Páscoa em tempos de pandemia. Por Gilvander Moreira[1]

Com quase 3 mil por dia, já ultrapassando no Brasil 312 mil mortos pela pandemia da covid-19, potencializada pela política de morte (necropolítica), planejada e executada para ser genocida, sob coordenação do antipresidente e de todo o desgoverno federal com a cumplicidade da maioria dos senadores e deputados/as, e do Supremo Tribunal Federal (STF), o povo brasileiro está afundado em uma das mais brutais “sexta-feira da paixão” da história do Brasil. Como celebrar a Páscoa de Jesus Cristo e nossa páscoa em meio a milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas? Como e onde encontrar forças e luzes para construirmos um domingo de ressurreição com condições de vida digna para todos/as? Como ter esperança de uma nova aurora em meio a tantas trevas?

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Covid, a última herança do Colonialismo

Desde século XVI, impérios europeus produziram mudança antropológica abrupta. Capital converteu a agricultura, antes integrada aos ecossistemas, em commodities cultivadas nas colônias. Daí vieram o latifúndio, o agronegócio e… as pandemias!

Por Rob Wallace, no New Internationalist  |Tradução: Simone Paz, em Outras Palavras

O SARS-CoV-2, o coronavírus por trás da Covid-19, avança. Infecta centenas de milhares de pessoas por dia no mundo inteiro. Em países que não souberam lidar corretamente com o surto — entre eles, os EUA, a Grã-Bretanha e o Brasil — a retórica do governo muitas vezes sugeriu, no início e antes da vacina, deixar o coronavírus “seguir seu curso”. Com pouco apoio científico, políticos como Donald Trump declararam que uma imunidade de rebanho mítica — deixando milhões de mortos em seu rastro — nos salvaria.

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“Não estamos emancipadas, estamos cansadas e em crise”. Entrevista com Silvia Federici

por El Periódico, no IHU / tradução é do Cepat

Sua mãe, Dina, uma árdua dona de casa italiana, costumava se queixar de que ninguém valorizava seu trabalho. “Não é um trabalho real”, esclarecia para o seu marido. Anos e leituras depois, nos anos 1970, Silvia Federici (Parma, Itália, 1942) reivindicou um salário para o trabalho doméstico, que a Oxfam acabaria avaliando em 9,2 bilhões de euros por ano.

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Os fugitivos do capital. Por Elaine Tavares

Em Palavras Insurgentes

A cena de um grupo de haitianos/venezuelanos/brasileiros tentando cruzar a fronteira do Peru, desde o Acre, é de partir o coração. Dezenas deles, que não encontrando formas de sobreviver no Brasil, decidem partir para outro ponto do globo, sendo impedidos, barrados, escorraçados. Seu destino parece ser a fuga permanente. Os haitianos, maioria no grupo, saíram do Haiti, onde desde há décadas o império estadunidense estende seus tentáculos, seja nas ditaduras sanguinárias, seja nos golpes disfarçados – como a tal ajuda humanitária com os cascos azuis – seja em mais uma tentativa de perpetuação no poder, como é o caso agora do último presidente, Jovenel Moïse. O Haiti é uma ferida aberta de tormentos e dores. E por isso os jovens fogem de lá, buscando um espaço para viver em paz. Mas, ao que parece, por mais que se desloquem, não encontram guarida.  

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Agroecologia, ancestralidade e capitalismo: rupturas, permanências e reconstruções

Por Patrik Almeida*, na CPT/BA

A extração de minério e a instalação de empresas do agronegócio na região da Chapada Diamantina preocupa grande parte da população que vive nas áreas de exploração desses empreendimentos. Permeada pelo ideal da produtividade em massa e da obtenção de lucro, essas empresas impactam grandemente os ecossistemas e as relações sociais das comunidades circunvizinhas afetando diretamente no bem estar social da população. 

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Boaventura: a grande disputa pelo antissistema

Divórcio entre Capitalismo e Democracia produziu a enorme instabilidade política que marca o Ocidente. Muitos atacam o establishment. Mas quem vencerá: os que já não suportam as lógicas do capital, ou os que nunca admitiram a democracia?

Por Boaventura de Sousa Santos*, em Outras Palavras

O crescimento global da extrema-direita voltou a dar uma nova importância ao conceito de antissistema em política. Para entender o que se está a passar é necessário recuar algumas décadas. Num texto deste tipo não é possível dar conta de toda a riqueza política deste período. As generalizações serão certamente arriscadas e não faltarão omissões. Mesmo assim, o exercício impõe-se pela urgência de dar algum sentido ao que, por vezes, parece não ter sentido nenhum.

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Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor (CFE/2021). Por Gilvander Moreira[1]

Desde 1963, há 58 anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), anualmente, durante os 40 dias da quaresma, promove a Campanha da Fraternidade (CF), – de cinco em cinco anos ecumênica a partir de 2000, sob coordenação do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), que tem colocado para estudo, reflexão e ação assuntos desafiadores, clamores ensurdecedores no seio da sociedade. Para este ano de 2021, o Tema é “Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor”. E o Lema: “Cristo é a nossa Paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Efésios 2,14).

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A crise civilizatória brasileira é a manifestação da barbárie como razão de Estado. Entrevista especial com Plínio de Arruda Sampaio Jr

A pandemia global deve se estender, segundo previsão da OMS, até 2023, o que, para o economista, não deve ensejar qualquer otimismo em relação à economia, principalmente no caso brasileiro cujas políticas de austeridade planejadas são desaconselhadas até mesmo pelo FMI

Por: Ricardo Machado, em IHU On-Line

As crises têm o enorme poder de trazer à tona as estruturas que sustentam as sociedades, revelando, para além do verniz de civilidade, qual é, no fundo, a razão de Estado que orienta o governo no Brasil. “A crise civilizatória brasileira se caracteriza pela ameaça crescente que a lógica do lucro representa para a sobrevivência da humanidade e, no limite, do próprio planeta. Ao transformar a barbárie em razão de EstadoBolsonaro levou a reversão neocolonial ao paroxismo. Em poucas palavras, falta um projeto de sociedade que questione pela raiz o neoliberalismo”, pondera o professor e pesquisador Plínio de Arruda Sampaio Jr, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.

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Não dá para esperar as eleições de 2022. Por Gilvander Moreira[1]

No Brasil, estamos imersos em uma gravíssima crise que afeta de diferentes formas as áreas política, econômica, social, ambiental, religiosa, agrária e urbana, entre outras. Estamos sob o sistema capitalista, máquina de moer vidas, que fomenta de muitas formas o egoísmo, a ganância, a usura, a competição, a concorrência, o egocentrismo, o individualismo e o consumismo, que desumaniza muitas pessoas e as reduz a escravos que consentem e assimilam os processos de opressão como se fossem algo natural e inexorável. Fomentadas pela devastação ambiental, as condições objetivas de vida estão entrando em colapso. A mãe Terra também está sendo agredida de diferentes formas: impedida de respirar por queimadas dos biomas, detonada em suas entranhas para a retirada de minério e destruída por monoculturas que não produzem alimentos, mas commodities para a acumulação de capital e resultam em desertificação gradativa de muitos territórios. Eis o ambiente propício para aparição de diferentes formas de vida, entre as quais se destacam os vírus capazes de gerar pandemias cada vez mais letais. 

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Para além do impeachment. Por Márcio Sotelo Felippe

Na Revista Cult

O impeachment de Bolsonaro é absolutamente necessário para cessar o estado de anomia político-moral que ceifa a vida de brasileiros. Cada dia que passa significa a morte de milhares deles. As mãos manchadas de sangue não são mais só as do capitão. São de todas as forças que se movem por interesses políticos, por cálculos estratégicos (“deixa sangrar que ganhamos em 2022” etc.), por interesses pessoais e mesquinhos objetivamente coniventes com a barbárie eugenista do presidente.

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