Aprender com os povos indígenas e suas lutas. Por João Alfredo Telles Melo

Na Revista PUB

“Fico preocupado é se os brancos vão resistir. Nós estamos resistindo há 500 anos” (Ailton Krenak, em entrevista ao portal “Expresso”, logo após a vitória de Bolsonaro, em outubro do ano passado).

Enquanto escrevo (ao som dos cantos indígenas dessa bela coletânea musical organizada por Marlui Miranda*), dezenas de milhares de mulheres indígenas e camponesas marcham em Brasília em um potente protesto organizado pela Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura (CONTAG).

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Ecossocialismo, democracia e nova sociedade. Por Michael Löwy

Diante do risco de catástrofe climática, tornou-se crucial pensar saídas. Implica resgatar justiça social do marxismo e anarquismo, mas articulá-la a nova relação com a natureza e a mudança nos modos de produzir, consumir e decidir

Por Michael Löwy1 , no Outras Palavras

Se for impossível aplicar reformas no capitalismo a fim de colocar os benefícios a serviço da sobrevivência humana, que outra alternativa existe senão optar por um gênero de economia planificada no nível nacional e internacional?  Problemas como a mudança climática necessitam da “mão visível” do planejamento direto (…). No seio do capitalismo nossos dirigentes corporativistas não podem de maneira alguma evitar, sistematicamente, tomadas de decisão sobre o meio ambiente e a economia que são errôneas, irracionais e, finalmente, suicidas em nível mundial dada a tecnologia que eles têm à sua disposição. Então, que outra escolha nós temos senão vislumbrar uma verdadeira alternativa ecossocialista? (Richard Smith2)

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Democracia não funciona quando há pessoas passando fome, diz pesquisadora alemã

Por Ligia Guimarães, na BBC News Brasil

É errado culpar a popularidade das redes sociais por fenômenos que parecem enfraquecer a democracia atual, como a polarização do debate eleitoral, a propagação de notícias falsas durante as campanhas e os ataques virtuais a adversários políticos. Mesmo antes da digitalização, os modelos tradicionais de democracia e política já tinham seu futuro ameaçado pela própria decepção do eleitorado com seus representantes.

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Lucas Pedretti: “Ele quer construir uma sociedade que aceita a tortura, o extermínio, a violência de Estado”

Em entrevista, historiador Lucas Pedretti destrincha atuação do presidente e grupos ligados às Forças Armadas para consolidar visão positiva sobre a ditadura militar, possivelmente usando a estrutura do Estado.

Por João Soares, na DW

O presidente Jair Bolsonaro se envolveu ativamente, nas últimas duas semanas, com uma agenda que dominou sua atuação como parlamentar durante 30 anos: a promoção de uma memória apologética da ditadura militar.

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Papa Francisco: ‘Ouvimos discursos que lembram os de Hitler em 1934’

Em entrevista, pontífice criticou os “soberanismos” e defendeu o Sínodo da Amazônia, investigado pela Abin de Bolsonaro. “A ameaça da vida das populações e do território deriva de interesses econômicos e políticos dos setores dominantes da sociedade”

Por Redação RBA 

São Paulo – Em entrevista concedida ao jornal italiano La Stampa, publicada na sexta-feira (9), o Papa Francisco criticou o nacionalismo exacerbado e os efeitos do populismo.

“O soberanismo é uma atitude de isolamento. Estou preocupado porque se ouvem discursos que se assemelham aos de Hitler em 1934. ‘Primeiro nós. Nós… nós…’: são pensamentos que dão medo. O soberanismo é fechamento. Um país deve ser soberano, mas não fechado. A soberania deve ser defendida, mas também devem ser protegidas e promovidas as relações com os outros países, com a Comunidade Europeia. O soberanismo é um exagero que sempre acaba mal: leva às guerras”, afirmou o líder religioso.

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O drama íntimo dos maracatus que perdem integrantes para os cultos evangélicos

Por Maria Carolina Santos, na Marco Zero

Para dona Ceça, a conversão do filho ao cristianismo evangélico “quebrou as pernas dela”. Era ao lado dele que ela conduzia o dia a dia do maracatu Cruzeiro do Forte, o único de baque solto do Recife. No Nação Leão Coroado, três membros abandonaram um dos grupos mais antigos de Pernambuco após se converterem. Uma perda de memórias e conhecimento. No Nação Porto Rico, a filha do mestre já saiu (e voltou) após virar evangélica. No Encanto do Pina, o problema não está dentro, mas ao lado: uma vizinhança evangélica que não aceita o batuque e a dança para os orixás. As tensões entre evangélicos e membros de maracatus não chegam a minguar a quantidade de integrantes dos grupos que vão às ruas no carnaval ou em festas como as dessa semana em que se comemora o Dia do Maracatu, mas afetam – ainda que temporariamente – a estrutura dos grupos.

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Por um Fanon revolucionário

Por João Carvalho, no blog da Boitempo

Introdução

“Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo.”[1] Frantz Fanon foi um desses transformadores. Em sua obra, bem como em sua vida, sempre soube aliar a teoria à prática não apenas para compreender e tornar cognoscível o mundo que o cercava e o mundo dentro de si, mas, sobremaneira, para transformá-lo. Dentre as ferramentas de seu vasto arsenal teórico, além de Freud e Hegel,  se encontravam Marx, Lênin e Mao.

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Glotofobia: da discriminação linguística ao racismo pelo sotaque

A minha professora disse que era preciso dominarmos bem a língua francesa1

Por Graça dos Santos, no Buala

Na nossa sociedade a linguagem é um instrumento de dominação e de discriminação poderoso e desconhecido. Impor a sua língua como a única aceitável, estimável, razoável e menosprezar, desqualificar, rejeitar uma pessoa pela sua maneira de falar, o seu sotaque ou o seu vocabulário é tão ilegítimo como rejeitá-la pela sua religião, a cor da sua pele ou a sua orientação sexual – as várias discriminações mais ou menos reconhecidas e punidas pela lei em França”2.

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O casamento entre a extrema direita e o movimento antivacina é um perigo para o mundo. Por João Filho

No The Intercept Brasil

No início do século passado, o Rio de Janeiro estava tomado por lixo, ratos e mosquitos. Surtos das mais variadas doenças matavam aos milhares. O então prefeito Pereira Passos (1902-1906) iniciou um projeto autoritário de urbanização e saneamento da cidade. Para abrir avenidas e praças, demoliu cortiços e empurrou os pobres para os morros e as periferias.

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Chico de Oliveira (1933-2019)

Perda imensurável para o pensamento crítico brasileiro, Chico de Oliveira foi um dos nossos mais originais e afiados sociólogos marxistas. Leia aqui as páginas iniciais de sua última obra publicada em vida: “Brasil: uma biografia não-autorizada”.

No blog da Boitempo

É com inominável pesar que comunicamos o falecimento de Francisco Maria Cavalcanti de Oliveira, o Chico. Um dos nossos mais originais e afiados sociólogos marxistas, querido amigo e camarada, ele nos deixou nesta madrugada de quarta-feira, dia 10 de julho de 2019, aos 85 anos. Descrito por ninguém menos que Roberto Schwarz como “um mestre da dialética”, Chico deixa um inestimável legado para o pensamento crítico brasileiro. O velório ocorre hoje no salão nobre do prédio administrativo da FFLCH-USP, a partir das 17h. Sua última obra publicada em vida é Brasil: uma biografia não-autorizada. Organizado e apresentado por Ruy Braga e Fabio Mascaro Querido, o livro abre com um longo ensaio de Chico sobre “o adeus do futuro ao país do futuro” e oferece uma síntese de sua produção intelectual mais recente. Como forma de homenagem, disponibilizamos abaixo as páginas iniciais do ensaio de abertura do livro, em que Chico esboça uma síntese da formação histórica brasileira. Ao final deste post, reunimos uma seleção de vídeos do Chico na TV Boitempo.

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