Boaventura: a Catalunha e a esquerda

Embora sem poder definitivo, plebiscito expressa o desejo de autonomia, contra um governo alinhado com as piores políticas da União Europeia. Até o Podemos omitiu-se sobre isso

Por Boaventura Sousa Santos* – Outras Palavras

O referendo da Catalunha deste domingo vai ficar na história da Europa, e certamente pelas piores razões. Não vou abordar aqui as questões de fundo, as quais podem ser lidas, consoante as perspectivas, como uma questão histórica, territorial, de colonialismo interno ou de autodeterminação. São estas as questões mais importantes, sem as quais não se compreendem os problemas atuais. Sobre elas tenho uma modesta opinião. Aliás, é uma opinião que muitos considerarão irrelevante porque, sendo português, tenho tendência para ter uma solidariedade especial para com a Catalunha. No mesmo ano em que Portugal se libertou dos Filipes, 1640, a Catalunha fracassou nos mesmos intentos. Claro que Portugal era um caso muito diferente, um país independente há mais de quatro séculos e com um império espalhado por todos os continentes. Mas, apesar disso, havia alguma afinidade nos objetivos e, aliás, a vitória de Portugal e o fracasso da Catalunha estão mais relacionados do que se pode pensar. Talvez seja bom lembrar que a Coroa de Espanha só reconheceu a “declaração unilateral” de independência de Portugal 26 anos depois. (mais…)

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Outra esquerda é possível

No Brasil, reina a melancolia. Mas em países como Inglaterra e Estados Unidos, uma postura claramente anti-neoliberal está permitindo à esquerda reconectar-se com a sociedade e sacudir o cenário político

Por Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite – Outras Palavras

Você quer optar por manter-se melancólico – e crer que o duro esforço de recriar a esquerda é inútil, porque o mundo tornou-se definitivamente conservador. Nesse caso, olhe para a Alemanha, onde o partido de extrema-direita voltou ao Parlamento, pela primeira vez desde o nazismo. É uma perspectiva sombria e real; por isso, é legítimo escolhê-la. Mas, por favor, não diga que é a única, nem a mais atual. (mais…)

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Boaventura reexamina as formas de luta

O que diferencia revolução, luta institucional, rebeldia e desobediência civil? Por que, nas últimas décadas, a ciência política esqueceu este debate? Vale a pena retomá-lo?

Por Boaventura de Sousa Santos – Outras Palavras

Há temas que, apesar de serem uma presença constante na vida da grande maioria das pessoas, ora aparecem ora desaparecem do radar daqueles a quem compete refletir sobre eles – seja no plano científico, cultural ou filosófico. Alguns dos temas hoje desaparecidos são, por exemplo, a luta social (mais ainda, a luta de classes), a resistência, a desobediência civil, a rebeldia, a revolução e, subjacente a todas eles, a violência revolucionária. Ao longo dos últimos cento e cinquenta anos estes temas tiveram um papel central na filosofia e na sociologia políticas porque sem eles era virtualmente impossível falar de transformação social e de justiça. Hoje em dia, a violência está onipresente nos noticiários e nas colunas de opinião, mas raramente é referida aos temas anteriores. A violência de que se fala é a violência despolitizada, ou como tal concebida: a violência doméstica, a criminalidade, o crime organizado. Por outro lado, é sempre de violência física que se fala, raramente de violência psicológica, cultural ou simbólica e, nunca, de violência estrutural. Os únicos contextos em que a violência é, por vezes, referida como política é a violência nos países “menos desenvolvidos” ou “Estados falidos” e a violência terrorista, considerada (e bem) como um modo inaceitável de luta política. (mais…)

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A direita mostra os dentes. Como (re)agir?

Defesa da intervenção militar é, também, um sinal de que o golpe parlamentar esgotou-se. Resta saber quem dará resposta à frustração e raiva da maioria

Por Antonio Martins | Vídeo: Gabriela Leite | Imagem: Rubem Grilo – Outras Palavras

O fantasma da intervenção militar esvoaçou sobre o Brasil esta semana. O general Martins Mourão, da ativa, prometeu na sexta-feira passada “derrubar este troço todo”, se o Congresso e o Judiciário não retirarem de cena “esses elementos envolvidos em todos os ilícitos”. Seus superiores – o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas e o ministro da Defesa, Raul Jungmann – recusaram-se a puni-lo. Em São Paulo, a Rota, tropa mais brutal da PM, fez exercícios de repressão política, simulando uso de munição real, em plena Avenida Paulista. Uma nova sondagem pré-eleições presidenciais mostrou Jair Bolsonaro consolidado em segundo lugar, abaixo apenas de Lula e à frente de todos os conservadores tradicionais. Como tem sido comum há meses, muitos, entre a esquerda, reforçaram sua convicção fatalista de que “o pior está por vir” e de que “não haverá 2018”. (mais…)

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Prêmio Compolítica para Artigos de Conjuntura (2018): “Comunicação e Política no Brasil Contemporâneo”

Por Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política 

Em meio a um dos mais graves momentos de crise política no Brasil e aos questionamentos sobre o papel da Comunicação nesse contexto, a Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (COMPOLÍTICA) anuncia a abertura das inscrições para o Prêmio Compolítica para Artigos de Conjuntura (2018), com o tema “Comunicação e Política no Brasil Contemporâneo”. A iniciativa tem a intenção de estimular a produção de artigos acadêmicos de conjuntura e premiar trabalhos inéditos que ajudem a entender o contemporâneo em suas múltiplas dimensões, com especial ênfase nas relações entre Comunicação e Política. (mais…)

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“A esquerda perdeu sua imaginação, seja para reformas moderadas, seja para um projeto de transformação mais incisivo”. Entrevista especial com José Maurício Domingues

Patricia Fachin – IHU On-Line

A esquerda, não só no Brasil, mas no mundo, “não tem projeto claro de futuro, a menos que se considere que o que se passa na China tem caráter democratizador e socialista, quando na verdade se trata apenas do triunfo do aspecto nacionalista da Revolução Chinesa e uma versão particular de desenvolvimento capitalista”, diz o historiador e sociólogo José Maurício Domingues à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. (mais…)

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