Dia de inspeção em Congonhas. Por Antonio Claret Fernandes

O Inspetor, nesse dia, está particularmente feliz. Ele gosta da sua profissão. Não esconde isso de ninguém. Vê-se, sem esforço, pela sua cara. Meio bonachão e muito contente. Ganha bem. Mora numa mansão no Rio de Janeiro; coincidentemente no Botafogo, mesmo bairro do escritório da Vale. E ainda é cotejado por grandes empresas. Recebe regalos por favores aqui e ali. Segue a prática comum no ambiente privado, onde a corrupção, ao contrário do que pensa o senso comum, é maior do que no público.

Mas, para além da satisfação normal, a proximidade da inspeção em Congonhas, com 24 barragens de rejeito, para onde já está a caminho, o deixa especialmente feliz. Ele adora aquela cidade. A sua história. O seu relevo.

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O enigma da sobrevivência neoliberal

Como um projeto fracassado, social e economicamente, mantém-se há 30 anos? Em parte, devido ao poder de uma minoria ínfima. Mas é preciso encontrar resposta mais profunda – e, em especial, uma saída que convença as maiorias

Por Robert Kuttner* | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Desde o final dos anos 1970, vivemos um enorme experimento para testar a afirmação segundo a qual mercados “livres” realmente funcionam bem. Esta ressurreição ocorreu apesar do fracasso do laissez-faire, nos anos 1930, a humilhação consequente da teoria dos mercados “livres” e, em contraste, o sucesso do capitalismo regulado, durante o boom de três décadas do pós-II Guerra.

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Partido Verde e agricultores alemães querem bloquear acordo UE-Mercosul

Gabriel Bonis, para a BBC News Brasil

Nos moldes atuais, o princípio de acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, anunciado na última semana, tem grandes chances de ser rejeitado no continente europeu. Deputados do Partido Verde na Alemanha, no Reino Unido e no Parlamento da UE, além da Associação Alemã de Agricultores, já se mobilizam nos bastidores para impedir a ratificação do documento.

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A doença nossa de cada dia

por Guilherme Carvalho, em Macaréu Amazônico

Durante a semana que passou recebi por whatsapp uma charge em que o médico perguntava ao paciente onde doía. Este, por sua vez, respondia: “a realidade”. De fato, a realidade tem se mostrado muito dura, particularmente às pessoas que definem o capitalismo como um sistema incapaz de resolver os principais males que afligem a humanidade. Para estas a destruição das políticas sociais inclusivas, o desmantelamento do Estado nacional, o recrudescimento das desigualdades, os ataques aos direitos humanos, a desconstrução da democracia e o avanço destruidor sobre o meio ambiente doem de maneira profunda.

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O “velho capitalismo” e seu fôlego para dominação do tempo e do espaço. Entrevista especial com Luiz Gonzaga Belluzzo. Parte II

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

Na primeira parte da entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo destacou como o capitalismo, ou “Velho Cap”, como ele diz, ainda se mostra potente, capaz de recuperar sua natureza inquieta e criativa para chamar para si um protagonismo no mundo de hoje. O professor também refletiu sobre como a concepção de uma “nova economia” tem de, essencialmente, passar por questões que ainda não foram resolvidas do antigo – que na verdade é o atual – modelo. “Para começo de conversa, digo que as questões suscitadas nas origens da vida moderna ainda não obtiveram resposta. Nos tempos de prosperidade, elas hibernam e ai dos que ousam despertá-las. Mas no fragor das crises elas voltam a assombrar o mundo dos vivos’, observa.

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O “velho capitalismo” e seu fôlego para dominação do tempo e do espaço. Entrevista especial com Luiz Gonzaga Belluzzo

Por: João Vitor Santos, em IHU On-Line

A plasticidade do capitalismo permite que ele assuma o espírito do tempo e, com isso, vá se transmutando e se tornando senhor do tempo e do espaço. “O velho capitalismo reconciliou-se com sua natureza inquieta e criativa. Tão inquieta e criativa que rapidamente transmutou a concorrência perfeita em concorrência monopolista”, observa o economista Luiz Gonzaga Belluzzo. Se antes o capitalismo era ruim, ao menos gerava recursos para o Estado, podendo se pensar um Estado de bem-estar a partir de suas bases. No entanto, agora se faz ainda mais perverso pela perspectiva individualista que assume. “Livre, leve e solto em seu peculiar dinamismo, amparado em suas engrenagens tecnológicas e financeiras, o ‘Velho Cap’ promoveu e promove a aceleração do tempo e o encolhimento do espaço. Esses fenômenos gêmeos podem ser observados na globalização, na financeirização e nos processos de produção da indústria 4.0”, acrescenta.

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Europa-Mercosul: o acordo de Recolonização

Por Antonio Martins, do Portal Outras Palavras

Governos em final de mandato, ou precocemente enfraquecidos, são ainda mais propensos a atos espalhafatosos e imprudentes. Na sexta-feira (28/6), em Bruxelas, ministros do Mercosul e o presidente da Comissão Europeia (CE) anunciaram ter chegado ao que poderá ser, um dia, um acordo de “livre” comércio entre os dois blocos. No Brasil, o governo Bolsonaro, representantes das grandes transnacionais e a mídia conservadora comemoraram o fato, que julgam “histórico”. Não há, porém, nenhuma garantia de que os compromissos firmados entrarão em vigor um dia. O caminho para a aprovação final é longo e pedregoso. Os primeiros obstáculos já começaram a surgir – e vão muito além dos movimentos sociais e da “esquerda”.

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“Veremos um ressurgimento da esquerda, mas precisa buscar uma nova voz”. Entrevista com David Harvey

Na IHU Online

David Harvey (Gillingham, 1935) é um geógrafo marxista de origem britânica que trabalha como professor na City University of New York  (CUNY) e que se tornou um dos cientistas sociais de referência para muitos movimentos de esquerda. Nestes dias, visita Barcelona para apresentar seu novo livro La lógica geográfica del capitalismo (Editora Icaria), uma obra biográfica que oferece uma passagem histórica pela trajetória do autor, uma entrevista realizada em 2015, novos textos traduzidos para o espanhol e um capítulo inédito.

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A crise do Brexit e o capitalismo impotente

Como a globalização sem regras dissolveu os laços sociais mesmo num dos países mais ricos do mundo. Retratos do impasse: elites divididas, esquerda sem alternativas. A aposta dos super-ricos no caos e a brecha para derrotá-los

Por Paul Mason | Tradução: Marianna Braghini, em Outras Palavras

Uma mulher assedia skatistas brasileiros em uma rua de Londres, exigindo que parem de falar “brasileiro”. O embate, emblemático por sua estupidez, viralizou no Twitter. Os principais diretores de grandes supermercados, além do McDonalds e da KFC, alertaram sobre as interrupções no abastecimento, caso aconteça um Brexit sem acordo. Em janeiro, o governo admitiu que tem planos de contingenciamento de introduzir a lei marcial para evitar “mortes em caso de escassez de comida e medicamentos”. Em seguida, o parlamento britânico votou por algo que não pode colocar em prática: conservadores, membros do Partido Unionista do Ulster e alguns opositores à imigração da ala direita do Partido Trabalhista combinaram de exigir que a União Europeia faça mudanças no acordo que o governo britânico havia fechado em novembro passado. Os líderes da UE imediatamente enfatizaram que nenhuma renegociação de última hora é possível.

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“A Laudato Si’ é uma contribuição de extraordinária importância para o desenvolvimento, em escala planetária, de uma consciência ecológica”. Entrevista com Michel Löwy

IHU On-Line

“A encíclica Laudato Si’ é uma contribuição de extraordinária importância para o desenvolvimento, em escala planetária, de uma consciência ecológica. Para o Papa Francisco, os desastres ecológicos e a mudança climática não são simplesmente o resultado de comportamentos individuais, mas dos atuais modelos de produção e de consumo”, afirma Michael Löwy, em entrevista abaixo.

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