O processo de construção da identidade social parda no Brasil é fruto de um projeto histórico de apagamento étnico-racial. O Estado brasileiro tem promovido — e ainda promove — um contínuo processo de embranquecimento e silenciamento das identidades negras e indígenas. A análise dos dados do Censo de 2022 e da população carcerária revela que a identidade parda não representa um avanço inclusivo, mas sim a consolidação de um projeto nacional etnocida e discriminatório. O reconhecimento das ancestralidades indígenas e negras segue enfrentando barreiras institucionais e sociais, sustentadas pelo racismo estrutural e pela necropolítica estatal
Bruno Siqueira Pasqualotto*, Le Monde Diplomatique
Sabe-se que o processo de construção das identidades sociais na América Latina é fruto de um processo histórico etnocida. Esse projeto teve por objetivo embranquecer as populações locais, eliminando, muitas vezes, grupos étnicos de negros e indígenas. Para Todorov (2003), no século XVI perpetuou-se o maior genocídio da história da humanidade. Ainda que com dinâmicas distintas, houve uma violência sistêmica orquestrada pelas forças coloniais e pelo próprio Estado, desde sua fundação até os dias atuais. (mais…)
Ler Mais