Feminicídio virou rotina no Brasil. Por Talíria Petrone

O feminicídio é a expressão mais extrema do machismo estrutural que organiza a sociedade brasileira. Ele nasce da desigualdade nas relações de poder, da cultura da posse, da naturalização da violência doméstica e do silenciamento das mulheres

No Le Monde Diplomatique Brasil

O ano de 2025 entrou para a história como um dos mais violentos para as mulheres brasileiras. Não por acaso ou por fatalidade, mas como resultado direto de uma estrutura social que ainda naturaliza a desigualdade de gênero, a violência doméstica e o controle sobre os corpos e as vidas das mulheres. Os dados oficiais escancaram essa realidade e exigem que o país encare o problema com seriedade, compromisso político e ação concreta. (mais…)

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“Feminicídio está sendo naturalizado”, critica vice-presidente do Instituto Maria da Penha

Lei Maria da Penha completa 20 anos, mas violência contra a mulher continua em escalada

Por Mariama Correia | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

Uma das principais vozes no combate aos feminicídios e na luta pelos direitos das mulheres no Brasil, Regina Célia Barbosa, cofundadora e vice-presidente do Instituto Maria da Penha, faz um alerta. Em 2026, quando chegamos aos 20 anos da Lei Maria da Penha, principal instrumento legal de combate à violência de gênero no país, considerada uma das mais avançadas do mundo, “o feminicídio está chegando a um processo de naturalização”. (mais…)

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Ministra da Mulher diz que há resistência para política nacional de combate à violência

Em entrevista, Márcia Lopes aponta que oito estados ainda não assinaram Pacto Nacional de 2023

Por Mariama Correia | Edição: Bruno Fonseca, em Agência Pública

Em 2026, ser mulher no Brasil ainda é um risco. Quatro mulheres são assassinadas todos os dias, em média, no nosso país. No ano passado, mergulhamos em uma espiral de violência de gênero, ultrapassando a marca de mil feminicídios no ano. Foram 1.350 ocorrências, segundo o Ministério das Mulheres, com casos que chocam pelos requintes de crueldade. (mais…)

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Nenhuma a Menos X Política pública de Menos: quando a política não chega e o feminicídio avança. Por Sérgio Botton Barcellos

No dia 14 de dezembro de 2025 no Brasil, após os atos contra o PL da dosimetria, no qual progressistas e segmentos da esquerda foram às ruas, foi muito pautado, além da pauta sobre o “Congresso Inimigo do povo”, emergiram também muitos protestos relacionados ao feminicídio no país. Falar disso, como homem branco, hétero e cis, ciente dos meus privilégios, mesmo vindo de uma classe popular, é sempre complexo e desafiador. Além de lidar e questionar os meus privilégios e enfrentar o meu próprio machismo, assim como o machismo presente nas relações com as pessoas com quem eu convivo, pergunto-me, então, o que posso fazer nesse debate a partir do lugar que vivo. Sob essa perspectiva, vou esboçar aqui nesse ensaio o feminicídio à luz das pesquisas que desenvolvo em sociologia, especialmente no campo das políticas públicas. A partir disso, reforço e parto do princípio aqui que o feminicídio no Brasil não é um conjunto de coincidências e não pode ser reduzido apenas a fatores culturais, ainda que estes sejam essenciais na dimensão social, pois devem ser considerados em conjunto com dimensões econômicas, ambientais e políticas da realidade. (mais…)

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Feminicídios: o desamor que virou arma

Em meio às ruínas do modelo de homem-provedor, jovens ressentidos apostam na disputa sexual. Nas frustrações afetivas e precariedade dos vínculos, ultradireita encontra combustível político. E a violência vira modo de afirmação subjetiva do masculino

Por Tainá Machado Vargas, em Outras Palavras

A cada nova notícia de misoginia destas semanas, a brutalidade se torna mais explícita e o espanto, mais silencioso. É nesse cenário que se impõe a necessidade de enfrentar a fragmentação dos afetos e compreender o lugar que o ressentimento masculino ocupa hoje nas formas de envolvimento emocional e sexual com mulheres. A precarização dos vínculos, somada à politização da feminilidade, intensifica a corrosão entre subculturas violentas de masculinidade, nas quais gênero, desejo e status de poder se convertem em arenas de tensão permanente. (mais…)

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Mulheres vivas: a luta depois dos atos antifeminicídio

Agora, o corpo coletivo se ergueu. É fruto de um imenso esforço de educação popular, chamados, articulações, rodas, assembleias, grupos de zap, cartazes improvisados, criação de artistas, alianças improváveis e uma certeza: haverá Levante

Por Hellen Frida, em Outras Palavras

Nos últimos dias, o país assistiu a uma sequência de violências brutais contra mulheres. São casos que escancaram uma ferocidade já denunciada pelos movimentos feministas, mas que agora transborda para o noticiário nacional com força avassaladora. As mortes, os estupros, as torturas, as tentativas de feminicídio não são exceções, não são acidentes, não são “pontos fora da curva”: são a expressão máxima de um sistema que nos atravessa há séculos e que insiste em nos punir por existirmos. (mais…)

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Ato Mulheres Vivas na Amazônia denuncia impunidade dos feminicídios na Justiça

Enquanto o país protesta contra a violência de gênero, mulheres da região amazônica seguem sendo assassinadas, muitas vezes sob a impunidade da Justiça, que não reconhece os crimes de ódio ao gênero. Durante os protestos, a UBM pediu a federalização do caso de Deusiane Pinheiro, morta com um tiro na cabeça em 2015. O acusado pelo crime é o ex-namorado militar, que segue impune

Por Nicoly Ambrosio, da Amazônia Real

Manaus (AM) –  Sob a mobilização nacional “Mulheres Vivas”, mulheres de todo o Brasil ocuparam as ruas no fim de semana contra o avanço da violência de gênero. Na Amazônia Legal, elas cobraram com urgência por proteção, leis mais rígidas diante dos feminicídios e a tipificação do crime de ódio contra a mulher nos processos judiciais. Diferente dos outros estados do país, os casos de feminicídios são invisibilizados na região que compreende os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Roraima, Rondônia, Pará e Tocantins. (mais…)

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