O desafio de conceber uma nova representatividade a partir do povo. Entrevista especial com Daniel de Mendonça

João Vitor Santos – IHU On-Line

Para compreender o populismo de Ernesto Laclau, é necessário ir além da ideia de líderes ou de governos populares. Daniel de Mendonça, professor da Universidade Federal de Pelotas – UFPel, destaca que o populismo não se atém a uma ideologia específica. Ou seja, ele parte da pluralidade de demandas coletivas heterogêneas para só então constituir uma homogeneidade representativa para fazer frente a um poder, ou hegemonia, instituída. “O populismo é, antes, uma forma de construir identidades coletivas”, completa. “O populismo não é uma lógica institucional, mas anti-institucional: é a construção de um povo contra as instituições estabelecidas. É fundamental que este elemento contrário ao status quo esteja presente para que possamos verdadeiramente falar em populismo”. (mais…)

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Guerra e devastação nuclear, a ameaça voltou

Noam Chomsky explica como as provocações militares dos EUA, e a rápida ampliação de seu arsenal atômico, multiplicam o risco de um conflito que dizimaria o planeta

Entrevista a George Yancy* | Tradução: Inês Castilho – Outras Palavras

Nos últimos meses, à medida em que a perspectiva de um governo Trump perturbador tornou-se uma perturbadora realidade, decidi procurar Noam Chomsky, o filósofo cuja escrita, fala e ativismo têm, por mais de 50 anos, oferecido insights e desafios sem paralelo aos sistemas políticos norte-americano e global. Nossa conversa, como aparece aqui, aconteceu por meio da troca de uma série de mensagens eletrônicas, nos últimos dois meses. Embora o professor Chomsky estivesse extremamente ocupado, em razão de nossa relação intelectual no passado ele gentilmente arrumou tempo para essa entrevista. (mais…)

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Poder e mercado contra a humanidade e o planeta

Cândido Grzybowski – Ibase

A reunião de líderes do G20 – governantes das 20 maiores economias do mundo –, em Hamburgo, na Alemanha, é daqueles eventos que nada de novo produzem, mas aparam eventuais arestas e afinam compromissos comuns no sentido de manutenção do status quo dominante. Arestas e até contradições existem em profusão, mas nada a por o sistema capitalista em colapso neste momento. Um evento que tem Trump e Putin como estrelas, sob a coordenação da anfitriã Merkel, a poderosa que banca a agenda mais neoliberal possível para a Europa, diz tudo. O que o Temer foi fazer lá nem precisa de maiores comentários. Dificilmente a gente encontra um entre os 20 governantes que não está mal nas pesquisas de avaliação nos seus próprios países. (mais…)

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Não se vence a crise com a economia. Artigo de Edgar Morin

Em um livro sobre o uso da palavra “crise”, o filósofo francês Edgar Morin denuncia as distorções do nosso tempo. “Um indivíduo não se torna terrorista só porque tem fome. A consciência moral regrediu por toda a parte.” No livro Per una teoria della crisi [Por uma teoria da crise] (Ed. Armando, 96 páginas), estão reunidas algumas reflexões do autor sobre o conceito de “crisologia”. O livro inicia com uma conversa com François L’Yvonnet, da qual o jornal Avvenire antecipou algumas páginas. A tradução é de Moisés Sbardelotto

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Melancolia, fragmentação e a crise da práxis. Desafios da esquerda brasileira. Entrevista especial com Sabrina Fernandes

Patricia Fachin – IHU On-Line

O fato de a esquerda estar em crise não significa que ela esteja perdida ou não tenha um projeto. Ao contrário, ela “tem objetivos” e “se enxerga como um ator”, avalia Sabrina Fernandes, autora da tese de doutorado intitulada “Crisis of Praxis: Depoliticization and Leftist Fragmentation in Brazil”, defendida neste ano na Carleton University, no Canadá. “O que eu argumento é que a esquerda está em crise, sim, e essa é uma crise de práxis. Significa que o papel da esquerda em interpelar multidões, transformá-las em atores políticos como base, e assim unificar suas consciências e experiências ao redor de um projeto, está em crise. A falta de trabalho de base é um fator e sintoma disso. Também há a melancolia da esquerda. Na esquerda moderada isso se manifesta como um contínuo entreguismo à ordem política. A política de conciliação de classes do PT, que não passa de uma farsa, é exemplo disso. Já a esquerda radical está melancólica porque não sabe lidar com a hegemonia que o PT ainda possui, sente falta de um tempo de unificação e base estruturada que não vai recuperar tão fácil assim e se confunde entre autoproclamação, agitação e politização com frequência”, resume. (mais…)

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