UE-Mercosul: colapso de um acordo colonial

Resquício de uma globalização sem limites, ele abria a Europa ao agronegócio brasileiro, mas bloqueava a indústria e a tecnologia nacionais. Naufragará graças à crise agrícola no Velho Continente. Seu fracasso pode ensinar algo ao governo

por Antonio Martins, em Outras Palavras

Como não comemorar quando o adversário faz, ao final do jogo, um gol contra – e nos poupa de uma derrota devastadora? Nesta quinta-feira (1º/2), em Bruxelas tomada por manifestações de agricultores, o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou o que já se esperava. A Comissão Europeia (UE) decidiu suspender as negociações de um acordo de “livre” comércio com o Mercosul. O compromisso era dado, dias antes, como favas contadas. Uma delegação da UE, presente ao Brasil, já negociava seus detalhes finais. E há poucos dias, uma reunião de chanceles do bloco sulamericano, em Assunção, definiu-o como prioridade máxima. Tudo foi frustrado porque a crise da agricultura europeia gerou protestos crescentes e radicalizados, e obrigou os governos a contrariar os interesses das grandes corporações, que seriam as beneficiárias do acordo. (mais…)

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A Intransparência Internacional. Por Flavio Aguiar

Exame da organização que rebaixou o Brasil no “Índice Internacional de Corrupção” revela: suas avaliações acobertam fraudes do setor privado. Além disso, ela recebeu “doações” de empresas suspeitas e foi grande entusiasta da Lava Jato…

Em Outras Palavras

O incompreensível rebaixamento do Brasil no Índex Anti-Corrupção da ONG Transparência Internacional despertou uma série de críticas sobre sua Seção Brasil, com suas antepassadas ligações suspeitas com as atividades indecorosas da Operação Lava Jato e seus projetados lucros financeiros para formar uma Fundação a partir de iniciativas do ex-procurador Deltan Dallagnol. (mais…)

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A guerra insana e seus demônios. Por Tarso Genro 

O conflito entre o Estado de Israel e a Comunidade Palestina tem seus pressupostos econômicos relacionados com a expansão capitalista dos últimos 200 anos

Em A Terra é Redonda

O apocalipse de São João, considerado o fundador do milenarismo cristão, vê um anjo descer do céu com a chave de um abismo e uma grande corrente. Aí, assevera João, o anjo agarra Satanás e joga-o no abismo, para que ele, por mil anos, “não seduza mais as nações.” João assim estabelece uma garantia temporal mística de “mil anos” para a paz entre as nações, criando um “pressuposto” que é, também, uma condição argumentativa para projetar um bom futuro com o encarceramento do demônio. Se a Profecia de São João estivesse certa, a intervenção do Humano – nas supostas fatalidades mecânicas da História – seria absurdamente desprezível. E sempre fracassada. Quando Netanyahu coloca como argumento central, aos adversários da sua política de crimes de guerra, que aqueles querem proibir Israel de se defender, ele cria uma distância cada vez maior entre ele e o campo democrático, em todo o mundo, porque mente: os que pedem o cessar fogo, as negociações de Paz e o diálogo na região, não querem impedir Israel de se defender, querem que ele pare com o massacre da população de Gaza, condenando – de forma concomitante – à morte, tanto os integrantes do Hamas, como a sua população civil. Mulheres, velhos, crianças, jovens vão sendo assassinados todos os dias, bombardeados impiedosamente! Os resultados das suas ações militares já não são “neutros”, dentro de uma estratégia de defesa, mas são partes de uma estratégia pré-concebida de extinção do povo palestino, como eterno inimigo objetivo. São inimigos porque existem! (mais…)

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Jornalistas palestinos são os olhos do mundo sobre massacre em Gaza

Sob risco de morte, eles furam bloqueio da imprensa dominante e mostram o genocídio cometido pelo governo de Israel com a cumplicidade dos Estados Unidos.

por Sueli Scutti, Vermelho

Suas armas de longo alcance são câmeras de vídeo, máquinas fotográficas, telefones celulares, microfones, palavras e o olhar apurado e sensível, que registram em tempo real o genocídio cometido pelo sionismo israelense e seus cúmplices contra o povo palestino. Com essas armas poderosas, os jornalistas palestinos enfrentam bombas, tanques e mísseis e conseguem mostrar ao mundo o massacre em curso em sua pátria. (mais…)

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Denúncia de genocídio contra Israel é reação do Sul Global a Gaza, diz professor

Danny Zahreddine, da PUC Minas, avalia que ação da África do Sul, apoiada por Brasil, é uma forma de constranger Israel

Por Rafael Oliveira | Edição: Bruno Fonseca, em Agência Pública

Passados pouco mais de 100 dias desde que o Hamas realizou ataques terroristas em Israel, em 7 de outubro, a escalada do conflito na região persiste, sem perspectiva de encerramento. A intensidade da resposta israelense — que bombardeou Gaza e invadiu a região por terra —, respaldada especialmente pelos Estados Unidos, tem gerado críticas e reações na comunidade internacional. A mais estridente delas partiu da África do Sul, que nos últimos dias de 2023 protocolou uma denúncia na Corte Internacional de Justiça (CIJ), acusando o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de estar perpetrando um genocídio contra os palestinos da Faixa de Gaza. (mais…)

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Chamada para submissões no dossiê: “Palestina no contexto do colonialismo”

USP

Nos últimos 100 dias, o mundo observa um “genocídio televisionado”, transmitido ao vivo pelas suas próprias vítimas. O debate público – bem como as ruas – estão tomadas por manifestações de solidariedade, posicionamentos críticos à hubris colonialista, bem como denúncias contra o apoio irrestrito de potências ocidentais como Estados Unidos da América, e, mais recentemente, o caso apresentado pela África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça, em Haia. (mais…)

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Dowbor: Crônica de uma angústia planetária

O caos social, climático e econômico que vivemos não se traduz em estatísticas: são dramas terríveis que podiam ser evitados. Sabemos o que precisa ser feito e há recursos suficientes… mas seguimos como expectadores, submetidos a estúpidos bilionários

Por Ladislau Dowbor no Meer | Tradução: Maurício Ayer, em Outras Palavras

Uma visão geral dos nossos problemas, como humanidade, não é um exercício surrealista. Tanto progresso tecnológico, mas tanta violência e destruição, tanto sofrimento. E tantas narrativas sobre quem são os bons e quem são os maus. De que lado você está? A única certeza é que sou corintiano. O resto virou um caos.
(Ladislau Dowbor)

Trocamos a mão invisível do mercado que funciona bem, de Adam Smith, pelo punho invisível do poder monopolista.
(Nicholas Shaxson – The Finance Curse [A Maldição das Finanças])

Yet let’s be content, and the times lament, You see the world turn’d upside down.
[No entanto, vamos nos contentar, e os tempos lamentam, Você vê o mundo virado de cabeça para baixo.]
(Balada do século XVII) (mais…)

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