A América Latina vê a Venezuela no espelho

Quais os próximos passos (e dilemas) da resistência bolivariana? Caracas ficará sozinha frente ao acosso dos EUA? Como enfrentar o projeto trumpista de recolonização da região? Seria possível construir uma cooperação entre países latino-americanos que garanta paz e soberania?

Por Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Na coletiva em Mar-a-Lago, na Flórida, Donald Trump colheu os louros do ataque do Exército “mais forte e feroz do planeta” à Venezuela — ataque que incluiu o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, tratado por ele como sinônimo da derrubada do governo bolivariano. Sem qualquer constrangimento, desmontou a própria narrativa que ajudara a construir para justificar o crime internacional: o suposto “combate ao narcoterrorismo”, expediente que lhe permitiu agredir arbitrariamente outro país sem aval do Congresso. O objetivo real, deixou claro, é a pilhagem do petróleo venezuelano — tanto que ações da ExxonMobil e da Chevron dispararam! (mais…)

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O lobista do petróleo

Boletim Venezuela em Foco #3

Da Página do MST

​​Qualquer análise sobre o atentado do último 3 de janeiro contra a Venezuela que ignore o apetite histórico dos Estados Unidos pelo petróleo do país simplesmente não se sustenta. É como fechar os olhos para o óbvio, já que por trás da retórica agressiva e do desprezo explícito pelo povo venezuelano — a quem Trump chegou a se referir como o povo mais feio do mundo — está a velha obsessão do país imperialista pelo controle do petróleo. (mais…)

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A Humilhação como Método. Por Eugênio Bucci

A humilhação espetacular não é mero efeito colateral, mas o núcleo da nova política externa: onde a força se encena para anular a soberania alheia, transformando a realidade em um palco de dominação sem roteiro

Em A Terra é Redonda

A captura – ou rapto, ou sequestro – de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, na madrugada de sábado, foi amplamente analisada e comentada na imprensa. Só ficou faltando um pedaço. Além das razões geopolíticas (que levam a Casa Branca a tentar expulsar as influências russas e chinesas do mar do Caribe e da América do Sul), além das pressões exercidas sobre o presidente pela indústria petrolífera norte-americana (que quer beber o óleo extra pesado das águas venezuelanas) e além da ameaça de perda de popularidade interna (que o governo imagina conseguir desviar com agressividade bélica em plagas estrangeiras), há um quarto fator a se levar em conta. (mais…)

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Venezuela: o Império ameaça; e está nu. Por Antonio Martins

Ao sequestrar Maduro e escancarar o projeto de submissão da América Latina, Trump revela força e fraqueza. EUA expõem sua condição de opressores. Agora é prioritário afastar sua enorme influência, em particular no Brasil. Há caminhos para isso

Em Outras Palavras

A Venezuela não é para principiantes. No último sábado (3/1), um ataque militar maciço dos Estados Unidos, que concentram no Caribe a maior força naval agressora já reunida nas Américas, sequestrou Nicolás Maduro e decapitou o governo do país. Desde então, Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, têm multiplicado ameaças. Falaram num “segundo ataque”. Alardearam que “qualquer integrante do governo ou das forças armadas” pode sofrer o mesmo que impuseram a Maduro. Acrescentaram que Delcy Rodriguez, a vice-presidente agora em exercício, pode defrontar-se com “algo pior”. Na vociferação mais recente, o próprio Trump “assegurou” num post em rede social, em 6/1, que Washington exigirá de Caracas de 30 a 50 milhões de barris de petróleo (dois meses de produção), cuja receita seria administrada por ele em pessoa… (mais…)

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Na partilha do mundo, ou você está sentado à mesa, ou é o menu

Lições do ataque militar dos EUA à Venezuela para o Brasil: caso o Brasil não se sente à mesa, com seus vizinhos, seremos o menu do jantar das potências, onde a regra é a força

Por Ana Penido, do Brasil de Fato, em MST

A guerra sempre trouxe uma névoa de desinformação, uma ansiosa busca por respostas e por culpados. Com a revolução das comunicações, essa característica deixou de ser um efeito colateral e tornou-se fundamental taticamente. Por isso, antes de ler o texto, recomendo não perder de vista o que é central e factual: os EUA bombardearam um país vizinho sul-americano, incluindo alvos civis, sequestraram seu presidente, Nicolás Maduro, e sua esposa, a também militante política Cília Flores. O fato terá impactos em toda a América Latina e, em menor medida, no mundo. (mais…)

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O momento é de ruptura dialética da historicidade social: “um eclipse total da lua”. Entrevista especial com José de Souza Martins

Para o sociólogo, vivemos tempos de anomalia. A sociedade pós-moderna “esfacelou as identidades sociais” e está difícil “ter uma percepção clara e objetiva do que está acontecendo”

Por: Patricia Fachin, em IHU

A imagem que melhor ilustra a atual fase histórica do mundo é “um eclipse total da lua”. É a ela que o sociólogo José de Souza Martins recorre para dizer que “estamos vivendo um momento de ruptura dialética da historicidade social”. E mais do que isso: “estamos envolvidos num fazer história que não sabemos que história é”, alerta. “Não está acontecendo o que supúnhamos que aconteceria”, reitera, fazendo referência às tendências sociológicas elaboradas nos últimos 80 anos. (mais…)

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