“O efêmero é o que rompe o curso do tempo da dominação”. Entrevista com Jacques Rancière

No IHU Online

Há formas de pensar não diferentes, mas em dissidência, de não repetir a esgotadora mensagem do diagnóstico do mal e, ao mesmo tempo, de descobrir as possibilidades infinitas da ação humana. O filósofo francês Jacques Rancière pertence a esta dinastia dos rebeldes com magia e argumentos. Aquele que se aproximar de sua abundante obra, sairá com suas convicções transtornadas. Discípulo de Louis AlthusserRancière, no entanto, fugiu dos vícios de uma tradição marxista fossilizada, confrontando seu pensamento com as lutas concretas dos operários e os dominados.

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Tatiana Roque: “O problema da esquerda não é a pauta dita identitária, mas sim a lacração”

Para filósofa e matemática, campo progressista deve se opor à reforma da Previdência de Bolsonaro apresentando seu próprio projeto. Defende que a renovação deve vir a partir dos municípios

por Felipe Betim, em El País

No ano passado, a filósofa e matemática Tatiana Roque, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), decidiu se filiar ao Partido Socialismo Liberdade (PSOL) e se candidatar a deputada federal pelo Rio, conseguindo 15.789 votos. Não foi o suficiente para entrar na Câmara dos Deputados. De volta a vida acadêmica, Roque agora ajuda a articular um movimento transversal de pessoas independentes que não se encaixam ou não identificam com as correntes de partidos como o PT e o próprio PSOL, mas que querem fazer política e ter propostas progressistas concretas. “Muitos expressam vontade de fazer trabalho de base. A experiência do ‘vira voto’ [às vésperas da eleição de Jair Bolsonaro] foi muito marcante para todo mundo. Eram pessoas que estavam afastadas da política. E elas vão fazer política onde agora? Como?”, explica Roque em entrevista ao EL PAÍS. O principal foco, acredita, é reconstruir a esquerda, derrotada nas últimas eleições pelo ultraconservador Bolsonaro, a partir das eleições municipais de 2020.

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A organização popular é a “nossa fortaleza”, diz líder do MST

João Paulo Rodrigues, líder do MST, e Flávia Rios, professora de História da UFF, participaram de análise de conjuntura ao lado de lideranças do movimento negro

Por Pedro Borges, do Alma Preta em MST

Lideranças do movimento negro organizaram para o dia 23 de Março, sábado, na Biblioteca Mário de Andrade, um debate sobre análise de conjuntura com a participação da historiadora Flávia Rios (UFF) e de João Paulo Rodrigues, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

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James Green: “A esquerda não volta ao poder se não fizer uma renovação total. É um processo de 8 a 12 anos”

Historiador e brasilianista norte-americano conversa com o EL PAÍS sobre ditadura brasileira e a renovação que o campo progressista terá que enfrentar

Por Felipe Betim, El País Brasil

James Green já foi chamado de “namorado” da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), com quem foi visto passeando nos Estados Unidos em 2017. Ambos se aproximaram quando ela ainda estava na presidência e ele escrevia um livro sobre o militante de esquerda Herbert Daniel, que participou da luta armada durante a ditadura, foi amigo de Rousseff e teve que, numa época em que a homossexualidade era vista como um desvio burguês pela esquerda, reprimir sua sexualidade. Revolucionário e gay: A extraordinária vida de Herbert Daniel foi lançado no Brasil em agosto de 2018 pela editora Civilização Brasileira. Historiador e brasilianista norte-americano, Green estudou ciências sociais na Universidade de São Paulo (USP) no final dos anos 70 e ajudou a fundar o PT em plena transição para a democracia. Hoje, conta, vem ao Brasil ao menos quatro vezes por ano.

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Perry Anderson e o Brasil do Capitão. Por Cândido Grzybowski

do Ibase

Começamos o ano com a sensação de tragédias em série. De repente, tudo parece fora de lugar, fora dos trilhos. Algumas tragédias esperadas, como o começo do novo governo Bolsonaro. Mas ninguém imaginava algo assim: um grupo seleto de generais dando um mínimo de coerência nos bastidores, uma agressiva proposta de capitalismo selvagem na economia e de democracia para poucos na esfera jurídica, com um desconcertante conjunto de ministros em outras áreas, com agendas e falas fora do tempo e do lugar, como nas relações exteriores, educação, direitos humanos e meio ambiente. A prometida política de menos Estado e mais livre mercado já deu um grande alerta do que pode acontecer em diferentes territórios da cidadania do Brasil: a destruição e morte em Brumadinho. A isto se soma o tórrido verão com suas devastadoras tempestades, sinais de mudança climática que o novo governo nem admite como evidência científica. E temos as tragédias cotidianas de violência e morte, aumentadas pelo “liberou geral”, seja contra as mulheres ou contra as e os moradores das grandes periferias socialmente segregadas pelo racismo e pobreza, seja contra indígenas, quilombolas, posseiros e sem terra. Agora já podemos nos armar para nos matar mais facilmente, de acordo com uma das primeiras medidas do novo governo. Onde vamos parar com isto?

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Neepes/ENSP promoveu encontro de saberes, sabores e linguagens artísticas entre academia e movimentos populares

Por Joyce Enzler, no Informe Ensp

O lançamento do Núcleo de Ecologias, Epistemologias e Promoção Emancipatória da Saúde (NEEPES) na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, promoveu o encontro de acadêmicos, moradores do território, indígenas, estudantes, ambientalistas, lideranças de movimentos populares, poetas, artistas e as comidas agroecológicas do Terrapia. De acordo com o coordenador do Núcleo, Marcelo Firpo, o lançamento do NEEPES é o compromisso com uma agenda de pesquisa e produção de conhecimento que articule linguagens artísticas, acadêmicas e populares em torno das lutas por saúde territoriais, dignidade e saúde, tanto no campo como na cidade. 

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Boaventura de Sousa Santos: “Se o Escola sem Partido tiver futuro, o Brasil não tem futuro”

Por Bruna Castelo Branco, Ag. A TARDE

Boaventura de Sousa Santos é um intelectual, cientista social, escritor e, sobretudo, educador português. Por isso, olha com preocupação para os caminhos que o atual Ministério da Educação (MEC) tem traçado para o Brasil. “O que é trágico nesse momento do país é que as fábricas do ódio, do medo e da mentira estão se transformando nas políticas públicas de educação”, opina ele. Mesmo que de longe, lá de Portugal, onde dirige o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e dá aula na Faculdade de Economia – que, inclusive, ajudou a fundar em 1973 – Boaventura tem um olhar especial sobre o Brasil.

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O fetichismo e as formas políticas: o Estado burguês na forma burlesca. Por Mauro Luis Iasi

A bizarrice burlesca do governo atual não é uma característica contingente. Ela é a forma necessária do Estado burguês em um momento em que nenhuma racionalidade minimamente séria consegue mais ligar as intensões neoliberais aos resultados obtidos

“Se há um idiota no poder
é porque os que o elegeram
estão bem representados.”
Barão de Itararé

No Blog da Boitempo

Marx estava convencido de que o fetichismo da mercadoria constituía a base real daquilo que Hegel entendia como uma das dimensões da alienação: o estranhamento, esse processo pelo qual as objetivações humanas se distanciam daqueles que as criaram e se voltam contra ele como uma força hostil que os controla.

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As incessantes fábricas do ódio, do medo e da mentira. Por Boaventura de Sousa Santos

Em Alice/CES/UC

Quando o respeitado Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, renunciou ao cargo em 2018, a opinião pública mundial foi manipulada para não dar atenção ao facto e muito menos avaliar o seu verdadeiro significado. A sua nomeação para o cargo em 2014 fora um marco nas relações internacionais.

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Não adianta olhar para o Fórum Econômico Mundial. Por Cândido Grzybowski

do Ibase

Enquanto buscamos nos situar diante da conjuntura política brasileira, devemos também procurar entender como outras resistências se organizam diante da onda de autoritarismo e fascismo mundial e o que propõem como alternativa. Não adianta olhar para Banco Mundial, FMI, OMC, ONU, Fórum Econômico Mundial. De tais esclerosadas instituições nada a esperar com capacidade de dar algum sinal, pois todas são parte da mesma crise. É preciso ir e ver além.

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