Movimento Armorial, 50 anos do convite para que o Brasil mire as suas entranhas

Suassuna liderou ideias para estimular a criação de uma arte erudita a partir da cultura popular. Cinco décadas depois, matriz ainda influencia a produção cultural de seus herdeiros

Por Beatriz Jucá e Joana Oliveira, no El País Brasil

No início da noite do dia 18 de outubro de 1970, um grupo de artistas de distintas linguagens se reunia no pátio da igreja de São Pedro dos Clérigos, no centro de Recife. Inflados pelo escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, preparavam-se para apresentar obras que incluiam artes plásticas, dança, um concerto. Estavam unidos sob uma mesma premissa: a de criar uma arte erudita brasileira a partir de elementos da cultura popular. O movimento que nascia oficialmente naquele dia exaltava o armorial. Seu batismo com essa palavra, sinônimo de heráldico, se ancorava simbolicamente nos brasões e signos presentes dos estandartes do maracatu às escolas de samba. Os armoriais queriam fazer o Brasil olhar para si mesmo. Estimulavam que os artistas evitassem escolher entre as avenidas do erudito e do popular para se aventurar, com técnica, pelas ruelas e morros que as separavam. Uma matriz que, 50 anos depois, ainda influencia a produção cultural de seus herdeiros.

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Colóquio celebra os 100 anos de Clarice Lispector, de 19 a 21/10

Por Claudia Costa, no Jornal da USP

Escrevo muito simples e muito nu. Por isso fere.
(Clarice Lispector, em Um Sopro de Vida)

A escritora Clarice Lispector (1920-1977) sempre foi um desafio à crítica, desde que despontou como uma voz singular nas letras nacionais, nos anos 40, até hoje, quando sua obra ganha projeção mundial com novas traduções e leituras originais. Em comemoração ao seu centenário – a ser completado no próximo dia 10 de dezembro -, o Colóquio Internacional Cem Anos de Clarice Lispector vai reunir críticos do Brasil, Portugal, França e Estados Unidos para discutir as várias faces dessa autora nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira.

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Mais uma tristeza de 2020: morre Quino, o criador da Mafalda

Joaquín Salvador Lavado tinha 88 anos e vivia em sua cidade natal, Mendonza, na Argentina

Redação Brasil de Fato

Faleceu, nesta quarta-feira (30), o cartunista Joaquín Salvador Lavado, conhecido como Quino. Um dos maiores legados de Quino é sua personagem Mafalda, cujas tirinhas foram publicadas pela primeira vez em 1964, no contexto da ditadura argentina.

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Pela primeira vez, Candombe do Quilombo do Açude em homenagem a Nossa Senhora será fechado ao público

Celebração com mais de 100 anos é realizada no Quilombo do Açude, em Jaboticatubas

Por Leandro Couri, no Estado de Minas

Com a tradição secular de manter a “casa aberta” para a festa de Nossa Senhora do Rosário, que acontece sempre no segundo sábado de setembro, ao final da novena desta, que é a santa dos pretos, membros do Quilombo do Açude, em Jaboticatubas, na Serra do Cipó, a 100 quilômetros de BH informam que, no ano da pandemia e, pela primeira vez em sua história, o Candombe será feito de portas fechadas e somente quem mora na comunidade poderá participar presencialmente. Os descendentes de escravos e guardiões da tradição sincretista, por outro lado, apontam como um dos anos mais importantes para a propagação da fé e, mesmo não permitindo a entrada de pessoas, que anualmente vêm de todos os cantos do Brasil e de outros países também, garantem que vão rezar em nome de todos, inclusive de quem ainda não conhece o Candombe.

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Onde termina o jornalismo e começa a cultura? Você sabe o que é o “Reload”?

Por Natalia Viana, da Pública

Como as notícias conseguem se transformar em cultura? Essa questão sempre me interessou. Após meses investigando o assunto, foi fascinante observar, por exemplo, como o humorista Marcelo Adnet fez um vídeo baseado na série de reportagens da Agência Pública sobre a relação do FBI com a Lava Jato, levando centenas de milhares às gargalhadas com Moro carregando no sotaque americano. Será que a memória coletiva pode ajudar a corrigir as injustiças quando a própria Justiça falha, como infelizmente ocorre tanto no Brasil?

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Livro digital sobre memória dos saberes tradicionais em território Guarani-Kaiowá será lançado, em 23/7

Por Verônica Almeida, no Informe Ensp

O ObservaPICS lança, dia 23 de julho, o livro digital Pohã Ñana (Plantas Medicinais): fortalecimento, território e memória Guarani e Kaiowá, mais um produto da pesquisa Práticas tradicionais de cura e plantas medicinais mais prevalentes entre os indígenas da etnia Guarani-Kaiowá,  na região Centro-Oeste coordenada pelos pesquisadores Paulo Basta, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp-RJ), e Islândia Carvalho (Fiocruz Pernambuco), coordenadora do observatório. Além dos dois, são organizadores da publicação Aparecida Benites (Kuñatãi mbo`y arandu) e Ananda Meinberg Bevacqua (Kunãtai tucamby).

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Aílton Krenak e a busca da totalidade cósmica

Em Ideias para adiar o fim do mundo, ele argumenta: Ocidente gerou uma sociedade de ausências. Desconectou-nos da memória ancestral, da Natureza e das experiências em comunidade. Evitar catástrofes requer descolonizar a vida

por Alex Hotz*, em Outras Palavras

Não é de hoje que as reflexões de Ailton Krenak provocam intensas discussões e provocações aos pensadores convencionais. Líder indígena, pensador herdeiro dos saberes tradicionais e defensor dos direitos de seu povo, Ailton fala de um lugar onde os saberes ainda não foram colonizados e nem se renderam a materialidade eurocêntrica. Seu discurso transcrito carrega os potenciais da oralidade e estimula a reflexão para além das regras formais da escrita convencional e acadêmica. Tudo isso encontramos em seu pequeno e profundo livro intitulado As ideias para adiar o fim do mundo (2019) e na mais recente publicação intitulada O amanhã não está à venda (2020), ambos pela editora Companhia das Letras.

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Estudantes da UFPE, em Caruaru, adaptam enredo do ‘Auto da Compadecida’ para o período de pandemia do coronavírus

Projeto é uma adaptação livre da obra de Ariano Suassuna. Lançado em podcast, o trabalho traz o cangaceiro Severino de Aracaju como o Capitão Covid, que é alérgico a sabão.

Por Joalline Nascimento, G1 Caruaru

A ideia de transformar o cangaceiro Severino de Aracaju, da obra “Auto da Compadecida”, no Capitão Covid bem que poderia ter sido de João Grilo, mas não foi. A proposta surgiu em um projeto de extensão do curso de comunicação social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Caruaru, no Agreste. Sob a orientação de duas professoras, os estudantes desenvolveram o “Auto da Compadecida em tempos de pandemia” – um podcast em formato de radionovela.

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