Cabe à cidadania ativa criar possibilidades de outro futuro – parte I. Por Cândido Grzybowski

Do Ibase

Estamos mergulhados em uma conjuntura de impasses e incertezas, que exige visão estratégica, determinação e sentido de urgência. De um lado, a pandemia com suas ameaças à vida no aqui e agora. De outro, devido a ela, foram postos a nu e convergiram todos os males das corrosivas e destrutivas estruturas e processos em que assenta a globalização capitalista neoliberal. Como nos lembra o equatoriano Alberto Acosta, a pandemia não pode ser vista dissociada do “… patriarcado, colonialismo, discriminação, extrativismos, violências, ecocídios, etnocídios, imperialismos…”. E nós, cidadania brasileira, temos isto tudo combinado com a ameaça fascista e o desgoverno do capitão presidente. Bota desafio para pensar e agir em tal contexto!

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Bolsonaro e o ocaso da teoria política moderna

A teoria política moderna se fundamenta em algumas premissas que a crise da sociedade burguesa plenamente desenvolvida se encarrega de solapar.

Por Mauro Luis Iasi, no Blog da Boitempo

“Outrora, o bem dos particulares produzia o tesouro público; agora, porém, o tesouro público torna-se patrimônio dos particulares. A República é uma presa; sua força não passa do poder de alguns cidadãos e da licença de todos.” MONTESQUIEU

A teoria política moderna se fundamenta em algumas premissas que a crise da sociedade burguesa plenamente desenvolvida se encarrega de solapar. A ordem burguesa nascente preocupava-se com o Estado – considerado como necessário e inevitável para a existência da vida em sociedade –, mais precisamente, com as maneiras de evitar que a forma política torna-se um poder que se volta contra os cidadãos controlando-os ao invés destes o controlarem.

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Pós-pandemia COVID19: uma proposta em “construção socioeconômica” na América Latina e no Caribe

O que são commodities ambientais?

Por Amyra El Khalili*, Pravda.ru

As commodities ambientais são mercadorias originárias de recursos naturais, produzidas em condições sustentáveis, e constituem os insumos vitais para a indústria e a agricultura. Estes recursos naturais se dividem em sete matrizes: 1) água; 2) energia, 3) biodiversidade; 4) floresta (madeira); 5) minério; 6) reciclagem; 7) redução de emissões poluentes (no solo, na água e no ar).

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Thomas Piketty, o socialismo participativo é um cenário aberto para a crise que virá

IHU On-Line

As grandes agitações político-ideológicos recém começaram. Em seu último, monumental, livro Capital e ideologia (em português, pela Editora Intrínseca, com lançamento previsto para julho), Thomas Piketty observa-os a partir de uma ideia norteadora contra as antigas e novas desigualdades que serão produzidas pela crise desencadeada pela pandemia de Covid-19. O economista francês fala de um “socialismo participativo“, cujo objetivo é provocar uma transformação radical do modo de produção capitalista e de seu regime de propriedade, que deveria ser transformado em uma “propriedade social e temporal que também pode exigir uma reforma constitucional”. Nessa perspectiva, o tão comentado retorno do estado à cena assume uma conotação política precisa.

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Na pandemia, entre a espada e a flor

Por Aluísio Câmara*, Marco Zero Conteúdo

Vivemos em loop, definitivamente. Uma gripe epidêmica volta com nova roupagem 100 anos depois, vitimando milhares de pessoas. Encontra ainda um enorme despreparo de nossa sociedade em cuidar de si mesma e avança em terreno fertilizado pela desassistência do poder público. Como se não bastasse, o cenário político é incerto e extremado, como se estivéssemos caminhando célere para um confronto não consensual e nada democrático. Mas afinal, nesse percurso e ritmo que estamos seguindo, com polarizações tão antagônicas e conflituosas, quem poderá encontrar uma alternativa não violenta e totalitária?

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“Não tem mais mundo pra todo mundo”, diz Deborah Danowski

A filósofa, que pesquisa há anos “a quebra da relação do homem com o mundo”, diz que a pandemia foi “uma pancada”, mas a sociedade ainda não percebeu a extensão e a urgência do colapso ecológico, em parte pela ação dos negacionistas financiados pela elite

Por Marina Amaral, Agência Pública

Deborah Danowski não é apenas professora, doutora e pós-doutora em filosofia. Ela é uma das maiores estudiosas do aquecimento global, ou do colapso ecológico, como ela prefere, e militante ambiental aguerrida. Com o companheiro, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, divide alguns cursos na pós-graduação Pós-Graduação da PUC, e a autoria de um livro que vem dando muito o que pensar. Lançado em 2014, “Há um mundo por vir: ensaio sobre os medos e os fins” é uma espécie de ensaio-provocação sobre a ruptura do homem com o mundo, que está por trás da destruição do planeta em ritmo assustador. As ficções distópicas no cinema, nas séries de TV, nos livros, as versões de “fins dos mundos” que imaginamos, são uma maneira de expressar a percepção desse colapso, diz Deborah, embora a humanidade esteja longe de perceber a urgência e a extensão dessa catástrofe, da qual a atual pandemia é uma pequena amostra.

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Diálogos entre Saberes e Emburrecimentos Contemporâneos: Entrevista Coletiva com Leonardo Boff

Por Ana Gretel Echazú Böschemeier[1] e Marília Melo de Oliveira[2]

Leonardo Boff esteve em março deste ano em Natal, capital do Rio Grande do Norte, convidado para dar uma palestra dentro do ciclo “Nas trilhas da democracia” organizado pela ADURN – Associação de Docentes Universitários do RN Universidade Federal de Rio Grande do Norte. Dias depois, entre o 27 e o 29 de março, teve lugar a XVII Semana da Antropologia, que estava sendo organizada pelo Departamento de Antropologia da mesma universidade. Desde a organização do evento e levando em consideração os tempos desafiadores nos quais nos toca o exercício da nossa prática, colocamos como leit motiv do evento as “demandas dos movimentos sociais à antropologia”. Na relação entre democracia e direitos humanos a partir do ponto de vista de uma antropologia crítica, elaboramos alguns eixos para a discussão, com demandas que partiam desde uma perspectiva interseccional, ou que focavam nas margens como espaço produtivo, ou bem que se pensavam e sentiam desde os corpos; trouxemos também a discussão da criminalização e resistência de e desde os movimentos sociais e, finalmente, abrimos o espaço para uma discussão sobre o antropoceno – que é um conceito vindo dos estudos da ecologia para se referir às mudanças estruturais acontecidas no planeta terra a partir da ação humana. Foi com a intenção de conversar sobre essas problemáticas inspirando xs estudantes, colegas e líderes de movimentos sociais que viriam para o evento que marcamos e gravamos nossa entrevista coletiva com Leonardo Boff.

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“O mundo deve mudar, e os ideais do socialismo democrático são os que mais deveriam ser estimados”. Entrevista com Judith Butler

Judith Butler é filósofa feminista e professora da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Em fins de março, a editora ASPO (Aislamiento Social Preventivo y Obligatorio) lançou Sopa de Wuhan: pensamiento contemporáneo en tiempos de pandemia, uma coletânea de textos de vários intelectuais sobre a Covid-19, entre eles, além de Butler, Byung Chul-Han, Slavoj Zizek, Franco “Bifo” Berardi e David Harvey. Nesta entrevista, a autora de Problemas de gênero reflete sobre o mundo açoitado pela pandemia de coronavírus.

A entrevista é de Constanza Michelson, publicada por Ctxt. A tradução é do Cepat, em IHU On-Line

Eis a entrevista.

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Prognóstico é ruim e vai piorar, diz Fiori

Por Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena, no Tutameia

“Nosso prognóstico político e econômico para o Brasil é muito ruim, e a situação deverá ficar ainda pior quando começarem a surgir os primeiros focos de rebeldia social inorgânica, movidos pela fome e pela miséria, que crescerão de forma geométrica no ano de 2020”. O alerta é do sociólogo e cientista político José Luís Fiori em entrevista ao TUTAMÉIA (acompanhe a leitura da entrevista no vídeo acima e inscreva-se no TUTAMÉIA TV). Professor de economia política da UFRJ, ele analisa aqui mudanças geopolíticas decorrentes da pandemia e afirma:

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