Abrasco: Nota de repúdio ao relatório assinado pelo presidente do Ipea sobre a fome no Brasil

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), com espanto e indignação, tomou conhecimento do documento oficial “Expansão do programa Auxílio Brasil: uma reflexão preliminar”, assinada única e exclusivamente pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Erik Alencar de Figueiredo.

Na nota questiona-se a alta prevalência da insegurança alimentar no Brasil, com base nos dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) sobre indicadores de saúde. Oferecendo uma análise distorcida da realidade, aponta-se que, apesar de organizações alertarem para o aumento da fome no Brasil, as informações do SIH não registram o avanço da desnutrição, ignorando a complexidade e a determinação social da insegurança alimentar e nutricional. Negar a atual extensão da insegurança alimentar brasileira (principalmente a do tipo grave, referente à fome), além de ignorar uma situação vista diariamente nas ruas, é negar a ciência e tentar criar uma vida imaginária que milhões de brasileiras e brasileiros, infelizmente, não vivenciam atualmente. (mais…)

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Vão-se os bois, ficam os danos

Moradores de Aurora do Tocantins, onde o rebanho bovino é maior do que a população, nem sempre têm acesso à carne vermelha, mas precisam lidar com impactos ambientais

Por Giullia Vênus, em Agência Pública

Nas margens do rio Sobrado, a chácara Curva do Rio Presente de Deus Família Feliz, no município de Aurora do Tocantins (TO), é cercada por terras de grandes fazendeiros produtores de gado que chegaram principalmente a partir da década de 1980. A família de nove pessoas que vive ali, numa pequena propriedade, se sustenta trabalhando nos abates. Os miúdos ganhos no corte da carne bovina das grandes fazendas são, muitas vezes, o alimento disponível para eles. (mais…)

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Audiências do MPF evidenciam extinção da pesca no Xingu pela barragem de Belo Monte (PA)

Sete mil pescadores enfrentam escassez de peixes desde 2015 e exigem reparação do Ibama e da Norte Energia

Ministério Público Federal no Pará

Antes habituados à fartura de peixes de um dos maiores rios amazônicos, os pescadores da região do médio Xingu, no Pará, passam por dificuldades para sustentar suas famílias desde as obras da hidrelétrica, quando começaram as explosões no rio e a mortandade de peixes. “Antes eu nunca vi pescador mendigar cesta básica e agora dependemos de cesta básica porque hoje não tem mais peixe para sustentar nossa família. Tomaram o que é nosso, tomaram nosso peixe e tomaram as nossas vidas”, disse o pescador Áureo da Silva Gomes, que mora na área do reservatório da usina, em uma das duas audiências públicas promovidas pelo Ministério Público Federal (MPF) em Altamira e Vitória do Xingu esta semana para debater a situação. (mais…)

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“A fome é uma opção de governo”, afirma dirigente do MST em audiência

Audiência pública “Carestia, fome e segurança alimentar e nutricional no Brasil” teve participação de movimentos populares, pesquisadores e parlamentares

Por Janelson Ferreira, na Página do MST

Na tarde desta terça-feira (2), ocorreu na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, em Brasília, DF, a audiência pública “Carestia, fome e segurança alimentar e nutricional no Brasil”. A atividade atendeu a requerimento do deputado Rogério Correia (PT-MG). 

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Eleições 2022 e a disputa pela hegemonia: camisetas vermelhas, o branco da paz e o verde amarelo dos patriotas. Entrevista especial com Jean Marc von der Weid

Conservadores e esquerdistas precisariam construir pontes para ampliar as manifestações antigolpistas, diz o ex-presidente da União Nacional dos Estudantes – UNE. Enquanto isso, afirma, “o povão apenas registra que o litro de leite está custando quase o dobro do litro de gasolina comum. Simbolicamente, esta é a eleição do miojo com salsicha, o novo prato nacional, para os que ainda têm um prato”

Por: Patricia Fachin, em IHU

Se, de um lado, a discussão em torno da construção de uma terceira via para a disputa eleitoral é um tema que está em voga ao longo da última década no país, de outro, este debate é suplantado a cada quatro anos pela defesa da bipolaridade que tem girado em torno do PT, representando o campo progressista, e candidatos de outros partidos, como Bolsonaro, nos dois últimos pleitos. Nos últimos três anos, propostas de vias políticas alternativas foram descartadas, segundo o economista Jean Marc von der Weid, “pela resiliência de Bolsonaro e pela desidratação dos vários candidatos da terceira via”.

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A urgência da fome é a urgência pela democracia 

A soberania e a segurança alimentar andam junto com práticas democráticas

Denise De Sordi, Brasil de Fato

“Geografia da fome”, de Josué de Castro (1) é um livro que nos chama à ação. Daqueles que lemos e nos sentimos atordoados. Tem um sentido de urgência, de chamado da história. Foi este livro que nos explicou – e segue nos lembrando – que a fome não é natural, é um “fenômeno” social, é “marcante”, é “regular”, é “gritante” e é “extensa”. Um “problema” que, na década de 1940 – quando foi publicado, demandava uma “nova perspectiva” ofertada pelas ciências humanas e sociais, que estava ali, pelas mãos do autor, articulada num “método geográfico”, permitindo o estudo do problema sem “arrebentar as raízes que o ligam subterraneamente a inúmeras manifestações econômicas e sociais da vida dos povos” (p.16). A publicação deste livro, mais do que alertar para a fome, permitiu ainda dizer em alto e bom som que o acesso aos alimentos está ligado à renda dos trabalhadores.  

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Josué de Castro: Brasil da fome, ontem e hoje

O flagelo retorna e já assola 58% dos lares brasileiros. Sete conceitos do pensador pernambucano – como a ciência engajada – são pistas para superá-lo. Será preciso entender complexa geografia das injustiças e outro modelo de desenvolvimento

Por Renato Carvalheira do Nascimento, em Outras Palavras*

O teórico pernambucano Josué de Castro se inscreve no rol de intelectuais que apresentaram formas originais de compreender a realidade brasileira. Com ele, veio abaixo a imagem de um Brasil generoso, de natureza colossal e exuberante, no qual supostamente não haveria escassez de alimentos. Por meio de sua extensa e profunda obra, Josué de Castro descortinou um Brasil que, de norte a sul, de forma direta ou indireta, estava marcado pelo problema da fome — não tanto devido às condições naturais, mas, sobretudo, por causa do próprio homem e da estrutura socioeconômica implantada no país.

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