Bullying, retrato de um sistema

Em novo livro, dois sociólogos propõem: é hora de perceber que as intimidações violentas não são desajustes individuais. Elas reproduzem a disputa incessante que o capitalismo estimula

Charles Deber e Yale Magrass, entrevistados por Mark Karlin, em Truthout* – Outras Palavras

O que causa o bullying? Ao analisarem o fenômeno nos Estados Unidos, em Bully Nation, os sociólogos Charles Derber e Yale R. Magrass mostram como as desigualdades de poder, o militarismo e o capitalismo agressivo tornam tanto o bullying pessoal como o institucional um lugar-comum. A seguir, em entrevista à revista Truthout, Charles e Yale abordam o tema a partir de um ponto de vista original. Para eles, as crianças que intimidam as outras, de forma violenta, não estão se mostrando desadaptadas. Ao contrário, são as que assimilaram, de maneira crua e não mediada, algumas das características centrais de um sistema cada vez mais reduzido à luta de todos contra todos. (mais…)

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Des-Pensando o racismo colonial

Por Cassiano Terra Rodrigues, no Correio da Cidadania

Di­ante dos úl­timos acon­te­ci­mentos ra­cistas no país – são muitos, não ele­gerei um único – creio que não é ino­por­tuno re­cu­perar uma dis­cussão pro­posta por Ella Shohat e Ro­bert Stam, em seu já an­tigo livro Crí­tica da Imagem Eu­ro­cên­trica (tra­dução de Marcos So­ares. São Paulo: Cosac Naify, 2006. O ori­ginal é de 1994).

Nesse livro, o casal ataca o pro­blema de como os meios de co­mu­ni­cação em massa – a in­dús­tria cul­tural, ou do es­pe­tá­culo – afetam nossa vida, ou vice-versa. O livro ques­tiona pro­fun­da­mente as es­tru­turas de poder indo muito além da mera aná­lise de dis­curso, mas também mos­trando como se re­la­ci­onam ele­mentos dis­cur­sivos e ima­gens que sus­tentam esse poder e também emanam dele. Com isso, con­se­guem mos­trar como nosso ima­gi­nário foi ge­nui­na­mente co­lo­ni­zado, quer dizer, como nossa ma­neira de ver e de en­tender o mundo é for­ma­tada por ima­gens cha­madas de “eu­ro­cên­tricas”. O prin­cipal agente dessa co­lo­ni­zação (como se fosse pre­ciso dizer) é o ci­nema. (mais…)

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Assédio sexual: “o corpo da mulher é visto como algo que não lhe pertence”

Combater o assédio e toda a violência sexual contra mulheres implica desconstruir um sistema de opressões intercruzadas que vão do machismo sistémico ao racismo estrutural. São vários os corpos estigmatizados neste processo, de várias formas. As raízes e as consequências do assédio são densas e complexas. Olhá-lo de frente é também reconstruir sociedades mais justas.

Por Mariana Duarte, no Público (mais…)

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A aula de racismo e machismo à brasileira do Secretário de Educação do Rio

Por Ana Maria Gonçalves, no Justificando

“Pessoal, eu sei que fui derrotado, sei que sou minoria da minoria, sei que vou apanhar de novo.

Assim começa o texto sobre “racialização” que César Benjamin, secretário de Educação do Rio de Janeiro, publicou em sua página de Facebook no último dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra. Ali, sentindo que enfrentaria discordância, começa a arquitetar o plano de vitimização, apesar de ter se exposto por livre e espontânea vontade. No dia 22, ele coloca a segunda metade do plano em ação: “Eu não tinha a menor ideia de que estava sendo linchado por aqui, com a indigência intelectual e a desonestidade típica das manadas.” [grifos da colunista] (mais…)

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Movimento ecossocialista lança Sonia Guajajara como pré-candidata à Presidência da República

“A Luta pela Mãe-Terra é a Mãe de Todas as Lutas”
(Sônia Guajajara)

Tania Pacheco

Coordenadora executiva da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e liderança inquestionável nas principais lutas indígenas dos últimos anos, Sonia Bone Guajajara está sendo lançada pelo Setor Ecossocialista como pré-candidata à Presidência pelo PSOL. (mais…)

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A advocacia que desceu a ladeira

Por Brenno Tardelli, no Justificando

Na última sexta-feira, foram às bancas de todo país um desserviço enorme para a classe dos advogados e advogadas. A Revista Veja trouxe uma matéria de capa que trata advogados como magnatas. Na capa, a foto de um sujeito engravatado fumando um charuto, sorrindo para o repórter, ostentando seu “sucesso” profissional. No corpo da matéria, além de outras fotos constrangedoras de profissionais que mimetizam de forma patética as maiores “excentricidades” de Eike Batista, informações inverídicas de advogados que sequer foram consultados pela publicação. (mais…)

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Manchetômetro entrevista Fernando Azevedo: nosso sistema de mídia é concentrado, monopolizado, e temos um déficit democrático na arena informacional

Por Natasha Bachini e Marcia Rangel Candido, do Manchetômetro

Esta publicação inaugura uma nova seção no Manchetômetro: Entrevistas M. No dia 25 de novembro de 2017, conversamos com o cientista político Fernando Antônio Azevedo, autor do livro recém-lançado “A Grande Imprensa e o PT (1989-2014)”. Professor titular do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de São Carlos (PPGPol/UFSCar), Azevedo é também pesquisador associado do NEAMP/PUC-SP – Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política- e do CESOP/UNICAMP – Centro de Estudos de Opinião Pública. (mais…)

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Brasil, reserva regional de conservadorismo. Artigo de Raúl Zibechi

IHU On Line

“O colonialismo nunca terminou no Brasil. Mais ainda, vem se reforçando com o modelo econômico de acumulação por expropriação/guerra contra os povos, já que exclui a metade da população que não tem direitos, apenas é beneficiária de programas sociais”, escreve o jornalista e analista político uruguaio Raúl Zibechi, em artigo publicado por La Jornada, 24-11-2017. A tradução é do Cepat. Eis o artigo:

*** (mais…)

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Pós-democracias no sul global e a melancólica desdemocratização no Brasil contemporâneo

Por Luciana Ballestrin, no Justificando

Em 2016, o controverso e duvidoso impeachment de Dilma Rousseff institucionalizou o mergulho em um profundo processo de desdemocratização no Brasil. Do ponto de vista internacional, isso representou uma das primeiras inflexões pós-democráticas no sul global; regionalmente, sinalizou o esgotamento dos regimes pós-neoliberais, somando-se ao caso paraguaio de ruptura democrática por dentro de suas próprias instituições. (mais…)

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Por que 300 mortos em atentados na África não provocam indignação por aqui?, por Leonardo Sakamoto

No blog do Sakamoto

Uma ataque a uma pequena mesquita deixou mais de 300 mortos, entre eles 27 crianças, na região da península do Sinai, no Egito. Após o fim das orações do meio dia desta sexta (24), veio uma explosão e depois um massacre cometido por dezenas de pessoas armadas que chegaram em jipes. A mesquita Al-Rawdah pertence a um ramo do islamismo repudiado pelo Estado Islâmico e outras organizações terroristas. (mais…)

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