“Eu queria que os soldados do Exército fossem a júri popular”

Cinco meses após o fuzilamento de Evaldo Rosa pelo Exército, seu sogro, que também foi atingido, conta à Pública por que não acredita na Justiça Militar

Por Natalia Viana, Agência Pública

A entrevista acontece cedinho pela manhã, às 7 horas, quando Sérgio Gonçalves de Araújo sai do trabalho de manobrista na zona do sul do Rio de Janeiro. Depois de tantos anos manobrando carros é difícil para esse senhor de 60 anos recém completados, magro e simpático, entender por que nove membros do Exército brasileiro decidiram disparar 257 vezes contra o Ford Ka em que ele estava. Isso aconteceu há exatos cinco meses. Os soldados afirmam ter confundido o carro com outro veículo, semelhante, que havia sido roubado poucos minutos antes. “Acho que eles visaram mais a cor do carro, porque era a mesma cor: branca. Mas todo carro tem uma placa, todo carro tem uma coisa diferente do outro. Um tem insulfilme nas laterais, não tem na frente, tem atrás, e assim vai… Então, eles visaram a cor do carro e o tamanho do carro. Poderia ser um Ford Ka simples, branco. Ford Ka tem dois, tem o sedan e tem o comum. E aí?”.

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MPF/RJ encaminha ao Congresso Nacional pleito de inscrição de João Cândido como herói da pátria

Pedido deve ser apreciado pelo Legislativo: em 2019, faz 50 anos da morte do marinheiro, conhecido como o “Almirante Negro”

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O Ministério Público Federal (MPF) remeteu à presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, bem como às comissões de direitos humanos das duas casas, o pleito de inscrição de João Cândido no livro de heróis da pátria. O pedido foi feito por entidades da sociedade civil e figuras públicas no Inquérito Civil nº 1.30.010.000055/2019-64, que tramita no órgão. O procurador da República Julio José Araujo Junior, que conduz o inquérito, ressaltou que a atribuição para a definição de heróis da pátria é do Congresso Nacional, por isso fez o encaminhamento. No documento, o procurador ressalta “a importância de João Cândido para a luta contra o racismo no Brasil, bem como o fato de que se completam 50 anos de sua morte neste ano de 2019”.

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Se a casa era grande, por que ter senzala?[1]: O capitaloceno e antropoceno se realimentam[2] !?

Nilma Bentes [3]

Quando jovem, sob ataque constante do racismo, ficava enraivecida diante do que considerava uma injustiça cruel e tentava achar algum jeito de neutralizar uns sentimentos até autoaniquiladores. Penso que qualquer ativista do movimento negro é  sobrevivente pois participar de um, ainda,´exército de pretaleone´,considerando que mais de cem milhões compõem a população negra no Brasil e é desafiador atender,  simultaneamente,  as necessidades da dimensão individual e as de um coletivo subalternizado há séculos – ´ escravizaceno´ acabou?.

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MPF divulga relatório sobre violência religiosa e debate perseguição contra religiões afro-brasileiras

Em seminário realizado na PR/RJ, profissionais de diversas áreas e representantes da sociedade civil debateram o aumento da violência contra religiões de matrizes afro-brasileiras

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O auditório da Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro (PR/RJ) foi palco do seminário “Perseguição religiosa: um estado de coisas:cenários e desafios”. Promovido pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), com apoio da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), o evento aconteceu na última quarta-feira, 28 de agosto. Profissionais de diversas áreas e representantes da sociedade civil debateram o aumento da violência contra religiões de matrizes afro-brasileiras.

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Brasil não é uma sociedade com democracia racial, diz antropólogo

Para Kabengele Munanga, enquanto o país não admitir o racismo estrutural será difícil enfrentar o genocídio negro

Por Redação RBA 

Para o antropólogo brasileiro-congolês Kabengele Munanga, é um mito dizer que o Brasil vive uma democracia racial. Na opinião dele, enquanto o país não admitir o racismo estrutural presente na sociedade e os dados de violência contra população negra aumentarem, será difícil enfrentar o genocídio negro.

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CDHM e CLP vão debater violação de direitos dos povos indígenas e do meio ambiente

Por Pedro Calvi, CDHM

As Comissões de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e de Legislação Participativa (CLP), da Câmara dos Deputados, promovem no próximo dia 5 de setembro, às 9h30, no plenário 9, audiência pública para levantar subsídios e elaborar um diagnóstico sobre a violação de direitos nas políticas de Meio Ambiente e de Povos Indígenas no Brasil e os impactos dessas violações nas políticas sociais. O resultado do encontro também poderá ser apresentado ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, durante a reunião de meio período da Revisão Periódica Universal (RPU), em Genebra, Suíça, de 18 a 20 de setembro.

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Bacurau em Barra: “A gente hoje está no mapa”

Como o povoado Barra, no sertão nordestino, se ressignificou a partir de Bacurau, filme vencedor de Cannes que foi rodado ali

Por Étore Medeiros, Agência Pública

Os 24 quilômetros de estrada de terra que separam a cidade de Parelhas (RN) do povoado Barra, uma das suas comunidades rurais, dão ricas mostras do poder de resistência da caatinga. Ao contrário do que a etimologia sugere – caatinga vem do tupi, “mata branca” – e apesar do clima seco do semiárido nordestino, o verde persiste em fragmentos da paisagem. Meses após o fim das chuvas, enormes caibreiras erguem suas copas a 20, 30 metros de altura, sinalizando os locais onde a água costuma correr em tempos de “inverno” – como os sertanejos chamam a estação chuvosa, de janeiro a abril. Nos fundos dos vales, as sempre verdes carnaúbas – espécie de palmeira endêmica do semiárido nordestino – demarcam o leito seco do rio Seridó, que dá nome à região. O bonito dourado da babugem, capim que sustenta os rebanhos locais, dá os toques finais ao cenário.

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Direito à terra na encruzilhada

O povo de santo e a luta por dignidade

Humberto Manoel de Santana Jr., Conectas Direitos Humanos

Este texto é uma reflexão sobre a importância da discussão sobre o direito à terra para as religiões de matriz africana, em especial o candomblé. Para essa reflexão é necessário compreender as diferentes relações com a terra que se apresentam no choque de civilizações.1 Para uma análise de tudo que está envolvido na luta pela terra é necessária uma breve contextualização do processo de desterritorialização e reterritorialização dos povos africanos que foram arrancados de sua terra de origem. Assim, afirmamos a importância de compreender o combate à intolerância religiosa como parte da luta por direito à terra. A reflexão sobre tolerância religiosa será construída a partir do campo de atuação do racismo que atinge as religiões de matriz africana, permitindo uma convivência dissimulada que utiliza a retórica liberal da tolerância e liberdade religiosa como discurso oficial, enquanto na prática as intolerâncias em suas diversas formas são estimuladas pelos silêncios2 em defesa de um sistema antinegritude.3

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Apoiado por Damares, movimento de ex-gays disputa Conselho de Psicologia

Psicólogos evangélicos foram recebidos pela ministra e buscam vencer eleição no conselho para autorizar terapia que pretende transformar LGBTQI+ em ex-homossexuais

Por Ana Karoline Silano, Bruno Fonseca, Agência Pública

“Existe muito em prol de se tornar natural o que não é natural. Mas ninguém está dizendo para você que você pode decidir não continuar com esse estilo de vida”, sugere Deuza Avellar, psicóloga, membro da Primeira Igreja Batista de Curitiba e autointitulada “ativista pró-família”, em um vídeo gravado em uma bucólica fazenda no interior do Paraná. De blusão roxo, ela se senta entre dois homens que compartilham seu testemunho: ex-homossexuais que, com ajuda religiosa e psicológica, abandonaram o “estilo de vida” e se converteram em pastores evangélicos. “Se você acha que é [homossexual], eu digo que você está. Não é uma condição permanente”, garante a psicóloga.

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