O Brasil à beira do apartheid hídrico

Patrulhas armadas, drones e muros já bloqueiam acesso a rios e represas brasileiros. Privatização do saneamento e da Eletrobras ameaçam levar segregação a todo o país. Surge uma pauta política obrigatória: o Direito à Água desmercantilizada

Por Antonio Martins, em Outras Palavras

Elementos insólitos marcam agora a paisagem, nos canais de irrigação que desviam a água do Rio São Francisco para as grandes fazendas de fruticultura do Nordeste. Em Petrolina (PE), seguranças armados ao estilo Robocop, apoiados por drones, deslocam-se em motocicletas, vigiando a canaleta, para que a população não tenha acesso à água. Os moradores precisam arriscar-se, furtivos, para matar a sede. Em Cabrobó (PE), surgiu um enorme muro, diante do conduto da “transposição”. Agricultores que estão a menos de cem metros da corrente já não tem acesso a ela, nem como dessedentar suas poucas cabeças de cabras. As cenas, que parecem brotar de uma ficção distópica, estão em algo hoje raro na mídia comercial brasileira: uma reportagem. O jornalista Patrick Camporez passou semanas viajando pelas regiões onde estão explodindo os conflitos pela água no país. Seu relato está numa sequência de quatro matérias (1 2 3) que O Estado de S.Paulo começou a publicar domingo (2/2) e se estenderá até amanhã.

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Centenas de famílias podem ser despejadas em mais de 50 acampamentos na Amazônia em 2020

Em Rondônia visitamos os acampados do Boa Sorte, que vivem conflito que envolve assassinato, milícia rural e documento suspeito do Incra

Por Julia Dolce, José Cícero da Silva, Agência Pública

O sem-terra João Antônio conta que perdeu a noção do tempo que passou com o cano da pistola da Polícia Militar de Candeias do Jamari, em Rondônia, grudado em sua nuca. Foi o suficiente para que o metal parecesse menos gelado em contato com a pele e para que os quatro policiais fardados que o haviam abordado apelassem para outros métodos de violência, como colocar uma granada no escapamento de sua moto, levá-lo para o mato e dizer que iriam explodi-lo.

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Povo Apinajé realiza na aldeia São José, a 10ª Assembleia Geral da Associação Pempxà

Associação União das Aldeias Apinajé-Pempxà

Nós caciques, conselheiros, jovens, mulheres, estudantes, anciãos e crianças do povo Apinajé, somando mais de 100 lideranças vindos de 46 aldeias, estivemos reunidos na 10ª Assembleia Geral da Associação União das Aldeias Apinajé-Pempxà, realizada na aldeia São José na zona rural do município de Tocantinópolis, no Norte de Tocantins, no período de 17 a 22 de janeiro de 2020.

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Como a corrupção no Incra levou à expulsão de um pequeno agricultor de sua terra

Por Julia Dolce, A Pública

Um dos conflitos agrários mais tensos de Rondônia envolve 31 mil hectares de terras da União na zona rural de Candeias do Jamari e foi gestado, segundo as autoridades consultadas pela Agência Pública, com a ajuda do Incra, o órgão agrário que deveria democratizar o acesso à terra no país e mediar os conflitos no campo.

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A fascinante comida pós-agro e seus incômodos. Por George Monbiot

Breve, será possível produzir todo tipo de alimento sem a devastação provocada pela grande agricultura e pecuária. O que isso revela sobre as oportunidades de nossa época e as sabotagens de um sistema que insiste em não morrer

No Outras Palavras

Parece um milagre, mas não é necessário nenhum grande salto tecnológico. Em um laboratório comercial no entorno de Helsinque, capital finlandesa, observei cientistas transformarem água em comida. Através de uma escotilha em um tanque de metal, eu via uma espuma amarela agitando. É a sopa primeva de bactérias, tirada do solo, com a utilização de hidrogênio extraído da água como fonte de energia. Quando a espuma foi desviada através de um emaranhado de canos, e esguichada em tambores aquecidos, transformou-se em uma farinha amarela rica.

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CDHM reúne governo e justiça baianos para discutir a situação dos gerazeiros na região do Matopiba

Pedro Calvi, CDHM

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM) fez, nos dias 13 e 14 de dezembro, uma diligência à Salvador (BA) para reunir representantes do governo do estado e da justiça em uma reunião pública para debater denúncias de violações de direitos humanos em comunidades geraizeiras no oeste baiano. Os parlamentares Frei Anastácio (PT/PB) e Valmir Assunção (PT/BA) representaram a Câmara dos Deputados. Participaram do encontro, no Centro Administrativo da Bahia, representantes da Procuradoria do Estado, Casa Civil, Casa Militar, CDA, SJDHDS, SEPROMI, Secretaria de Meio Ambiente, Inema e Polícia Federal.

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Maioria dos estados não têm laboratórios para identificar agrotóxicos em alimentos

Os 82 laboratórios do tipo no país estão localizados em apenas 11 estados, a maioria deles em São Paulo e nenhum na região norte; testes não identificam nem a metade dos ingredientes comercializados

Por Pedro Grigori, Agência Pública/Repórter Brasil

Apesar de ser o maior consumidor de agrotóxico do mundo em números absolutos, o Brasil ainda tem dificuldades em identificar se os resíduos desses produtos estão presentes nos alimentos e na água que a população consome. Um dos principais motivos é o número de laboratórios, tanto público quanto privados, com capacidade de realizar essas análises: são 82 em todo país — localizados em apenas 11 estados, sendo que mais da metade está em São Paulo e não há nenhum na região norte.

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O agro é branco

Levantamento inédito revela que propriedades agropecuárias de negros ocupam metade da área das terras de brancos; entre as maiores propriedades, há quatro brancos para cada negro

Por Bruno Fonseca, Rute Pina, Agência Púbica

As grandes propriedades de terra no Brasil são brancas. Em terras com mais de 10 mil hectares, para quatro produtores rurais brancos há um produtor negro. Já nas pequenas propriedades ocorre o inverso: nos estabelecimentos com menos de 1 hectare, a proporção é de três produtores negros para cada branco. As conclusões são de um levantamento inédito da Agência Pública a partir de dados do último Censo Agropecuário do IBGE, divulgado no final de outubro deste ano. Os dados foram coletados em visitas a mais de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários em 2017.

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Compradores de gado na Amazônia não podem dizer que adquirem carne livre de desmatamento, diz MPF

Auditoria em 23 frigoríficos do Pará mostra avanços na regulação do setor, mas irregularidades como ‘lavagem de gado’ e criação de animais em áreas desmatadas continuam afetando a cadeia produtiva

Por Catarina Barbosa, no Repórter Brasil

Toda empresa que compra gado ou carne na Amazônia, seja um frigorífico ou uma rede de supermercados, acaba adquirindo animais criados em áreas desmatadas. A conclusão é do procurador Daniel Azeredo, do Ministério Público Federal do Pará (MPF-PA), que apresentou na terça-feira (12) os resultados do monitoramento realizado desde 2009 na cadeia produtiva da carne paraense.

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Artigo para baixar: “A gestão pública das águas e os conflitos territoriais na Bacia Hidrográfica do rio Paraguaçu”

Tania Pacheco

O artigo de Iñigo Arrazola Aranzabal (Mestre em Desenvolvimento Territorial Rural pela Flacso, Equador) e Claudio Adão Dourado de Oliveira (antropólogo pós-graduado em Direito Agrário pela UFRJ) tem como cenário a bacia do rio Paraguaçu. Um dos rios mais importantes da Bahia, segundo os autores, o Paraguaçu nasce na Chapada Diamantina e percorre mais de 600 km até a baia do Iguape, no recôncavo baiano:

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