Exame de uma construção midiática. Na Venezuela, como no genocídio em Gaza ou no Iraque, apaga-se a barbárie, deslocando-se o foco para a “precariedade” da vítima e a “excelência técnica” do agressor. O que sobra é um mundo um pouco mais baixo, violento e cínico
Por Ricardo Queiroz Pinheiro*, em Outras Palavras
É sempre a mesma história. Quando veio à tona o sequestro de Maduro — uma operação que envolve a invasão de um país e a retirada forçada de um presidente eleito — grande parte do comentário político entrou em modo automático. Demora umas horas, um ajuste aqui, outro, mas a homogeneidade chega. Em programas da Globo News, UOL, CNN etc, e nesse circuito ampliado de análise e opinião, o enquadramento aparece rápido: um governo incompetente, um Exército dividido, uma estrutura frágil que teria facilitado a ação estadunidense. O gesto em si, grave, criminoso, perdeu centralidade. O foco deslocou-se para a suposta incapacidade do alvo e pela excelência do invasor. (mais…)
