George Floyd: esse não é só um caso policial

Nos EUA, “forças da lei” flagelam três vezes mais os negros. Porém, há algo mais profundo: um país com instituições carcomidas pelo racismo. Página da escravidão nunca foi virada — e ruas pedem o reconhecimento dessa dívida

por Alexandre Pereira Rocha, em Outras Palavras

A cidade americana de Minneapolis arde em chamas e protestos depois da morte de George Floyd, no âmbito de intervenção policial. Um vídeo gravado por pessoas que presenciaram a ação policial demonstra a execução dele. Os policiais envolvidos na operação foram demitidos e as autoridades pediram suas tradicionais desculpas. Não adiantou. A frieza com a qual o policial Derek Chauvin estrangulou Floyd fala mais alto do que qualquer escusa. Manifestantes tomaram as ruas, com força e violência, mas, sobretudo, com indignação frente às recorrentes injustiças direcionadas à população negra. O mesmo tem se espalhado rapidamente por outras cidades dos Estados Unidos.

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Raiva e rebeldia no coração do Império

Um ato de racismo extremo destampa a panela de pressão, reúne milhões contra Trump e põe em xeque a ultradireita. Protestos alastram-se pelo mundo – mas a resposta é crua e brutal. Nada está decidido. Dias decisivos vêm aí

Por William River Pitt, no Truthout| Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Nunca houve um fim de semana, nos Estados Unidos, como estes que acabamos de viver.

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Žižek: Morte no paraíso: violência policial, pandemia e o crime do capital

A crise atual trouxe à tona as consequências bastante materiais do abismo de classe nos Estados Unidos: não se trata apenas de uma questão de riqueza e pobreza, é também (e de maneira bastante literal) uma questão de vida e morte – tanto no que diz respeito à violência polícia quanto no que diz respeito à pandemia do novo coronavírus

Blog da Boitempo

Nosso mundo está gradualmente afundando em insanidade: ao invés de solidariedade e ação global coordenadas contra a ameaça da covid-19, estamos testemunhando não apenas a proliferação de desastres na agricultura, agravando a perspectiva de uma fome de enormes proporções (há invasões de gafanhotos registradas em áreas desde o leste da África ao Paquistão; a gripe suína esta pipocando mais forte do que nunca), como explosões de violência policial, frequentemente ignoradas pela mídia (quão pouco se lê a respeito dos confrontos, com vários feridos, na fronteira militar entre Índia e China?). Em uma era tão desesperadora com esta, é justificável querer escapar de tempos em tempos para uma boa e velha série policial enlatada, como a produção franco britânica Death in Paradise [Morte no paraíso]. Mas vivemos em uma realidade que continua a nos assombrar mesmo na ficção, de forma que mesmo lá, na fantasiosa ilha caribenha na qual a série se passa, impõem-se paralelos com a atual crise da pandemia.

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O poder e o coronavírus

por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes

Os Estados Unidos é tido como um dos países mais ricos do mundo, e provavelmente é. E, agora, com a explosão do coronavírus, fica bem fácil ver o porquê. No mundo capitalista a riqueza é produzida pelos trabalhadores e se concentra na mão de um número pequeno de pessoas, que são as que detêm os meios da produção. Justamente por ser assim, aqueles que são os responsáveis pela produção da riqueza, dela não podem usufruir. A eles falta educação, saúde, moradia, segurança, lazer, arte, tudo. Sua função é unicamente rodar o moinho do capital.

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A peste, o mercado, a guerra, e a triste sina brasileira. Entrevista com José Luís Fiori

por Eleonara Lucena, publicada por Tutameia, em IHU On-Line

“Nosso prognóstico político e econômico para o Brasil é muito ruim, e a situação deverá ficar ainda pior quando começarem a surgir os primeiros focos de rebeldia social inorgânica, movidos pela fome e pela miséria, que crescerão de forma geométrica no ano de 2020”. O alerta é do sociólogo e cientista político José Luís Fiori em entrevista ao Tutaméia. Professor de economia política da UFRJ, ele analisa aqui mudanças geopolíticas decorrentes da pandemia e afirma:

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Coronavírus: por que a população negra é desproporcionalmente afetada nos EUA?

Segundo especialistas, as disparidades são resultado de desigualdades estruturais que fazem com que comunidades negras no país fiquem mais suscetíveis ao contágio.

Por Alessandra Corrêa, BBC

Dados divulgados nos últimos dias por diversos estados americanos revelam uma tendência que vem preocupando – apesar de não surpreender – especialistas em saúde pública: a população negra nos Estados Unidos registra taxas desproporcionalmente altas de infecção e mortalidade pelo novo coronavírus.

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Žižek: Trump versus Sanders e a implosão do sistema bipartidário nos EUA

Os EUA estão adentrando uma guerra civil ideológica na qual não há chão comum ao qual ambas as partes da disputa podem recorrer. Mas não nos enganemos: o verdadeiro conflito não está se dando entre as duas siglas do bipartidarismo estadunidense, mas no próprio interior de cada um dos dois partidos.

Por Slavoj Žižek*, no Blog da Boitempo

Duas semanas atrás, quando promovia seu novo filme na Cidade do México, Harrison Ford disse que “A América perdeu sua liderança moral e credibilidade”.1 Será mesmo? Mas afinal, quando foi que os EUA exerceram liderança moral sobre o mundo? Na gestão Reagan, na gestão Bush? Os Estados Unidos perderam o que nunca tiveram. Ou seja, perderam a ilusão (daí o termo “credibilidade” na colocação do ator) de que detinham essa liderança moral. Com Trump, só se tornou visível aquilo que desde sempre já era verdadeiro. Em 1948, logo no início da Guerra Fria, essa verdade foi formulada com um brutal franqueza por George Kennan:

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Chomsky: De Trump espera-se qualquer catástrofe

Pensador revela: assassinato de general iraniano deixou até o Pentágono pasmo. Irresponsabilidade de presidente pode gerar conflito global. Ao Irã, duas saídas: ceder às provocações de violência ou assumir liderança regional e enfraquecer EUA

Noam Chomsky entrevistado por Roberto Manríquez, em El Mostrador (Chile)| Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

O intelectual norte-americano considera que o assassinato – ordenado pelo presidente dos Estado Unidos – ao chefe militar e uma das autoridades mais poderosas do Irã, uma potência nuclear do Oriente Médio, “foi uma decisão que Trump tomou por capricho, o que surpreendeu inclusive os altos oficiais e analistas de informação no Pentágono. Provavelmente, é de se supor que ele fez isso para mostrar seu poder, brincar de destruir cai bem entre seus adoradores, ou com aquilo que seus seguidores supõem que esteja certo”.

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