Não adianta olhar para o Fórum Econômico Mundial. Por Cândido Grzybowski

do Ibase

Enquanto buscamos nos situar diante da conjuntura política brasileira, devemos também procurar entender como outras resistências se organizam diante da onda de autoritarismo e fascismo mundial e o que propõem como alternativa. Não adianta olhar para Banco Mundial, FMI, OMC, ONU, Fórum Econômico Mundial. De tais esclerosadas instituições nada a esperar com capacidade de dar algum sinal, pois todas são parte da mesma crise. É preciso ir e ver além.

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Carta em defesa dos povos indígenas, dos territórios culturais e dos direitos humanos: “nenhuma gota de sangue a mais”

Na CPT

Em documento, a Arquidiocese de Porto Velho (RO), a Comissão Pastoral da Terra e o Grupo de Pesquisa em Gestão do Território e Geografia Agrária da Amazônia (GTGA) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) destacam: “Não podemos nos silenciar frente a política do atual governo brasileiro que estimula violências contra os povos do campo e comunidades tradicionais, com o objetivo de entregar os territórios culturais aos interesses do capital internacional”. Confira:

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Destruição ecossocial e barbárie. Por Cândido Grzybowski

do Ibase

A onda de calor que nos sufoca é, sem dúvida, um fenômeno climático típico de verão. Mas este, pelas médias históricas, como já é de conhecimento público, está bem acima do normal. O pior é que além do calor imediato, quem acompanha o debate científico em torno à mudança climática tem a cabeça fervendo nestes dias de péssimas notícias. Enquanto aqui no Brasil estávamos em plena disputa do segundo turno eleitoral, o Painel Internacional das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) divulgou um contundente estudo sobre os riscos de total descontrole climático se a temperatura média subir mais de 1,5°C acima do patamar da era pré-industrial. Apesar disto, a COP-24, em Katowice, Polônia, em dezembro último, não passou de um pobre acordo político de intenções mais do que engajamento efetivo na redução das emissões. Não deixa de ser uma grande ironia na conjuntura mundial que a COP, tendo no centro o mandato de enfrentar a descarbonização da economia e das sociedades, tenha acontecido no coração da indústria do carvão da Polônia. Pior seria ter acontecido nos EUA com o líder da maior economia mundial negando que o clima seja uma ameaça, apesar de estar lidando com a intensificação do número e tamanho dos ciclones, o registro de temperaturas particularmente extremas (inverno e verão) e com os devastadores incêndios.

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Projetando o futuro: ensinamentos do triunfo de Bolsonaro para as esquerdas latino-americanas. Artigo de Eduardo Gudynas e Alberto Acosta

No IHU

“Apesar da opressão que poderiam provocar essas manifestações de ressurgimento da extrema direita na América Latina e em outras partes do planeta, não compartilhamos do pessimismo extremo que existe entre alguns atores, ainda que possamos entendê-lo. Um pessimismo que considera que o  capitalismo alcançou uma vitória total na América Latina e que qualquer  opção de esquerda se tornou inviável. Ao contrário, entendemos que esse colapso afeta os progressismos, e que eles deveriam permitir novas opções para reconstruir as esquerdas”, escrevem Eduardo Gudynas, ambientalista e pesquisador vinculado ao Centro Latino-Americano de Ecologia Social – CLAES, e Alberto Acosta, economista, foi presidente da Assembleia Constituinte do Equador e candidato à presidência pela Unidad Plurinacional de las Izquierdas. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

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“África é a última fronteira do capitalismo”, entrevista a Achille Mbembe

por António Guerreiro, do jornal Público, no BUALA

Achille Mbembe esteve em Portugal, em Outubro, para uma conferência na Culturgest que tinha por título Para Um Mundo Sem Fronteiras. A questão da fronteira é fundamental na obra deste teórico africano, nascido nos Camarões, em 1957, com doutoramento em Ciência Política feito em Paris (na Sorbonne), professor na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, África do Sul, e também em Harvard, nos Estados Unidos. A sua obra, objecto de um enorme reconhecimento internacional e traduzida em todo o mundo, compreende livros tão importantes como Crítica da Razão NegraPolíticas da Inimizade (estes dois traduzidos em português e editados pela Antígona) e De la Postcolonie. Essai sur l’imagination politique dans l’Afrique contemporaine.

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Dossiê: Adeus à Embraer?

Venda à Boeing liquida empresa brasileira de sucesso mundial, frustra 50 anos de investimentos públicos e quebra sistema nacional de inovação. Governo pode barrar a venda. Terá coragem?

Por David Deccache, em Economia à Esquerda

O acordo básico

A Embraer anunciou, nesta segunda-feira, dia 17/12/2018, que aprovou, junto com a Boeing, os termos para a formação de uma joint venture na área de aviação comercial. O acordo ainda depende da aprovação do governo brasileiro e dos acionistas. A expectativa da empresa é de que receba o aval em 2019. O acerto prevê que a subsidiária da Boeing no Brasil adquirirá a participação de 80% do capital social no fechamento da operação, por um valor agregado de US$ 4,2 bilhões.  O acordo manteve a possibilidade de a Embraer vender sua participação na joint venture de aviação comercial para a Boeing, a qualquer momento, por meio do exercício de uma opção de venda.  Trata-se, basicamente, da aquisição de controle da Embraer pela Boeing. A Embraer é uma das maiores fabricantes globais de jatos de passageiros e foi a terceira maior exportadora do Brasil em 2017.

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Dowbor: há saída no labirinto capitalista?

Em sua fase delirante, sistema comete todos os desvarios – e os trata como alta sabedoria. Teremos inteligência para escapar da cilada?

por Ladislau Dowbor, em Outras Palavras

The most intellectual creature ever to walk the earth,
is destroying its only home
.” (Jane Goodall)

A burrice no poder tende não só a se perpetuar, como nela se afundar. O acúmulo de bobagens ou de tragédias, a partir de um certo ponto, exigiria tamanha confissão de incompetência, que os donos de poder continuam até a ruptura total. Reconhecer a burrice torna-se demasiado penoso. Barbara Tuchman nos dá uma análise preciosa dos mecanismos, no que ela chama de Marcha da Insensatez: “Uma vez que uma política foi adotada e implementada, toda atividade subsequente se transforma num esforço para justificá-la.” Isso levou, por exemplo, cinco presidentes norte-americanos sucessivos a se afundarem na guerra do Vietnã, apesar da convicção íntima, hoje conhecida, de que era uma causa perdida. A burrice política obedece a uma impressionante força de inércia. (263)

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Fazer política é se engajar na disputa de hegemonia. Por Cândido Grzybowski

do Ibase

Em minha última crônica, de 26/11, defendi a ideia que precisamos voltar a disputar sentidos, direções e propostas no seio da sociedade civil, berço real da democracia como processo transformador. Volto a esta reflexão, desta vez sobre algumas das grandes questões incontornáveis que exigem aprofundado esforço coletivo de análise, debate e ação cidadã, gestando idéias e propostas capazes de agregar nossas diversidades, sem negá-las, e de nos forjar como bloco histórico com vontade para outro Brasil e outro mundo. Tarefa ousada, longa e difícil, que exige determinação e paciência.

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Diante do avanço do populismo de direita, “o único caminho é desenvolver um populismo de esquerda”. Entrevista com Chantal Mouffe

IHU On-Line

Após visitar a Argentina pela última vez em 2015, a cientista política belga Chantal Mouffe retornou ao país esta semana para apresentar seu novo livro e participar do Fórum Mundial do Pensamento Crítico, organizado pelo Clacso. Ao contrário de suas obras anteriores, Por um populismo de esquerda (Siglo Veintiuno Editores) não é um texto de teoria política, mas uma interpelação direta aos diferentes setores da esquerda diante daquilo que chama de “momento populista”, iniciado com a crise do atual modelo neoliberal. (mais…)

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Hegemonia e miséria do “management”

Um pilar oculto do domínio neoliberal sustenta: Estado, escola, família e até a vida pessoal devem orientar-se pelas lógicas e éticas das corporações. É uma prisão, mas há rotas de fuga

Por Marco Antonio G. de Oliveira*, em Outras Palavras

É comum ouvir que o problema do Brasil é de gestão. No entanto, se há uma área em que grande parte dos seus termos, conceitos e valores foram disseminados a ponto de se incorporarem ao senso comum da sociedade contemporânea, essa área é a da gestão, dos negócios, do business. Há menos de uma semana, em um simpósio de início de semestre organizado por uma universidade de renome da capital paulista, com cursos em diversas áreas como filosofia, direito, fisioterapia, psicologia, entre tantos outros, ouvi, do atual executivo-chefe (não mais reitor), que a educação do futuro é a educação empreendedora, do aluno empreendedor, polivalente, inovador, de atitude e sem medo de assumir responsabilidades. Em suma, ele recitou o conhecido conceito pregado pelos estudiosos e profissionais de gestão de pessoas como determinante para o sucesso dos alunos de todos os cursos da universidade: o famoso conceito CHA (competência, habilidade e atitude). (mais…)

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