Plano Safra: Lula entre a reforma agrária e o “agro”

Governo tenta conciliar o apoio à agricultura familiar e benesses recordes aos ruralistas. Mas latifúndios expandem-se e engolem terras de pequenos produtores. Na Amazônia, políticas distorcidas afetam também floresta e povos tradicionais através do incentivo às “zonas de sacrifício”

Por Ismael Machado, na Amazônia Real

O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trouxe à tona uma antiga contradição de seus governos: o esforço para equilibrar o apoio ao agronegócio e o incentivo à agricultura familiar e à reforma agrária, bandeiras históricas de movimentos sociais como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e entidades como a Fetagri. Lula visitaria o Assentamento Palmares e o Acampamento Terra e Liberdade, em Parauapebas, no Pará, no dia 25 de abril. Seria um evento em compromisso com a Reforma Agrária durante o Abril Vermelho, mês que marca os 29 anos do Massacre de Eldorado do Carajás. No entanto, a agenda foi suspensa após o falecimento do Papa Francisco, já que Lula e a primeira-dama, Janja, viajaram a Roma para o funeral. O MST-PA informou que nova data seria agendada. (mais…)

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Balanço da tragédia no RS, um ano depois

São 2,3 milhões de atingidos. A maioria, empobrecidos. Terras de indígenas flagelados foram invadidas. O impacto sobre os não-humanos ainda é pouco falado. Mas negacionismo sofreu derrota: hoje, 70% da população acredita que a tragédia foi fruto da crise climática

por Paula Gi Larruscahim, Karine Agatha França e Marília Budó, em Outras Palavras

27 de abril de 2024 – o estado do Rio Grande do Sul, localizado ao extremo sul do Brasil, fazendo fronteira com Argentina e Uruguai, foi invadido por uma forte onda de chuvas. A primeira região afetada foi a de Santa Cruz do Sul, localizada no Vale do Taquari, já fortemente afetada por eventos climáticos em 2023. Aquilo que parecia um evento recorrente daquela região foi se alastrando por todo o estado. No dia 29 de abril, a chuva ganhou força e alagamentos, enxurradas e inundações passaram a afetar praticamente todo o estado, chegando à capital, Porto Alegre. Em seis dias foi registrada uma média de 500 a 700 mm de chuvas. Em algumas regiões, esses poucos dias acumularam 1.000 mm de chuva, o que corresponde a cerca de 30% do esperado para um ano inteiro. No dia 1º de maio já havia mais de 100 municípios atingidos. As inundações afetaram pelo menos 298 municípios, o que representa mais de 90% do estado e uma área equivalente à do Reino Unido, desalojando 581.638 pessoas e causando 179 mortes. (mais…)

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Violência no campo se intensifica em áreas de expansão do agronegócio

AMACRO e MATOPIBA estão no foco dos conflitos por terra e números não cederam significamente após início do governo Lula

ClimaInfo

O avanço das fronteiras do agronegócio na Amazônia e no Cerrado continuam ditando a violência praticada no campo no Brasil, apontou o relatório anual Conflitos no Campo Brasil 2024, do Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno (CPT), divulgado nesta 4a feira (23/4). (mais…)

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Vigia Mais MT: Ataque no Dia da Mulher expõe falha de sistema de vigilância estadual

Solução contra crimes anunciada pelo governador Mauro Mendes, Vigia Mais MT não identificou agressores em reduto do agro

Por Caio de Freitas | Edição: Ed Wanderley, Agência Pública

Desde 2022, o governo de Mato Grosso divulga como um caso de sucesso no combate ao crime o sistema Vigia Mais MT, que, criado pela gestão Mauro Mendes (União), lhe permite fazer um monitoramento massivo da população. Ocorrido à luz do dia numa das principais vias de Sinop (MT), a 500 km de Cuiabá, em um dos pontos monitorados por meio do sistema de vigilância do governo, um ataque a bomba contra crianças, idosos e mulheres no Dia Internacional da Mulher segue sem solução, nem identificação dos autores. Apesar de não ter deixado feridos graves, o ataque foi carregado de simbolismo e põe em dúvida a efetividade do sistema alardeado pelo governo estadual como “referência para outros estados da Amazônia Legal”. (mais…)

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Especialistas apontam falhas em estudos da Ferrogrão e alertam para riscos e impactos a povos tradicionais

Terra de Direitos

O projeto da ferrovia EF – 170, conhecida como Ferrogrão, ganhou mais um capítulo. Especialistas lançaram nesta quinta-feira (20), na Universidade Federal do Oeste do Pará, em Santarém, estudo técnico independente que aponta as inconsistências e os altos riscos de impactos socioambientais da construção da linha férrea que prevê criar um corredor logístico para escoamento da produção graneleira de Sinop (MT) até os portos em Miritituba (PA). Coordenado pelo Grupo de Trabalho Infraestrutura e Justiça Socioambiental (GT Infra), o parecer técnico contou com diversos especialistas, entre eles as assessoras jurídicas da Terra de Direitos, Suzany Brasil e Bruna Balbi. (mais…)

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“Se a gente quer construir territórios livres de transgênicos e agrotóxicos, nós também queremos territórios livres de violência contra as mulheres”. Entrevista com Miriam Nobre

Cátia Guimarães, EPSJV/Fiocruz

Violência, dupla jornada, desvalorização do trabalho, falta de acesso a políticas de apoio ao cuidado, silenciamentos. A esses problemas, que afetam a maioria das mulheres, acrescentem-se dificuldades extras, como a disputa pela terra, a exposição à contaminação por venenos e a exclusão dos padrões de beleza impostos pela sociedade patriarcal: eis um retrato mais completo das condições de opressão que atingem as mulheres camponesas no Brasil. A resposta a esse cenário vem sendo produzida com uma crescente organização coletiva, que há décadas tem conquistado espaço no interior dos movimentos sociais rurais e incidido sobre as formas de vida no campo e sobre as políticas públicas. Nesta entrevista, a engenheira agrônoma Miriam Nobre, militante da Sempreviva Organização Feminista (SOF) e da Marcha Mundial das Mulheres e integrante do Grupo de Trabalho de Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), dá exemplos de reflexões e pautas que têm orientado a concepção de um “feminismo camponês popular”, destaca a luta das mulheres para terem seus conhecimentos e suas práticas de agricultoras reconhecidas e fala sobre a relação das mulheres com a agroecologia. (mais…)

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Ontologias amazônicas: 8 mil anos de história das sociedades contra o Estado. Entrevista especial com Eduardo Góes Neves

Trabalho arqueológico do professor e pesquisador contabiliza uma trajetória de mais de três décadas reunindo artefatos e evidências científicas para contar a história dos povos amazônicos

Por: Baleia Comunicação | IHU

A anedota popular ensina que a única coisa que muda o tempo todo é o passado. E como a história está sempre por ser contada, nada melhor que olhar as evidências pretéritas para compreendermos o nosso presente. Isso passa por recolocar os conceitos em seus devidos lugares. Por exemplo, a antinomia selvagem e civilizado, para ficar em expressões descritivas coloniais sobre os povos nativos do Brasil, já vem de longe sendo reconfigurada. Quando se reúne a etnologia castreana, de que sociedades sem Estado podem ser altamente sofisticadas, com estudos e artefatos arqueológicos de grande envergadura na Amazônia brasileira, percebemos que nossa história tem par, por exemplo, com a Antiguidade ocidental. (mais…)

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