Querem que oprimidos pensem que a saída é votar no opressor, diz sociólogo Boaventura de Sousa Santos

No Blog do Sakamoto

”Se os partidos não se derem conta que estamos em uma situação pré-fascista, em que a democracia foi sequestrada por antidemocratas, no final, estarão todos destruídos por essas forças conservadoras.”

A avaliação é do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, considerado um dos mais importantes intelectuais da esquerda na atualidade. Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, em Portugal, e professor da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, e da Universidade de Warwick, no Reino Unido, possui uma extensa produção sobre participação social, modelos de democracia e concepções de direitos humanos. Ligado a movimentos sociais brasileiros e globais, Boaventura veio ao Brasil participar de uma série de eventos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre e falou com o blog. (mais…)

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Boaventura: o risco da desimaginação social

Em tempos de crise, capital flerta com hiper individualismo. Para este, a competição é o máximo. Cabe à cultura, e à religião, aceitar a guerra de todos contra todos

Por Boaventura de Sousa Santos* – Outras Palavras

O social é o conjunto de dimensões da vida coletiva que não podem ser reduzidas à existência e experiência particular dos indivíduos que compõem uma dada sociedade. Esta definição não é neutra. Define o social pela negativa, o que permite atribuir-lhe uma infinidade de atributos que variam de época para época. É, por outro lado, uma definição eurocêntrica porque pressupõe uma distinção categorial entre o social e o indivíduo, uma distinção que, longe de ser universal ou imemorial, é específica da filosofia e da cultura ocidentais, e nestas só se tornou dominante com o racionalismo, o individualismo e o antropocentrismo renascentista do século XV, os quais viriam a ter em Descartes o seu mais brilhante teorizador. Tanto é assim que a máxima expressão desta filosofia–cogito ergo sum, “penso logo existo”– não tem tradução adequada em muitas línguas e culturas não eurocêntricas. Para muitas destas culturas, a existência de um ser individual é não só problemática como absurda. É o caso das filosofias da África austral e do seu conceito fundamental de Ubuntu, que se pode traduzir por “eu sou porque tu és”, ou seja, eu não existo senão na minha relação com outros. Os africanos não precisaram esperar por Heidegger para conceber o ser como ser-com (Mitsein). (mais…)

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O poder do sistema financeiro e a insustentabilidade das desigualdades sociais. Entrevista especial com Ladislau Dowbor

Entrevista Ricardo Machado | Edição Patricia Fachin – IHU On-Line

O sistema financeiro, além de atuar numa dinâmica internacional, interferindo em toda a economia mundial, “se tornou extremamente poderoso”, e é a sua manutenção que explica, ao menos em parte, porque uma parcela muito pequena da população possui uma renda muito maior do que o restante. Resumindo, diz o economista Ladislau Dowbor, “enquanto se remunera a 7% a aplicação financeira, que não produz nada, o PIB cresce a 2% ou 2,5%, ou seja, o dinheiro vai para onde rende mais”. É por isso, esclarece, que “muitas empresas pararam de produzir, dizendo que rendia muito mais aplicar em títulos do governo”. (mais…)

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Perspectivismo político e pragmatismo radical como alternativas à crise política. Entrevista especial com Moysés Pinto Neto

Patricia Fachin – IHU On-Line

“A tese do ‘pragmatismo radical’ é uma tentativa de escapar dos dilemas infinitos e entediantes sobre a unidade ou o futuro da esquerda”, afirma Moysés Pinto Neto à IHU On-Line, ao explicar o “oximoro provisório” que vem adotando em suas análises políticas. Segundo ele, “a palavra ‘pragmatismo’ quer dizer que temos que realmente querer aquilo que dizemos. (…) O pragmatismo a que me refiro não é do acordão com o PMDB, mas o que efetivamente quer derrotar o PMDB. E para isso temos que pensar estratégia, temos que ler os pontos fracos, temos que estudar os movimentos do adversário e fazer o que é necessário”. (mais…)

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Não existe ‘outro mundo para se construir’. Existem outras relações e modos de vida a se construir nesse mesmo mundo. Entrevista especial com Alana Moraes

Patricia Fachin – IHU On-Line

O pensamento do filósofo alemão Walter Benjamin e da geração do entre guerras é oportuno para refletir sobre o atual momento político do Brasil e sobre a crise da esquerda, porque essa geração, embora tenha sido “atormentada pela emergência do fascismo”, “se deu conta de que a ideia de um tempo histórico acumulativo que nos guiaria sempre ao ‘progresso’ não passava de uma ficção”, diz a antropóloga Alana Moraes à IHU On-Line. Segundo ela, Benjamin pensa “em um modelo de história atravessado por tempos aleatórios e que, por isso mesmo, está aberta a todo tempo a uma erupção imprevisível do novo. Essa é a aposta otimista de Benjamin que precisamos resgatar: fomos derrotados, mas está tudo outra vez em aberto”, sugere. (mais…)

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“O ajuste, da maneira que foi feito no Brasil, é totalmente equivocado, pois produziu um desajuste”. Entrevista especial com Luiz Gonzaga Belluzzo

Patricia Fachin – IHU On-Line

As políticas de austeridade que têm sido adotadas em muitos países desde a crise econômica internacional de 2008 “partem do princípio de que hoje a culpa é de vocês, ou seja, do povo, que quer saúde de graça, que gasta demais, que pressiona os orçamentos”, diz o economista Luiz Gonzaga Belluzzo à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida pessoalmente quando esteve no Instituto Humanitas Unisinos – IHU,participando do ciclo de eventos Intérpretes e suas obras, na última segunda-feira, 09-10-2017, onde apresentou seu novo livro, escrito em conjunto com Gabriel Galípolo, Manda quem pode, obedece quem tem prejuízo (São Paulo: Facamp, 2017). Para ele, a adesão a esse tipo de política é “uma forma de replicar e reproduzir o mesmo sistema de dominação e controle que se tinha ao longo dos anos 1980 e que se acentuou depois”. (mais…)

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‘Como é possível governar pagando uma quadrilha?’, questiona Antonio Negri

Antes de se tornar uma das mais importantes vozes críticas da esquerda mundial, o filósofo italiano Antonio Negri, de 84 anos, passou quatro anos e meio preso sob a acusação de participar da morte do líder democrata-cristã Aldo Moro. Eram o fim dos anos 1970, anos de chumbo na Itália. Saiu da cadeia ao ser eleito deputado. Professor de filosofia do Direito e Teoria do Estado na Universidade de Pádua e depois na Universidade de Paris VIII e no Collège International de Philosophie, Negri conhece a realidade brasileira – esteve nessa semana em São Paulo participando de seminário 1917, o Ano que Abalou o Mundo e do lançamento do livro homônimo, organizados pela editora Boitempo. Aqui, ele fala sobre Lula, de Antonio Palocci, o futuro do PT e da esquerda no ano do centenário da revolução russa

Marcelo Godoy – O Estado de S. Paulo / IHU On-Line (mais…)

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Bolhas de intolerância não constroem significados coletivos. Entrevista especial com Leonardo Sakamoto

Por: João Vitor Santos e Lara Ely | Edição: Patricia Fachin – IHU On-Line

Apesar de a população brasileira ser majoritariamente conservadora em relação a pautas polêmicas, para entender a existência de uma nova onda conservadora no país é preciso voltar ao episódio que tomou conta das ruas em junho de 2013, diz Leonardo Sakamoto à IHU On-Line. “Junho de 2013 não foi um movimento violento, mas um movimento legítimo. Entretanto, ao mesmo tempo, como efeito colateral, a extrema-direita aproveitou-se desse momento e acabou ocupando espaço”, diz. Segundo ele, há quatro anos, quando as manifestações tomaram conta do país, “a esquerda partidária ficou com medo das ruas”, não entendeu as reivindicações da população e “acabou jogando os jovens de bandeja para a extrema-direita, que, agora, os acolhe. Muitos dos jovens não organizados que estiveram nas ruas em 2013 acabaram caindo no colo desse pessoal, que entrega a eles uma narrativa”. (mais…)

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Boaventura: a Catalunha e a esquerda

Embora sem poder definitivo, plebiscito expressa o desejo de autonomia, contra um governo alinhado com as piores políticas da União Europeia. Até o Podemos omitiu-se sobre isso

Por Boaventura Sousa Santos* – Outras Palavras

O referendo da Catalunha deste domingo vai ficar na história da Europa, e certamente pelas piores razões. Não vou abordar aqui as questões de fundo, as quais podem ser lidas, consoante as perspectivas, como uma questão histórica, territorial, de colonialismo interno ou de autodeterminação. São estas as questões mais importantes, sem as quais não se compreendem os problemas atuais. Sobre elas tenho uma modesta opinião. Aliás, é uma opinião que muitos considerarão irrelevante porque, sendo português, tenho tendência para ter uma solidariedade especial para com a Catalunha. No mesmo ano em que Portugal se libertou dos Filipes, 1640, a Catalunha fracassou nos mesmos intentos. Claro que Portugal era um caso muito diferente, um país independente há mais de quatro séculos e com um império espalhado por todos os continentes. Mas, apesar disso, havia alguma afinidade nos objetivos e, aliás, a vitória de Portugal e o fracasso da Catalunha estão mais relacionados do que se pode pensar. Talvez seja bom lembrar que a Coroa de Espanha só reconheceu a “declaração unilateral” de independência de Portugal 26 anos depois. (mais…)

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