Trump, supremacia branca e nazismo: o elo persistente

Ao tentar impor sua força e interesses, em nome de suposta superioridade moral, Washington ressuscita a crença no Destino Manifesto. Foi ela que estabeleceu hierarquias raciais e o suposto direito à violência branca. Foi ela que inspirou Hitler

Por Celso Pinto de Melo, em Outras Palavras

Antes que os regimes totalitários possam se impor,
a realidade precisa ser destruída
Hannah Arendt

Fronteira, raça e a longa sombra do século XIX

O trumpismo não inventou o ódio à ciência – apenas o elevou à condição de método político. Tampouco inventou o racismo como linguagem de Estado – apenas lhe devolveu centralidade institucional. A novidade é outra: pela primeira vez em décadas, a extrema direita norte-americana tenta transformar uma guerra cultural em engenharia administrativa, com diretrizes explícitas para capturar agências, domesticar a produção de dados e punir a autonomia do conhecimento. (mais…)

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A Europa espezinhada. Por Eugênio Bucci

A humilhação espetacular é a nova arma da política externa trumpista: uma guerra simbólica onde o espetáculo midiático e a chantagem emocional substituíram a geopolítica tradicional

Em A Terra é Redonda

1.

A União Europeia é a nova vítima do método da humilhação espetacular empregado pelo governo de Donald Trump como arma de guerra simbólica. Pobre Europa. De repente, ela se viu submetida a um padecimento moral inédito, impensável. O bullying e o escárnio voltam-se contra ela. A Casa Branca a insulta com tarifas e desaforos. O Reino Unido, aliado histórico do Tio Sam, não escapou. Keir Starmer, polidamente, chama de “erro” a postura agressiva e predatória dos Estados Unidos. Não fez nem cócegas no Pentágono. (mais…)

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Dissuasão nuclear, a quem interessa?

Por Heitor Scalambrini Costa e Zoraide Vilasboas

“A paz não pode ser mantida pela força; só pode ser alcançada pela compreensão” 
(Atribuído a Albert Einstein*, físico teórico alemão, um dos maiores gênios da ciência) 

Nesses tempos tenebrosos que vivemos, o ideal humanitário de construir o estado de bem-estar social foi vencido pelo estado de guerra.

Na assembleia geral da ONU (23/09/2025) o presidente Lula declarou que “na América Latina e Caribe, vivemos um momento de crescente polarização e instabilidade, e manter a região como zona de paz é nossa prioridade”. Menos de quatro meses depois, alcançar essa prioridade parece uma meta impossível. Além da criminosa invasão da Venezuela e sequestro de seu presidente, o governo Donald Trump ameaça invadir o México, a Colômbia e a Groenlândia, anunciando conflitos mundiais que podem neutralizar também o ideal da América do Sul, livre de armas nucleares. (mais…)

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Em Davos, império, arrogância e… declínio

Brutalidade de Trump choca, mas não é raio em céu azul. Por décadas, mundo das corporações sequestrou a riqueza coletiva e zombou da democracia e dos direitos. Resultado: um sistema arcaico e cada vez mais indesejado, mas em crise aguda

Por Mariana Mazzucato* | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Enquanto o Fórum Econômico Mundial (FEM) se reúne em Davos sob o lema “Um Espírito de Diálogo”, os Estados Unidos assumiram o controle da infraestrutura petrolífera da Venezuela, instalando o que o presidente Donald Trump chama de administração norte-americana “indefinida” das reservas de petróleo do país, ao mesmo tempo que chantageiam países europeus com sua exigência pela Groenlândia. A desconexão entre o apelo do FEM ao diálogo e a agressão unilateral norte-americana é, no mínimo, chocante. (mais…)

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Trump e Projeto Paleoconservador de poder

Ataque à Venezuela revela novo paradigma intervencionista. Em vez da “defesa da democracia”, usada pelo velho establishment, procura-se agora seduzir o eleitorado com “retorno financeiro para os EUA” com “risco zero”. Mas haverá “imperialismo popular”?

Por Marina Basso Lacerda*, em Outras Palavras

Ao contrário do que circula na memética da internet, em seu pronunciamento de 3 de janeiro sobre a captura de Nicolás Maduro, Donald Trump não mencionou uma única vez a palavra “democracia. Essa omissão marca diferenciação com o paradigma neoconservador, cujas intervenções — Iraque, Afeganistão e Líbia, por exemplo — justificavam-se precisamente pela retórica de exportar direitos individuais. (mais…)

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Resistir e reorganizar

Boletim Venezuela em Foco #13

Da Página do MST

A resposta política ao sequestro de Nicolás Maduro e de Cilia Flores segue ganhando corpo dentro e fora da Venezuela. Ao anunciar a mobilização nacional para 23 de janeiro, em Caracas, com um chamado direto pela libertação e retorno do presidente e da primeira-dama, o ministro do Interior Diosdado Cabello reafirma que a Revolução Bolivariana permanece ativa e que a pressão popular segue como eixo central da resistência diante da ofensiva externa. (mais…)

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Eleições em Portugal. Por Valerio Arcary

A vitória política da extrema-direita expõe a contradição entre um crescimento econômico superficial e o mal-estar social profundo, onde a crise habitacional, o envelhecimento e a emigração juvenil fertilizam o terreno reacionário

Em A Terra é Redonda

“Mais faz quem quer do que quem pode” “Mais vale prevenir que remediar”
(Provérbios populares portugueses).

1.

O desfecho das eleições foi um desastre, mas não uma surpresa. O candidato mais votado foi António José Seguro (31%, 1,7 milhões de votos) que, pela pressão do voto útil, diante da incerteza das pesquisas, foi beneficiado pela maioria da votação da esquerda, que caiu de 9% nas legislativas de 2025, para 4,5% agora. (mais…)

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