No Brasil de Bolsonaro, as definições de vagabundo foram atualizadas

Por Rosana Pinheiro-Machado , no The Intercept Brasil

A subjetividade fascista que cresce no Brasil não mobiliza o medo de um inimigo externo, como é comum no hemisfério norte. Nosso inimigo é interno: o velho conhecido vagabundo.

Todo mundo conhece muitos vagabundos, mas ninguém se acha um. Vagabundo é sempre o “outro”. “Nós” somos humanos, do bem, inteligentes, realizadores e dotados da moral cristã. Tudo que temos é mérito do suor de nosso trabalho, e o que não temos é porque os “vagabundos” recebem privilégios e mamatas. Quando “nós” morremos, a dor é imensa porque nossas vidas importam. “Eles”, os vagabundos, são menos humanos. São lesados, preguiçosos e pervertidos. Tudo o que eles possuem vêm de vida fácil. Quando “eles” morrem não há dor e, muitas vezes, há até comemoração, pois vagabundo bom é vagabundo morto.

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Wagner Moura: “Os cidadãos têm a obrigação de resistir”

Após a estreia na Berlinale de “Marighella”, seu primeiro filme como diretor, Wagner Moura conta em entrevista como chegou ao tema, fala sobre resistência em regimes autoritários e comenta as dificuldades que o longa deve enfrentar para ser distribuído no Brasil de hoje.

Por Camila Gonzatto, no Blog da Berlinale/Goethe-Institut

Com mais de duas horas e meia, Marighella debruça-se sobre os últimos anos da vida do escritor, político e ativista Carlos Marighella, morto pela ditadura militar no Brasil. A ênfase do filme recai sobre a atuação do protagonista na Ação Nacional Libertadora (ANL) – um dos grupos de luta armada ativos contra o regime. O longa-metragem foi construído como uma obra ficcional de ação, com câmera próxima aos personagens, muitas vezes na mão, planos rápidos e montagem ágil. “Não quero que o filme soe como algo do passado. Quero que as pessoas o sintam como algo que está acontecendo agora”, diz o diretor. Em uma mesa-redonda com jornalistas de vários países do mundo, Wagner Moura fala sobre Marighella.

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A blitzkrieg do olavo-bolsonarismo contra a educação está em marcha

Por Rafael Moro Martins, do The Intercept Brasil

Empunhando simplórias Bic Cristal e com o ar compenetrado de quem acaba de se alistar nos Intocáveis de Eliot Ness, os ministros Ricardo Vélez Rodríguez e Sergio Moro assinaram ontem um documento que o colombiano e discípulo de Olavo de Carvalho vê como o estopim da “Lava Jato da Educação”.

O objetivo é “apurar indícios de corrupção, desvios e outros tipos de atos lesivos à administração pública no âmbito (sic) do MEC e de suas autarquias nas gestões anteriores”, diz no release.

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Laranjas venenosas. Por Janio de Freitas

A realidade vai mais longe, porque a Câmara está contaminada

Na Folha

A bancada do PSL de Bolsonaro está constituída, na Câmara, com a inclusão de beneficiários de burla eleitoral. E não só eleitoral, por se tratar de atos lesivos aos cofres públicos. Essa é a realidade.

Também não bastam investigações do Ministério Público e da Polícia Federal em Minas e em Pernambuco, estados com a burla de “laranjas” já exposta na Folha. Como o próprio Bolsonaro dirige o indicador para Gustavo Bebianno, hoje secretário-geral da Presidência e presidente do PSL no ano passado, há mais motivo para suspeitar que a burla rendosa fosse uma orientação ampla. Além disso, o já comprovado desvio de verba eleitoral, para pagamento de gráfica inexistente, atesta um método de desvios para caixa dois ou para bolsos pessoais.

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Eduardo Galeano: Obras completas en PDF

No Bloghemia

Eduardo Galeano fue una de las plumas latinoamericanas más destacadas del siglo pasado. Pero no solamente se destacó como autor de novelas, también tuvo una prolífica y muy notable carera como periodista en el mundo gráfico.

También, debemos remarcar al abordar a este fantástico autor uruguayo que supo ser un intelectual muy comprometido con la política y el contexto social de su tiempo. Es decir, Galeano, jamás se demostró indiferente a la dictadura de su país durante la década del setenta y a la cruenta propuesta instalada en la Argentina durante la misma época, prueba de ello es que debió irse de su país por su férrea oposición.

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A cadeira da foto

Por Hélio Menezes

O registro causa enjôo. Ali está a encenação de nostalgia colonial, racista e escravocrata, congelada numa imagem que funciona como síntese da elite brasileira. A foto da festa de 50 anos de Donata Meirelles, diretora da revista Vogue, evoca e faz reviver as “cadeirinhas de carregar” do século XIX, com dois escravos ao lado de uma figura branca ao centro. Além de violenta, a versão atual da imagem é exageradamente cafona – mas aqui nos tristes trópicos a cena ganha ares de elegância, com direito a selo Vogue de qualidade. Vai entender. Mas, cá entre nós: a quem ainda surpreende a existência de uma imagem dessas? Embora absurdamente escandalosa, esse é uma cena perversamente cotidiana, recriada e naturalizada diariamente em restaurantes, lojas, clubes, academias, praças, praias, universidades, ruas e avenidas.

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Michael Löwy: a Opção Ecossocialista como alternativa radical à crise civilizatória (final)

Na parte final do novo ensaio: as sintonias e dissensos entre as teorias de emancipação social e o ambientalismo. Por que as duas correntes podem — e precisam — se reencontrar. A transição necessária para uma lógica pós-capitalista (a primeira parte pode ser lida AQUI)

No Outras Palavras

Bases Teóricas

Ainda que o ecossocialismo seja um fenômeno bastante recente, suas bases teóricas podem ser rastreadas até Marx e Engels. Pois questões ambientais não eram tão salientes no século XIX como na nossa era de catástrofe incipiente ecológica, estas preocupações não exerciam um papel central nos trabalhos de Marx e Engels. Ainda assim, seus escritos usam argumentos e conceitos vitais para a concepção de uma alternativa socialista e ecológica frente ao sistema prevalente.

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Em Brumadinho como em Mariana… A “irresponsabilidade organizada”. Por Henri Acselrad

Na Folha

Mais uma vez lama, destruição, morte, desamparo e desolação.

Ante o desastre em Brumadinho – MG, algumas falas governamentais inicialmente divulgadas pela mídia evocam a necessidade de orações. Outras declaram perplexidade ante fatos há muito e por muitos prenunciados – desde associações de peritos criminais até inúmeros grupos de pesquisa de Universidade públicas. Outros, ainda, dizem nada poder fazer, por tratar-se, no caso, de evento de responsabilidade de uma empresa privada: “o governo federal não tem nada a ver com isso”.

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A capacidade de julgar, distinguindo o bem e o mal, nos actuais tempos

O que fazer face a todas estas situações? Só conheço uma forma. Actuar em todos os campos da sociedade em defesa da democracia e aprofundá-la em todas as suas instituições.

Por Irene Flunser Pimentel, no Público

Aqui há uns dois anos, o jornalista e escritor Olivier de Guez entrevistou-me, como a outros portugueses, para tentar desfazer aquilo a que ele chamava mistério português, o único país da Europa onde não havia movimentos populistas de extrema-direita, racistas e xenófobos importantes, e muito menos no Parlamento. O resultado das entrevistas foi um artigo, intitulado La mélancolie portugaise, rempart contre le national-populisme (Points, 13/4/2017). No entanto, se o jornalista francês cá voltasse hoje, veria que a situação, embora não completamente, já é outra.

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Raça, género e classe: a mesma luta

Não é necessário escolher entre luta de classes ou lutas feministas e anti-racistas. Estamos perante um único processo de metamorfose, em que a multiplicidade de novos vectores se vai opondo à velha cultura patriarcal, colonial e neoliberal.

Por Vítor Belanciano , no Público

No seguimento das ocorrências no Bairro da Jamaica, houve quem afirmasse que o racismo é apenas uma questão de pele negra, independentemente da condição social. E existiu quem lembrasse que, mesmo que assim seja, quanto mais fragilizada for a condição social de alguém mais difícil será o acesso a uma cidadania plena. 

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