Juliano Moreira: um psiquiatra negro frente ao racismo científico

Nota: Juliano Moreira nasceu em 6 de janeiro de 1873, em Salvador, BA, e morreu em 2 de maio de 1933, aos 60 anos, em Petrópolis, RJ. (TP)

Por Ana Maria Galdini Raimundo Oda e Paulo Dalgalarrondo*

Juliano Moreira (1873-1933), baiano de Salvador, é frequentemente designado como fundador da disciplina psiquiátrica no Brasil. Sua biografia justifica tal eleição: mestiço (mulato), de família pobre, extremamente precoce, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia aos 13 anos, graduando-se aos 18 anos (1891), com a tese “Sífilis maligna precoce“. Cinco anos depois, era professor substituto da seção de doenças nervosas e mentais da mesma escola. De 1895 a 1902, frequentou cursos sobre doenças mentais e visitou muitos asilos na Europa (Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Escócia).1

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“Políticas homicidas”: Sociedade de Medicina e Cirurgia do RJ lamenta morte do cirurgião Ricardo Cruz e acusa governantes de irresponsabilidade criminosa

Tania Pacheco

A Carta da SMCRJ é o documento mais contundente divulgado até o momento pela comunidade médica sobre a pandemia. Vale lê-lo enquanto homenagem ao cirurgião humanista Ricardo Cruz, sem dúvida, mas vale igualmente, como propõe a entidade, honrar a sua morte também através dessa importante denúncia, levando a ações das quais ele sem dúvida participaria, se vivo estivesse.

Homicídio é palavra reconhecidamente forte. Para alguns, talvez toque mais que genocídio, que muitos têm dificuldade em ‘diagnosticar’ e/ou aceitar. E é homicídio que a SMCRJ denuncia no documento que reproduzimos na íntegra abaixo, ao mesmo tempo em que “lamenta, estranha e repele o silêncio, a inação e a abulia da quase totalidade das entidades médicas do país e as conclama à ela se unirem pela demanda por políticas públicas de combate à pandemia, baseadas na evidência científica dos fatos”.

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Davi Kopenawa é eleito membro da Academia Brasileira de Ciências

Belíssima notícia! Qual a instituição? Entre parênteses, a Academia colocou simplesmente Povo Yanomami. Parabéns à ABC. (TP)

ABC

Após Assembleia Geral Ordinária realizada em 3/12/2020, a Diretoria da ABC divulgou o resultado das eleições para membros titulares, correspondentes, colaboradores e afiliados. Entre os titulares, 43% são mulheres; entre os afiliados, 46,7%.

Todos os eleitos tomam posse no dia 1o de janeiro. Os membros titulares, colaboradores e correspondentes receberão seus diplomas em maio de 2020, durante a Reunião Magna da ABC.

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Maradona como religião da classe trabalhadora

Craque argentino expressou a rebeldia das periferias da América Latina: a beleza em meio a bosque de pernas e a alegria frente às misérias cotidianas. Imperfeito, tornou-se, para o povo, um Deus real, possível e contestador

Por Francisco Garrido, em La Voz del Sur | Tradução: Rôney Rodrigues

Fui um dos que estavam na noite de novembro de 1992 na lateral esquerda do gol sul do Pixjuán [estádio em Sevilha, Espanha] quando um menino jogou uma bolinha de papel alumínio de seu lanche em direção a Maradona. Diego, sem deixá-la cair no chão, fez maravilhas. O estádio inteiro veio abaixo e até a defesa do Zaragoza [clube espanhol] ficou paralisada, contemplando as barbaridades que o argentino fez com a bolinha do lanche do moleque. Assista aqui:

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Réquiem para Diego. Por Elaine Tavares

No Palavras Insurgentes

Hoje foi um dia que chorei um bocado. Cada vez que entrava na internet e via algum escrito sobre Diego Maradona. Uma sensação de perda, profunda e dolorida. O Maradona era um cara especial. Um tipo que tendo ficado famoso poderia ter simplesmente vivido sua fama, sua grana, tornando-se um babaca, como tantos que conhecemos. Não é fácil sair da pobreza, conquistar o mundo e não se perder. Diego perdeu-se em muitas coisas. Álcool, drogas, mulheres. Sabe-se lá que dores o atormentavam. Sabe-se lá se foi apenas deslumbramento. O pequenino de Lanus  aproveitou a vida à larga. Teve seus ataques, mostrou sua sombra, expôs os demônios. E ele poderia ter ficado nisso. Mas, não. 

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Sócrates, Che e Maradona, orai por ‘nosotros’. Por Xico Sá

“Eu, dom Ernesto, Maradona e mais oito”. Era assim que o doutor Sócrates, entre uma cerveja e outra no bar Che Bárbaro, escalava o seu escrete dos sonhos, para delírio dos argentinos e corintianos do estabelecimento

No El País

Hoje, pelo menos hoje, mesmo para a mais descrente das criaturas, é preciso ter fé nas coisas do além e imaginar uma tabelinha imediata entre Sócrates e Maradona. Pode ser no inferno ou no paraíso, menos no purgatório ―os dois gênios não admitiriam esse dantesco muro político e ideológico. O goleiro do time é o ídolo comum Ernesto Che Guevara. Sim, Che, por ser asmático, sempre preferiu jogar de guarda-metas nas peladas na Argentina e em Cuba. “Eu, dom Ernesto, Maradona e mais oito”, era assim que o doutor Sócrates, entre uma cerveja e outra no Che Bárbaro, bar e restaurante da Vila Madalena, escalava o seu escrete dos sonhos, para delírio dos argentinos e corintianos do estabelecimento.

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Nota de pesar pelo falecimento de José Rocha, assessor de comunicação do Cimi Regional Norte I

Ao longo dos mais de 30 anos no Cimi, J. Rosha, como era conhecido, abraçou a causa indígena com coragem, dedicação e compromisso

No Cimi

Informamos com profunda tristeza o falecimento, no início desta tarde, 10 de novembro de 2020, em Manaus, de José Honório Garcia Rocha (J. Rosha), jornalista e assessor de comunicação do Conselho Indigenista Missionário – Cimi Regional Norte I. Manifestamos nossa solidariedade a seus familiares e amigos, que abraçamos na dor dessa perda irreparável.

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Homenagem a Pedro Casaldáliga: Contra Todas as Cercas

Contra Todas as Cercas: organizações realizam homenagem a Pedro na terça-feira, 8. Live de homenagem a Pedro acontece um mês após sua morte e será transmitida pelas redes sociais da CPT, CIMI e MST.

Assim como as sementes que geram vidas, das palavras e sonhos de Pedro brotam Fidelidade, Indignação e a Rebeldia. Para homenagear Dom Pedro Casaldáliga será realizada no dia 08 de setembro de 2020 às 16 horas a Homenagem Contra Todas as Cercas. Familiares, amigos e movimentos sociais organizaram ações virtuais para lembrar um mês do falecimento de Pedro Casaldáliga. A transmissão da homenagem será feita pelos canais de Facebook e Youtube da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Missionário Indigenista (Cimi) e Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), além da retransmissão por canais de outros movimentos e da imprensa.

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Nas pegadas do bispo Pedro Casaldáliga

Seguindo as pegadas do bispo Pedro Casaldáliga, as mais profundas que deixou por onde passou  foram a fidelidade, a indignação e a rebeldia. E ele estampou estas marcas no livro EN REBELDE FIDELIDAD, publicado em 1983.

por Antônio Canuto*, em CPT

A Fidelidade

Pedro foi radicalmente fiel  ao Deus de todos os nomes, de todos os povos e nações, acima de igrejas e religiões.

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Prelazia de São Félix do Araguaia, MT: locomotiva da profecia. Por frei Gilvander Moreira

Partindo de Belo Horizonte, MG, dia 27 de setembro de 2015, após 27 horas seguidas de viagem de avião, ônibus e automóvel, cheguei a Santa Terezinha, umas das cidadezinhas da Prelazia de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. Por lá, durante cinco dias vi e ouvi muita coisa que merece ser partilhada em nome da responsabilidade que temos de honrar o imenso legado espiritual, ético, profético e revolucionário que Dom Pedro Casaldáliga nos deixou. Vi com os meus olhos, com a minha cabeça e com o meu coração. Eu já tinha ouvido dizer que a região de São Félix é conhecida como sertão. Vi que é um sertão diferente do mineiro e do nordestino e esta foi uma oportunidade de relembrar que não há sertão, mas sertões e que “os sertanejos são homens fortes”, conforme reconheceu Euclides da Cunha no livro “Os Sertões”.

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