É preciso coragem para refazer a cidadania, sem medo de errar e recomeçar. Por Cândido Grzybowski

Do Ibase

É próprio do fazer sociológico a análise mais apurada da correlação de forças políticas criadoras das conjunturas, por mais retrógradas que sejam. Mas o “que fazer” de ativista é pensar e agir sempre para mudar as conjunturas com visão de futuro desejável, vendo onde incidir para torná-lo possível. Carrego em mim mesmo tal dilema. É sempre mais fácil tomar distância e fazer análise, a mais fundadamentada possível, sem nela incorporar o nosso imaginário de outro mundo, dos princípios e valores éticos que nos orientam, das opções estratégicas que pensamos serem necessárias para tanto. O fato é que este outro lado da reflexão, engajado, muda a própria análise e revela o compromisso que ela carrega. É um dilema? Sem dúvidas, é! Mas para que vale a ciência sem visão e compromisso ético com o futuro e com a busca de sua realização histórica a partir do aqui e agora?

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“O bolsonarismo é o neofacismo adaptado ao Brasil do século 21”

Para estudioso português de governos autoritários, bolsonarismo soma “nostalgia da ditadura, discurso sobre a corrupção” e “ligação ao mundo evangélico”

Por Ricardo Viel, Agência Pública

Manuel Loff tinha 9 anos quando um grupo de capitães e soldados portugueses, cansados de serem mandados à África para uma guerra sanguinária contra os movimentos de libertação das colônias, derrubou uma ditadura que já durava 41 anos – a mais longeva da Europa. A lembrança mais viva que tem daquele dia 25 de abril de 1974, quando a Revolução dos Cravos derrubou o regime salazarista (fundado por António de Oliveira Salazar), é do irmão, que tinha 14 anos, bêbado, a gritar: “Já não vou para a guerra!”.

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E agora, Brasil? Por Boaventura de Sousa Santos

No Brasil de Fato

As palavras que mais ocorrem são estupefacção e perplexidade. O governo brasileiro caiu no abismo do absurdo, na banalização total do insulto e da agressão, no atropelo primário às regras mínimas de convivência democrática, para já não falar das leis e da Constituição, na destilação do ódio e da negatividade como única arma política. Todos os dias somos bombardeados com notícias e comentários que parecem vir de uma cloaca ideológica que acumulou ranço e decomposição durante anos ou séculos e agora exala o mais nauseabundo e pestilento fedor como se fosse o perfume da novidade e da inocência.

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Uma “potência acorrentada”

Está em marcha o “Projeto Dominium”: Bolsonaro & Guedes minam liderança regional do Brasil para transformá-lo em protetorado dos EUA. Superar esse destino exigirá um projeto de longo prazo de país — e que a sociedade volte a caminhar por si

por José Luís Fiori, Outras Palavras

Em qualquer momento da história é possível acovardar-se e submeter-se, mas, atenção, porque o preço das humilhações será cada vez maior e insuportável para a sociedade brasileira. 
J.L.F. História, estratégia e desenvolvimento. São Paulo: Editora Boitempo, 2014, p. 277.

Fatos são fatos: na segunda década do século XXI, o Brasil ainda é o país mais industrializado da América Latina e é a oitava maior economia do mundo; possui um Estado centralizado, uma sociedade altamente urbanizada e é o principal player internacional do continente sul-americano. E apesar de sua situação atual, absolutamente desastrosa, segue sendo um dos países com maior potencial pela frente, se tomarmos em conta seu território, sua população e sua dotação de recursos estratégicos.

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Boaventura de Sousa Santos: “Os trabalhadores estão ficando cada vez com mais trabalho e sem direitos”

Em visita ao RS, Boaventura de Sousa Santos falou com o Brasil de Fato sobre a situação política e social do Brasil

Fabiana Reinholz e Katia Marko; Luiz Muller (Rede Soberania), no Brasil de Fato

Em uma manhã de um leve frio, depois de alguns dias de um “veranico” um tanto quanto atípico para o mês de junho porto-alegrense, o sociólogo e jurista português Boaventura de Souza Santos, das universidades de Coimbra (Portugal), de Wisconsin-Madison e de Warwick (EUA), conversou por mais de uma hora com o Brasil de Fato RS e com a Rede Soberania. 

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“O efêmero é o que rompe o curso do tempo da dominação”. Entrevista com Jacques Rancière

No IHU Online

Há formas de pensar não diferentes, mas em dissidência, de não repetir a esgotadora mensagem do diagnóstico do mal e, ao mesmo tempo, de descobrir as possibilidades infinitas da ação humana. O filósofo francês Jacques Rancière pertence a esta dinastia dos rebeldes com magia e argumentos. Aquele que se aproximar de sua abundante obra, sairá com suas convicções transtornadas. Discípulo de Louis AlthusserRancière, no entanto, fugiu dos vícios de uma tradição marxista fossilizada, confrontando seu pensamento com as lutas concretas dos operários e os dominados.

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Tatiana Roque: “O problema da esquerda não é a pauta dita identitária, mas sim a lacração”

Para filósofa e matemática, campo progressista deve se opor à reforma da Previdência de Bolsonaro apresentando seu próprio projeto. Defende que a renovação deve vir a partir dos municípios

por Felipe Betim, em El País

No ano passado, a filósofa e matemática Tatiana Roque, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), decidiu se filiar ao Partido Socialismo Liberdade (PSOL) e se candidatar a deputada federal pelo Rio, conseguindo 15.789 votos. Não foi o suficiente para entrar na Câmara dos Deputados. De volta a vida acadêmica, Roque agora ajuda a articular um movimento transversal de pessoas independentes que não se encaixam ou não identificam com as correntes de partidos como o PT e o próprio PSOL, mas que querem fazer política e ter propostas progressistas concretas. “Muitos expressam vontade de fazer trabalho de base. A experiência do ‘vira voto’ [às vésperas da eleição de Jair Bolsonaro] foi muito marcante para todo mundo. Eram pessoas que estavam afastadas da política. E elas vão fazer política onde agora? Como?”, explica Roque em entrevista ao EL PAÍS. O principal foco, acredita, é reconstruir a esquerda, derrotada nas últimas eleições pelo ultraconservador Bolsonaro, a partir das eleições municipais de 2020.

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A organização popular é a “nossa fortaleza”, diz líder do MST

João Paulo Rodrigues, líder do MST, e Flávia Rios, professora de História da UFF, participaram de análise de conjuntura ao lado de lideranças do movimento negro

Por Pedro Borges, do Alma Preta em MST

Lideranças do movimento negro organizaram para o dia 23 de Março, sábado, na Biblioteca Mário de Andrade, um debate sobre análise de conjuntura com a participação da historiadora Flávia Rios (UFF) e de João Paulo Rodrigues, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

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James Green: “A esquerda não volta ao poder se não fizer uma renovação total. É um processo de 8 a 12 anos”

Historiador e brasilianista norte-americano conversa com o EL PAÍS sobre ditadura brasileira e a renovação que o campo progressista terá que enfrentar

Por Felipe Betim, El País Brasil

James Green já foi chamado de “namorado” da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), com quem foi visto passeando nos Estados Unidos em 2017. Ambos se aproximaram quando ela ainda estava na presidência e ele escrevia um livro sobre o militante de esquerda Herbert Daniel, que participou da luta armada durante a ditadura, foi amigo de Rousseff e teve que, numa época em que a homossexualidade era vista como um desvio burguês pela esquerda, reprimir sua sexualidade. Revolucionário e gay: A extraordinária vida de Herbert Daniel foi lançado no Brasil em agosto de 2018 pela editora Civilização Brasileira. Historiador e brasilianista norte-americano, Green estudou ciências sociais na Universidade de São Paulo (USP) no final dos anos 70 e ajudou a fundar o PT em plena transição para a democracia. Hoje, conta, vem ao Brasil ao menos quatro vezes por ano.

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