporte”, atletas, seleções e delegações russas passaram a ser impedidas de participar oficialmente de eventos esportivos globais. Contudo, quando se observa o comportamento dessas mesmas instituições diante de ações belicosas, intervencionistas e flagrantemente violadoras do direito internacional por parte dos Estados Unidos — incluindo golpes de Estado, invasões militares, bloqueios econômicos e, mais recentemente, o sequestro de um chefe de Estado estrangeiro — se expressa uma contradição estrutural: a neutralidade esportiva é, na prática, seletiva, ideológica e funcional à ordem imperial vigente, atendendo aos interesses do capital internacional. (mais…)
