A luta para acabar com as repetidas manifestações de racismo e xenofobia, na Europa inteira, vai ser longa
Vito Giannotti*
Na Europa, todos os meses, há notícias de um ataque racista contra “extra-comunitários”, isto é, não europeus. Sempre a mesma cena: mortes de imigrantes e a imediata apresentação dos atacantes como loucos, neuróticos, desequilibrados. Em seguida a absolvição dos criminosos e o rápido esquecimento do fato, com silêncio de toda a mídia que apoia o sistema.
Todos lembramos da chacina de quase cem pessoas de meses atrás, cometida por um jovem da Noruega. Ele já foi declarado “psicopata”, isto é, absolvido. Não era nenhum louco especial, só um cara de direita, amigo de amigos de grupos nazistas ou fascistas e todos racistas cheios de ódio de árabes, africanos e eslavos.
No ano passado, o governo do presidente francês Sarkozy mandou “limpar” Paris e a França de imigrantes miseráveis da Romênia, que já viviam no país há anos. Qual o crime? Não são franceses legítimos.
Em dezembro passado, dia 10, na cidade modelo da cultura italiana, Florença, um pacato cidadão matou a tiros de revólver dois imigrantes do Senegal, num mercado público, e deixou dezenas de feridos. Este “pacato” cidadão também pertencia a um grupo racista e planejou detalhadamente a chacina. Continue lendo… 'Racismo filho do fascismo'»
“A expansão, não a recessão, é o momento idôneo para a austeridade fiscal”. Cortar o gasto público quando a economia está deprimida deprime a economia ainda mais. A austeridade deve esperar até que uma forte recuperação tenha sido posta em marcha.
A opinião é do economista norte-americano Paul Krugman, professor da Universidade de Princeton e prêmio Nobel de 2008. O artigo foi publicado no jornal El País, 05-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Eis o texto.
“A expansão, não a recessão, é o momento idôneo para a austeridade fiscal”. John Maynard Keynes declarava isso em 1937, quando Franklin Delano Roosevelt estava a ponto de lhe dar razão, ao tentar equilibrar o orçamento muito cedo e mergulhar a economia norte-americana – que estava se recuperando em ritmo constante até esse momento – em uma profunda recessão. Cortar o gasto público quando a economia está deprimida deprime a economia ainda mais. A austeridade deve esperar até que uma forte recuperação tenha sido posta em marcha. Continue lendo… 'Keynes estava certo, por Paul Krugman'»
«Racismo e Políticas de Ação Afirmativa no Brasil: questões de cor e de classe», é o título que deu o mote à aula aberta que decorreu no Instituto de Ciências Sociais na Universidade do Minho, em Braga. A organização do debate pertenceu a uma iniciativa conjunta entre o Departamento de Ciências da Comunicação e o projeto de investigação Narrativas Identitárias e Memória Social.
O professor Marcus Eugénio Lima foi o convidado a expor o tema aos presentes. Graduado e Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Paraíba, o professor brasileiro estuda e desenvolve pesquisa sobre processos grupais, valores, normas sociais e racismo.
Para o presidente do Instituto de Ciências Sociais, Miguel Sopas Bandeira, esta iniciativa pretende «promover a reflexão sobre as relações raciais no Brasil, com enfoque no debate atual sobre as políticas de ação afirmativa», acrescentando que a aula «foi importante para promover as relações entre os estudantes portugueses e brasileiros que estudam na Universidade, mas também para abordar a questão do racismo tanto no Brasil como em Portugal». Continue lendo… 'Racismo no Brasil debatido na Universidade do Minho'»
Em novembro de 2008, a TVE (Espanha) exibiu um documentário intitulado “A ordem criminosa do mundo”. Nele, Eduardo Galeano, Jean Ziegler e outras personalidades mundiais falam sobre a transformação da ordem capitalista mundial em um esquema mortífero e criminoso para milhões de pessoas em todo o mundo. Mais de três anos depois, o documentário permanece mais atual do que nunca, com alguns traços antecipatórios da crise que viria atingir em cheio também a Europa. Reproduzimos aqui o vídeo, legendado em português, e algumas das principais afirmações de Galeano e Ziegler: Continue lendo… 'Longo, mas imperdível: “A ordem criminosa do mundo”'»
Cercado por convidados na residência oficial, Christian Wulff afirma que não há espaço para a xenofobia, a violência e o extremismo político na Alemanha e diz que a coesão social é fundamental para o futuro da Europa.
Numa fala em que destacou a necessidade de engajamento social e tolerância, o presidente da Alemanha, Christian Wulff, usou o tradicional discurso de Natal para pedir o fim da xenofobia e do racismo no país. O discurso será transmitido na noite deste domingo (25/12) pela televisão alemã.
Como já havia sido anunciado, Wulff não fez qualquer referência ao escândalo de empréstimos privados que tem merecido a atenção da imprensa nos últimos dias. Ele havia falado sobre o tema na quinta-feira, quando pediu desculpas por não ter divulgado antes que havia tomado um empréstimo privado para pagar a sua casa.
O discurso natalino foi gravado no Palácio Bellevue, sede oficial da presidência. Wulff estava cercado de um grupo de cidadãos que, “das mais variadas formas, contribuiram para a coesão social” e que foram convidados por ele para acompanhar o discurso. Entre os convidados estavam pessoas de origem estrangeira. Continue lendo… 'Presidente alemão aborda racismo e xenofobia em discurso natalino'»
Fotografia de Malick Sidibé, Garçons à la chaussée, 1975-1998. Gelatina e prata. 33,3 X 40,3 cm.
por Tirthankar Chanda
A negritude trouxe o mundo negro para dentro do campo literário francês. A africanidade e o mundo francês não são hoje os únicos horizontes da nova geração de escritores francófonos em busca da universalidade. Os anglófonos e lusófonos, que nunca cederam verdadeiramente à tentação de “romantização” da África como fizeram os poetas da negritude, definem-se por uma constante problematização da origem e por sua descrição espontânea em uma world literature sem fronteiras.
Surgida nas primeiras décadas do século XX, a literatura africana de língua francesa é um dos componentes essenciais do que se convencionou chamar de francofonia. Seus poetas, dramaturgos e romancistas ampliaram consideravelmente o leque do imaginário literário francês ao introduzir o harmatão e as jaqueiras, os pajés e os “abikus”, “os sóis das independências” e os guias providenciais.
Gaby Ochsenbein, swissinfo.ch /Adaptação: Alexander Thoele
Georg Kreis está se retirando do cargo de presidente da Comissão Federal contra o Racismo (EKR) após 16 anos de atuação. Em entrevista à swissinfo.ch, o historiador suíço declara que o ambiente na Suíça se tornou mais “pesado” e que o tratamento “duro” em relação aos outros é visto até como “qualidade”.
swissinfo.ch: Durante 16 anos o senhor presidiu a Comissão Federal contra o Racismo (EKR). Qual foi seu maior sucesso na luta compra o racismo?
Georg Kreis: Nosso maior sucesso foi e continua sendo o fato das pessoas levarem mais a sério o problema do racismo desde 1996. Essa seriedade manifesta-se, em parte, de uma forma incorreta, mesmo que apenas de um ponto de vista superficial: o que posso dizer ou até que ponto posso ir sem ser condenado? Ao invés disso, deveríamos nos orientar para saber o que é positivo para a convivência das pessoas e o que podemos impingir a nossos concidadãos ou não.
swissinfo.ch: A observação do ambiente político no país faz parte das funções da EKR. Em que pé está a opinião pública em relação à população estrangeira?
G.K.: O clima em relação aos estrangeiros, aos “outros”, se tornou claramente pior. Essa justaposição do “eu e os outros” ou “nós e os outros” se tornou mais pontual. Fica muito claro que a desvalorização dos outros se dá para a valorização pessoal. Continue lendo… '“Temos de tomar partido na luta contra o racismo”'»
Roma (RV) – A Rede Internacional Scalabrini para as Migrações denuncia “o aumento do racismo, da discriminação e da xenofobia na Europa, em grave crise econômica e de valores”.
Em nota por ocasião do XI Dia Internacional dos Migrantes, promovido pelas Nações Unidas este domingo (18), os escalabrinianos referem que este aumento de racismo é motivado “por ideologias sem humanismo e sem Deus e por políticas securitárias e economicistas”.
A rede denuncia ainda os meios de comunicação e a opinião pública que estigmatizam o estrangeiro, colocando em perigo a vida dos cidadãos, especialmente dos migrantes, como aconteceu recentemente na Itália, em alusão ao assassinato em Florença, na semana passada, de dois senegaleses.
A Rede Internacional Scalabrini para as Migrações, presente em 33 nações, une-se a todas as organizações da sociedade civil, “para que os valores do Evangelho, a dignidade da pessoa, a transcendência, a solidariedade e a fraternidade sejam fermento eficaz para a unidade da família humana”. Continue lendo… 'Escalabrianos denuciam aumento do racismo na Europa'»
Ao menos 10 mil pessoas protestaram neste sábado contra o racismo em Florença, região central da Itália, onde um militante de extrema direita matou na terça-feira passada dois vendedores ambulantes senegaleses e feriu outros três a tiros. “Devemos trabalhar verdadeiramente a favor da coexistência pacífica e o respeito. Isso deve ser uma verdadeira luta e não apenas fachada”, disse um porta-voz da comunidade senegalesa, Pape Diaw.
Segundo a polícia, os manifestantes somavam cerca de 10 mil enquanto os organizadores estimaram em 12 mil. Um senador do Partido Democrático (centro-esquerda), Vannino Chiti, que participava da manifestação, pediu que a lei italiana permita aos filhos de imigrantes obter a nacionalidade italiana e pediu “um forte compromisso de todos contra o racismo”.
Centenas de pessoas protestaram também em Milão (norte), enquanto que imigrantes senegaleses protestaram em Bolonha (centro) e em Nápoles (sul). Na terça-feira, Gianluca Casseri, um morador de Florença, matou dois vendedores ambulantes senegaleses. Um terceiro vendedor de 37 anos foi levado em estado grave a um hospital da capital toscana. “Ficará paraplégico”, segundo um porta-voz da polícia. Continue lendo… 'Milhares de pessoas manifestam-se em Florença contra o racismo'»
A Anistia Internacional denunciou nesta quarta-feira um tratamento racista da polícia espanhola ao realizar comprovações aleatórias de identidade nas ruas, segundo um informe da organização de direitos humanos apresentado em Madri. O informe, intitulado “Parar o racismo, não as pessoas: Perfis raciais e controle da imigração na Espanha”, pede que o governo deixe de ignorar uma realidade que já havia sido denunciada por coletivos sociais e que o Ministério do Interior tem negado.
“A polícia pode abordar pessoas que não ”parecem espanholas” para comprovar sua identidade até quatro vezes diárias. Pode ocorrer a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer lugar ou situação”, disse Izza Leghtas, pesquisadora da Anistia Internacional sobre Espanha.
“Afeta pessoas estrangeiras e cidadãos espanhóis de minorias étnicas. Não apenas é discriminatória e ilegal, mas também alimenta os preconceitos, porque quem os presencia dão por certo que as vítimas participam em atividades ilícitas”, acrescentou Leghtas.
A legislação espanhola permite que a polícia comprove a identidade de uma pessoa em vias ou espaços públicos quando existe preocupação com relação à segurança, como acontece quando se cometeu um crime em uma região em particular. Continue lendo… 'Anistia denuncia controles policiais racistas na Espanha'»
Florença (Itália), a 13 de dezembro. Corpos dos dois senegaleses mortos pelo extremista de direita Gianluca Casseri.
O assassínio de dois senegaleses em Florença é a mais recente manifestação da escalada do sentimento de ódio na Europa. Com o massacre de Utøya, as reações veementes à crise grega e ao isolamento da Grã-Bretanha, bem como o recrudescimento da extrema-direita, esta tendência assume múltiplas formas, todas igualmente preocupantes.
Gianni Riotta
Existe alguma ligação entre a crise do euro, a impotência dos políticos e o assassínio de dois vendedores de rua senegaleses por um extremista de direita, ontem [13 de dezembro], em Florença?
À primeira vista, não. Por um lado, temos um continente rico, cuja economia os seus dirigentes não conseguem fazer arrancar de novo, após meio século de pujança. Por outro, temos um extremista neofascista, racista e armado. Mas se olharmos mais fundo, vemos como os piores venenos da nossa história estão a vir à superfície, depois dos abalos causados nas consciências pela atmosfera de recessão.
Assim que voltou para Londres, após o divórcio com a Europa, o primeiro-ministro britânico David Cameron foi manifestamente criticado pelos observadores da City que afirmava defender. Mas os deputados conservadores de Westminster aplaudiram-no, gritando: “Espírito de bulldog“, o mesmo que era tão caro a Winston Churchill. Continue lendo… 'A crise destila o seu veneno'»
Florença (RV) – A cidade do Renascimento ficou marcada pelo sangue de imigrantes senegaleses, assassinados por Luca Casseri, um militante de extrema-direita que, antes de atentar contra a própria vida, deixou ainda três feridos. O crime aconteceu na terça-feira e hoje a cidade toscana amanheceu de luto.
O Arcebispo da cidade, Dom Giuseppe Betori falou em uma “profunda dor e reprovou severamente os assassinatos”.
“A nossa posição é, antes de tudo, estar perto aos que estão sofrendo. Isso nos ensina Jesus. A comunidade senegalesa de Florença está profundamente ferida diante desta grande tragédia. Ela, que sempre viveu pacificamente em nossa cidade, onde foi bem acolhida”, recorda Dom Betori.
Na tarde desta quarta-feira, o Ministro para a Cooperação Internacional e Integração, Andrea Riccardi, participará junto com o prefeito de Florença de um encontro com a comunidade senegalesa. Para sábado está marcada uma manifestação em memória das vítimas e em solidariedade aos feridos.
O diretor da Rádio Firenze, Enrico Viviano, nega que Florença seja uma cidade racista.
“A cidade apresenta todas as dinâmicas multiculturais típicas das cidades internacionais. É uma cidade que fez do diálogo um ponto de referência em todo o mundo. Certamente, Florença não está à margem do contexto internacional e tampouco no que diz respeito à queda de certos valores. Precisamos entender se este ato foi simplesmente a ponta de um iceberg de um racismo latente ou se foi um gesto isolado de um louco”, pondera Viviano. (RB)
“Reclaim the fields” anuncia hoje, dia 1 de Dezembro de 2011, sua solidariedade com a população de Rosia Montana que há dez anos luta contra o roubo criminoso e a expropriação. Rosia Montana é uma vila nas montanhas Apuseni, na Roménia, sob ameaça de ser destruída em nome do lucro pela Gabriel Resource’s, uma empresa de extração mineira de ouro. Caso venha a realizar-se, a exploração da mina proposta irá destruir a aldeia de Rosia Montana e introduzir a tecnologia de lixiviação de cianeto perigoso, ameaçando os sistemas de água da Roménia, com o potencial de acidentes devastadores.
A população local, apoiada por activistas internacionais, opõe-se aos planos para abrir a maior mina de exploração de ouro a céu aberto da Europa, que deslocaria centenas de famílias, resultando também em destruição ecológica generalizada e contaminação da paisagem protegida com cianeto. A campanha Salvati Rosia Montana (Salvar Rosia Montana) tem vindo a lutar dia-a-dia por esta região com o apoio e solidariedade de pessoas de todo o mundo. Alguns activistas do GAIA estiveram em Rosia Montana no passado mês de Setembro no encontro Reclaim the Fields. 1 de Dezembro é feriado nacional na Roménia, mas não é apenas por este motivo que durante o jantar popular partilharemos informação sobre a presente situação em Rosia Montana, no mesmo dia em que por vários pontos do mundo decorrem acções de protesto contra a exploração mineira de ouro em Rosia Montana. Continue lendo… '“Reclaim the fields”: apoio à comunidade de Rosia Montana, Transilvânia, contra mineradora canadense'»
“Chamamos de Racismo Ambiental às injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre grupos étnicos vulnerabilizados e sobre outras comunidades, discriminadas por sua origem ou cor”.