Patricia Collins: “Os EUA têm instituições democráticas, mas não têm uma democracia”

Autora de ‘Pensamento Feminista Negro’ vê como positivo o aumento da representação dos negros na mídia mas enfatiza que isso não substitui a representação política

Por Rute Pina, em Agência Pública

A socióloga e ativista estadunidense Patricia Hill Collins cita produções cinematográficas recentes, como o filme Pantera Negra e a obra da cineasta Ava DuVernay, para afirmar que estamos na “era de ouro” da representação das mulheres negras na mídia. Ao mesmo tempo, ela faz um alerta: a representatividade pode ser sedutora, mas é não suficiente se não vier acompanhada da participação política.

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O fracasso da diplomacia da submissão do governo Bolsonaro

Ao vetar o Brasil na OCDE, Trump trata Jair Bolsonaro com um subalterno inconveniente

por Sergio Lirio, em CartaCapital

Não foi por falta de aviso. Diplomatas experientes alertaram que na geopolítica é um erro de principiante ceder à vontade de um parceiro comercial e político sem garantir contrapartidas. As maiores vitórias da política externa brasileira se deram quando o País foi altivo e praticou certa independência e não nos períodos em que se comportou como uma colônia. O exemplo mais notório são as conquistas de Getúlio Vargas, entre elas a Companhia Siderúrgica Nacional, negociadas com Franklin D. Roosevelt em troca do apoio do Brasil na Segunda Guerra.

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O Marxismo Cultural e a paranoia americana

Décadas de medo: para a direita dos EUA, os sindicatos e artista e, mais tarde, feministas, LGBTs, negros e ambientalistas, são parte da Conspiração de Marx para destruir a família cristã. Discurso de Bolsonaro é um requentado desta época

por Iná Camargo Costa*, em Outras Palavras

II

O fantasma do marxismo cultural, já com este nome, teve uma segunda encarnação nos Estados Unidos do início dos anos de 1990, coincidindo com a publicação de estudos críticos e denúncias sobre as ações americanas de contrainsurgência – ou combate a comunistas – principalmente na América Central[1], e em especial na Colômbia. Mas sua pré-história é análoga à alemã e também remonta ao período que se seguiu à Revolução de Outubro de 1917. Como já tratamos deste episódio em outro lugar[2], aqui nos limitaremos a referir a lei que deu início à perseguição de militantes de esquerda, o Espionage Act, aprovado em 1917, assim que os Estados Unidos decidiram participar da rapina da Primeira Guerra Mundial (e enviar tropas para combater a revolução soviética). Esta lei marca o início daquilo que ficou conhecido como o primeiro red scare[3]. Em 1918, por exemplo, foi aprovada uma nova lei, o Smith Act, que autorizava todo tipo de violências contra as organizações dos trabalhadores e, sob as ordens do Procurador Geral da República, um certo Palmer, foram realizadas batidas (que ficaram conhecidas como Palmer Raids), prisões, deportações etc… A literatura a respeito deste primeiro red scare dá o ano de 1921 como o do seu encerramento oficial, mas um fato histórico muito posterior – a execução de Sacco e Vanzetti no dia 23 de agosto de 1927 – é o verdadeiro ponto final desta campanha.

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Equador: insurreição contra o pacote neoliberal

Presidente que traiu o mandato, para somar-se aos EUA e FMI, foge da capital para Guayaquil. Dezenas de milhares de indígenas chegam a Quito. Nas ruas, população enfrenta Estado de Emergência e centenas de prisões

Por Antonio Martins, em Outras Palavras

Os protestos da população do Equador, contra um pacote de medidas neoliberais imposto pelo governo e FMI, assumiram caráter semi-insurrecional nesta segunda-feira (7/10). Em Quito, multidões continuaram desafiando o Estado de Emergência e a prisão de mais de 500 pessoas. A greve geral nos transportes prosseguiu. Além disso, centenas de vias continuam interrompidas, há protesto permanente nas ruas e houve tentativa de tomar a sede do Legislativo. A revolta tomou as ruas das principais cidades do país desde quinta-feira (2/10), quando o Executivo anunciou um vasto leque de ações. O aumento (de 123%) preço dos combustíveis, com a retirada de subsídios, é apenas a mais vistosa delas. O pacote inclui uma contrarreforma trabalhista (bastante semelhante à vivida pelo Brasil em 2018), privatizações generalizadas e cortes dos gastos sociais.

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O complexo nuclear e a manutenção da pobreza no Sertão de Itaparica. Entrevista especial com José Junior Karajá

Por: João Paulo do Vale de Medeiros, em IHU On-Line

A proposta do governo federal de ampliar a produção de energia no país a partir da construção de um complexo nuclear de seis reatores no município de Itacuruba, no Sertão de Itaparica, em Pernambuco, está “trazendo de volta o fantasma de mais uma desterritorialização” na região habitada por  indígenasquilombolas e povos tradicionais, diz José Junior Karajá, geógrafo e assessor do Conselho Indigenista Missionário da Região Nordeste – Cimi/NE à IHU On-Line. Segundo ele, “com a expansão do capital na segunda metade do século passado, as populações tradicionais que resistiram neste Sertão passaram a ser ameaçadas e despejadas de seus territórios para dar lugar à produção de energiaagricultura irrigada em larga escala e exploração mineral. O município de Itacuruba teve parte de seu território reduzido, e sua sede inundada e reconstruída na caatinga, na década de 80, devido à implantação da Usina Hidrelétrica de Itaparica e formação do lago que alimenta suas turbinas”. Se a nova planta de energia nuclear for construída, informa, as comunidades “estarão enquadradas nas chamadas Zonas de Planejamento de Emergência – ZPE, que são áreas vizinhas aos reatores, delimitadas por raios de 3 km, 5 km, 10 km e 15 km, a partir do edifício do reator”.

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EUA | Deputado discursa contra base de Alcântara: “Desumaniza as pessoas nativas”

Democrata critica acordo entre Trump e Bolsonaro afirmando que ele “removerá mais de 800 famílias de quilombolas”

por Igor Carvalho, em Brasil de Fato

O deputado Hank Johnson usou a tribuna do Congresso dos Estados Unidos para criticar o acordo entre Brasil e EUA que prevê o uso da Base da Alcântara, no Maranhão, pelos estadunidenses para lançamento de foguetes e satélites. O discurso ocorreu na última sexta-feira (27).

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Quilombolas de Alcântara (MA) entregam carta a Congresso americano para barrar acordo aeroespacial entre Brasil e EUA

Documento denuncia as violações de direitos humanos que ameaçam 800 famílias quilombolas se Acordo de Salvaguarda Tecnológica – AST entrar em vigor. No dia 5/9, Câmara dos Deputados brasileira aprovou urgência para encaminhar Acordo.

por Plataforma Dhesca Brasil / CPT

Um acordo entre os governos de Donald Trump e Jair Bolsonaro pode expulsar centenas de famílias quilombolas de suas terras. Na sexta-feira (13), quilombolas de Alcântara entregaram uma carta ao Congresso americano denunciando o acordo aeroespacial entre Brasil e Estados Unidos, que viola direitos das comunidades garantidos pela Constituição Brasileira e também por tratados internacionais.

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Pressa do Brasil em entregar Base de Alcântara esbarra em uma fraude

Para a oposição, a política externa brasileira se tornou um instrumento de subordinação do Brasil aos EUA

por André Barrocal, em CartaCapital

Jair Bolsonaro e Donald Trump estarão juntos dia 24 na Assembleia Geral anual das Nações Unidas, em Nova York. Por tradição, cabe ao presidente brasileiro (qualquer um) o discurso inaugural e ao americano (idem), o segundo. “Vai ser a pior abertura de uma assembleia da ONU da história”, diz, com melancolia e ironia, um diplomata daqui. Será que até lá Bolsonaro conseguirá liquidar, ao menos entre os deputados, a aprovação de um presente para Trump? Aquele acordo assinado na sua visita à Casa Branca, em março, de aluguel da Base Militar de Alcântara, no Maranhão, para o Tio Sam lançar foguetes e botar satélites no espaço? Um que jogará areia na relação entre o Brasil e a arqui-inimiga de Trump, a China, no setor espacial?

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Petróleo, guerra e corrupção: entender Curitiba

No mundo mafioso dos combustíveis fósseis, uma hipótese: as corporações que subornavam executivos da Petrobras notificaram Washington. E os EUA acionaram juízes e procuradores “aliados”, quando o pré-sal atiçou sua cobiça

por José Luís Fiori e William Nozaki, em Outras Palavras

Os norte-americanos costumam festejar as duas grandes gerações que marcaram sua história de forma definitiva: a geração dos seus founding fathers, responsável pela criação do seu sistema político, na segunda metade do século XVIII; e a geração dos seus robber barons, responsável pela criação do seu capitalismo monopolista, na segunda metade do século XIX. Dentro da geração dos “barões ladrões”, destaca-se a figura maior de John D. Rockefeller, que ficou associada de forma definitiva ao petróleo e à criação da Standard Oil Company, a primeira das “Sete Irmãs” que controlaram o mercado mundial do petróleo até o final da II Guerra Mundial, e ainda ocupam lugar de destaque entre as 15 maiores empresas capitalistas do mundo.

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Zizek: por que os EUA podem guinar à esquerda

Nos preparativos para eleições cruciais de 2020, são os Socialistas Democráticos que desafiam Trump. Para fazê-lo propõem redistribuir riquezas, ampliar serviços públicos e nova articulação entre feminismo, antirracismo e justiça social

Por Slavoj Zizek | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Nos Estados Unidos, muitos dos chamados membros “moderados” do Partido Democrata preferem que Donald Trump mantenha a presidência, a uma vitória de Bernie Sanders ou de outro autêntico partidário de posições à esquerda. Neste sentido, são espelhos dos republicanos ligados ao establishment — como George W. Bush e Colin Powell –, que expressaram publicamente seu apoio a Hillary Clinton, nas eleições de 2016.

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