Dos rolezinhos à orla da praia, o incômodo branco com corpos que “não pertencem”. Por Jessica Santos

Newsletter da Ponte

Dezenas de jovens na praia. É isso que a imagem mostra. Mas eles não estão se divertindo como se esperaria. Estão todos com as mãos na cabeça, enfileirados ao longo do calçadão da praia. Parece alguma prova daquela série coreana Round 6, mas é a vida real. Esses rapazes estão tomando uma geral, acusados de um arrastão que sequer foi confirmado. Em sua esmagadora maioria, são negros.

O público que está ali grava a ação como se fosse uma atração turística e não há quem reaja. Outras pessoas caminham, olham para aqueles jovens e seguem a vida como se não fosse uma imagem, no mínimo, escandalosa. Uma viatura da PM transita como vigilantes, enquanto a GCM de Santos cumpre um suposto papel. Aos jovens que estão com bicicletas, é pedido as notas fiscais de cada uma delas. Ao não apresentarem esse documento, eles têm seu meio de locomoção apreendido. Porque é óbvio que todo mundo anda por aí com uma pasta de todas as notas fiscais dos produtos que possui (contém ironia). (mais…)

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A despedida da drag queen que revolucionou a educação popular no Brasil. Por Milly Lacombe

No UOL

Rita Von Hunty quebrou. A personagem criada pelo professor Guilherme Terreri disse, em vídeo publicado sem seu cana no Youtube, que precisa parar. Guilherme e Rita não suportaram seguir nesse mundo dentro do qual genocídios são tratados como disputas, tretas, polêmicas. Ecoaram o que escreveu Vladimir Safatle em “O Alfabeto das colisões”: a verdadeira decisão ética aqui consiste em recusar qualquer compromisso com a permanência de uma situação histórica fundada na infelicidade de muitos. Nesses casos, a felicidade acaba por ser uma arma apontada contra a consciência da irreconciliação. Ela é apresentada como uma fortaleza individual, mas se realiza na verdade como capitulação”. (mais…)

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Butler vê-se presa na rede kafkiana de Trump

“Serei vigiada? Minhas viagens serão restritas?”, questiona filósofa, que está em lista enviada ao governo dos EUA, com suspeitos de “antissemitismo”. Em resposta, ela compara as perseguições da Casa Branca às sofridas por K, em O Processo

As perseguições políticas que agora marcam o cenário norte-americano, e que se intensificam a cada dia sob Trump, acabam de fazer uma vítima ilustre. Em 7 de setembro, a filósofa Judith Butlher, professora da Universidade de Berkeley, foi incluída numa lista de 160 professores e estudantes da instituição acusados de antissemitismo. (mais…)

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UPAL: “Israel não está lutando contra o Hamas. Está aniquilando uma população inteira com o apoio dos EUA e a cumplicidade covarde do mundo”

Editorial da União Palestina da América Latina

250.000 pessoas expulsas de suas casas em Gaza. 1.500 prédios residenciais arrasados ​​em um mês. Um quarto da população exterminada.

O que está acontecendo em Gaza transcende a ideia de uma operação militar dirigida exclusivamente contra um grupo armado. Não estamos falando de um confronto entre exércitos com regras — estamos falando da destruição deliberada de uma população civil, do apagamento sistemático de bairros, hospitais, escolas, vidas — enquanto poderes e governos fazem vista grossa ou fornecem o apoio necessário para que essa destruição continue. (mais…)

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Israel: a hora dos sádicos. Por Antonio Martins

Isolada e odiada em todo o mundo, Tel Aviv tenta nova fuga para frente e inicia invasão brutal de Gaza. Só Trump a apoia. Cresce o clamor por sanções internacionais. Mas os palestinos vivem seu martírio, enquanto o mundo hesita

Em Outras Palavras

Fatima e Omar

As primeiras colunas de blindados já haviam penetrado na Cidade de Gaza, nesta terça-feira (16/9), e Fatima al-Zahra Sahweil não tinha como tomar uma decisão. Os comunicados dos ocupantes exigiram que esta jornalista de 40 anos rumasse, com mais 1 milhão de pessoas, para o sul do território — mas a estrada precária que beira o mar estava bloqueada pela multidão em fuga. Além disso, como 90% dos habitantes do enclave, ela foi obrigada a se deslocar várias vezes desde que Israel lançou a guerra, e estas mudanças a deixaram, junto com seus quatro filhos, sem nada além das próprias roupas. A sorte as livrou, até agora, de estar entre 65 mil mortos e 165 mil feridos (muitos amputados), vítimas de Israel. Porém, “não tenho uma tenda para nos abrigar, e já não posso comprá-la. Não teria como levar o que ainda nos resta. Além disso, será muito penoso procurar água e faltam espaços. Se sair, irei rumo ao desconhecido”, disse ao Guardian. (mais…)

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Como a ONU poderia agir hoje para impedir o genocídio na Palestina

Um mecanismo pouco utilizado da ONU, imune ao veto dos EUA, poderá trazer proteção militar ao povo palestino – se assim o exigirmos

Por Craig Mokhiber, em Fórum 21

Após vinte e dois meses de carnificina sem precedentes, três coisas estão claras: (1) o regime israelense não acabará com o genocídio na Palestina por sua própria vontade, (2) o governo dos EUA, principal colaborador de Israel, bem como a maioria dos israelenses, e os representantes e lobbies do regime no Ocidente, estão totalmente comprometidos com esse genocídio e a destruição e apagamento de todos os remanescentes da Palestina, do rio ao mar, e (3) outros governos ocidentais, como o Reino Unido e a Alemanha, bem como demasiados estados árabes cúmplices na região, estão totalmente dedicados à causa da violência israelense – impunidade. (mais…)

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