“O samba da avenida fala de resistência muito antes dessa palavra entrar na moda”. Entrevista especial com Orlando Calheiros

Para o antropólogo, “ao medirmos a potência de um desfile meramente por suas afinidades políticas, ignoramos todo o resto”.

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

carnaval e o samba, muito antes de apresentarem um retrato unívoco do Brasil, são artes que expressam “as mazelas dos oprimidos, isto é, dos seus criadores” e refletem sobre temas que perpassam suas vidas há séculos, como a violência, o racismo e a opressão, mas não só. O carnaval, como uma “forma de arte extremamente complexa”, também manifesta em seus sambas-enredo uma visão cosmopolítica, religiosa, o modo de vida que circunda elementos do candomblé, a cultura negra e a arte de matriz africana, e isso faz “toda a diferença”, diz o antropólogo Orlando Calheiros  à IHU On-Line.

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Bacurau — a propósito de sangue, mapas e museus

por Patrícia Mourão, em Buala

Dois acontecimentos culturais recentes no país escolheram marcar com sangue chão e paredes de museus: Bacurau, filme codirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e a 36ª edição do Panorama de Arte Contemporânea, do mam-sp, curada por Júlia Rebouças e chamada Sertão. No primeiro, após um banho de sangue dentro do Museu Histórico de Bacurau, a curadora ou responsável pelo espaço ordena que, na faxina, limpe-se todo o sangue, à exceção da marca vermelha de uma mão ferida deixada na parede. Em Sertão, o sangue está no chão, como que escorrido de um tecido (ou do corpo que o pintou) onde se lê: “Até quando vão nos matar em nome de Deus?”. Voltados para o lado de fora da sala de vidro do mam, ocupada pelo trabalho de Vulcanica Pokaropa, sangue e bandeira são visíveis para todos aqueles que se aproximam do museu pela marquise do Parque Ibirapuera.

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A festa religiosa do Carnaval: a resistência alegre dos povos periféricos contra o conservadorismo elitista. Entrevista especial com Aydano André Motta

Apesar do preconceito de parte da população, Festa de Momo continua sendo ferramenta política de combate à injustiça social

Por: Ricardo Machado, em IHU On-Line

Em 1982 o samba-enredo da União da Ilha do Governador, regravado por dezenas de intérpretes, dizia logo na primeira estrofe “A minha alegria atravessou o mar e ancorou na passarela”. Assim se faz a história do carnaval há décadas, que a despeito de uma visão preconceituosa de parte da sociedade segue sendo uma das mais originais formas de resistência das populações periféricas e ao mesmo tempo um rito de memória dos povos africanos escravizados no Brasil. “Quando a Viradouro ganha o carnaval [carioca] contando a história das Ganhadeiras de Itapuã, na Bahia, ou quando a Grande Rio, vice-campeã, retrata Joãozinho da Gomeia, pai de santo baiano que viveu em Duque de Caxias, cidade da Baixada Fluminense, ou a Mangueira que traz a imagem do Cristo negro crucificado e crivado de balas e embaixo outras imagens de LGBTsmulheres e outras minorias que são oprimidas no Brasil, o carnaval está prestando um serviço fundamental à sociedade brasileira”, pondera Aydano André Motta, jornalista, escritor e pesquisador do carnaval carioca, em entrevista por telefone à IHU On-Line.

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Exposição sobre Dom Paulo chega ao Centro Cultural da Juventude, na zona norte paulistana

Evento permanecerá no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, de 3 de março a 26 de abril, com entrada franca

Na RBA

São Paulo – Depois de uma temporada na região central, a exposição Dom Paulo Evaristo Arns chega à zona norte da capital paulista. O evento permanecerá no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, na Vila Nova Cachoeirinha, de 3 de março a 26 de abril, com entrada franca. Dom Paulo morreu em dezembro de 2016, aos 95 anos.

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Resultado do Carnaval do Rio confirma força das religiões de matriz africana

As quatro primeiras colocadas fizeram referências aos rituais, orixás e entidades da Umbanda e do Candomblé

por Nara Lacerda, em Brasil de Fato

Se em algum momento da história do Carnaval do Rio houve dúvidas sobre a influência e presença das religiões de matriz africana na festa, 2020 veio para derrubá-las. As três primeiras colocadas do grupo especial levaram à Sapucaí a força dos orixás do Candomblé, das entidades da Umbanda e o papel primordial que essas crenças têm na construção da identidade cultural brasileira.

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Pastor indicado para Ancine preocupa até agentes da cultura ligados ao governo

Por Matheus Leitão, no G1

A indicação do pastor Edilásio Barra, o Tutuca, para a direção da Agência Nacional do Cinema (Ancine) gerou preocupação até em agentes da cultura ligados ao governo pelo fato de o religioso integrar a chamada “ala ideológica”.

Conforme apurou o blog, integrantes da área de Cultura acreditam que Tutuca não é a pessoa indicada para pacificar os ânimos no setor audiovisual brasileiro também pelo desconhecimento técnico da área.

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PFDC participa de sessão solene do Congresso em homenagem à cultura brasileira

Para a procuradora federal dos Direitos do Cidadão, o direito à cultura somente se efetiva a partir da implementação das garantias constitucionais que conferem dignidade humana

A cultura brasileira em suas diversas formas de expressão foi homenageada em sessão solene realizada na quinta-feira (13), no Congresso Nacional, e que contou com participação da procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat. A celebração foi promovida pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados e reuniu parlamentares, autoridades e representantes da classe artística.

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Do apartheid sulafricano ao racismo brasileiro

Por Rui Martins*, em Observatório da Imprensa

A primeira exibição, dentro de quatro semanas, do filme Todos os mortos, na principal competição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, vai abrir um grande debate no grande país mestiço que é o Brasil. Um debate sobre a escravidão de negros importados da África, que durou cerca de trezentos anos, e deveria ter terminado com a abolição, mas se transformou num racismo disfarçado, praticado pelos próprios descendentes de escravos branqueados nas últimas gerações.

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Prédio em SP exibe grafite feito com lama de Brumadinho

Inspirado em clássico de Tarsila do Amaral, mural “Operários de Brumadinho”, de Mundano, presta homenagem às vítimas da maior tragédia socioambiental do Brasil

por Rafael Belém, em Casa Vogue

Quem passa pela Avenida Senador Queirós, no bairro da Santa Ifigênia, São Paulo, agora se depara com uma enorme arte pública. Mais do que uma obra, o grafite Operários de Brumadinho, do paulistano Mundano, é um manifesto-homenagem às vítimas do rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, que resultou na maior tragédia socioambiental do Brasil. 

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