Pandemia e violência doméstica: um beco sem saída se não houver políticas públicas efetivas de proteção às mulheres. Entrevista especial com Fernanda Vasconcellos

De acordo com a pesquisadora, o enfraquecimento das redes de proteção às mulheres torna a situação brasileira, que historicamente é ruim, urgente e dramática

Por Ricardo Machado, no IHU

No Brasil a violência de gênero é uma das indeléveis marcas de como nossa civilização foi construída, também, sobre os alicerces da violência. A crise sanitária global, combinada com políticas públicas conservadoras em relação à proteção das mulheres, produziu novos contornos em relação a esta problemática no Brasil. “A situação brasileira é realmente lastimável no que se refere a estratégias de proteção e enfrentamento da violência contra as mulheres durante a pandemia: apenas foram ampliados serviços online e telefônicos para o atendimento de mulheres em situação de violência. Um reflexo disso, unido à dificuldade de acessar os serviços físicos de atendimento, é o aumento de 3,9% de procura pelos serviços de atendimento das polícias militares, o disque 190”, explica a professora e pesquisadora Fernanda Vasconcellos, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.

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Estado do Paraná registra um caso de feminicídio a cada dois dias

Paraná fechou ano de 2020 com aumento no número de inquéritos de feminicídio e diminuição no número de denúncias

Ana Carolina Caldas, Brasil de Fato

Só neste primeiro mês de 2021, a cada dois dias, foi registrado um caso de feminicídio ou de tentativa de assassinato a mulher no Paraná. Entre os casos, uma mulher de 48 anos foi assassinada a facadas por um homem que a conhecia, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. O crime aconteceu no primeiro dia de 2021.

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Para pesquisadoras, feminicídio no fim do ano não é pontual, e sim questão estrutural

Somente entre os dias 24 e 25 de dezembro, seis casos ganharam destaque em veículos de comunicação nacionalmente

Caroline Oliveira, Brasil de Fato

No dia 24 de dezembro, Loni Priebe de Almeida, de 74 anos, foi morta com um tiro na cabeça pelo ex-marido, no Rio Grande do Sul. No mesmo dia, Viviane Vieira do Amaral, de 45 anos, foi morta com 16 facadas, na frente das três filhas pequenas, pelo ex-marido, no Rio de Janeiro. Também na véspera de Natal, Thalia Ferraz, de 23 anos, foi morta com um tiro disparado pelo ex-companheiro, na frente de seus familiares, em Santa Catarina. Também com tiros, Evelaine Aparecida Ricardo, de 29 anos, foi morta ao atender a um chamado no portão de sua casa e se deparar com o namorado carregando uma arma. 

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Caso Viviane: Judiciário machista retroalimenta a violência contra mulheres. Por Kenarik Boujikian

No Universa

O brutal assassinato da juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, praticado pelo ex-marido, na frente das três filhas, coloca em foco o retrato de feminicídios que acontecem, neste exato momento, pelo Brasil afora, numa manifestação de selvageria em seu estado mais agudo.

O substrato desta violência contra mulheres é termos uma sociedade essencialmente patriarcal, em que há uma desigualdade estrutural de poder, que inferioriza e subordina as mulheres aos homens e no qual nossos corpos ainda são considerados objetos de poder e controle.

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Outras Cartografias: Feminicídio na América Latina

Continente amarga maiores taxas no mundo — e pandemia piorou a situação. Brasil é líder em números totais; El Salvador e Honduras estão na frente nos relativos. Crimes na região podem ser vistos como continuação da violência colonial

Por Giovanna Moscatiello*, na coluna Outras Cartografias

As cifras de violência feminicida nos territórios latino-americanos chamam atenção não apenas pelo alto número de crimes, mas também em intensidade de crueldade. A região que compreende grande parte da extensão continental das Américas do Sul e Central, recebe este nome devido ao passado colonial relacionado aos processos de colonização e invasão Ibérica de espanhóis e portugueses. Com exceção das Guianas, Suriname, Belize e Jamaica, a América Latina corresponde a uma totalidade de 20 países, incluindo o México (único país da América do Norte considerado parte da América Latina). Como um sintoma da crise social/política/econômica que nos assola, como se houvesse uma continuação da violência colonial, nós, mulheres latinas, convivemos com o lema: corpo de mulher, perigo de morte.

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O que as mensagens de Robinho revelam sobre os grupos de Whatsapp dos homens

Segundo pesquisadora Valeska Zanello, para combater o estupro e o feminicídio, do ponto de vista da saúde pública, é necessário encarar o vetor: a masculinidade violenta

Por Ethel Rudnitzki, Agência Pública

Muito se fala sobre a desinformação que circula pelas redes sociais, em especial pelo Whatsapp. Mas além de fake news, as trocas de mensagens nessas redes também reforçam comportamentos sexistas e violentos, segundo uma pesquisadora que tem se debruçado sobre o assunto.  

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Mulheres em quarentena: a tripla jornada tem sido regada por violência

Confira artigo de Vanúbia Martins, agente de pastoral da CPT em Campina Grande (PB) sobre violência contra a mulher em tempos de pandemia: “Em tempos diferentes da humanidade, sempre se encontrou formas de culpabilizar as mulheres pelos males que as afligem e que afligem a sociedade. Ontem, chamaram-lhes de bruxas e de loucas. Hoje, são elas que provocam a violência doméstica da qual são vítimas, ‘porque os homens não aguentam tanta reclamação’; e, ademais, sempre que grandes mudanças acontecem são elas que primeiro ‘pagam o pato’”. Confira:

CPT

Vivemos um tempo difícil. Estamos enfrentando um dos maiores desafios de nossas vidas: uma guerra contra um invisível, a qual tem envolvido toda população da Terra – para o bem ou para o mal. Vivemos um momento em que as relações afetivas, produtivas e educativas estão na esfera virtual, sem conjunção de corpos, abraços e proximidades. A terra se converteu em uma grande necrópole, e precisamos nos evitar. Não teremos, por um tempo, conjunção coletiva de corpos.

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Tiroteios aumentam durante pandemia e mulheres continuam vulneráveis dentro de casa

Por Débora Britto, em Marco Zero Conteúdo

Nos seis primeiros meses de 2020, a Região Metropolitana do Recife teve uma média de cinco tiroteios por dia. É o que aponta o levantamento da plataforma Fogo Cruzado. que registrou 869 tiroteios e disparos de arma de fogo no período. Em comparação com o primeiros semestre de 2019 (quando foram registrados 717 disparos e/ou tiroteios), houve aumento de 21% em 2020, mesmo com a pandemia. 

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Presidência da Comissão de Direitos Humanos envia informações à ONU sobre violência contra a mulher no Brasil

O documento aponta que propostas do governo não têm orçamento previsto nem prazo de execução, razão pela qual seriam “mera carta de intenções”

por Pedro Calvi / CDHM

De acordo com o Atlas da Violência de 2019, houve crescimento dos homicídios femininos no Brasil em 2017, com cerca de 13 assassinatos por dia. Ao todo, 4.936 mulheres foram mortas, o maior número registrado desde 2007. Em 2017, 66% das mulheres assassinadas eram negras. E segundo pesquisa divulgada pela Folha de São Paulo, em 2019, houve aumento de mais de 30% nos registros de feminicídio em São Paulo, Santa Catarina, Alagoas, Bahia, Roraima, Amazonas e Amapá. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 88,8% dos casos o autor foi o companheiro ou ex-companheiro. Houve, também, crescimento das mortes por arma de fogo praticadas dentro de casa.

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