Produção de alimentos: um meio local para enfrentar as mudanças climáticas. Entrevista especial com Luciléia Granhen Tavares Colares

“Nosso consumo está muito atrelado à política do nosso país acerca da produção e consumo de alimentos”, diz a nutricionista

Por: Patricia Fachin, em IHU

Especialista em alimentação coletiva, Luciléia Granhen Tavares Colares pesquisa os processos de produção de alimentos para verificar seus impactos socioambientais. Inspirada em Josué de Castro, médico e ativista brasileiro engajado no combate à fome, ela lembra que “o sistema econômico e social de um local é gerador de fome e de impactos ambientais”. Isso significa, explica, que “não basta aumentar a produção para acabar com a fome, como acreditava-se no passado, ao associar o problema da fome à produção. Hoje, sabemos que não é assim porque produzimos o suficiente para a alimentação; temos problemas de acesso e de outra ordem no sistema agroalimentar”. (mais…)

Ler Mais

O imprescindível resgate da governança orçamentária

Após governo marcado pelo chamado orçamento secreto no Congresso, o Executivo precisa recuperar prerrogativas cedidas ao Legislativo em matéria orçamentária, com transparência e critérios para distribuição de recursos.

Rodrigo Oliveira de Faria, na Deutsche Welle

Os desafios para o futuro governo federal em relação à temática orçamentária são enormes. A multiplicidade de regras fiscais tem se revelado insuficiente para garantir previsibilidade e credibilidade para a política fiscal. E o cenário de teto de gastos, com o crescimento das despesas obrigatórias, implicou em fortes restrições orçamentárias para as despesas discricionárias. (mais…)

Ler Mais

Os defensores da austeridade estão nus. Por Pedro Alcântara

Após seis anos de teto de gastos, economia está arrasada e metade da população vive sob ameaça da fome. Sequer a dívida pública baixou. Sem entregar nada, “mercado” quer impedir Lula de enfrentar a fome e reconstruir o país

No Outras Palavras

As recentes críticas de Lula à política fiscal em voga no Brasil deixaram setores do mercado financeiro e seus apologistas da mídia em polvorosa. O presidente eleito tem apontado corretamente o papel deletério do atual modelo econômico, fundado em regras fiscais retrógradas, no agravamento da delicadíssima situação social do país. O simples fato da questão vir ao debate público incomodou claramente os defensores da austeridade, pois tirou o véu de um plano reacionário e concentrador de renda, vendido como a salvação do país, aprovado por um governo advindo de um golpe, há 6 anos, e em geral mantido por um governo fascistoide, sem qualquer debate com a sociedade. (mais…)

Ler Mais

Pesquisa apresenta panorama inédito dos bancos de alimentos do Brasil

Fiocruz Minas

O combate à fome tem sido pauta de muitos debates no Brasil, desde que a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou, em julho deste ano, a volta do país para o mapa da fome. Um estudo da Fiocruz Minas traz informações que poderão contribuir para as discussões, ao traçar um panorama inédito de todos os bancos de alimentos que atuam no território brasileiro. A pesquisa mostrou quantos são, como estão distribuídos pelo país, de que forma desempenham suas atividades e ainda se estão cumprindo os objetivos a que se propõem. O estudo é fruto da tese de doutorado da estudante do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Fiocruz Minas Natalia Tenuta, sob orientação do pesquisador Rômulo Paes, líder do Grupo de Políticas de Saúde e Proteção Social. Os resultados da pesquisa, encomendada pelo Ministério da Cidadania, foram divulgados em um relatório técnico. (mais…)

Ler Mais

Recursos da alimentação escolar parados em conta, enquanto mães solo quilombolas e rurais do Nordeste vivem insegurança alimentar

Em cidades do Maranhão e de Alagoas, estados com índices graves de fome, chega a faltar comida nas escolas. Biscoito e suco são mais comuns do que frutas e verduras. E nossas repórteres encontram milhares de reais parados nas contas das prefeituras

Adriana Amancio e Anelize Moreira, especial para Gênero e Número e O Joio e O Trigo

“No início das aulas leva de dois a três meses para chegar a merenda na escola. Neste ano, chegou só em maio, depois de muita briga na Secretaria [Municipal] de Educação. Eles falam que é falta de dinheiro. Faltou alimentação na maioria das escolas rurais, tem criança que até passou mal por falta da merenda. Sem merenda é sofrimento, pobreza total e muita luta.” Esse é o relato da mãe solo e agricultora Maria de Jesus Laranjeiras, 37 anos, sobre a falta de merenda nas escolas Maria Salete Moreno e Maria Aragão, localizadas na zona rural de Itapecuru Mirim, a 108 quilômetros de São Luís, no Maranhão. (mais…)

Ler Mais

Contra a fome, a agroecologia

Movimento agroecológico defende a retomada, o fortalecimento e o aprimoramento de políticas públicas de base agroecológica que contribuíram para a redução da insegurança alimentar no passado

André Antunes – EPSJV/Fiocruz

Entre todo o conteúdo divulgado pela mídia ao longo do último ano a respeito da escalada da fome no Brasil em meio à pandemia de Covid-19, sem dúvida uma das imagens mais marcantes foi a da chamada ‘fila dos ossos’, que mostrava dezenas de pessoas passando a noite na fila para conseguir pedaços de ossos com retalhos de carne distribuídos por um açougue em Cuiabá em 2021. Era um prenúncio do cenário de agravamento acelerado da insegurança alimentar no país, que ganhou contornos mais concretos a partir de abril de 2022, quando foram divulgados os dados do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, produzido pela Rede de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan). Segundo o levantamento, 33,1 milhões de brasileiros conviviam cotidianamente com a fome no país, um aumento de mais de 73% em relação aos números do final de 2020, quando o 1º Inquérito produzido pela Rede Penssan durante a pandemia apontou que 19,1 milhões de pessoas não tinham o que comer. No total, o número de pessoas convivendo com algum grau de insegurança alimentar no país saltou de 117 milhões para 125 milhões no período, o equivalente a mais da metade da população brasileira. (mais…)

Ler Mais