Chamados de ‘invasores’, moradores da centenária favela Trapicheiros na Tijuca se mobilizam

por Tyler Strobl, em RioOnWatch

No início de outubro de 2018, os moradores do Trapicheiros—uma pequena favela de 52 famílias situada perto do Morro do Salgueiro na Tijuca, Zona Norte do Rio—começou a receber mensagens de assédio de estranhos na internet. Uma matéria publicada em 5 de outubro no O Globo e compartilhada pelo grupo Alerta Tijucano no Facebook viralizou e levou a pacífica comunidade às manchetes de notícias. “Quando fui ler a matéria, fiquei muito entristecido com a forma que a matéria foi lançada, sem nenhum tipo de apuração. Isso foi divulgado de uma forma tão grande, a ponto de pessoas que participam desse grupo [do Facebook] chamarem a gente de vagabundos”, relembra Ailton Gonçalves Lopes, segundo secretário da Associação de Moradores do Trapicheiros.

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A violência contra a mulher no contexto das remoções, parte 4: o machismo institucional na cidade patriarcal

por Poliana Monteiro, em RioOnWatch

O despertencimento, isto é, o corte dos vínculos de pertencimento entre a população e o território, é uma ferramenta de controle territorial historicamente utilizada como tática para avançar processos de remoção ou espoliação. Desde a colonização a ocupação, demarcação e afirmação do controle físico e geográfico sobre o espaço configuram uma base material para um conjunto de relações sociais e espaciais intencionalmente desiguais. A dinâmica da fragmentação territorial, do acesso interditado e da expansão dos assentamentos é característica dessa ocupação colonial e também encontra ecos na produção do espaço urbano contemporâneo.

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A Violência Contra a Mulher no Contexto das Remoções no Rio de Janeiro, Parte 2: Violência como Política de Controle

por Poliana Monteiro, em RioOnWatch

Como mencionado na primeira matéria da série, o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) materializou-se mais fortemente na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, região que já contava com uma insuficiência de infraestrutura e serviços, e resultou em uma aguda ampliação do contingente populacional na área, que pressionou ainda mais a expansão urbana desordenada no local. Aliado a isso, a expansão do domínio das milícias amplia as graves consequências da ausência do estado democrático de direito, agravando a violência nessa região, e evidencia a parcialidade da associação entre violência e pobreza.

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Forças Armadas removem violentamente seis famílias na Favela Maracajás, desprezando inúmeras leis

por Tyler Strobl, em RioOnWatch

Este mês de novembro marcou a primeira remoção forçada no Rio de Janeiro desde a era pré-Olímpica, quando o Prefeito Eduardo Paes liderou a remoção de dezenas de milhares de famílias de suas casas. Na terça-feira, 13 de novembro, a Aeronáutica, a Polícia Militar Estadual e a Guarda Municipal trabalharam em conjunto para remover seis famílias da comunidade de Maracajás, na Ilha do Governador, próximo ao Aeroporto Internacional do Rio, na Zona Norte. A remoção ocorreu, aproximadamente, um ano depois que a comunidade enfrentou sua primeira grande ameaça de remoção, o que deixou os moradores em um estado de medo constante. (mais…)

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Famílias são despejadas com violência de comunidade ocupada há mais de 90 anos no Rio

Moradores relatam ação violenta das Forças Armadas durante remoção da Comunidade Maracajás, na zona norte da cidade

Clívia Mesquita, Brasil de Fato

Uma operação na comunidade de Maracajás, no Galeão, localizada na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro, surpreendeu moradores na manhã da última terça-feira (13). A remoção forçada de seis das 15 famílias que habitam um terreno da Aeronáutica, na Estrada dos Maracajás, mobilizou um forte aparato policial, além de oficiais da Aeronáutica e da Guarda Municipal.  (mais…)

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Oficinas do TTC, Parte 1: Oficina Comunitária, Metodologia e Prática

por Priscilla Mayrink, em RioOnWatch

Entre os dias 23 e 27 de agosto a Comunidades Catalisadoras (ComCat)* organizou uma série de oficinas sobre o Termo Territorial Coletivo (TTC), com uma delegação especial do TTC das favelas do Caño Martín Peña, de Porto Rico, para apresentar e debater este modelo de ferramenta de segurança fundiária, no intuito de refletir sobre o TTC no contexto das favelas brasileiras. Durante os cinco dias de oficinas, 130 pessoas participaram, inclusive 50 lideranças ou moradores de favelas fluminenses. As oficinas foram organizadas em parceria com a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, a Pastoral de Favelas, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio (CAU), o Laboratório de Estudos das Transformações do Direito Urbanístico Brasileiro (LEDUB), o Instituto Lincoln de Políticas de Terra (LILP), e o Global Land Alliance. (mais…)

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Cidades: da especulação à Reforma Urbana

Quatro décadas de políticas habitacionais esgotaram-se, ao tornarem nossas metrópoles ainda mais desiguais e desumanas. Mas um novo caminho começa a se esboçar

Por Raquel Rolnik, em Outras Palavras

No final dos anos de 1970, quando arquitetos e urbanistas da minha geração começaram a se envolver com o tema das políticas urbanas, a situação das cidades brasileiras era de precariedade e pobreza, sobretudo em suas extensas periferias em formação. Desprovidas de água, luz, esgoto, pavimentação e calçadas, não eram poucas as casas com chão de barro e paredes de pau-a-pique, papel ou lona. (mais…)

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ONU envia Carta ao Governo Brasileiro em apoio à Comunidade do Horto

Recentemente, os moradores do Horto receberam a notícia do envio de uma carta do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (EACDH) ao governo brasileiro em apoio à luta pela permanência da bicentenária comunidade do Horto. A carta foi redigida em abril deste ano, mas os moradores do Horto só receberam a notícia de que ela havia sido enviada ao governo há duas semanas, no final  do mês de setembro. O documento dá ao governo brasileiro sessenta dias para responder a várias questões, sobre o caso, ali relatadas. A carta está disponível ao público, em inglês, no acervo de relatórios do OHCHR (EACDH)

por Geovanna Giannini, em RioOnWatch

Na página de relatório de comunicação e pesquisa do Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos há a seguinte explanação sobre o propósito da elaboração destes documentos: (mais…)

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Após recentes ameaças de remoções, Araçatiba se une e segue em frente

por Tyler Strobl, em RioOnWatch

A comunidade de Araçatiba, de mais de 40 anos, é situada em Barra de Guaratiba, na distante Zona Oeste do Rio. Para chegar do Centro da cidade, os moradores e visitantes precisam pegar uma combinação de ônibus–uma viagem que dura mais de duas horas de muitos cantos da cidade. No entanto, na chegada, a pessoa entra em um mundo diferente. A comunidade está situada ao longo de um manguezal de água salgada e, a cada dia, a maré traz a água que sustenta a vida da flora e da fauna da região. O ar é visivelmente mais limpo. (mais…)

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Após cinco anos, Vila Hípica continua sem eletricidade em remoção ‘passiva’ pelas autoridades federais

por Tyler Strobl, em RioOnWatch

Em 2013, as luzes foram apagadas na Vila Hípica, uma comunidade estabelecida no Alto da Boa Vista no Parque Nacional da Tijuca do Rio de Janeiro. Hoje, cinco anos depois, os moradores continuam sem eletricidade. A eletricidade é atualmente fornecida aos estabelecimentos e restaurantes no parque ao redor, mas é seletivamente negada aos moradores da Vila Hípica, no que pode ser considerada uma estratégia para remover ‘passivamente’ as famílias que restam. Num ato de resistência, uma moradora, Maria Haydée Alves da Silva Teruz, conhecida como Haydée, recentemente viajou para Brasília com uma delegação do Conselho Popular para apelar às autoridades federais. Na ocasião, o fornecimento de eletricidade foi prometida, mas até hoje ainda não voltou. (mais…)

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