Como o Brasil pode superar a fome

Relatora de grande inquérito sobre insegurança alimentar e pandemia aponta as causas do problema e frisa: todas são perfeitamente conhecidas e debeláveis. Num país que é grande exportador de alimentos, basta vontade e ações criativas podem assegurar nutrição adequada

Por Gabriela Leite, Outra Saúde

No próximo domingo, o Brasil poderá escolher um caminho diferente daquele de Jair Bolsonaro, que visa a destruição. E talvez o problema mais urgente a ser tratado seja o da fome, que teve um crescimento alarmante em especial após o início da pandemia de covid. Negada pelo presidente, chegou ao patamar de 33,1 milhões de pessoas que não têm o que comer e vivem num dos países que mais produz alimentos no mundo. (mais…)

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No Brasil da fome, votar é a última prioridade

A favela do Chuvisco, zona sul de São Paulo, o maior colégio eleitoral brasileiro, é um retrato de um país onde 6 em cada 10 pessoas não têm acesso pleno à comida. É o Brasil de Ana Mirtes, onde o dinheiro do transporte até a escola a impede de alcançar a urna

por Talita Bedinelli, em Sumaúma

Ana Mirtes da Silva Santos se espreme na beirada de um fogão velho de quatro bocas dentro de sua casa de madeira. Tenta se desviar de uma goteira. Aquele único cômodo, onde a sala é separada do quarto por um tapume sem porta, guarda sua vida e a de Samuel, seu filho de 10 anos. Há uma pia, uma mesa, um televisor, uma bicicleta, uma geladeira. Tem uma cama de solteiro onde ambos dormem, um cobertor xadrez que cobre a janela no lugar do vidro, algumas roupas. Sobre o chão de cimento, retalhos do que um dia foi um carpete, empapados pelos pingos que avançam pela telha furada. É possível sentir a água sob os pés. Ana chora ao contar que, no dia anterior, quando a chuva também não deu trégua, sua camiseta ficou encharcada sem que ela sequer pisasse na rua. Quando Ana chora, o choro é também o desabafo de muitas dores acumuladas. Desde que a pandemia fez rarear os bicos de faxina, houve dias em que ela e o filho almoçaram arroz com alface ou uma papa feita com fubá. Na ausência de comida para os dois, ela já escolheu alimentar o filho e dormir com fome. “O estômago rói por dentro”, diz.

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A fome é a nova escravidão. Entrevista especial com Régia Agostinho

“Se Maria Firmina dos Reis ousou sonhar um novo mundo para os escravizados, Carolina Maria de Jesus nos mostrou em 1960 que a abolição veio, mas ela foi e continua incompleta porque não se deram as mesmas oportunidades a negros e brancos após a abolição”, afirma a historiadora

Por: João Vitor Santos | Edição Patricia Fachin, em IHU

A fome é uma “realidade que infelizmente ainda faz parte do nosso mundo, afinal, hoje temos 33 milhões de brasileiros que passam fome, a maioria deles, provavelmente são negros e pardos. Se convencionou chamar isso de ‘insegurança alimentar’, que é o eufemismo cruel para a fome que assola o nosso povo”, constata Régia Agostinho, ao comentar a condição social brasileira atual, já retratada na obra da escritora Carolina Maria de Jesus, Quarto de despejo. Diário de uma favelada (1960). Segundo ela, as personagens negras do livro de Carolina de Jesus expressam a “consciência que a própria Jesus tinha de sua condição de mulher negra e favelada e que tinha sido colocada naquilo que ela entendia como o quarto de despejo da grande cidade de São Paulo. No diário, ela fala da abolição e como a nova escravidão seria a fome que a população negra e favelada passava no Brasil de 1960”. (mais…)

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A fome na campanha eleitoral. Por Jean Marc von der Weid

IHU

“Entre os que ganham entre um e dois salários-mínimos a metade contraiu dívidas e um terço vendeu bens para pagar as contas, sendo que 42% deixou de pagar as contas de água e de luz e 36% deixou de comprar remédios. O resultado é que 40% deixaram de comprar alimentos básicos. Em outras palavras, a fome persiste e, com os aumentos constantes nos preços dos alimentos, deve estar afligindo ainda mais gente”.

O artigo é de Jean Marc von der Weid, ex-presidente da UNE (1969/1971), fundador da ONG Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA), em 1983, membro do CONDRAF/MDA (2004/2016) e militante do movimento Geração 68 Sempre na Luta. (mais…)

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De fome, o menino chamou a Polícia. Por José de Souza Martins

IHU

“O menino não é um agente comunista, do imaginário repressivo dos que se apoderaram do país. Subversiva é a fome, o desvalimento, o abandono social, o desemprego, a degradação do ser humano, a economia desvinculada das obrigações sociais do capital, que são obrigações de sua própria sobrevivência como sistema capaz de produzir grandes riquezas sem necessariamente produzir grandes misérias como a nossa”. (mais…)

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O que é a Frente Nacional Contra a Fome e a Sede, proposta articulada por movimentos populares

Segundo dados da Rede Penssan, 117 milhões de pessoas não têm acesso pleno a comida no Brasil

Rodolfo Rodrigo, Brasil de Fato

A pandemia da covid-19 explicitou a fome que já assolava os povos do campo, da cidade, das florestas e das águas. São 117 milhões de brasileiros que não têm acesso pleno e permanente à comida, de acordo com Rede Penssan. (mais…)

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