A morte anunciada de Josimo Tavares

Após 35 anos de sua morte a mando do latifúndio, o padre da CPT, mártir da luta em defesa dos trabalhadores rurais, continua presente nos movimentos e conquistas da luta pela terra

Por Pedro Tierra, da Xapuri Socioambiental / MST

“... Estou empenhado na luta pela causa dos pobres lavradores indefesos, povo oprimido nas garras dos latifúndios. Se eu me calar, quem os defenderá? Quem lutará a seu favor?(…) Nem o medo me detém. É hora de assumir. (…) A minha vida nada vale em vista da morte de tantos pais lavradores assassinados, violentados e despejados de suas terras, deixando mulheres e filhos abandonados, sem carinho, sem pão e sem lar. É hora de se levantar e fazer a diferença. Morro por uma causa justa!
Josimo Tavares

(mais…)

Ler Mais

A desconhecida ação judicial com que Luiz Gama libertou 217 escravizados no século 19

Por Leandro Machado, na BBC News Brasil

Em um dia do mês junho de 1869, uma nota no jornal chamou a atenção de Luiz Gama, advogado considerado um herói nacional por seu ativismo abolicionista no século 19. A notícia relatava que a família do comendador português Manoel Joaquim Ferreira Netto, um dos homens mais ricos do Império, estava brigando na Justiça pelo espólio do patriarca, morto repentinamente em Portugal.

(mais…)

Ler Mais

Meu amigo Alípio Freire. Por Tatiana Merlino

No Correio da Cidadania

Um “revolucionário de veludo”. Foi assim que um amigo definiu Luiz Eduardo Merlino, meu tio, jornalista e militante que não pude conhecer porque foi morto em 1971, aos 23 anos, em decorrência das torturas comandadas por Carlos Alberto Brilhante Ustra durante a ditadura civil-militar. Pego emprestada a expressão “revolucionário de veludo”, no entanto, para descrever Alípio Freire, meu amigo que morreu na quinta-feira passada, 22 de abril, de covid-19.

Voz grave, sorriso largo, cabelos brancos longos amarrados num rabo. Bigodes, óculos, pele morena, dedos longos. Alto e altivo, caminhava com uma bengala, vestia calça jeans e all star. Um charme. Foi assim que o conheci pessoalmente, no início dos anos 2000, embora já o conhecesse por meio de relatos, textos, e livros sobre a ditadura, como o “Tiradentes: um presídio da ditadura”, organizado por ele próprio.

(mais…)

Ler Mais

Lilo Clareto, os olhos do mundo na Amazônia, morre de covid-19 em São Paulo

Fotógrafo se notabilizou por retratar as violações ambientais e humanas que ocorrem na floresta desde a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte

El País

“A máquina do mundo se entreabriu/ para quem de a romper já se esquivava/ e só de o ter pensado se carpia/ Abriu-se majestosa e circunspecta/ sem emitir um som que fosse impuro/ nem um clarão maior que o tolerável”,escreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade. Os versos eram alguns dos favoritos do fotógrafo Lilo Clareto. Mineiro (assim como Drummond) de Passos e um dos 16 filhos de dona Geraldinha, mulher da roça que se alfabetizou aos 92 anos, e de seu Antonio, contador de histórias, Maurilo nasceu em 13 de abril de 1960. Logo se tornou Lilo, apelido dado pela irmã caçula Inês. Ele sabia declamar de cor as 32 estrofes de A Máquina do Mundo, e costumava fazê-lo enquanto cruzava a rodovia transamazônica ou quando subia de voadeira os igarapés da bacia do Xingu. Aquelas terras, tão belas e ancestrais quanto ameaçadas e violentadas, se tornaram o lar de Lilo em 2017, quando deixou São Paulo e se mudou para Altamira, no Pará. Retratar a dignidade dos povos da floresta e os abusos cometidos contra eles em nome do progresso se tornou o eixo de seu trabalho e sua razão de viver.

(mais…)

Ler Mais

Morre Alfredo Bosi, um dos maiores críticos literários do Brasil, de Covid, aos 84 anos

O escritor era membro da Academia Brasileira de Letras

 por Folhapress, no Diário do Nordeste

Morreu o escritor, crítico literário e professor Alfredo Bosi, aos 84 anos, devido à Covid-19. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (7) pela Companhia das Letras, editora na qual publicou livros como “Dialética da Colonização”, de 1992, e “Brás Cubas em Três Versões: Estudos Machadianos”, de 2006.

(mais…)

Ler Mais

Articulação das Pastorais do Campo emite Nota de Pesar e Indignação pela morte da liderança quilombola Fátima Barros

por Andressa Zumpano, em Articulação das Pastorais do Campo / CPT

Neste dia 06 de abril de 2021, marcado por mais de 330.000 brasileiros mortos pela COVID-19, anunciou-se a partida de mais uma companheira de nossas lutas. Fátima Barros, liderança quilombola da Ilha de São Vicente, em Araguatins-TO, faleceu hoje, depois de uma batalha pela vida em mais um dos tantos hospitais desassistidos pelo Estado Brasileiro.  

(mais…)

Ler Mais

Jornalista e ambientalista Vilmar Berna morre aos 64 anos

Em 1999, Vilmar Sidnei Demamam Berna recebeu o Prêmio Global 500 da ONU, maior reconhecimento das Nações Unidas aos que defendem o meio ambiente no mundo.

Por G1 Rio

O jornalista, escritor e ambientalista Vilmar Sidnei Demamam Berna morreu nesta sexta-feira (2), aos 64 anos, no Rio de Janeiro. Segundo familiares, Vilmar teve pneumonia grave. Nascido em outubro de 1956, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Vilmar morava em Jurujuba, em Niterói, na Região Metopolitana do Rio.

(mais…)

Ler Mais

Há 100 anos nascia Piazzolla, criador do novo tango

Um ditado argentino diz: “tudo muda, menos o tango”. Mas Astor Piazzolla revolucionou o gênero musical.

Por Suzanne Cords, na DW

O nome de um compositor e músico raramente está tão intimamente ligado a um estilo musical como o de Astor Piazzolla ao tango. E isso apesar de, no começo, ele nem gostar muito desse gênero, já que seu coração batia pelo jazz.

(mais…)

Ler Mais

Juliano Moreira: um psiquiatra negro frente ao racismo científico

Nota: Juliano Moreira nasceu em 6 de janeiro de 1873, em Salvador, BA, e morreu em 2 de maio de 1933, aos 60 anos, em Petrópolis, RJ. (TP)

Por Ana Maria Galdini Raimundo Oda e Paulo Dalgalarrondo*

Juliano Moreira (1873-1933), baiano de Salvador, é frequentemente designado como fundador da disciplina psiquiátrica no Brasil. Sua biografia justifica tal eleição: mestiço (mulato), de família pobre, extremamente precoce, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia aos 13 anos, graduando-se aos 18 anos (1891), com a tese “Sífilis maligna precoce“. Cinco anos depois, era professor substituto da seção de doenças nervosas e mentais da mesma escola. De 1895 a 1902, frequentou cursos sobre doenças mentais e visitou muitos asilos na Europa (Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Escócia).1

(mais…)

Ler Mais

“Políticas homicidas”: Sociedade de Medicina e Cirurgia do RJ lamenta morte do cirurgião Ricardo Cruz e acusa governantes de irresponsabilidade criminosa

Tania Pacheco

A Carta da SMCRJ é o documento mais contundente divulgado até o momento pela comunidade médica sobre a pandemia. Vale lê-lo enquanto homenagem ao cirurgião humanista Ricardo Cruz, sem dúvida, mas vale igualmente, como propõe a entidade, honrar a sua morte também através dessa importante denúncia, levando a ações das quais ele sem dúvida participaria, se vivo estivesse.

Homicídio é palavra reconhecidamente forte. Para alguns, talvez toque mais que genocídio, que muitos têm dificuldade em ‘diagnosticar’ e/ou aceitar. E é homicídio que a SMCRJ denuncia no documento que reproduzimos na íntegra abaixo, ao mesmo tempo em que “lamenta, estranha e repele o silêncio, a inação e a abulia da quase totalidade das entidades médicas do país e as conclama à ela se unirem pela demanda por políticas públicas de combate à pandemia, baseadas na evidência científica dos fatos”.

(mais…)

Ler Mais