Onde está o fundo do poço? “Startup de imóveis anunciou apartamento em São Paulo com idosa à beira da morte dentro”

Por Tatiana Dias, no The Intercept Brasil

O ANÚNCIO chamava a atenção: um apartamento de 70 metros quadrados, no coração de Pinheiros, um dos bairros mais valorizados de São Paulo, por apenas R$ 475 mil. Era quase metade do valor normalmente cobrado por metro quadrado na região. O imóvel estava à venda pela Loft, imobiliária apresentada como uma “plataforma digital que usa a tecnologia para simplificar a venda e compra de imóveis”.

Mas, quando o interessado abria o tour virtual para conhecer melhor o apartamento, encontrava no meio da sala uma maca com uma senhora idosa, deitada, cercada por remédios, sujeira e bagunça. Só o rosto dela estava borrado; o visitante conseguia ver sua cama, seu corpo, os detalhes do cômodo, as fotos de família e os remédios que ela tomava, enquanto o apartamento era negociado pela imobiliária, responsável pela avaliação do imóvel e a divulgação.

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#liberteofuturo. Por Eliane Brum

Por que nos juntamos num movimento global de resgate do presente

No El País

No manifesto #liberteofuturo, lançado neste domingo, 5 de julho, escrevemos: “Lançamos esse movimento porque não queremos ser abatidos como gado. Seja no campo ou na cidade, queremos viver como floresta ―em pé― e lutar”. Sim, queremos lutar pelo futuro do presente ―no presente. Nós, que temos nos mostrado tão competentes em imaginar o fim do mundo ―do apocalipse bíblico aos filmes de zumbi, dos vírus (que agora tivemos uma amostra) a um ataque alienígena, do domínio da inteligência artificial ao holocausto nuclear―, temos que nos tornar capazes de imaginar o fim do capitalismo. Temos que nos tornar capazes, principalmente, de imaginar um futuro onde possamos e queiramos viver. Imaginar é ação política. Imaginar é instrumento de resistência. Imaginar o futuro já é começar a criar o presente.

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Catedral reabre com Jesus negro em pintura de última ceia no Reino Unido

Na BBC

Uma pintura da Santa Ceia mostrando um Jesus negro foi instalada em uma catedral no Reino Unido, em um movimento que ativistas descreveram como uma “declaração ousada”. O quadro, da artista Lorna May Wadsworth, foi colocado no Altar dos Perseguidos na ala norte da Catedral católica de St Albans, cidade a cerca de 35 km de Londres.

A igreja afirmou que tomou tal atitude em “apoio ao movimento Black Lives Matters” (vidas negras importam, em tradução livre), que registrou manifestações com cerca de 1000 pessoas na cidade. O trabalho original, pintado em 2010, já havia sido alvo de um tiro quando foi exibido em uma igreja de Gloucestershire.

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O self-made man brasileiro e o ódio espontâneo

Por Igor Vitorino da Silva

Algo pode explicar esse ódio espontâneo que aflora no país em relação às políticas públicas de proteção social e à regulação estatal. Mais do que resultado de avança dos valores liberais e neoliberais, este parece fruto de uma grande ideia que atravessou o país, nas distintas classes sociais que formam a vida social brasileira:  a ideia do “se fazer sozinho” ou “ter o caminho próprio”. 

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Pós-pandemia: a construção de outro modelo de finanças depende de uma estratégia socioambiental. Por Amyra El Khalili

A financeirização tem permeado os mais diversos setores da economia, provocando distorções entre a economia real (produção) e a economia financeira. A economia real baseia-se em produtividade na indústria, na agropecuária, no comércio e em serviços. Já a economia financeira é a que faz circular o dinheiro nos sistemas informatizados e tecnológicos, alimentando as taxas de juros e a especulação sobre a base produtiva.

Há uma diferença substancial entre financiar e financeirizar:

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O dilema de quem apoia Bolsonaro. Por Lucas de Melo Prado

No Justificando

“Quanto mais doloroso o sacrifício, maior a crença na existência do imaginário receptor do sacrifício.”  (Yuval Noah Harari )[1]

Em março deste ano, a equipe de especialista do Imperial College London previu que, no melhor cenário, 44 mil brasileiros morreriam em decorrência da pandemia de COVID-19. [2] Àquela época (parece que já estamos há uma eternidade em distanciamento social), empresários, como Roberto Justus, Luciano Hang e Junior Durski, vieram a público fazer pouco caso das previsões, acusando-as de alarmistas. Em entrevistas e pronunciamentos oficiais em rede nacional, o Presidente Jair Bolsonaro minimizou a doença, referindo-se a ela como uma mera “gripezinha”. Poucos meses depois, porém, a realidade parece ter dado conta de dobrar a língua dos negacionistas. No momento que escrevo este texto, em junho de 2020, as curvas estatísticas da epidemia no Brasil, mesmo sem contar os casos subnotificados, romperam a marca prevista pelo Imperial College e continuam em ascensão. [3] O mundo inteiro assiste atônito ao fiasco de Bolsonaro na condução da crise do coronavírus.

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Leite, racismo e neonazismo

Por Joana Monteleone, no Brasil de Fato

Alimentos e ingredientes têm sido usados muitas vezes na história como marcas de distinção cultural, social e racial.

Hoje, vemos imagens de racistas brancos consumindo leite nas redes sociais como prova de uma suposta superioridade genética. O leite, assim, passou a ser um código, um símbolo de um grupo social que se orgulha de partilhar uma característica genética, a de ser tolerante à lactose. 

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Bolsonaro, o invencível? Por Antonio Martins

Parte da esquerda acha que o capitão não perde espaço – e, ao contrário, cresce ainda mais – quando vem à luz a reunião ministerial monstruosa de 22/4. É um erro grave, que se baseia em saudosismo e leva à paralisia. Há um antídoto

No Outras Palavras

Quem perdeu a capacidade de formular projeto, e pensar mesmo a médio prazo, vive esperando uma bala de prata que destrua o adversário e encerre o pesadelo. Não há isso na fita da reunião ministerial de 22 de abril. Dada a ausência, muita gente de esquerda, em análises e conversas nas redes sociais, voltou a entrar em depressão. Bolsonaro estaria fortalecido. Seus apoiadores fascistas já preparariam uma contra-ofensiva. Moro teria parido um rato. Estas avaliações expressam almas feridas, mas não são capazes de analisar objetivamente os fatos – o que impede de projetar as ações seguintes.

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Agroecologia ou Colapso (1). Por Paulo Petersen e Denis Monteiro

No esforço por repensar o mundo, é preciso olhar ao campo. Ali há um sistema de produção cooperativo e sustentável. Subestimado inclusive pelo marxismo ortodoxo, está sendo redescoberto. Será uma das bases para o pós-capitalismo

Em Outras Palavras

No dia 8 de abril, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) publicou uma proposta para retomada do Programa Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA). O documento foi assinado por 774 organizações, redes e movimentos sociais do campo e das cidades e propõe a alocação imediata de 1 bilhão de reais para compra e distribuição de alimentos para as populações em situação de fome e de insegurança alimentar e nutricional, montante que deve chegar a 3 bilhões até o fim de 2021. Como procuraremos demonstrar, esta proposta é coerente com a perspectiva agroecológica para transformação dos sistemas alimentares, cuja configuração hegemônica atual é responsável pelo encadeamento de crises que tem nos levado a um verdadeiro impasse civilizatório. Apresentamos aqui o sentido político desta proposição nesse momento histórico de extrema gravidade marcado pelo súbito aprofundamento de crises pré-existentes deflagrado pela disseminação do coronavírus. 

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La La Land e o complexo de Branco Salvador

Por Catarina Barbo, no Jornalismo Júnior

Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Nina Simone, Miles Davis e Kenny Clarke são alguns dos artistas negros que marcaram a história do jazz com suas canções e performances. Os dois últimos, inclusive, são citados no longa La La Land: Cantando Estações (La La Land, 2016) como ídolos de Sebastian (Ryan Gosling). A trama principal do filme gira em torno da crença do protagonista em ser um dos últimos entusiastas do jazz tradicional e que, por causa disso, o ritmo musical depende dele — e de seu sonhado clube de jazz — para continuar existindo.

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