“Os governos da direita e da extrema direita são muito bons para destruir, mas muito ruins para construir”. Entrevista com Boaventura de Sousa Santos

IHU On-Line

Os cenários a partir dos quais o sociólogo Boaventura de Sousa Santos fala são diversos. Assim como pode oferecer uma conferência sobre as perspectivas de paz na Colômbia, diante de vários líderes sociais e estudantes da Universidade Autónoma Indígena Intercultural, em Popayán [Colômbia], também pode conversar sobre o colonialismo no principal auditório da Universidade da CalifórniaIrvine, ou pode dar uma aula sobre as consequências nefastas do patriarcado na Universidade de Barcelona.

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Reinventar modos de viver a partir dos territórios. Por Cândido Grzybowski

Do Ibase

Estamos naquele impasse quase total, de absoluta incerteza. Experiência única para a maioria no mundo inteiro. Mas, ao mesmo tempo, trata-se de uma vivência compartida entre todas e todos, um momento de extraordinária tomada de consciência de destino comum planetário. Nunca vivenciamos tal situação de total dependência, tendo os mesmos medos e incertezas sobre o amanhã e o depois de amanhã, ao menos nós das atuais gerações. E, no entanto, desperta uma profunda sensação de direito coletivo à vida, com um futuro a sonhar e construir, como condição do próprio viver. Eis o desafio!

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Noam Chomsky: “Se não conseguirmos um ‘Green New Deal’, ocorrerá uma desgraça”

Voz de referência da esquerda nos EUA, o pensador pede uma grande mudança de rumo. Afirma que colocar funções públicas sob controle privado explica grande parte do desastre na crise do coronavírus

por Marta Peirano, em El País

O norte-americano Noam Chomsky (91 anos) é o fundador da linguística contemporânea e o pensador crucial da esquerda contemporânea. Também é um dos grandes impulsores da Internacional Progressista, a plataforma que reúne o The Sanders Institute, o Movimento pela Democracia na Europa 2025 (DiEM25), representantes do Sul global, Índia, África e América Latina. Em plena pandemia eles se lançam para bloquear uma escalada do neoliberalismo e “abrir a porta a alternativas progressistas preocupadas com o bem-estar das pessoas e não pela acumulação de riqueza e poder”. O encontro foi tela com tela.

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Löwy: Só uma revolução antissistêmica abre caminho para uma nova sociedade

Entrevista do sociólogo Michel Löwy concedida ao site turco El Yazmalari, no último dia 9 de maio, reproduzida em inglês pelo International Viewpoint. Tradução de Hudson Valente.

Insurgência

Há muitos anos, no manifesto ecossocialista, você apontou que inúmeros pontos de resistência surgiram espontaneamente no mundo caótico do capital global, e afirmou que a maioria desses pontos de resistência são ecossocialistas em natureza. Você chamou a atenção para a possibilidade de esses movimentos se reunirem e estabelecerem um “internacional ecossocialista”. Nos últimos 15 anos, as resistências contra a ordem caótico do capital global tem aumentado e se espalhado. Especialmente o final de 2019 e o início de 2020 foram cheios de manifestações. Onde estamos hoje em relação à idéia da internacional ecossocialista? As possibilidades para isso aumentaram?

Michael Löwy: Houve de fato um aumento na resistência socioecológica contra o capital global. Camponeses, comunidades indígenas e mulheres estão na vanguarda dessa luta, assim como os jovens: milhões foram para as ruas, seguindo o chamado de Greta Thunberg. Esta mobilização internacional pela justiça climática é sem precedentes. Isso nos dá esperança, mas até agora a oligarquia [dos combustíveis] fóssil ainda está no poder e impõe sua regra desastrosa: business as usual. Estamos caminhando rapidamente para uma catástrofe.

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Chomsky: um antídoto contra a ultradireita

Ela avançou porque capital financeiro tirou a máscara: bancos e corporações já aceitam aliar-se com os Trump e Bolsonaro. Mas a crise econômica mostra que este arranjo é frágil e abre brechas para a construção de alternativas inovadoras

Noam Chomsky, em entrevista a Amy Goodman, no Democracy Now! | Tradução por Simone Paz e Gabriela Leite, em Outras Palavras

Dissidente político, linguista e autor de renome mundial. Professor laureado no Departamento de Linguística da Universidade do Arizona e professor emérito do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, onde lecionou por mais de 50 anos. Na entrevista a seguir, responde aos cortes de Trump no financiamento à Organização Mundial da Saúde, fala sobre o aumento recorde das mortes nos Estados Unidos, e discute as condições em Gaza, a ascensão do autoritarismo no mundo todo e a resposta dos progressistas. “Esse é o típico comportamento dos autocratas e ditadores. Quando você comete erros colossais, que acabam matando milhares de pessoas, é preciso encontrar alguém para botar a culpa”, explica Chomsky. “Nos Estados Unidos, infelizmente, é o caso: há mais de um século, um século e meio, tem sido sempre mais fácil culpar o “perigo amarelo”.

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Reencuentro con la Madre Tierra, tarea urgente para enfrentar las pandemias

“Ojalá que la pandemia del coronavirus, como la peste en la Antigua Grecia,
resulte un acontecimiento histórico que alcance a instaurar en la conciencia humana
la inteligencia de la vida; que logre recodificar el silogismo aristotélico ´todos los hombres son mortales´,
para recomponer la vida de Gaia, de la Pachamama. Para instaurar en el pensamiento
a un nuevo silogismo: la vida es naturaleza/Soy un ser vivo/soy naturaleza.”

Enrique Leff

Por Alberto Acosta*, Servindi

16 de abril, 2020.- La Humanidad, con la pandemia del coronavirus, parece vivir una película de terror, que nos confronta de forma brutal y global con la posibilidad cierta del fin de su existencia en el planeta. Sin ser una película, siendo una dura realidad, se trata de una mega producción que está en marcha desde hace tiempo atrás. Esta pandemia no surge de la nada, no es el producto de un simple complot. La pandemia del Covid-19 nos confronta con una realidad que se ha venido deteriorando aceleradamente desde hace unas siete décadas por lo menos, pero aún con más brutalidad en el último tiempo. Aceptemos también que la recesión económica nos es un producto del coronavirus, pues ya empezó a golpearnos desde el año anterior.

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Biopolítica de uma catástrofe anunciada

A pandemia nasce da pecuária industrial e da devastação da Saúde pública. Mas o problema que revela é, além do capitalismo em si, o capitalismo em mim. Oxalá o desejo de viver nos dê criatividade e empenho para a transformação indispensável

Por Ángel Luis Lara* | Tradução: Simone Paz Hernández, em Outras Palavras

1.
Em outubro de 2016, os leitões das fazendas da província de Guangdong, no sul da China, começaram a adoecer com o vírus da diarréia epidêmica suína (PEDv), um coronavírus que afeta as células que recobrem o intestino delgado dos porcos. Porém, quatro meses depois os leitões pararam de testar positivo para o PEDv, embora continuassem adoecendo e morrendo. Como bem comprovou a pesquisa, tratava-se de um tipo de doença nunca antes vista, a qual foi batizada com o nome de Síndrome de Diarréia Aguda Suína (SADS-CoV), provocada por um novo coronavírus que matou cerca de 24 mil porcos até maio de 2017, precisamente na mesma região na qual treze anos antes tinha se iniciado o surto de uma pneumonia atípica, conhecida como “SARS”.

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O vírus transparente e os unicórnios invisíveis. Por Boaventura de Sousa Santos

Entre o reino transcendente, dos deuses e mercados; e o mundano, das desigualdades e devastação, há uma esfera intermediária. Três seres astutos e terríveis a habitam. Sua força: não serem percebidos e agirem em conjunto

por Boaventura de Sousa Santos*, em Outras Palavras

Os debates culturais, políticos e ideológicos do nosso tempo têm uma opacidade estranha que decorre da sua distância em relação ao cotidiano vivido pela grande maioria da população, os cidadãos comuns – “la gente de a pie”, como dizem os hispano-americanos. Em particular, a política, que devia ser a mediadora entre as ideologias e as necessidades e aspirações dos cidadãos, tem vindo a demitir-se dessa função. Se mantém algum resíduo de mediação, é com as necessidades e aspirações dos mercados, esse mega-cidadão informe e monstruoso que nunca ninguém viu, nem tocou ou cheirou, um cidadão estranho que só tem direitos e nenhum dever. É como se a luz que ele projetasse nos cegasse. De repente, a pandemia irrompe, a luz dos mercados empalidece e da escuridão, com que eles sempre nos ameaçam se não lhe prestarmos vassalagem, emerge uma nova claridade. A claridade pandêmica e as aparições em que ela se traduz. O que ela nos permite ver e o modo como for interpretado e avaliado determinarão o futuro da civilização em que vivemos. Estas aparições, ao contrário de outras, são reais e vieram para ficar.

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