Marxismo cultural, hora de um resgate

Direita usa o termo como sinônimo de terror — mas seria tolo abandoná-lo. Ele expressa as correntes de pensadores e artistas cuja obra rebela-se diante das várias formas de opressão e da miséria presentes num mundo reduzido a mercadoria

Por Iná Camargo Costa, no Outras Palavras

No 18 Brumário, Marx faz uma observação muito pertinente para a situação em que nos encontramos: “As revoluções proletárias […] se autocriticam constantemente, interrompem continuamente seu curso, voltam ao que parecia resolvido para recomeçarem de novo; escarnecem com impiedoso rigor as meias medidas, fraquezas e misérias dos seus primeiros esforços; parecem derrubar seu adversário só para que este arranque da terra novas forças e diante delas se erga novamente, ainda mais gigantesco; recuam constantemente ante a magnitude infinita de seus próprios objetivos, até se criar uma situação que torna impossível qualquer retrocesso”[1].

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Considerada racista na Europa, tradição que utiliza ‘blackface’ vira patrimônio cultural em Holambra

Caracterização dos ‘Pedros Negros’, ajudantes do Papai Noel, começou mudar na Holanda após polêmica da pintura preta em rostos de pessoas brancas. Na cidade brasileira, no entanto, nova lei prevê manter características.

Por Rui do Amaral*, G1 Campinas e Região

A Prefeitura de Holambra (SP), maior colônia holandesa no Brasil, sancionou uma lei para transformar em patrimônio cultural e imaterial do município a festa de São Nicolau. A celebração, tradicional na Holanda, utiliza “blackface”, a pintura preta na pele do rosto de pessoas brancas, uma prática que, por ser considerada racista, começou a ser suspensa no país europeu desde o ano passado. A nova lei da cidade paulista, no entanto, prevê a preservação “das características iniciais desta tradição”.

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Bacurau, fascismo e a resistência nordestina. Por Rita Almeida

A psicóloga e psicanalista mineira Rita Almeida analisa “Bacurau” e faz um paralelo entre o filme e a resistência do povo nordestino ao governo Bolsonaro

No Interdependente

Mês passado, participei de uma atividade em que discutíamos a onda fascista da era Bolsonaro: como surgiu, do que se alimentou e como se propagou. Levantando as características psicológicas do fenômeno de massa presentes no fascismo alemão, tratávamos da semelhança daquele com o fenômeno brasileiro. Destaco a seguir algumas dessas características citadas por Freud, Reich, Le Bon e Adorno:

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Divergente bom é divergente morto?

Por Bruno Antonio Barros Santos, no Justificando

Comemorar ou debochar da morte de Marielle Franco? Aplaudir a morte de policiais? Festejar a morte do neto de Lula, uma criança de 7 anos de idade? Culpabilizar as próprias vítimas no desabamento de um prédio em São Paulo, por, supostamente, pertencerem a movimentos sociais de luta pela moradia? Celebrar a facada de que Bolsonaro foi vítima antes das eleições de 2018? Comemorar a saída de Jean Wyllys, Debora Diniz e Marcia Tiburi, ou de quem quer seja, do próprio país, por ameaças sofridas? Ter indiferença ou repúdio às minorias e grupos vulneráveis? Celebrar a morte de “bandidos”? Praticar linchamentos virtuais por causa de uma saudável divergência ideológica? Divergente bom é divergente morto?

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“Direito dos povos de terreiro” está disponibilizado para ser baixado da internet

“A obra reúne trabalhos que, a partir de diferentes perspectivas críticas, abordam a relação entre o(s) direito(s) e os povos de terreiro, com vistas ao reconhecimento das comunidades tradicionais de matriz africana em sua diversidade sociocultural. O diálogo entre o universo das religiões afro-brasileiras e a gramática das instituições estatais, marcado por históricos silenciamentos, injustiças e mal-entendidos, precisa ser restabelecido em termos não de autoridade, mas de alteridade, num contexto pluralista. Para além de salvaguarda dos direitos à identidade, à igualdade na diferença, ao território, ao patrimônio cultural e ambiental, à liberdade e à vida, todos temas que atravessam as discussões deste livro, estão em jogo, hoje, acima de tudo, o sentido e o futuro de nossa democracia.”

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David Harvey: “O maior perigo hoje é o pessimismo”

Geógrafo marxista vê possibilidade de a esquerda “voltar mais forte do que antes” no Brasil e na América Latina

Por Cris Rodrigues, no Brasil de Fato

“Vocês já passaram por situações piores antes, durante o regime militar, e conseguiram sobreviver. E saíram desse período com um movimento democrático mais forte”, afirma o geógrafo britânico David Harvey. 

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Aprender com os povos indígenas e suas lutas. Por João Alfredo Telles Melo

Na Revista PUB

“Fico preocupado é se os brancos vão resistir. Nós estamos resistindo há 500 anos” (Ailton Krenak, em entrevista ao portal “Expresso”, logo após a vitória de Bolsonaro, em outubro do ano passado).

Enquanto escrevo (ao som dos cantos indígenas dessa bela coletânea musical organizada por Marlui Miranda*), dezenas de milhares de mulheres indígenas e camponesas marcham em Brasília em um potente protesto organizado pela Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura (CONTAG).

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Ecossocialismo, democracia e nova sociedade. Por Michael Löwy

Diante do risco de catástrofe climática, tornou-se crucial pensar saídas. Implica resgatar justiça social do marxismo e anarquismo, mas articulá-la a nova relação com a natureza e a mudança nos modos de produzir, consumir e decidir

Por Michael Löwy1 , no Outras Palavras

Se for impossível aplicar reformas no capitalismo a fim de colocar os benefícios a serviço da sobrevivência humana, que outra alternativa existe senão optar por um gênero de economia planificada no nível nacional e internacional?  Problemas como a mudança climática necessitam da “mão visível” do planejamento direto (…). No seio do capitalismo nossos dirigentes corporativistas não podem de maneira alguma evitar, sistematicamente, tomadas de decisão sobre o meio ambiente e a economia que são errôneas, irracionais e, finalmente, suicidas em nível mundial dada a tecnologia que eles têm à sua disposição. Então, que outra escolha nós temos senão vislumbrar uma verdadeira alternativa ecossocialista? (Richard Smith2)

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Democracia não funciona quando há pessoas passando fome, diz pesquisadora alemã

Por Ligia Guimarães, na BBC News Brasil

É errado culpar a popularidade das redes sociais por fenômenos que parecem enfraquecer a democracia atual, como a polarização do debate eleitoral, a propagação de notícias falsas durante as campanhas e os ataques virtuais a adversários políticos. Mesmo antes da digitalização, os modelos tradicionais de democracia e política já tinham seu futuro ameaçado pela própria decepção do eleitorado com seus representantes.

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