Cadê a infância na Favela? À medida que aumentam os tiros por Policiais no Rio, crianças são atingidas por disparos

Quando ouviu os tiros, Simone Barros pensou em seu filho.

Por Marina Lopes, Terrence McCoy, no Rio On Watch

Aos 11 anos, Kauã havia acabado de entrar no que Simone considerava o período mais perigoso de sua vida. Ele tinha idade suficiente para parecer uma ameaça, e todos os dias ela acordava temendo que aquele fosse o seu último dia. Que a polícia chegaria, o confundisse com um membro de uma facção, e o matasse a tiros.

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Rio sofre a morte de Ágatha Felix e protesta contra a sangrenta Política de Segurança do Estado

por Edmund Ruge, em RioOnWatch

Milhares de pessoas ocuparam os degraus da Alerj na noite de segunda-feira, 23 de setembro, em lamento à morte de Ágatha Felix, de oito anos, e em protesto contra a política de segurança do governador Wilson Witzel. O ato de segunda-feira à noite, organizado por movimentos estudantis e pelo movimento “Parem de Nos Matar!“, marcou o terceiro dia consecutivo de protestos desde o assassinato de Ágatha na noite de 20 de setembro.

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Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência se manifesta sobre escalada de violência policial no RJ

Leia abaixo o manifesto da Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos contra a política do governo do Estado e o aumento da violência policial no Rio de Janeiro.

A Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos é formada por centros de pesquisa vinculados a universidades como UFRJ, UFF, UERJ, PUC, UCAM, FIOCRUZ e a outras instituições de ensino e pesquisa do Rio de Janeiro. Muitos de nós estudam o problema da violência e da segurança pública em nosso estado há mais de vinte anos. É por essa trajetória que manifestamos publicamente nosso repúdio ao direcionamento do governo do estado para a segurança no Rio de Janeiro.

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Como vocês se atrevem? Por Eliane Brum

Greta Thunberg e Ágatha Félix: as infâncias morrem junto com as democracias

No El País

De forma deliberada, com método, Jair Bolsonaro mostrou, na abertura da Assembleia Geral da ONU, que é capaz de tudo. A Amazônia queimou diante do mundo e o presidente contra o Brasil diz ao planeta: “Nossa Amazônia permanece praticamente intocada”. E sua mentira é traduzida para todas as línguas. Depois, ele cita um versículo da Bíblia: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Bolsonaro goza com poder dizer qualquer coisa num palanque global. É assim que ele defeca pela boca, sim, mas defeca sobre a ONU. Não está ali desqualificando a si mesmo, mas todos os outros obrigados a escutá-lo mentindo como quem respira. Não está ali demonstrando sua inépcia, mas sim tornando ineptos todos os princípios que a Organização das Nações Unidas representam. Abriu a reunião mais importante do ano defendendo uma ditadura que sequestrou, torturou e executou cidadãos em nome do Estado. Bolsonaro sabia o que fazia, faz e fez o que disse que faria, faz e fez o que foi eleito para fazer.

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Rio de Janeiro. A guerra contra os pobres: militarização e violência estatal

Em um estudo comparativo entre a realidade das favelas do Rio e os territórios palestinos ocupados, a pesquisadora Gizele Martins reflete: “O que os moradores do conjunto de favelas da Maré viveram durante a Copa do Mundo de Futebol não é muito diferente do que vivem os palestinos. A militarização da vida é algo constante e assustador. Lá são os caças que atravessam diariamente a vida das pessoas, aqui, são os caveirões aéreos (helicópteros blindados e armados). O trágico é perceber que há uma naturalização mundial da violência que ambos os povos sofrem por parte dos poderes estatais e militares”.

por Alberto Azcárate, em El Salto / IHU On-Line*

De fato, existem várias relações e analogias que autorizam a comparação: o Batalhão de Operações Especiais Carioca treina em Israel. O Brasil é o quinto maior comprador mundial de armas israelenses. Os carros blindados que rodam nas grandes cidades brasileiras são da mesma procedência. O Rio de Janeiro, como a Palestina, ostenta seu “muro da vergonha”, construído em 2009 para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, perto do complexo de favelas da Maré. As autoridades o chamaram de “barreira acústica”, argumentando que era para preservar seus habitantes do ruído dos carros – a favela existe desde 1940. Ninguém duvida que o muro foi levantado para evitar que os estrangeiros, que assistiram os eventos, soubessem que – para muitas pessoas – a cidade estava longe de ser ‘maravilhosa’.

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No país onde ser criança é coisa de branco

Por Fausto Salvadori, editor e repórter da Ponte Jornalismo

“Raquel chora seus filhos e não quer consolação, porque eles já não existem”, escreve o Evangelho de São Mateus, citando o profeta Oséas, ao descrever o Massacre dos Inocentes, a chacina de crianças cometida na vila de Belém pelo braço armado do governo Herodes.

Matar crianças. É uma prática que costuma ser vista como o maior dos crimes, algo além do justificável e do compreensível, tão horrível que é repudiada até pelos que fazem do crime o seu modo de vida.

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PFDC defende que investigação sobre morte da menina Ágatha seja conduzida pelo Ministério Público

Medida cumpre determinação já feita ao Estado brasileiro em sentença da Corte IDH que tratou da violência policial no caso Favela Nova Brasília, em 2017

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal, encaminhou nesta segunda-feira (23) ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e à Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro um ofício no qual defende que a investigação sobre o assassinato de Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos – ocorrido na última sexta-feira (21) – deve ser conduzida diretamente pelo Ministério Público no estado.

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As lágrimas por Ágatha no Complexo do Alemão, onde crianças se habituaram a fugir de tiros

Centenas de pessoas se reuniram neste domingo chuvoso no Complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, para exigir Justiça por Ágatha Félix, uma menina de oito anos assassinada na noite da última sexta-feira por um tiro de fuzil nas costas durante uma ação da Polícia Militar (PM). Ela foi atingida quando estava dentro de uma Kombi, ao lado da mãe. A polícia afirma que a tragédia ocorreu em uma troca de tiros com bandidos, o que testemunhas negam — elas apontam que a bala partiu de um policial que mirou um motociclista próximo. Em um ato carregado de dor e emoção, moradores, ativistas e artistas ecoaram a fala do avô Airton Félix que viralizou nas redes sociais neste fim de semana: a de que sua neta era estudiosa, falava inglês, tinha aula de balé e era filha de um trabalhador. E relembraram o triste cotidiano da comunidade, onde os tiroteios são frequentes. “Eu tenho filha, e ela fica desesperada quando vai para a escola. Quando dá tiro, ela quer descer para debaixo da pia”, discursou um mototaxista que acompanhava o cortejo. Ágatha foi a 16ª criança baleada no Rio neste ano, segundo a plataforma Fogo Cruzado — quase duas por mês.

por Felipe Betim, em El País / IHU On-Line

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Sobre homens e monstros: Witzel, Bolsonaro, Weintraub, Milton Friedman, doutrina de choque e neoliberalismo

Por Vinícius Augusto Pontes de Carvalho*, no Jornalistas Livre

Vocês estão horrorizados com a política do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel de fuzilamento de escolas, pedreiros, mulheres com bíblia na mão, crianças com chuteira na mochila e casas de moradores?

Estão horrorizados com a promessa de violência prometida por Bolsonaro, Ônix Lorenzoni e Weintraub, caso a previdência não fosse aprovada ou o Future-se não passe?

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Governo Witzel solta nota protocolar sobre morte de Agatha e diz que policiais “revidaram”

“Não tinha ninguém. Ele atirou por atirar na kombi. Atirou na kombi e matou minha neta. Isso é confronto?”, questionou o avô de Agatha

Na Fórum

Depois de mais de 24h do assassinato da menina Agatha Félix, de 8 anos, o Governo do Rio de Janeiro, comandado por Wilson Witzel (PSC) finalmente se pronunciou neste domingo (22), em nota. A postagem diz lamentar a morte, que aconteceu após a menina ser atingida por tiro de fuzil da Polícia Militar (PMERJ) enquanto voltava para casa com sua família, e afirmou que os PMs revidaram a uma agressão que sofreram em confronto, reafirmando a versão da PMERJ. Moradores e familiares de Agatha afirmam que não houve troca de tiros.

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