A crise do PT vista por dentro

Só uma grande reviravolta – como a que Jeremy Corbyn liderou na Inglaterra – tornaria o partido novamente relevante. Mas haverá caminhos, em meio a vasta burocratização? Dez teses incômodas

Por Eduardo Mancuso*, em Outras Palavras

1. Entre 1988 e 2016, após superar a ditadura militar, o Brasil experimenta o seu mais longo período de democracia com estabilidade política, promulga a chamada Constituição Cidadã, realiza sete eleições para a Presidência da República, conquista avanços civilizatórios com a universalização de direitos e de políticas sociais. O golpe do impeachment (sem crime de responsabilidade) contra a presidenta Dilma, cassa 54 milhões de votos e encerra o ciclo de governos do PT, conquistado em quatro vitórias eleitorais consecutivas, e joga o país em uma longa crise político-institucional. O golpe parlamentar capitaneado por PSDB/MDB, com aval do STF e cobertura da mídia, rompe o pacto democrático, manipulando hipocritamente a bandeira da corrupção contra o Partido dos Trabalhadores e derruba a experiência de governo liderada por Lula – um projeto nacional de desenvolvimento com soberania e inclusão social.

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Boaventura e os caminhos da esquerda: “Maioria do Brasil nunca viveu na democracia”

Em entrevista, o professor português discute alternativas para a esquerda e analisa ascensão da extrema direita

Lu Sudré e Pedro Ribeiro Nogueira*, Brasil de Fato 

“Não faltam alternativos no mundo, o que falta, de fato, é um pensamento alternativo das alternativas”, disse certa vez o professor, sociólogo e pensador português Boaventura Sousa Santos. Interessado em ideias que promovam a emancipação social e tendo dedicado sua vida e atividade intelectual à descolonização de pensamentos e alternativas ao capitalismo tardio, Boaventura recebeu a reportagem do Brasil de Fato, na cobertura do hotel em que se hospedou em São Paulo no fim de dezembro de 2018.

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Boaventura: “Desordem jurídica” protagonizada pelo STF é uma perversão perigosa

Em entrevista ao Brasil de Fato, sociólogo português afirma que caos institucional instaurou no Brasil

Lu Sudré, Brasil de Fato

A legalidade da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, detido desde abril na Superintendência da Polícia Federal (PF) de Curitiba, voltou ao centro do cenário político brasileiro após o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a soltura de todos os presos com condenações após decisão em segunda instância nesta quarta-feira (19). Cinco horas depois, em resposta ao pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o ministro plantonista Dias Toffoli derrubou a decisão

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Série M: Tensões do G20: China, Estados Unidos e Bolsonaro

Por Beatriz Bandeira de Mello e João Feres Júnior, no Manchetômetro

Pela primeira vez a Cúpula do G20 aconteceu na América do Sul. Realizado na Argentina entre os dias 30 de novembro e 1º de dezembro, o evento reuniu os chefes de Estado das vinte maiores economias do mundo. Atualmente, a Cúpula passa por uma revisão paradigmática, dez anos após a primeira reunião ocorrida em meio à turbulência provocada pela crise econômica de 2008. Com o propósito de oferecer uma resposta à crise, orientada pelo multilateralismo, pelo desenvolvimento sustentável e pela cooperação, hoje o G20 enfrenta os desafios de uma guinada protecionista, liderada pelos Estados Unidos, no que tange ao comércio internacional e os desafios das mudanças climáticas.

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Žižek: A eleição de Bolsonaro e a nova direita populista

Em entrevista exclusiva ao Blog da Boitempo, o filósofo esloveno comenta a eleição de Bolsonaro no contexto da onda global de ascensão da extrema-direita populista e provoca: “a única maneira de salvar aquilo que há de bom no liberalismo será na base de uma política mais radical de esquerda”.

No Blog da Boitempo

O filósofo esloveno Slavoj Žižek bateu um papo via Skype com Artur Renzo, editor do Blog da Boitempo, sobre a eleição de Bolsonaro no contexto da onda global de ascensão da extrema-direita populista e a implosão do centro político. Para ele, o desafio é saber diferenciar o sintoma de sua causa: o acontecimento-chave do mundo hoje não é o surgimento da nova direita, e sim a desintegração do grande consenso liberal capitalista ao qual ela responde. Assim, a resposta a esse fenômeno não deveria ser ensaiar um novo populismo de esquerda, nos moldes das figuras de direita que estão ganhando espaço. Mais do que nunca, a esquerda precisa manter sua vocação internacionalista para fazer frente ao capitalismo global. Maoísta de ocasião, Žižek vê na desordem da conjuntura atual uma janela de oportunidade diante da qual a esquerda deve ter a ousadia de propor uma nova visão básica da sociedade. (mais…)

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O que unifica a nova direita populista é o ressentimento, diz professor alemão

por Luís Eduardo Gomes, em Sul21

Na Alemanha, temos a AfD. No Reino Unido, a Ukip. Na Itália, a Liga Norte. Na Polônia, o PiS. Na Áustria, o Partido da Liberdade. Na Hungria, o Fidesz. Ao redor da Europa, novos partidos de direita criados nas últimas décadas crescem e, em alguns casos, chegam ao poder. Mas o que há de comum entre eles? A nova direita é justamente o tema estudado pelo professor alemão Thomas Poguntke, diretor do Düsseldorf Party Research Institute. Para ele, há inconsistências que impedem que esses partidos sejam considerados todos integrantes de um mesmo movimento, mas ele aponta que há sim alguns elementos unificadores entres eles, notadamente uma agenda anti-imigração e o ressentimento com o establishment político de seus países. (mais…)

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Democracia não pode ser reduzida ao exercício do voto. Entrevista especial com Giannino Piana

por Vitor Necchi, em IHU On-Line

Nos últimos tempos, em especial depois do processo eleitoral pelo qual o Brasil passou, é comum se ouvir que é preciso aceitar a decisão da maioria. Essa perspectiva revela um entendimento parcial do conceito de democracia, sendo apenas associado à ideia de que uma decisão democrática é aquela que contemple a maioria. “A democracia – é bom lembrar – não pode se reduzir ao simples respeito formal pelo princípio da maioria, por mais importante que ele seja. Ela envolve a adesão a algumas posturas éticas, que são os pressupostos dos quais não se pode abrir mão se pretendemos concorrer para a busca do bem comum”, alerta o teólogo Giannino Piana. (mais…)

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Fronteiras em movimento. Por Cândido Grzybowski

Do Ibase

O que estamos vivendo no Brasil neste momento é um grande desafio para analistas políticos e ativistas que compartem os princípios e valores éticos da democracia que, sem dúvida, está ameaçada em termos práticos. Mas, admitamos, é muito simplista e nada útil atribuir tudo o que se passa a uma pouco analisada e explicada fascistização da política. Que estamos diante de uma ameaça de barbárie não dá para ter dúvidas. E ela está avançando no mundo inteiro, pelo selvagem processo de globalização capitalista, que se acapara de tudo e de todos e que nos dá – por vias tortas, mas reais, da extrema desigualdade social e destruição ecológica – a vivência e a consciência de um destino comum como humanidade num planeta ameaçado em sua integridade ecossocial. Diante do tal capitalismo com sua barbárie, será que o foco e as nossas categorias analíticas estão ajustados? (mais…)

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‘Os movimentos sociais são a chave para a reinvenção das esquerdas’

Para sociólogo português, no Brasil e outros países há várias esquerdas e todas elas têm pecado pelo sectarismo e pelo isolacionismo

Por Marina Gama Cubas, em Servindi

O resultado das eleições desta semana mostrou a necessidade de novas estratégias para que as esquerdas sobrevivam e consigam ampliar seu público. Para isso, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, professor da Universidade de Coimbra, Portugal, defende que a esquerda precisa parar de falar para os convertidos e começar a estudar elementos importantes a uma grande parcela da população brasileira. (mais…)

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