A distopia 2019. Por Patrick Mariano

Na Cult

Em O conto da aia, romance da escritora canadense Margaret Atwood lançado em 1985, um golpe de uma facção fundamentalista institui nos Estados Unidos a República de Gilead, uma ditadura violenta em que a religião é usada como estratagema para subtração dos direitos civis, e o corpo da mulher se torna propriedade de uma elite hipócrita e corrompida. A distopia de Atwood parece ganhar ares de premonição quando se atenta para o contexto mundial e do nosso próprio país. (mais…)

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À beira do abismo, os escombros

Por Tatiana Oliveira, na Revista DR

A poeta disse que vivemos “à beira de”. Um abismo. Penso sobre a excitação e a liberdade de viver na beirada. Poder olhar por cima da fronteira. Decidir se lá ou cá. Assim, a qualquer hora. Porque o precipício não precisa ser fim. Pode ser re-dimens(id)ão do mundo. Vertigem. de Desconforto. Deslocamento. O fascismo que bate à porta é precipício. Abismo. Notícia boa: A ele, nós sobrevivemos sempre. (mais…)

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As tenebrosas raízes ‘americanas’ da eugenia nazista

Eugenia é um termo criado em 1883 pelo cientista inglês Francis Galton (1822-1911), que era primo de Charles Darwin, significando “bem nascido”. Galton definiu eugenia como “o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente”. No início do século XX uma espécie de “meritocracia” – baseada na eugenia – foi difundida na sociedade americana, e colocada em prática pelos governos de vários estados americanos, naturalmente com o apoio de instituições, políticos, empresários e até mesmo médicos: a melhoria da espécie humana. Os conceitos do que era uma raça superior seriam um tanto flexíveis, o que permitiria se perseguir um amplo espectro de indivíduos na sociedade, desde negros e pobres até mulheres indisciplinadas. Pouca gente se lembra que isso se estendeu por muitos anos nos Estados Unidos e que a experiência extrema desse movimento foi um dos alicerces do nazismo alemão e da morte de milhões de pessoas em campos de concentração. A meritrocracia levada ao extrema pode ser mortal. A seguir conheça um pouco melhor esse importante e pouco divulgado momento da história do século XX. (mais…)

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‘Os demônios do Demônio’. Por Eduardo Galeano

Muçulmanos, judeus, mulheres, homossexuais, índios, negros, estrangeiros e pobres: em ensaio de 2005, escritor discorre sobre as diferentes faces do Demônio, descritas pela antítese de cada um desses ‘anjos do mal’

Do Le Monde Diplomatique/Opera Mundi, no Geledés

Esta é uma modesta contribuição à guerra do Bem contra o Mal. Entre os diversos semblantes do Príncipe das Trevas, só estão os demônios que existem há muito, muito tempo, e que há séculos ou milênios continuam ativos no mundo. (mais…)

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MBLO: Movimento Brasil Livre do Outro. Por Conrado Hübner Mendes

Da vestimenta liberal, o liberal brasileiro usa só o sapato e sai pisando por aí

Na Época

O sonho de modernidade alimentou nossa autoestima política por quase três décadas. A violência cotidiana recebeu da Constituição de 1988 um lustro democrático, esse verniz de legitimidade que permitiu a rivais políticos, pelo menos, jogar um jogo segundo regras. Só não esperávamos que, ao completar 30 anos, esse projeto fizesse despertar com tanta força um velho adversário: o Movimento Brasil Livre do Outro — MBLO. Rejuvenescido, voltou a proclamar sua estranha ideia de libertação: se não vier por obediência aos libertadores, que venha a fórceps. Com vitória ou derrota eleitoral, o MBLO veio para ficar e barbarizar. (mais…)

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“o Um sem o Outro é nada”

Por Livia Jacob

Minha pesquisa de doutorado se iniciou com os estudos autodidatas que fiz sobre um pensador que eu acho difícil pra caramba de entender – Emmanuel Lévinas. Ele era judeu lituano e quando bem jovem foi para Paris cursar Filosofia. Como serviu durante a guerra ao exército francês, acabou capturado pelas tropas da S.S, sendo mantido como prisioneiro dos nazistas por cinco anos. Lévinas se ocupou de escrever sobre alteridade. Ele dizia que a filosofia, ao invés de se preocupar com “ser ou não ser, eis a questão”, deveria pensar mais os problemas concernentes à ética, já que esta sempre passa pelo outro. Ética não se confunde com empatia que demanda pathos, paixão. A ética é um exercício de racionalidade. Você não precisa e nem deve amar ninguém para que possa respeitá-lo. Essa atitude parte do entendimento de que todos somos humanos e que merecemos, portanto, garantias básicas e igualitárias que nos salvaguardem a dignidade. (mais…)

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O eleitor paranoico. Por Rubens Casara

Na Cult

A dessimbolização do mundo

O capitalismo, segundo Dany-Robert Dufour, após consumir os corpos (a noção de “corpos produtivos” é, nesse sentido, um excelente exemplo), passou a consumir os espíritos, como “se o pleno desenvolvimento da razão instrumental (a técnica), permitido pelo capitalismo, se consolidasse por um déficit da razão pura (a faculdade de julgar a priori quanto ao que se é verdadeiro ou falso, inclusive bem ou mal). É precisamente esse traço que nos parece propriamente caracterizar a virada dita ‘pós-moderna’: o momento em que uma parte da inteligência o capitalismo se pôs a serviço da ‘redução de cabeças’”. (mais…)

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Mulheres Unidas Contra Bolsonaro lançam manifesto sobre ato de sábado (29)

Manifesto ressalta luta contra retrocesso e autoritarismo; confira as orientações de segurança

Redação Brasil de Fato

A voz de mais de três milhões de mulheres, organizadas inicialmente em uma comunidade virtual no Facebook, se tornará neste sábado (29) um grito de resistência pelas ruas do Brasil e do mundo. Com isso em mente, o coletivo de mulheres acaba de divulgar seu manifesto contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL). (mais…)

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Atilio A. Boron: Sobre a eleição presidencial brasileira

Por Atilio A. Boron, no blog da Boitempo

El domingo 7 de Octubre tendrá lugar la primera vuelta en las elecciones presidenciales del Brasil. Todo parecería indicar que el ultraderechista Jair Bolsonaro prevalecería en esa instancia, pero sería derrotado en el balotaje por Fernando Haddad, quien fuera elegido como candidato a la vicepresidencia por Lula y quien luego conformó una fórmula con Manuela d’Avila, del PCdoB. De este modo, el tan celebrado (por politólogos y los “opinólogos” de los grandes medios) “centro político” desapareció casi sin dejar rastros en Brasil. Es que con políticas como las impulsadas por el régimen golpista de ese país una opción centrista carece por completo de sentido. (mais…)

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