Amazônia, história de um massacre esquecido

Documentos históricos revelam: até um milhão de animais foram mortos por ano no século 20, para abastecer mercado mundial de peles. Congresso estuda reabrir a caça

Por André Antunes, na revista Piseagramaparceira editorial de Outras Palavras

Foram necessários vinte dias de viagem para percorrer os três mil quilômetros desde o ponto de partida. Durante a Segunda Guerra Mundial, atracado ao porto do derradeiro seringal, o imponente barco a vapor Rio Aripuanã desembarcava os seus últimos passageiros e bens industrializados provenientes de Manaus, enquanto se reabastecia de produtos extrativistas e passageiros oriundos das florestas do Rio Iaco, no alto Rio Purus. (mais…)

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Boaventura: o risco da desimaginação social

Em tempos de crise, capital flerta com hiper individualismo. Para este, a competição é o máximo. Cabe à cultura, e à religião, aceitar a guerra de todos contra todos

Por Boaventura de Sousa Santos* – Outras Palavras

O social é o conjunto de dimensões da vida coletiva que não podem ser reduzidas à existência e experiência particular dos indivíduos que compõem uma dada sociedade. Esta definição não é neutra. Define o social pela negativa, o que permite atribuir-lhe uma infinidade de atributos que variam de época para época. É, por outro lado, uma definição eurocêntrica porque pressupõe uma distinção categorial entre o social e o indivíduo, uma distinção que, longe de ser universal ou imemorial, é específica da filosofia e da cultura ocidentais, e nestas só se tornou dominante com o racionalismo, o individualismo e o antropocentrismo renascentista do século XV, os quais viriam a ter em Descartes o seu mais brilhante teorizador. Tanto é assim que a máxima expressão desta filosofia–cogito ergo sum, “penso logo existo”– não tem tradução adequada em muitas línguas e culturas não eurocêntricas. Para muitas destas culturas, a existência de um ser individual é não só problemática como absurda. É o caso das filosofias da África austral e do seu conceito fundamental de Ubuntu, que se pode traduzir por “eu sou porque tu és”, ou seja, eu não existo senão na minha relação com outros. Os africanos não precisaram esperar por Heidegger para conceber o ser como ser-com (Mitsein). (mais…)

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Pré-sal: estratégia de abutres

No leilão das jazidas brasileiras, corporações globais adotam curiosa artimanha. Atuam à sombra da Petrobras, à espera de que esta, exaurida pelo governo, passe-lhes a parte do leão

Por Cloviomar Cararine Pereira, Eduardo Costa Pinto, Rodrigo Pimentel Ferreira Leão e William Nozaki* – Outras Palavras

A segunda e terceira rodadas de leilão das jazidas do pré-sal, realizadas na sexta-feira 27, começaram com atraso de mais de quatro horas em razão de uma liminar da 3ª Vara Federal Cível da Justiça do Amazonas que suspendeu o pregão na noite de quinta-feira 26. A ação,  uma iniciativa do Sindipetro-AM, foi fundamentada a partir de dois eixos: lesão ao patrimônio público por uma possível perda de receita tributária, e lesão contra o desenvolvimento nacional, dada a potencial perda para a indústria nacional. (mais…)

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A reversão da crise requer uma exigência democrática sem perda do impulso anti-capitalista. Entrevista especial com Ruy Fausto

Patricia Fachin – IHU On-Line

Três elementos explicam a origem da crise da esquerda: “a deriva totalitária”, “o populismo” e “o patrimonialismo”. Esse é o diagnóstico do filósofo e professor emérito da Universidade de São Paulo, Ruy Fausto, expresso na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line. Em especial a virada totalitária, frisa, “representou um golpe muito sério para a esquerda, que ainda sofre com isto”. A reversão desse quadro, propõe, requer uma “exigência democrática, sem perda do impulso anti-capitalista (as duas coisas vão juntas, apesar das aparências em contrário), um programa ecológico sério (isso vale também para o Brasil), e uma articulação inteligente com as lutas anti-discriminatórias (feminismo, movimentos anti-racistas, L.G.B.T, etc)”. (mais…)

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Rio Doce, a farsa da “recuperação”

Estado brasileiro omite-se e entrega a uma ONG subordinada à Vale os trabalhos de “reparação” dos danos sociais e ambientais causados pelo crime de Mariana. Resultado é desastroso

Por Paula Guimarães e Raul Lemos dos Santos*, do Indebate / Outras Palavras

Uma interpretação corrente para os encaminhamentos institucionais dados ao rompimento da barragem da Samarco, Vale e BHP Billiton no Vale do Rio Doce aponta que as fragmentações impostas transcendem a esfera socioespacial e atingem as estruturas institucionais, a partir da deslegitimação do aparelho estatal e da concomitante emergência do terceiro setor como saída viável para gestão dos processos de reparação do desastre-crime. (mais…)

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“O ajuste, da maneira que foi feito no Brasil, é totalmente equivocado, pois produziu um desajuste”. Entrevista especial com Luiz Gonzaga Belluzzo

Patricia Fachin – IHU On-Line

As políticas de austeridade que têm sido adotadas em muitos países desde a crise econômica internacional de 2008 “partem do princípio de que hoje a culpa é de vocês, ou seja, do povo, que quer saúde de graça, que gasta demais, que pressiona os orçamentos”, diz o economista Luiz Gonzaga Belluzzo à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida pessoalmente quando esteve no Instituto Humanitas Unisinos – IHU,participando do ciclo de eventos Intérpretes e suas obras, na última segunda-feira, 09-10-2017, onde apresentou seu novo livro, escrito em conjunto com Gabriel Galípolo, Manda quem pode, obedece quem tem prejuízo (São Paulo: Facamp, 2017). Para ele, a adesão a esse tipo de política é “uma forma de replicar e reproduzir o mesmo sistema de dominação e controle que se tinha ao longo dos anos 1980 e que se acentuou depois”. (mais…)

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Ser ou não ser mercadoria – Eis a questão!

O debate sobre a “descomoditização” é antigo. Começou bem antes da fundação do Movimento Via Campesina (1992) e do slogan cunhado pelo ativista campesino José Bové — “O mundo não é uma mercadoria” (1999).

Por Amyra El Khalili*, na Diálogos do Sul

Essa discussão desenvolveu-se em fins da década de 80 e início da década de 90 entre alguns operadores de  commodities e de futuros desde a adoção pelos banqueiros e políticos da teoria neoliberal de Milton Friedman, da escola de Chicago. (mais…)

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O canto da sereia neoliberal e a privatização da Eletrobras

Os defensores das privatizações se baseiam em uma ideologia míope, que nega as limitações do mercado e cujos resultados práticos não cumprem as promessas de melhorias e barateamento dos serviços.

Por Política Econômica da Maioria (POEMA), no Voyager

Seguindo à risca o receituário neoliberal diante da mais profunda crise econômica da história brasileira[1], o Governo Federal anunciou um novo pacote de privatizações[2], das quais a que chama mais atenção é a privatização da Eletrobras, que responde por 31% do total da capacidade instalada de geração de energia elétrica no país (sendo 94% de fontes renováveis[3]), além de 61 mil quilômetros de linhas de transmissão (quase 50% do total nacional)[4]. (mais…)

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Mészáros: “O capital não é o simples desfrute das coisas pelos capitalistas”

Por Haroldo Ceravolo Sereza, em Opera Mundi

Com a morte de István Meszáros (1930-2017), autor de Para além do capital, revi trechos do Roda Viva que o entrevistou em 2002 (a bancada era formada por Ricardo Antunes, Emir Sader, Maria Orlanda Pinassi, Luiz Gonzaga Belluzzo, Carlos Nelson Coutinho e eu: gente que, provavelmente, está num índex qualquer da Fundação Padre Anchieta… (mais…)

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