O evangelho da política segundo o diabo: como figura do mal absoluto afeta seu voto

Personificação do mal, diabo atravessou religiões e regimes até se tornar recurso recorrente do tabuleiro político

Por Duda Sousa, em Agência Pública

No princípio era o verbo. O coisa ruim, no entanto, faz sucesso desde então como adjetivo. A primeira menção da personificação do mal na Bíblia cristã é a serpente, outra que nunca teve a melhor das imagens, no primeiro livro de Gênesis. A figura do “adversário”, o acusador diante de Deus, só tem vez no primeiro capítulo do livro de Jó, o paciente, e sequer recebe nome em todo o Velho Testamento. “O diabo é uma figura que carrega milênios de medo acumulado”, explica o psicólogo e pós graduando em psicanálise pela PUC Goiás Eduardo Afonso. “Ela opera antes do pensamento”. E não é necessário que se acredite na existência dele para que se produzam efeitos. “Basta reconhecer o peso simbólico da acusação. O medo vem antes da razão. E o ‘diabo’ sabe disso há muito tempo”, avalia. (mais…)

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Teocracia à brasileira

“Bancada Cristã” avança no Congresso enquanto partidos progressistas esquecem movimentos sociais e cortejam lideranças religiosas. Resistência cresce, mas espaço cívico está ameaçado. Feministas alertam: sem Estado laico, não há democracia real

Cfêmea

Precisamos tanto do Estado Laico quanto de alimento, emprego, casa. Sem ele, não teremos democracia e liberdade, especialmente as mulheres. É o que vemos nas teocracias ou nos lugares com leis e instituições baseadas em crenças religiosas. Indubitavelmente, o fundamentalismo religioso é uma estratégia autoritária e patriarcal de poder. (mais…)

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Após meio milhão de transplantes em 25 anos, Brasil tem 45% de recusa em doação de órgãos

Cenário é melhor que início do século, mas desinformação e desigualdade estrutural entre estados impedem avanços maiores

Por Guilherme Cavalcanti, Duda Sousa | Edição: Ed Wanderley, em Agência Pública

As semanas passam e a cada nova consulta, a expectativa é renovada. Para quase 82,7 mil brasileiros, olhar a tela do celular à espera de uma ligação que pode nunca chegar faz parte de uma rotina de esperança, em que o tempo só vale menos ouro que uma palavra: compatibilidade. (mais…)

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Pochmann: Os dados do Brasil em mãos privadas

Estado administra, por meio de órgãos como IBGE, os dados consolidados da população. Mas oligopólios privados capturam e manipulam, a cada segundo, um volume muito maior de informações. Como planejar o futuro, em meio a esta deformação?

Por Marcio Pochmann*, em A Terra é Redonda

A Era Digital inaugurou um novo regime informacional. Diferentemente das sociedades agrárias e da sociedade urbano-industrial, onde o Estado media a realidade principalmente por censos, registros administrativos e pesquisas amostrais, hoje grande parte dos sinais sobre comportamento, consumo, mobilidade e operação econômica é produzida continuamente, em alta granularidade, e capturada por empresas privadas. (mais…)

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Acordo Mercosul-UE: Dependência descarada?

Estudo mostra: em 15 anos, acordo trará crescimento pífio de 0,45% ao país. Frustrará o projeto Programa Nova Indústria Brasil e pode comprometer a soberania nacional. Por que Lula o comemora? Para capitalizar um “sucesso” nas relações internacionais?

Por Paulo Kliass*, em Outras Palavras

As primeiras rodadas de negociação do Acordo Comercial entre a União Europeia e o Mercosul começaram a ser realizadas há mais de 30 anos, em 1995. Naquele momento, o Brasil tinha um novo presidente da República e o mundo vivia o auge do ideário neoliberal. Além disso, no mesmo período, o então presidente dos Estados Unidos, George Bush, lançava em dezembro de 1994 a proposta de uma Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). A estratégia estadunidense não prosperou e foi sendo paulatinamente abandonada, inclusive por pressão de governos da região, dentre eles o Brasil. (mais…)

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Jesus inicia sua missão pública se aproximando dos últimos e com eles irradia justiça (Mt 4,12-23). Por Gilvander Moreira

Nos dois primeiros capítulos do Evangelho de Mateus fala-se das origens de Jesus. Mateus 1-2 é para explicar para as comunidades cristãs oriundas principalmente da cultura judaico-semita Marcos 1,1, isto é, para dizer que “Jesus é o Cristo, Filho de Deus, Messias”, mas não messias conforme esperado pelos saduceus – “messias da ideologia da prosperidade” -, pelos fariseus – “messias legalista” – e nem pelos chefes dos sacerdotes – “messias da pureza cultual” – , mas um Messias que vem do meio do povo marginalizado, “gente da gente”, que só nasceu porque houve gente, principalmente mulheres, que rompeu com o lugar que a sociedade patriarcal e machista lhes impunha. Um Messias que provoca o pânico no poder estabelecido e nos Herodes de plantão, apenas por ter nascido. Um Messias que refaz o caminho do povo libertando-se da escravidão do imperialismo egípcio e que convoca seus seguidores e suas seguidoras a fazer o mesmo caminho libertador. (mais…)

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Tarcísio x Flávio Bolsonaro: o que há de novo?

Entre os pré-candidatos para 2026, mais do que uma disputa familiar ou partidária. A Faria Lima tenta domesticar o extremismo, e buscar um “CEO” que garanta a agenda ultraliberal sem sobressaltos. Por trás do rótulo da moderação, o mesmo projeto

Por Glauco Faria, em Outras Palavras

O recente confronto velado entre o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) envolvendo a disputa presidencial de 2026 é revelador das condições estruturais e conjunturais da cena política brasileira e de como as classes dirigente e a elite econômico-financeira se movimentam em meio a esse processo para não perder seu controle. E também uma continuidade de uma história distorcida sobre uma dita “terceira via”, propagandeada pela mídia tradicional como uma espécie de “voz da razão” diante da polarização. (mais…)

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