Patricia Fachin – IHU On-Line
O fato de a esquerda estar em crise não significa que ela esteja perdida ou não tenha um projeto. Ao contrário, ela “tem objetivos” e “se enxerga como um ator”, avalia Sabrina Fernandes, autora da tese de doutorado intitulada “Crisis of Praxis: Depoliticization and Leftist Fragmentation in Brazil”, defendida neste ano na Carleton University, no Canadá. “O que eu argumento é que a esquerda está em crise, sim, e essa é uma crise de práxis. Significa que o papel da esquerda em interpelar multidões, transformá-las em atores políticos como base, e assim unificar suas consciências e experiências ao redor de um projeto, está em crise. A falta de trabalho de base é um fator e sintoma disso. Também há a melancolia da esquerda. Na esquerda moderada isso se manifesta como um contínuo entreguismo à ordem política. A política de conciliação de classes do PT, que não passa de uma farsa, é exemplo disso. Já a esquerda radical está melancólica porque não sabe lidar com a hegemonia que o PT ainda possui, sente falta de um tempo de unificação e base estruturada que não vai recuperar tão fácil assim e se confunde entre autoproclamação, agitação e politização com frequência”, resume. (mais…)
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