Companhia das Letras recolhe livro com crianças brincando em navio negreiro

Por Ana Maria Alcantara, colaboração para o UOL

A cientista social J.S. ficou indignada quando escolheu o livro infantil “ABECÊ da Liberdade: A história de Luiz Gama” para presentear o filho de uma amiga. Na obra sobre a infância do escritor e advogado Luiz Gama (1830-1882), figura histórica da luta abolicionista no país, leu cenas em que crianças negras no porão de um navio negreiro pulavam corda com correntes e achavam graça em brincar de escravos de Jó enquanto navegavam rumo à escravidão.

Após ser questionada pela reportagem do UOL, a Companhia das Letras, editora da publicação, resolveu bloquear a venda do livro em seu site e recolher a obra em livrarias.

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Necropolítica: Os sobrenomes e códigos do racismo no Brasil

Por Nilma Bentes [1]

Sim, muitos são os sobrenomes do racismo: institucional, ambiental, cultural, educacional, religioso, alimentar, recreativo, são alguns. Tal como fala o prof. Luiz Hanns sobre corrupção[2], o racismo no Brasil é sindrômico, endêmico e sistêmico. No institucional, o ‘corpo normativo’ naturaliza práticas racistas de tal forma, que ninguém sente culpa pois é assim que funciona; no ambiental, a gentrificação é forte exemplo (sobretudo em áreas urbanas), da mesma forma que a construção de estradas, de hidrelétricas, colocação de linhas de transmissão de energia (e tudo o mais, em nome do ‘desenvolvimento’), dentro de áreas indígenas, quilombolas e de outros segmentos fincados nas áreas que ocupam há séculos; no cultural, além de ultravalorizar produções eurocêntricas (músicas, ballet clássicos), segmentos da branquidade se apropriam da criatividade negra e enriquecem; na educação formal,  é só entrar na escola que logo vamos nos europeizando; no religioso, além de importantes segmentos do cristianismo não valorizarem  negros e mulheres (em uns, não ordenam, ou pouco ordenam como sacerdotes ou é diminuto o número de santos e santas pretas ) e, pior, não respeitam as religiões afro-negras, indígenas e afro-indígenas; no racismo alimentar, a qualidade dos alimentos não garante uma nutrição adequada – comer só o que pode comprar, e o que pode comprar, muitas vezes só enche a barriga mas nutre pouco; no recreativo, faz tempo que somos objeto de anedotas pejorativas, humilhantes  e usados para reafirmar teatralmente ou não, nessa modalidade de racismo  ‘engraçado’.

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Aos 50 anos, “Construção” segue um marco na carreira de Chico Buarque e na música brasileira

No disco, Chico fez um trabalho de arquiteto usando a linguagem como matéria-prima

Por Raquel Setz, no Brasil de Fato

Os versos irônicos de “Deus lhe pague” abrem o disco Construção, lançado por Chico Buarque em 1971 e considerado uma obra-prima da música brasileira. É um disco curto, com pouco mais de trinta minutos de duração. Mas cinquenta anos depois, ele continua sendo estudado, debatido e admirado. 

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Nacionalismo: a ideologia política do século XXI. Entrevista especial com Tatiana Vargas-Maia

“O nacionalismo se firma como a grande ideologia orientadora das relações entre os Estados”, diz a pesquisadora

Por: Patricia Fachin e Wagner Fernandes de Azevedo, na IHU Online

Os nacionalismos a que assistimos no século XXI não são um fenômeno novo. Ao contrário, são “uma continuidade” daquele que emergiu no século XIX. “Apesar de muito ter se discutido a morte dos nacionalismos após a Segunda Guerra Mundial, e a emergência de um mundo pós-nacional com o fim da Guerra Fria, no final do século XX, nós nunca efetivamente superamos o paradigma da nacionalidade como princípio organizador da política doméstica e internacional”, assinala Tatiana Vargas-Maia, em entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Segundo ela, a “mobilização ativa dessa ideologia” no presente busca “oferecer uma resposta para as sucessivas crises que marcam o início do novo século (uma crise de segurança, deflagrada pelo 11 de setembro de 2001, e a crise econômica de 2008)”.

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Tariq Ali: Debacle no Afeganistão

Na Grã-Bretanha e em outros lugares, todos aqueles que querem continuar lutando devem mudar seu foco para os refugiados que logo estarão batendo à porta da Otan. No mínimo, refúgio é o que o Ocidente deve a eles: uma pequena reparação por uma guerra desnecessária.

Por Tariq Ali no blog da Boitempo

A queda de Cabul para o Talibã em 15 de agosto de 2021 é uma grande derrota política e ideológica para o Império Estadunidense. Os helicópteros lotados que transportavam funcionários da Embaixada dos Estados Unidos para o aeroporto de Cabul lembravam surpreendentemente as cenas em Saigon – agora Ho Chi Minh City – em abril de 1975. A velocidade com que as forças do Talibã invadiram o país foi impressionante; sua perspicácia estratégica notável. Uma ofensiva de uma semana terminou triunfantemente em Cabul. O exército afegão de 300.000 homens desmoronou. Muitos se recusaram a lutar. Na verdade, milhares deles foram para o Talibã, que imediatamente exigiu a rendição incondicional do governo fantoche.

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O genocídio negro, um ângulo do sistema penal brasileiro

Estar em conformidade com o sistema penal carniceiro e genocida do Brasil é desconhecer a história do nosso país, analisa Adriana Chaves na coluna Abolição

Por Adriana Chaves, na Ponte

Desde o início, por ouro e prata / Olha quem morre, então / Veja você quem mata
(Negro Drama, Racionais MC’s)

Falar sobre o genocídio negro no Brasil é compreendê-lo como um projeto de dimensão histórica que começa com a colonização portuguesa e a escravidão transatlântica.

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Um mau uso da história. Por Mário Maestri

Bandeirantes como heróis da nacionalidade

No A Terra é Redonda

A avaliação do “ato de fé” a que foi submetido o monumento paulista em homenagem ao bandeirante Borba Gato ensejou grande número de considerações conservadoras sobre o passado e o presente por parte dos “Peninhas” tradicionais da historiografia brasileira. Mais grave foram as propostas de destacados intelectuais e lideranças de esquerda, como o companheiro Antônio Carlos Mazzeo, da direção do PCB, que caracterizou aquela ação como ato de “barbárie”. A defesa dos bandeirantes como construtores da nacionalidade de Rui da Costa Pimenta, em entrevista ao 247, em 27 do mês de julho, merece reparo devido às indiscutíveis audiências daquele programa e do presidente do PCO.

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