O rastro da onda: derrocada dos direitos e moralismo compensatório

“Precisamos discutir se o modo de construção das resistências e das lutas nos últimos 30 anos terá potência política neste momento em que o neoliberalismo se torna antiliberal e confronta mesmo agendas mínimas de direitos humanos e sociais.”

Por Flávia Biroli, no blog da Boitempo

Há dois anos, em outubro de 2015, publiquei nesta coluna um texto sobre a onda ultraconservadora e os riscos para a democracia, procurando caracterizá-la a partir do Congresso Nacional. Utilizei a metáfora da onda para registrar que se acumulavam e ganhavam vulto reações à agenda de direitos humanos e de direitos sociais. Não era possível, ainda, avaliar quais setores da sociedade dariam volume a essa onda e o que ela carregaria com ela. Hoje sabemos um pouco mais do que a mantém em movimento: é feita da dinâmica acelerada de retirada de direitos e da aposta no moralismo compensatório como forma de canalizar politicamente frustrações e de desviar a atenção do desmonte em curso. (mais…)

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“Onda conservadora” ou declínio social?

O que aparece como uma “onda” de intolerância para a consciência horrorizada de minorias “progressistas” é apenas a crise do pacto social e o retorno das contradições abrandadas pelo amortecedor social da “Era Lula”.

Por Marcos Barreira, no blog da Boitempo

Os acontecimentos recentes parecem não deixar a menor dúvida: quer se trate de campanhas contra exposições de arte, “cura gay”, ensino religioso nas escolas ou da pregação da “intervenção militar” nas redes sociais, estamos diante de uma inequívoca onda de conservadorismo. Somadas ao processo de desmonte do sistema de proteção social criado ao longo da modernização da sociedade brasileira – um processo acelerado após o fim do período de crescimento da “Era Lula” –, essa “onda” indicaria um recuo das forças “progressistas” e das ações afirmativas e/ou de redução da pobreza. É como se todo um período quase idílico de estabilidade política, crescimento econômico, inclusão social e florescimento da diversidade cultural fosse subitamente golpeado. (mais…)

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Boaventura: a ilusória “Desglobalização”

Não nos enganemos: vitória de Trump e Brexit expressam uma nova fase de globalização – mais dramática, mais excludente e talvez capaz de eliminar a democracia

Por Boaventura de Sousa Santos, no Outras Palavras

Em círculos acadêmicos e em artigos de opinião nos grandes meios de comunicação tem sido frequentemente referido que estamos entrando num período de reversão dos processos de globalização que dominaram a economia, a política, a cultura e as relações internacionais nos últimos cinquenta anos. Entende-se por globalização a intensificação de interações transnacionais para além do que sempre foram as relações entre Estados nacionais, as relações internacionais, ou as relações no interior dos impérios, tanto antigos como modernos. São interações que não são, em geral, protagonizadas pelos Estados, mas antes por agentes econômicos e sociais nos mais diversos domínios. Quando são protagonizadas pelos Estados, visam cercear a soberania do Estado na regulação social, sejam os tratados de livre comércio, a integração regional, de que União Europeia(UE) é um bom exemplo, ou a criação de agências financeiras multilaterais, tais como o Banco Mundial e o FMI. (mais…)

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Maria de Aparecida: negra e sexuada, afronta o catolicismo conservador romano

No Blog do Mauro Lopes

Vamos despir Maria, a Nossa Senhora Aparecida, de seu manto azul? Examinemos a imagem original, encontrada no Rio Paraíba há 300 anos, antes do atentado de 1978, que espatifou sua cabeça e partiu-lhe o corpo em pedaços. Que imagem revela-se a nós? Uma mulher negra, cheia de curvas, toda enfeitada, com um olhar sem culpas, uma boca que se entreabre num sorriso nada “angelical”. (mais…)

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Mensagem de Rosa Luxemburgo ao século 21

Uma nova biografia (agora em quadrinhos) destaca a revolucionária que defendeu a liberdade com paixão, criticou a esquerda endurecida, viu potência no feminismo e nos índios e entregou-se ao amor, ao sexo e à arte

Por Isabel Loureiro, no Outras Palavras 

Por que em um momento de derrota da esquerda na América Latina e em todo o mundo ainda falamos de Rosa Luxemburgo? O que fez essa revolucionária judia-polaca-alemã para que, cem anos depois de seu assassinato, em janeiro de 1919, suas ideias ainda nos interpelem? (mais…)

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“Censurar é a pior maneira”: confira a entrevista com Lilia Schwarcz

Biógrafa de Lima Barreto conversou com o Jornal do Commercio sobre racismo, cotas, censura na arte e a importância do autor carioca

No JC Online

Pesquisadora da questão racial no Brasil há quase 30 anos, Lilia Schwarcz, antropóloga, historiadora e escritora paulista, lançou recentemente a biografia de Lima Barreto: Triste Visionário. Ela esteve no Recife no último fim de semana participando da Bienal Internacional do Livro, onde ministrou no domingo (8) uma palestra sobre o posicionamento político e social do escritor carioca, sua vida e obra. (mais…)

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“Sociedade brasileira cultua a violência”

Estudo mostra alta propensão do país ao autoritarismo. Em entrevista à DW, pesquisador alerta para risco de políticos com “posições salvacionistas” e defende Estado que garanta a paz, e não o medo.

Na DW

Uma pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em conjunto com o Datafolha, mostrou que o medo da violência é uma das principais razões para que o brasileiro tenha propensão a posições autoritárias.  (mais…)

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O conto, a palavra, o livro e o canto de Paulina Chiziane e Elisa Lucinda

Última mesa da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) deste sábado (7) teve mediação da escritora e poeta Lívia Natália

Por Danutta Rodrigues, G1 BA, em Cachoeira

Não foram apenas palavras. As vozes da máxima potência de Paulina Chiziane e Elisa Lucinda ressoaram nos corações presentes no Claustro do Convento do Carmo, na Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica). As palavras ganharam novos significados na noite deste sábado (7). Com mediação da escritora e poeta Lívia Natália, o território da Flica foi ocupado pela mulher negra.

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