Newsletter da Ponte
Debaixo do sol quente e do céu azul do Sete de Setembro, ouvindo vuvuzelas e palavras de ordem edificantes sobre Deus, pátria e família, eu contemplava multidões de pais, mães, avós, filhos, bandeiras, sorrisos e crianças, e em meio a tudo isso pensava em como monstros deveriam se parecer.
O que aquelas pessoas reunidas ali na Paulista defendiam, eu sabia, era uma monstruosidade. Não uma monstruosidade disfarçada, como nas manifestações verde e amarela de 2016, em que os defensores da intervenção militar, da ditadura e da tortura ocupavam as bordas do ato e do discurso central — ainda que convivendo tranquilamente e sem problema com os demais, é bom lembrar. No Sete de Setembro da Paulista de 2021, contudo, a mobilização foi toda construída em torno da ideia de rompimento da ordem democrática para salvar um governo de extrema-direita, responsável direto pela morte de 400 mil pessoas (segundo o cálculo do epidemiologista Pedro Hallal).
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