Líderes autoritários ocupam brechas deixadas pelo pensamento crítico, razão e autonomia dos sujeitos, operando como seus superegos, que falarão e agirão em seu nome. Neofascismo brasileiro cresce no solo da escravidão e da colonização exploratória
Por: Márcia Junges, em IHU
Em sua escuta na clínica psicanalítica, Sigmund Freud tinha acesso a um observatório privilegiado não apenas para estudar a psique humana, mas também para refletir acerca da “formação subjetiva do poder naquele momento de crise do mundo liberal clássico”, argumenta o psicanalista político Tales Ab’saber na entrevista concedida por telefone ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Olhando para os fenômenos sociais em curso, quando escreve Psicologia de massas e análise do eu, em 1921, Freud analisava construtos psíquicos que reverberavam em comportamentos subjetivos e também sociais, como a adesão a líderes fascistas como Hitler e Mussolini, cujo poder de hipnotismo irracional segue reverberando em pleno século XXI, na personificação de presidentes como Bolsonaro, Trump e Orbán. (mais…)
