Boaventura: “Só os míopes desprezam a utopia”

Confinado numa aldeia portuguesa, ele acaba de concluir novo livro. A pandemia abre o século XXI, argumenta, e surgem três cenários possíveis. É preciso lutar, com “otimismo trágico”, pela saída pós-capitalista. Ou aguardar, em apatia, o pior

Boaventura de Sousa Santos a José Cabrita Saraiva, no I / Outras Palavras

No livro que acaba de enviar para a editora defende que o século XXI começa agora. Entre as mudanças que antevê, aponta o fim do turismo internacional e o redimensionamento de centros comerciais.

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Juiz Nicolitt: ‘A pele negra é a pele do crime, como diz o Baco Exu do Blues’

Magistrado que mandou soltar violoncelista negro preso sem provas no Rio diz que, em um ano, se apreende a mesma quantidade de drogas em São Gonçalo do que foi apreendida em um avião da FAB

Por Caê Vasconcelos, na Ponte

André Luiz Nicolitt | Foto: Reprodução

Na magistratura há 19 anos, André Luiz Nicolitt sabe da importância que é ser um dos pouquíssimos juízes negros no Brasil. Em uma decisão histórica, assinada no último sábado (5/9), o juiz de Direito do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro), além de conceder liberdade provisória ao músico negro Luiz Carlos Justino, 23 anos, questionou o racismo por trás da prisão do violoncelista.

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Sobre identitarismos, antirracismos e lugares de fala. Por Dennis de Oliveira

No Jornal da USP

Determinados fenômenos ganham mais repercussão em função das diversas análises do que por eles em si. Foi o caso do filme da Beyoncé,  Black is King, produzido pelos estúdios Disney. O filme em si seria mais uma das megaproduções de um dos maiores oligopólios midiáticos se não fosse a repercussão da polêmica gerada pela crítica da professora Lilia Schwartz e as respostas em vários outros artigos, entre eles o de Djamila RibeiroAline RamosAza Njeri (que propõe uma leitura afrocentrada da produção de Beyoncé), entre várias outras. A repercussão continuou com um pedido de “desculpas” da própria Lilia Schwartz em seu Instagram no dia 4 de agosto. E, depois, Maria Rita Kehl volta a colocar o tema em pauta com um artigo intitulado “Lugar de cale-se”.

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Aílton Krenak: “Necropolítica é também uma força obscura que as pessoas admitem, cultivam e andam com ela por aí”

Para autor do livro A Vida Não É Útil, temos uma oportunidade rara de reprogramar a vida na Terra

Por Eduardo Nunomura, na CartaCapital

Um dos mais influentes pensadores da atualidade, Ailton Krenak está confinado em sua aldeia próxima do Rio Doce e anda indignado com o negacionismo, fruto de uma guerra silenciosa que contagia as pessoas e transforma muitos em zumbis.

Nesta pandemia, a Terra teve de parar. Para ele, esta é uma oportunidade para reprogramar o futuro da Humanidade.

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Lugar de “cale-se”! por Maria Rita Kehl

No A Terra é Redonda

O que seria da democracia se cada um de nós só fosse autorizado a se expressar em relação a temas concernentes a sua experiência pessoal? O que seria do debate público?

Decidi participar do debate entre setores do Movimento Negro e Lilian Schwarcz a respeito da Beyoncé, porque admiro muito tanto Lilian quanto o MNU. Acompanhei com interesse a divergência; admiro a Lilian por sua retratação pública, considerando que ela tenha sido convencida pelas críticas do Movimento Negro. Não gosto de imaginar que tenha feito isso apenas porque lhe sugeriram que calasse a boca. Acredito que a palavra, quando utilizada para argumentar e convidar o outro a pensar e debater conosco, seja o melhor recurso para resolver, ou ao menos dialetizar, ideias e valores situados em polos aparentemente opostos do vasto campo da opinião pública.

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Quando é o liberal que pavimenta a estrada do autoritarismo. Por Marcelo Semer

Na Revista Cult

A racionalidade neoliberal preparou o terreno para mobilizar e legitimar forças ferozmente antidemocráticas na segunda década do século 21.

A conclusão é da cientista política da Universidade de Berkeley nos Estados Unidos, Wendy Brown, autora do recente Nas ruínas do neoliberalismo: a ascensão da política antidemocrática no Ocidente (Politeia), na qual relaciona o crescimento das formações políticas nacionalistas autoritárias a três décadas de “assaltos neoliberais à democracia, à igualdade e à sociedade”.

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Breque no despotismo algorítmico: uberização, trabalho sob demanda e insubordinação. Por Ludmila Costhek Abílio

No blog da Boitempo

Eu, você e outro motoboy estamos trabalhando lá, são 8 pedidos para conseguir o bônus. Eu e você fizemos 7, o outro motoboy fez 4. Para quem eles vão jogar a entrega? Para o outro motoboy. (Mauro, motoboy há quinze anos)

A redução do motoboy a entregador sob demanda

Neste mês de julho os motoboys e os que a eles se juntam agora na categoria de entregadores alcançaram um feito histórico. Quem é motoboy há mais de seis anos sabe que sua profissão vem sendo dilacerada. Em 2012, este profissional já lidava com o viver arriscado e cheio de tensões, sob o peso das mortes e fraturas cotidianas que compõem a normalidade do cenário urbano. A discriminação era e segue sendo vivida no elevador de carga, na espera forçada na recepção, no campo de guerra do tráfego urbano. “O mesmo cara que reclama do chute no retrovisor é o que me xinga quando a pizza chega fria.” Esta era a síntese de Afrânio, que na época da entrevista completava 32 anos como motoboy e 51 de vida. “O cara esquece a chave em casa e lá vou eu buscar na chuva… ‘Pô, cê demorou hein, soubesse eu mesmo tinha ido buscar…’ ‘Amigo, sua chave não vale mais do que a minha vida’.1

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Luta e Luto pelos 30 anos da Chacina de Acari inaugura Julho Negro 2020

no Rio On Watch

Neste domingo, 26 de julho de 2020, completam-se 30 anos da Chacina de Acari. A data marca o início das atividades da 5ª edição do Julho Negro, articulação internacional contra a militarização, o racismo e o apartheid no mundo, organizado por movimentos de favelas do Rio de Janeiro e mães e familiares de vítimas da violência de Estado como as Mães de Acari. Na última sexta (24/7), movimentos de luta do Julho Negro promoveram um Twittaço para dar visibilidade a luta contra o genocídio da população negra a partir da hashtag #ChacinaDeAcari30Anos.

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Žižek: A dialética paralisada da pandemia

Nossa vida social não está paralisada por estarmos tendo que obedecer a regras de isolamento social e quarentena – nesses momentos de aparente paralisia, as coisas estão mudando radicalmente. A rejeição ao lockdown é na verdade uma rejeição à mudança.

No Blog da Boitempo

O simples que é difícil de fazer

Os marxistas tradicionais costumavam estabelecer uma distinção entre o comunismo propriamente dito e o socialismo, que seria sua etapa inicial, inferior (na qual o dinheiro e o Estado ainda existiriam, os trabalhadores ainda recebem salários e assim por diante). Na União Soviética houve um debate em 1960 sobre onde eles se encontrariam nesse quesito, e a conclusão foi que embora não estivessem ainda no comunismo pleno, tampouco se encontravam na sua etapa inferior (o socialismo). O resultado foi a introdução de uma distinção adicional entre uma fase inferior e superior do próprio socialismo… Ora, será que algo semelhante não está ocorrendo agora com a epidemia da covid-19? Até cerca de um mês atrás, nossa mídia estava recheada de alertas sobre uma segunda e muito mais potente onda da epidemia que ocorreria no outono e no inverno.

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Nota de Esclarecimento do TJ-SP sobre o episódio do desembargador em Santos

Em relação ao episódio ocorrido em Santos, ontem (18), quando o desembargador Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira foi multado por um Guarda Civil Municipal por não utilizar máscara enquanto caminhava na praia, o Tribunal de Justiça de São Paulo informa que, ao tomar conhecimento, determinou imediata instauração de procedimento de apuração dos fatos; requisitou a gravação original e ouvirá, com a máxima brevidade, os guardas civis e o magistrado.

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