Assim se naturaliza o sequestro de um presidente. Por Ricardo Queiroz Pinheiro

Exame de uma construção midiática. Na Venezuela, como no genocídio em Gaza ou no Iraque, apaga-se a barbárie, deslocando-se o foco para a “precariedade” da vítima e a “excelência técnica” do agressor. O que sobra é um mundo um pouco mais baixo, violento e cínico

Por Ricardo Queiroz Pinheiro*, em Outras Palavras

É sempre a mesma história. Quando veio à tona o sequestro de Maduro — uma operação que envolve a invasão de um país e a retirada forçada de um presidente eleito — grande parte do comentário político entrou em modo automático. Demora umas horas, um ajuste aqui, outro, mas a homogeneidade chega. Em programas da Globo News, UOL, CNN etc, e nesse circuito ampliado de análise e opinião, o enquadramento aparece rápido: um governo incompetente, um Exército dividido, uma estrutura frágil que teria facilitado a ação estadunidense. O gesto em si, grave, criminoso, perdeu centralidade. O foco deslocou-se para a suposta incapacidade do alvo e pela excelência do invasor. (mais…)

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A Venezuela sob ataque e o chavismo na encruzilhada. Por Rômulo Paes de Sousa

Após o sequestro de Maduro, Trump indica aceitar um governo liderado por Delcy Rodríguez, desde que o controle do petróleo venezuelano seja transferido a empresas dos EUA. A decisão não será fácil. O Estado venezuelano encontra-se por um triz

Por Rômulo Paes de Sousa*, em Outras Palavras

Após semanas de agressões militares pontuais na costa venezuelana, na madrugada de 3 de janeiro de 2026 cerca de 150 aeronaves norte-americanas bombardearam alvos militares em Caracas e Higuerote, culminando no sequestro do presidente do país e de sua esposa. A ação, rápida e devastadora, deixou o mundo perplexo. Embora os Estados Unidos possuam um longo histórico de intervenções na América do Sul — inclusive na própria Venezuela —, esta foi a primeira vez que utilizaram diretamente suas tropas em uma ação militar dessa natureza. Até então, sua atuação se dava sobretudo por meio do financiamento e do apoio a forças políticas direitistas locais. O episódio também sinaliza que o presidente Donald Trump abandonou definitivamente a diretriz proclamada em seu primeiro mandato, segundo a qual buscaria encerrar guerras, e não promovê-las. (mais…)

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O império ataca

Boletim Venezuela em Foco #1

Da Página do MST

Eventos geopolíticos de grande impacto, como o ataque dos Estados Unidos ao território venezuelano e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada e primeira-dama Cilia Flores, provocam mudanças profundas na conjuntura internacional. Um dos sinais mais evidentes dessas transformações é a intensificação da chamada “guerra comunicacional”. (mais…)

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Em defesa da soberania da Venezuela! Repúdio à agressão imperialista

“De forma irrestrita e veemente, as entidades que subscrevem esta NOTA repudiam a agressão militar perpetrada, na madrugada de 3 de janeiro de 2026, pelo governo dos Estados Unidos da América contra a República Bolivariana da Venezuela. Este ato de violência contra um território nacional é uma criminosa transgressão do direito internacional, uma afronta aos fundamentos da convivência pacífica entre os Estados soberanos e se configura como mais uma ação imperialista do governo Donald Trump.

O mundo, em 2026, começa, pois, sob o signo da rapinagem, da barbárie e da guerra! (mais…)

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Império sequestra e barbariza. Por Gilberto Maringoni

O verdadeiro alvo não era Maduro, mas o próprio conceito de soberania. O ataque à Venezuela é o laboratório de uma nova barbárie, na qual a lei do mais forte se disfarça de aplicação da justiça

Em A Terra é Redonda

1.

Jornalista: “O senhor notificou algum membro do Congresso [sobre o ataque à Venezuela] com antecedência?”

Donald Trump: “Marco, você quer falar sobre isso? Você esteve envolvido”.

Marco Rubio: “Claro. Nós avisamos os membros do Congresso imediatamente depois. Este não era o tipo de missão que permitia notificação prévia ao Congresso”.

As falas reproduzidas acima aconteceram numa coletiva de imprensa na tarde de sábado (3 de janeiro), no resort de luxo de Mar-a-lago, de propriedade do presidente dos Estados Unidos. (mais…)

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EUA, o herói vilão. Por Luiz Marques

Ao trocar a hegemonia moral pela força bruta, os EUA não revelam poder, mas desespero: seu ato de pilhagem é a confissão cínica de que já não conseguem liderar, só podem saquear

Em A Terra é Redonda

1.

Ao desrespeitar os organismos multilaterais e as leis que regulam as relações entre as nações, os Estados Unidos já não disfarçam que o imperialismo sempre teve por base a força das armas, uma tradição que remonta a uma lição maquiaveliana – o “Príncipe” deve preferir ser temido e não amado. A cooperação com a ONU, Unesco, Clube de Paris e assim por diante serviu de fachada enquanto perdurou a Guerra Fria. Havia que defender a “sociedade aberta” em contraposição à “cortina de ferro”. (mais…)

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‘Depois da Venezuela, Trump vai tentar influenciar eleições no Brasil, mas pode prejudicar a direita’, diz especialista americano

“O único que é grande o suficiente (na América Latina) para parar Trump e dizer ‘chega’ aos EUA é o Brasil”, diz Erick Langer, professor de história na Universidade de Georgetown, em Washington

por Marcia Carmo, em BBC News

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai continuar “se metendo” nos países da América Latina depois da operação militar que resultou na prisão de Nicolás Maduro, no último sábado (3/1). (mais…)

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