Estudantes da UFPE, em Caruaru, adaptam enredo do ‘Auto da Compadecida’ para o período de pandemia do coronavírus

Projeto é uma adaptação livre da obra de Ariano Suassuna. Lançado em podcast, o trabalho traz o cangaceiro Severino de Aracaju como o Capitão Covid, que é alérgico a sabão.

Por Joalline Nascimento, G1 Caruaru

A ideia de transformar o cangaceiro Severino de Aracaju, da obra “Auto da Compadecida”, no Capitão Covid bem que poderia ter sido de João Grilo, mas não foi. A proposta surgiu em um projeto de extensão do curso de comunicação social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Caruaru, no Agreste. Sob a orientação de duas professoras, os estudantes desenvolveram o “Auto da Compadecida em tempos de pandemia” – um podcast em formato de radionovela.

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MPF pede para Ibama descumprir despacho do Ministério do Meio Ambiente que anistia invasores da Mata Atlântica em SP

Despacho do ministro Ricardo Salles pode levar ao cancelamento indevido de multas por infração ambiental no estado, segundo Ministério Público Federal.

Por Sabina Simonato, SP1, no G1

O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo pediu ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que descumpra o decreto do Ministério do Meio Ambiente que praticamente “anistia” proprietários rurais que invadiram a Mata Atlântica no estado.

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Carta aberta pela preservação e recuperação da Aldeia de São Fidélis, Valença

Valença, 24 de Abril de 2020 – Dia de São Fidélis

Mais um monumento em Valença poderá cair. Não estamos falando dos casarões da Praça da República, do Teatro Municipal, da Câmara, da Cadeia (embora estes requeiram também atenção urgente). Trata-se da Igreja de São Fidélis, cujos festejos (outrora comemorados com uma cavalgada) esse ano passaram despercebidos. Documentos mostram que é ela, talvez, uma das construções mais antigas ainda em pé, já que sua existência remonta ao período em que se iniciou a construção da Igreja do Amparo, em 1757.

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A fábrica da desunião. Por Rubens R.R. Casara

Na Revista Cult

Geração ofendida

Para muitos, a sensação é de termos sido lançados em um pesadelo. Diante dos absurdos que se repetem, há uma pergunta que ainda não recebeu uma resposta adequada: como permitimos essa longa noite que parece não ter fim?

Por um lado, a visão de mundo hegemônica parece indicar que os “outros” devem ser percebidos como ameaças, concorrentes e, não raro, inimigos que devem ser destruídos. O egoísmo tornou-se virtude em um mundo em que o objetivo principal é a acumulação de capital.

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Você conhece os mistérios da Serrinha? O ninho da abundância cultural Carioca

Por Flávio Silva, no Rio On Watch

Me chamo Flávio da Silva França Alves, mais conhecido como Mestre Flavinho, sou batuqueiro, jongueiro, imperiano e fundador do Projeto Herdeiros. Nascido e criado no Morro da Serrinha, desde as primeiras horas de vida recebi de Olorun uma visão das minhas origens ancestrais.

A História do Morro da Serrinha

A comunidade do Morro da Serrinha tem mais de 100 anos de existência. Está localizada em MadureiraZona Norte do Rio. Sua história começa logo no início do século XX. Após a abolição da escravidão por lei e da proclamação da república, as pessoas escravizadas não receberam nenhum tipo de indenização. Os trabalhos que realizavam no campo de forma escrava foram substituídos por mão-de-obra de imigrantes europeus, que diferente deles recebiam por seu trabalho. A falta de perspectivas no campo forçou a migração dos negros para a então capital, o Rio de Janeiro. 

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O modo de funcionamento da humanidade entrou em crise. Por Ailton Krenak

Em entrevista exclusiva, o líder indígena Ailton Krenak reflete sobre o significado da pandemia e faz um alerta:“se voltarmos à chamada ‘normalidade’, não valeram de nada as mortes de milhares de pessoas”

Por Bertha Maakaroun, no Jornalistas Livres

O mundo está em suspensão. O momento é de recolhimento, de silêncio. A experiência do isolamento social, para enfrentar o horror do novo coronavírus, pode trazer lições valiosas à humanidade. “Se essa tragédia serve para alguma coisa é mostrar quem nós somos. É para nós refletirmos e prestar atenção ao sentido do que venha mesmo ser humano. E não sei se vamos sair dessa experiência da mesma maneira que entramos. Tomara que não”, afirma o escritor Ailton Krenak, de 66 anos, um dos mais destacados ativistas do movimento socioambiental e de defesa dos direitos indígenas e doutor honoris causa pela Universidade de Juiz de Fora.

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Ouça canções do Candomblé gravadas em 1940: etnomusicologia

Do Observatório Nacional de Cultura

Em 2002, Xavier Vatin, professor de antropologia na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), encontrou nos arquivos da Universidade de Indiana (EUA) uma vasta coleção de áudios gravados pelo linguista americano Lorenzo Turner durante uma viagem à Bahia. Tratava-se de um tesouro ainda inédito: mais de cem discos de alumínio (um total de 17 horas de áudio) contendo registros de sacerdotes e sacerdotisas de candomblés dos anos 1940.

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“O samba da avenida fala de resistência muito antes dessa palavra entrar na moda”. Entrevista especial com Orlando Calheiros

Para o antropólogo, “ao medirmos a potência de um desfile meramente por suas afinidades políticas, ignoramos todo o resto”.

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

carnaval e o samba, muito antes de apresentarem um retrato unívoco do Brasil, são artes que expressam “as mazelas dos oprimidos, isto é, dos seus criadores” e refletem sobre temas que perpassam suas vidas há séculos, como a violência, o racismo e a opressão, mas não só. O carnaval, como uma “forma de arte extremamente complexa”, também manifesta em seus sambas-enredo uma visão cosmopolítica, religiosa, o modo de vida que circunda elementos do candomblé, a cultura negra e a arte de matriz africana, e isso faz “toda a diferença”, diz o antropólogo Orlando Calheiros  à IHU On-Line.

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Bacurau — a propósito de sangue, mapas e museus

por Patrícia Mourão, em Buala

Dois acontecimentos culturais recentes no país escolheram marcar com sangue chão e paredes de museus: Bacurau, filme codirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e a 36ª edição do Panorama de Arte Contemporânea, do mam-sp, curada por Júlia Rebouças e chamada Sertão. No primeiro, após um banho de sangue dentro do Museu Histórico de Bacurau, a curadora ou responsável pelo espaço ordena que, na faxina, limpe-se todo o sangue, à exceção da marca vermelha de uma mão ferida deixada na parede. Em Sertão, o sangue está no chão, como que escorrido de um tecido (ou do corpo que o pintou) onde se lê: “Até quando vão nos matar em nome de Deus?”. Voltados para o lado de fora da sala de vidro do mam, ocupada pelo trabalho de Vulcanica Pokaropa, sangue e bandeira são visíveis para todos aqueles que se aproximam do museu pela marquise do Parque Ibirapuera.

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A festa religiosa do Carnaval: a resistência alegre dos povos periféricos contra o conservadorismo elitista. Entrevista especial com Aydano André Motta

Apesar do preconceito de parte da população, Festa de Momo continua sendo ferramenta política de combate à injustiça social

Por: Ricardo Machado, em IHU On-Line

Em 1982 o samba-enredo da União da Ilha do Governador, regravado por dezenas de intérpretes, dizia logo na primeira estrofe “A minha alegria atravessou o mar e ancorou na passarela”. Assim se faz a história do carnaval há décadas, que a despeito de uma visão preconceituosa de parte da sociedade segue sendo uma das mais originais formas de resistência das populações periféricas e ao mesmo tempo um rito de memória dos povos africanos escravizados no Brasil. “Quando a Viradouro ganha o carnaval [carioca] contando a história das Ganhadeiras de Itapuã, na Bahia, ou quando a Grande Rio, vice-campeã, retrata Joãozinho da Gomeia, pai de santo baiano que viveu em Duque de Caxias, cidade da Baixada Fluminense, ou a Mangueira que traz a imagem do Cristo negro crucificado e crivado de balas e embaixo outras imagens de LGBTsmulheres e outras minorias que são oprimidas no Brasil, o carnaval está prestando um serviço fundamental à sociedade brasileira”, pondera Aydano André Motta, jornalista, escritor e pesquisador do carnaval carioca, em entrevista por telefone à IHU On-Line.

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