“Não há razão para haver tanta miséria. Precisamos construir novos caminhos”. Entrevista especial com Ladislau Dowbor

Por: Patricia Fachin, em IHU On-Line

O crescimento das desigualdades no mundo, o agravamento da crise climática, o caos político generalizado e a projeção da Organização das Nações Unidas – ONU de que em 2050 a população mundial chegará a 9,7 bilhões de pessoas exigem uma reorientação do sistema político-econômico global. Na prática, isso significa, entre outras coisas, que é preciso “orientar a economia para o bem-estar das famílias, não para o bem-estar dos mercados que geram mais Wall Street, mais paraísos fiscais e coisas do gênero”, diz o economista Ladislau Dowbor à IHU On-Line.

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Manifesto Feminista por uma Renda Cidadã

Na Espanha, pólo das greves globais do 8 de Março, ativistas e pensadoras provocam: “No capitalismo, trabalho não é orgulho, mas submissão. Temos direito a nosso tempo. Acessar recursos é participar da riqueza que todas produzimos”

Um chamamento coletivo | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

O movimento feminista tem capacidade valente e incontestável de fazer avançar a história, por mais que tenha, agora e sempre, de enfrentar a reação daqueles que não querem que nada mude. Os feminismos impugnam a desigualdade e da opressão e questionam cada uma das estruturas que condenam as maiorias sociais a uma vida desvalorizada para sustentar os privilégios de poucos

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Marcia Tiburi: ameaçado, capitalismo apela à violência policial para intimidar a população

Ultraneoliberalismo se aproveita e estimula medo e tristeza nas pessoas para intimidar e impedir a revolta da população, avalia filósofa e professora

por Redação RBA

Em meio ao aumento da exploração dos trabalhadores e a retirada de direitos sociais básicos, a filósofa e professora Marcia Tiburi avalia que o estímulo ao aumento da violência policial é uma ação planejada da elite econômica para intimidar a população que se vê cada vez mais acuada. “O capitalismo em sua fase atual, selvagem, em que a exploração tem que ser levada ao limite para poder se sustentar, entra também em colapso. E toda essa violência policial serve a isso. A polícia serve como um braço do Estado a serviço do capital. Coloca-se a polícia a pôr medo na população, a matar quanta gente se puder. A partir dessa violência praticada, se produz muito medo”, avalia, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

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Thomas Piketty: “Proponho um imposto que permita dar 120.000 euros a todo mundo aos 25 anos”

Thomas Piketty (Clichy, 1971) se consagrou há cinco anos como um dos economistas mais influentes de sua geração. Seu livro O Capital no Século XXI contribuiu para colocar as desigualdades de renda e patrimônio no centro do debate na Europa e nos Estados Unidos. Piketty, professor da Escola de Economia de Paris, publica agora na Espanha Capital e Ideologia (ainda sem previsão de lançamento no Brasil). Ao longo de 1.200 páginas que cobrem quase meio milênio e quatro continentes, disseca as ideologias que justificaram as desigualdades. E fixa o foco na propriedade privada: a chave que explica tudo.

por Marc Bassets, em El País / IHU On-Line

Eis a entrevista.

O senhor fala em “superar” o capitalismo e a propriedade privada. Superar é um eufemismo? Por que não aboli-los, diretamente?

Prefiro “superar”. Se disséssemos “abolir” ou “suprimir”, seria meramente negativo. Superar permite mostrar que se trata de um processo e obriga a dizer com qual sistema vamos superá-lo.

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Žižek: Bolívia, anatomia de um golpe

É precisamente por terem sido bem-sucedidos que Evo Morales, Garcia Linera e seus seguidores representavam um incômodo tão grande ao establishment liberal.

Por Slavoj Žižek, no Blog da Boitempo

Embora eu seja por mais de uma década um firme apoiador de Evo Morales, devo admitir que, depois de ter lido sobre a confusão que se seguiu a controversa vitória eleitoral de Morales, fiquei mergulhado em dúvidas… Teria ele também sucumbido à tentação autoritária, como ocorreu com muitos esquerdistas radicais no poder? Contudo, depois de um ou dois dias, as coisas logo ficaram claras.

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“O capitalismo é uma crise”

Historiadora questionou o sentido de “estabilidade” nos países capitalistas

Daniel Lamir, Brasil de Fato

Três casos distintos que colocam a atuação do Estado na rota de críticas ao sistema capitalista. Um dos debates do IX Simpósio Internacional de Geografia Agrária (SINGA) juntou denúncias sobre o governo colombiano, reflexões sobre a exploração colonial no Brasil e análises sobre os poderes que envolvem o Estado numa perspectiva histórica e global. As três questões foram apresentadas na mesa “Estado de exceção, crise do capital e processos de autonomia no contexto de ascensão da extrema direita”, na manhã da terça-feira (12), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), campus Recife. Programação que integrou o Simpósio Nacional de Geografia Agrária (Singa).

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Por uma esquerda que dispute o imaginário

É preciso enfrentar o neoliberalismo onde ele foi mais fundo: a construção da subjetividade egoísta, ultracompetitiva, insensível ao outro e ao mundo. Árdua, e frequentemente abandonada, esta luta é possível, e há pistas de como fazê-la

Por Christine Berry* | Tradução: Simone Paz, em Outras Palavras

“A economia é o método: o objetivo é transformar o espírito”. Entender o porquê de Margaret Thatcher ter dito isso é fundamental para compreender o projeto neoliberal — e como devemos caminhar para além dele. Um artigo de Carys Hughes e Jim Cranshaw propõe um desafio crucial para a esquerda com respeito a essa questão. É muito mais fácil contar para nós mesmos uma historinha sobre o longo reinado do neoliberalismo, povoada unicamente por elites onipotentes que impõem sua vontade sobre as massas oprimidas. É muito mais difícil enfrentar com seriedade as maneiras pelas quais o neoliberalismo criou o consentimento popular para levar a cabo suas políticas.

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A difícil fuga da sociedade rottweiler

Seria possível restaurar um capitalismo civilizado e reviver as políticas de coesão social do pós-II Guerra? Que razões estruturais podem ter tornado esta via impossível, exigindo agora uma transição muito mais profunda, incerta e atrevida?

Por Eleutério F. S. Prado*, em Outras Palavras

Esse uso do substantivo próprio “rottweiler”, pesadíssimo, qualifica o quê? Não há dúvida, é com esse indicador de estupidez, bruteza e ferocidade que Paul Collier adjetiva a sociedade que existe atualmente na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos e na Europa: “a despeito da promessa de prosperidade” – diz – “o que o capitalismo moderno está correntemente entregando [principalmente à população mais tradicional desses países] é agressão, humilhação e medo”. É isto, precisamente isto, que ele quis mostrar em seu livro O futuro do capitalismo – enfrentando novas inquietações (L&PM, 2019), recém-publicado.[1]

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Liberalismo e democracia, a história de um divórcio

Por trás da brutal repressão no Equador e no Chile, o desespero: crise de 2008 escancarou modelo insustentável, calcado nas desigualdades. Agonizante, busca sobrevida no autoritarismo. América Latina será o início da insurgência?

Por Almir Felitte*, em Outras Palavras

Na última década, o mundo inteiro parece ter entrado em um momento conturbado de sua história. Desde a grande Crise de 2008, instabilidades políticas e econômicas vêm tomando conta de uma série de países, de potências do centro global a nações mais periféricas, causando convulsões sociais que, por vezes, parecem prenunciar um novo momento revolucionário mundial.

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