Trump usa a agressão contra a Venezuela para ameaçar os governos das Américas que não se submetem aos EUA

Donald Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, ameaçaram diretamente Cuba, Colômbia e México após atacarem ilegalmente a Venezuela e derrubarem seu presidente.

por Francesca Cicardi, Camilo Sánchez e Mercedes López San Miguel, em El Diario / IHU

Qualquer governo que se oponha aos Estados Unidos ou seja considerado hostil pela administração Trump estará preocupado neste momento. Washington está de olho em alguns deles e, após o ataque ilegal de Washington à Venezuela e o sequestro de Maduro, as ameaças se intensificaram contra alguns dos vizinhos da região — e outros mais distantes, como a Dinamarca. (mais…)

Ler Mais

“O mundo está em processo de autodestruição”. Entrevista com Manuel Castells

O intelectual catalão, que é o sociólogo de língua espanhola mais citado no mundo, defende a necessidade de uma maior espiritualidade em tempos de profunda crise

IHU

Manuel Castells (Hellín, Albacete, 1942) afirma que a história contemporânea está repleta de paradoxos, algo que condiz com alguém de temperamento vital e que busca conciliar suas próprias contradições. Ele é um intelectual — o sociólogo espanhol mais citado no mundo — mas esteve nas barricadas de Maio de 68 na França. É anarquista de coração, mas foi ministro das Universidades. Dedicou sua grande obra, A Era da Informação, uma trilogia visionária que em breve completará 30 anos, à internet, mas não utiliza redes sociais. Desconfia das estruturas de poder, mas é católico. (mais…)

Ler Mais

O mundo depois dos EUA em Caracas? Sobre “soberania”, força e o colapso das regras internacionais. Por Sérgio Botton Barcellos

A operação militar conduzida pelos Estados Unidos contra a Venezuela, na madrugada de 3 de janeiro de 2026, ultrapassou em muito os limites de uma intervenção regional. Ela se impôs como um ponto de inflexão da geopolítica global na atualidade, devendo ser compreendida não como um episódio isolado, mas como o primeiro teste concreto da chamada “ordem mundial multipolar”. O sequestro do presidente Nicolás Maduro, sob o pretexto de “combate ao narcoterrorismo”, representou a aplicação prática de uma nova e agressiva doutrina de segurança norte-americana para o Hemisfério Ocidental. Trata-se de um marco que redesenha não apenas o equilíbrio regional na América Latina, mas os próprios limites da soberania, do direito internacional e da autonomia latino-americana. (mais…)

Ler Mais

O sequestro de Maduro e a terceira onda colonial. Por Vladimir Safatle

Por Vladimir Safatle*, em A Terra é Redonda

O colonialismo 3.0 não disfarça mais: suas razões são a pilhagem, e sua lógica, a força bruta. Resta-nos responder com a clareza de quem sabe que a próxima fronteira do império é nosso próprio quintal

1.

Entre 1884 e 1885, as principais potências ocidentais se reuniram em Berlim para decidir como elas partilhariam o território africano entre si. O evento foi conhecido como “Conferência do Congo”. Não faltaram discursos edificantes sobre tirar tais países da servidão, do atraso, a fim de trazer o progresso e a liberdade. O resultado final foi a consolidação de uma segunda fase do processo colonial europeu, que durou até os anos setenta do século passado, quando as coloniais portuguesas na África, as últimas pertencentes a uma potência europeia, enfim se libertaram. Durante esse quase um século, os africanos e asiáticos conheceram bem o que o “progresso e a liberdade” europeus efetivamente significavam. Saque de suas riquezas, genocídios, massacres administrativos, humilhação colonial. Nada muito diferente do que eles haviam feito séculos antes nas Américas, neste momento em que, pela primeira vez, o direito europeu se impôs como direito global. (mais…)

Ler Mais

Venezuela: por que os EUA podem fracassar. Por Pedro Paulo Zahluth Bastos

O sequestro de Maduro reduz, mas não elimina a força do chavismo na Venezuela. Tampouco resolve o declínio hegemônico dos Estados Unidos. E Washington não é capaz de oferecer oportunidades de desenvolvimento que compitam com a alternativa chinesa

Por Pedro Paulo Zahluth Bastos, em Outras Palavras

1. A crônica de um ataque anunciado

A intervenção militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, culminando no sequestro de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, vem sendo preparada há muito tempo. Em artigo publicado na Carta Capital em fevereiro de 2019, intitulado “Donald Trump, o fim do globalismo e a crise na Venezuela”, argumentei que o então presidente revelava com franqueza inédita os verdadeiros objetivos do imperialismo estadunidense: não a defesa da democracia ou dos direitos humanos, nem o respeito (seletivo) de tratados internacionais pautados na ideologia liberal, mas o controle sobre recursos com valor estratégico e econômico. Já naquele momento, Trump criticava abertamente seus antecessores por não terem “tomado o petróleo” da Venezuela ou do Iraque, ou as terras raras do Afeganistão, explicitando uma lógica predatória que o discurso liberal tradicionalmente dissimulava. (mais…)

Ler Mais

Petróleo e poder: Trump e Rubio querem interferir em toda América Latina, diz pesquisador

Além do lucro com petróleo, EUA miram países cujos líderes não sejam subservientes, diz pesquisador

Por Bruno Fonseca | Edição: Marina Amaral, em Agência Pública

Petróleo ou poder? Esses dois aspectos ficaram evidentes na fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando tentou justificar o ataque ilegal à Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro durante o pronunciamento de quase uma hora feito no sábado, 3 de janeiro, na Flórida. (mais…)

Ler Mais

Celso de Mello explica a ilegalidade do sequestro de Maduro

Ex-presidente do STF explica as implicações do ato conduzido por Donald Trump na Venezuela e faz um alerta sobre o impacto no direito internacional

ICL Notícias

Neste fim de semana, recebi do ex-presidente do STF, Celso de Mello, uma explicação profunda e detalhada da violação que representou o que ele mesmo chamou de “o sequestro internacional de Maduro e sua esposa pelos EUA”. (mais…)

Ler Mais