Marx e Boulos. Por Valerio Arcary

A acusação dirigida contra Boulos por uma parte da esquerda radical brasileira de que teria entrado em modo “paz e amor” é injusta, e até um pouco estudantil, ou politicamente, infantil

No A Terra é Redonda

“A minoria substitui a observação crítica pela intuição dogmática, a intuição materialista pela idealista. Para ela, a roda motora da revolução não são as circunstâncias reais, mas a vontade. Nós, ao contrário, dizemos aos operários: terão que passar por quinze, vinte, cinquenta anos de guerras civis e lutas entre os povos, e não apenas para transformar as circunstâncias, mas para transformar a vós mesmos, capacitando-os para o Poder, se não for assim, podemos deitar e dormer”. [i]

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Magistrados de PE abandonam associação em repúdio a webinário antirracismo

Por Fabiana Moraes, no UOL

Uma pequena mas barulhenta e significativa “rebelião” acontece neste momento no interior da Associação dos Magistrados do Estado de Pernambuco (Amepe): ali, um grupo formado por 34 juízes e juízas assinou um manifesto contra o que chama de “infiltração ideológica” nas “causas sociais” levantadas no interior da entidade.

O estopim: a realização do curso online Racismo e Suas Percepções na Pandemia, voltado exclusivamente para magistrados, além da básica cartilha Racismo nas Palavras, na qual são tratadas expressões racistas ainda comuns no cotidiano— inclusive do Judiciário. A cartilha foi lançada este mês por conta do Dia da Consciência Negra.

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Desigualdade racial no Judiciário: ‘Como se identificar com uma profissão em que você não se enxerga?

Por Andressa Marques, no Sul21

Entre os tantos setores que representam a desigualdade racial no Brasil, o Judiciário talvez seja um dos que tornam o abismo mais evidente. Dados do Censo do Poder Judiciário divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de 2018 apontam que, entre os magistrados, 16,5% se autodeclaram pardos e 1,6% pretos. O percentual está muito distante da realidade da sociedade brasileira, composta, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2019, por 46,8% de pardos e 9,4% de pretos. “O primeiro desafio que se constrói é você se identificar com aquela profissão, na medida em que você não se enxerga nela em termos de representação racial”, resume a juíza Karen Luise Vilanova Batista de Souza, da 1ª Vara do Júri de Porto Alegre.

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Um país de maricas, nosso país! Por Chico Alencar

No A Terra é Redonda

Somos um país de gente que sabe de sua finitude, mas não aceita morrer de abandono, fome, descaso, desmatamento, antes do tempo

Somos um país de Marias, de Quincas, de Antônias, de Serafins. De Maricas sim! Até de valentões, como Nhô Augusto Matraga, personagem do Rosa, que gostava de levar tudo de vencida, mas amansou com os baques da vida. E aprendeu, enfim, a amar seu igual (alguns, lamento, são casos perdidos de desumanidade estrutural).

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Raiva e narcisismo alimentam poder das redes sociais, diz especialista alemão

Por Daniel Hopenhayn, especial para a BBC News Mundo

“O crescimento da digitalização sempre foi exponencial, mas a pandemia acelerou esse processo com esteroides”, afirma Martin Hilbert, pesquisador alemão da Universidade da Califórnia-Davis, nos Estados Unidos, e autor do primeiro estudo que calculou quanta informação existe no mundo.

Conhecido também por ter alertado sobre a coleta de dados da consultoria Cambridge Analytica durante a campanha eleitoral de Donald Trump um ano antes de estourar o escândalo, Hilbert tem acompanhado de perto os efeitos digitais do coronavírus.

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O ressentimento no Brasil. Por Maria Rita Kehl*

No A Terra é Redonda

“A manchete de ontem, ‘País precisa de 46 anos para atingir níveis de 1o. Mundo’, deixou-me acabrunhado. Basta imaginar em que nível estarão os países de 1o. Mundo daqui a 46 anos.” (carta de leitor da Folha de São Paulo de 1/9/2004).

Os brasileiros, em geral, não se consideram ressentidos. De fato, o imperativo da alegria presente em nossa cultura favorece o esquecimento dos agravos, e não a rememoração ressentida dos erros e sofrimentos passados. Somos uma nação voltada para o futuro, um país “pra frente”. Mas o ressentimento não deixa de estar presente entre nós, disfarçado em formações de linguagem irônicas, cínicas ou queixosas que se parecem – mas não são – com uma crítica progressista em relação a nossas falhas históricas e nossas insuficiências sociais. Falhas que não são interpretadas como dívidas (para com o passado), passíveis de se pagar através da ação presente. Ao contrário, concebemos nossos problemas sociais como insuficiências que nos parecem sempre injustas, de responsabilidade de um outro, de alguém que teria o poder de remediar nossas mazelas, mas não o fez.

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Ideias para apressar o fim do mundo. Por Nurit Bensusan

No ISA

É interessante pensar que o fim do mundo talvez seja um longo processo: nada de meteoro ou de explosões atômicas. Uma pandemia aqui, um evento climático extremo ali, menos comida, mais uma pandemia, secas catastróficas, menos comida ainda, mais uma pandemia, sede, fome, guerras, mais secas, mais pandemias, mais inundações… Enfim, a consolidação de um planeta hostil à nossa espécie.

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Vote pela democracia, pela justiça, paz e pela vida! Por Gilvander Moreira*

Que beleza que o povo estadunidense na última eleição derrotou Donald Trump, chefe da barbárie, adepto de Mussolini e Hitler e elegeu os candidatos do partido opositor, Joe Biden e Kamala Devi Harris como presidente e vice, respectivamente, dos Estados Unidos, sendo ela a primeira mulher negra a assumir tal posição. O mundo inteiro acompanhou algum tempo antes o assassinato do negro George Floyd, barbaramente morto por um policial branco que, após algemá-lo, pisou com truculência em seu pescoço durante quase 10 minutos e o asfixiou. Tudo isso em um dos países entre os considerados mais “desenvolvidos”, os Estados Unidos da América. Floyd clamou muitas vezes: “Eu não posso respirar“. O Deus da vida ouviu o clamor de Floyd e suscitou no mais profundo da história um grande e intenso processo de luta exigindo Justiça, ancorado no lema “Vidas negras importam!” 

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Angela Davis flerta com o pós-capitalismo. Entrevista a Alex Lubin e Gaye Theresa Johnson

Ao lançar novo livro, ela celebra o elo entre o Black Lives Matter e os Panteras. Também vê nos movimentos feministas a liga capaz de articular um radicalismo negro generoso, disposto a articular a rebeldia de todas as periferias do mundo

Na Nueva Sociedad | Outras Palavras

Futures of Black Radicalism [“Futuros do radicalismo negro”, 2020] é uma obra que reúne militantes, acadêmicos e pensadores da tradição radical negra como um reconhecimento e comemoração da obra de Cedric J. Robinson — o primeiro a cunhar o termo. Os ensaios escolhidos no livro olham para o passado, presente e futuro do radicalismo negro, bem como para as influências que ele exerceu em outros movimentos sociais. O “capitalismo racial”, outra das importantes ideias desenvolvidas por Robinson, tem uma conexão com os movimentos sociais internacionais atuais, explorando as ligações entre a resistência negra e o anticapitalismo.

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Negacionismo, gatopardismo e transicionismo. Por Boaventura de Sousa Santos

Pandemia mostra: o fim do mundo que conhecíamos já começou, e seu desmoronar pode ser brutal. Três grandes tendências entrarão em choque. Há chance de evitar o futuro-distopia – mesmo que ele já esteja cravado em nós

No Outras Palavras

A pandemia do novo coronavírus veio pôr em causa muitas das certezas políticas que pareciam ter-se consolidado nos últimos quarenta anos, sobretudo no chamado Norte global. As principais certezas eram: o triunfo final do capitalismo sobre o seu grande concorrente histórico, o socialismo soviético; a prioridade dos mercados na regulação da vida não só econômica como social, com a consequente privatização e desregulação da economia e das políticas sociais e a redução do papel do Estado na regulação da vida coletiva; a globalização da economia assente nas vantagens comparativas na produção e distribuição; a brutal flexibilização (precarização) das relações de trabalho como condição para o aumento do emprego e o crescimento da economia. No seu conjunto, estas certezas constituíam a ordem neoliberal.

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