A barbárie com rosto humano. Por Slavoj Zizek

IHU On-Line

“Não acredito que a maior ameaça representada pelo coronavírus seja uma regressão à simples barbárie, violência brutal pela sobrevivência, com seus distúrbios públicos, seus linchamentos derivados do pânico, etc. (embora, com o possível colapso dos serviços de saúde e outros serviços públicos, isso também seja bem possível). Mais do que mera barbárie, temo a barbárie com um rosto humano: medidas impiedosas de sobrevivência impostas com arrependimento e inclusive compaixão, mas legitimadas pelas opiniões dos especialistas”, escreve Slavoj Zizek, escritor e filósofo esloveno, em artigo publicado por Ctxt, 31-03-2020. A tradução é do Cepat.

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¿En serio vamos a tener que volver a cómo estábamos antes?

Por Diana T’ika Flores Rojas*, en Noticias SER / Servindi

La tragedia sanitaria mundial es innegable. Más de 21 mil personas han muerto hasta el momento por el llamado COVID-19, que según se sabe fue producido por el comercio de animales silvestres en China (1). Las familias de los fallecidos no han podido despedirse de ellos; y los grupos humanos más vulnerables son aquellos con quienes el sistema democrático no ha cumplido su palabra.

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Três medidas de emergência contra a crise social

Proibir demissões. Adiar vencimento das contas dos serviços públicos. Determinar aos bancos que financiem, com juros módicos e tabelados, prestações e boletos. Para proteger a maioria em tempos de crise, é preciso fazer o inusual

por Antonio Martins, em Outras Palavras

Dizer que “estamos em guerra” contra a covid-19 tornou-se lugar-comum. Mas, em meio à batalha contra um inimigo externo, é possível permitir que uma minoria aproveite-se para impor terror econômico aos demais, e exigir privilégios e favores? É o que estão fazendo, neste exato momento, os banqueiros e proprietários de grandes corporações de varejo. Os bancos aproveitam-se para aumentar os juros dos contratos e endurecer as negociações com os devedores, mostrou a Folha de S.Paulo em reportagem do jornalista Adriano Vizoni, que ouviu empresários de múltiplos setores. Já as redes varejistas, capitaneadas por Flávio Rocha, do Grupo Riachuelo, lançam uma chantagem: ou o comércio reabre, colocando ainda mais em risco a vida de milhões, ou demitirão um em cada três trabalhadores que empregam. Serão ao menos 600 mil novos desempregados.

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Quatro ameaças à Humanidade e uma saída

Coronavírus evidenciou nossa fragilidade diante de grandes calamidades. Há outras iminentes, como catástrofe climática e guerras biológicas. Evitá-las exigirá cooperação internacional e a sabedoria para conter nossa sede de controlar o mundo

Por Ricardo Abramovay, em Outras Palavras

Por maiores que sejam os sofrimentos provocados pelo novo coronavírus, tudo indica que ele não representa risco existencial para a espécie humana. Mas a pandemia imprimiu impressionante atualidade aos trabalhos acadêmicos, vindos de alguns dos mais prestigiosos centros de pesquisa do mundo e cujas perguntas centrais são: por quanto tempo a humanidade vai sobreviver? Quais os riscos existenciais que temos pela frente e que podem interromper uma história de 200 mil anos, que, para nós, parece um tempo gigantesco, mas que corresponde à infância de nossa espécie?

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Coronavírus: já tínhamos sido avisados

Há seis meses a ONU alertava: um vírus devastador poderia nos levar a uma pandemia. Governantes ignoraram risco iminente. Agora, enfrentarão nova ordem social – e do confinamento pode emergir uma governança solidária e global

Por Juan Luis Cebrián*, no El País España | Tradução de Simone Paz, em Outras Palavras

Em setembro do ano passado, um relatório das Nações Unidas e do Banco Mundial alertava sobre o sério risco de uma pandemia que, além de dizimar vidas humanas, iria destruir a economia e provocar um caos social. O chamado era para nos prepararmos para o pior: uma epidemia planetária, de uma gripe especialmente letal, transmitida por vias respiratórias. Apontava que um germe patogênico desse tipo poderia tanto surgir de forma natural, como ser projetado e criado num laboratório, com o fim de virar uma arma biológica. E fazia um chamado aos EUA e às instituições internacionais para que tomassem medidas para afastar aquilo que já se mostrava, certamente, à espreita.

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Ou desaceleramos ou morremos todos

Na esteira do tráfego aéreo, a pandemia espalhou-se — interrompendo fluxos de produtos e pessoas. Rompeu-se, mesmo à força, o “imperativo da fluidez”, descrito por Milton Santos, revelando: podemos viver sem correr e consumir tanto

por Antonio Gomes de Jesus Neto*, em Outras Palavras

Se há algo inerente à humanidade, é o movimento. Por exemplo, não seria possível pensar o continente africano atual sem as milenares migrações bantu e, na escala mundial, a China se lançou aos mares antes mesmo dos portugueses darem início ao que se chama, romanticamente, de Grandes Navegações. No século XIX, os trens e telégrafos ingleses mudaram a forma (e a velocidade) pela qual o planeta interagia, e daí à aviação comercial, já no século XX, foi um pulo. Assim, entramos no século XXI animados com a possibilidade de circular rapidamente pelo mundo em poucas horas (senão em um clique), mas sem pensar nas possíveis consequências disso.

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“Nós estamos vivendo uma agiotagem institucionalizada”, diz economista Amyra El Khalili

No país dos juros mais altos do mundo, a TV Diálogos do Sul recebeu a Amyra El Khalili para falar sobre a economia do Brasil

Mariane Barbosa, Diálogos do Sul

Uma das primeiras operadoras de pregão da Bolsa de Mercadorias & de Futuros (BM&F), a beduína palestino-brasileira, economista e ativista ambiental Amyra El Khalili criticou a alta taxas de juros cobrados no país. “Nós estamos vivendo uma agiotagem institucionalizada”.

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David Harvey: Política anticapitalista em tempos de coronavírus

Quarenta anos de neoliberalismo na América do Norte e do Sul e na Europa deixaram o público totalmente exposto e mal preparado para enfrentar uma crise de saúde pública desse calibre, apesar de sustos anteriores como a SARS e o Ebola fornecerem avisos abundantes e lições convincentes sobre o que seria necessário ser feito.

No Blog da Boitempo

Ao tentar interpretar, entender e analisar o fluxo diário de notícias, tenho a tendência de localizar o que está acontecendo em dois cenários distintos, mas interligados, de como o capitalismo funciona. O primeiro cenário é um mapeamento das contradições internas da circulação e acumulação de capital, à medida que o valor monetário flui em busca de lucro através dos diferentes “momentos” (como Karl Marx os chama) de produção, realização (consumo), distribuição e reinvestimento. Este é o arranjo da economia capitalista como uma espiral de expansão e crescimento sem fim. Fica mais complicado à medida que é analisado, por exemplo, através das rivalidades geopolíticas, desenvolvimentos geográficos desiguais, instituições financeiras, políticas estatais, reconfigurações tecnológicas e a rede em constante mudança de divisões do trabalho e relações sociais.

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O coronavírus: o perfeito desastre para o capitalismo do desastre. Por Leonardo Boff

Em LeonardoBoff.com

A atual pandemia do coronavírus representa uma oportunidade única para repensarmos o nosso modo de habitar a Casa Comum, a forma como produzimos, consumimos e nos relacionamos com a natureza. Chegou a hora de questionar as virtudes da ordem do capital: a acumulação ilimitada, a competição, o individualismo, a indiferença face à miséria de milhões, a redução do Estado e a exaltação do lema de Wallstreet: ”greed is good”(a cobiça é boa). Tudo isso agora é posto em xeque. Ele tem dias contados.

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